<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-37794330</id><updated>2011-07-14T16:59:16.476+01:00</updated><title type='text'>sexo.na.noite</title><subtitle type='html'>Diário Sexual de um Escritor Frustrado   (actualizado semanalmente)</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://sexonanoite.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sexonanoite.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Luís Graça (Dick Hard / Von Grazen)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15302192874180431145</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/buga32/luis.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>71</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37794330.post-9132532944528848572</id><published>2008-05-11T12:32:00.002+01:00</published><updated>2008-05-11T12:35:48.735+01:00</updated><title type='text'>31 Dezembro de 2004</title><content type='html'>&lt;b&gt;Almoço com o Luís Carlos&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;12h30m - Encontro no Galeto com o meu amigo Luís Carlos, para o tradicional almoço bilateral do último dia do ano, no “Haxágono Mais”. Ele vem apetrechado com um “Neura 2004” para eu autografar. Eu ofereço-lhe um “De boas erecções está o Inferno cheio” e dois Rabos. Pomos a conversa em dia e depois meto o Luís Carlos no comboio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;18h15m - Estou no El Corte Inglés. Vejo o último filme do John Waters, o “Filme Indecente”. A Tracy Ulmann está espectacular. Adormeço um bocado. Acordo com uma erecção e um nadinha assolipantado. À saída encontro um elemento da Tertúlia BD, que tinha ido ver o “Alexandre” e não achou tão mau como isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;21h - Janto em casa. Lisboa está quase parada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;22h - Começo a ouvir o programa especial de fim-de-ano do Aurélio Gomes, na RCP. Tenho o bloco ao meu colo, para tirar notas.&lt;br /&gt;“Eu chamo-me Aurélio Gomes e espero estar à altura do que dizem aqui os Shalamar: ‘I can make you feel good’”.&lt;br /&gt;Abano o capacete. Parece que os “blues” do final do ano desta vez não me agarram!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;22h15m - “Ooooh! How do you like your love? (…) Baby, you know, my love for you is real (…) More, more, more, how do you like it, how do you like it? Ooooh! How do you like your love? (…) Girl, if you want to know how I really feel…”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;22h20m - “When I wake up in the morning, love…and the sunlight burns my eyes (…) Than I look at you…”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;22h28m - Agora por aqui Barry White: “Can’t give enough of your love,baby”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;22h35m - Saio de casa, para chegar, a pé, à Senhora do Monte, com calma. Levo o transístor ligado na RCP. Saio cheio de energia e bem protegido do frio, com sobretudo, luvas e cachecol. É a primeira vez que saio para passar o réveillon sozinho e em trabalho. Talvez por isso esteja animado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;22h45m - Estou em frente ao Técnico quando uma puta pedestre desconhecida se cruza comigo e sobe a rua. Fiquei banzado! Nem na noite de Ano Novo param?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;23h25m - Chego à Senhora do Monte. Já lá estão umas 50 pessoas. Colo-me ao gradeamento, para ver o fogo-de-artifício. Sou o único paspalho de transístor ligado, mas ninguém me diz nada. Vou abanando o capacete e começo a sentir os primeiros sinais de solidão. À minha volta sinto uma alegria que não consigo partilhar. Mas fico satisfeito por ver que há por ali gente feliz. E cheia de frio! Ajeito a gola do sobretudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;23h35m - Ao meu lado, um casal de jovens beija-se, enamorado. Ela é uma loura linda. Começo a ficar decididamente melancólico, apesar da música da RCP, que continuo a ouvir. As pessoas discutem a geografia de Lisboa, tentando identificar as luzes da cidade. Vemos algumas ambulâncias a entrar para S.José. Agora é que fico definitivamente melancólico. Parece que a meia-noite demora a chegar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;23h58m - A Moita e o Seixal devem ter um fuso horário diferente de Lisboa. Começa o fogo-de-artifício na outra margem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;24h - 2005! Aí está ele. Com o fogo da Câmara lisboeta rigorosamente sincronizado com a RCP! Toda a gente se abraça. Há passas. Há champanhe. Eu tenho um sorriso amargo a bailar-me nos lábios. Estou só no meio de cento e tal pessoas e não saúdo ninguém. Alguns chavais lançam montes de “very lights” que acertam nas árvores vetustas da Senhora do Monte, pegando fogo de maneira breve. O melhor é manter-me atento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;24h10m - Desço a correr, rumo ao Terreiro do Paço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;24h20m - Afinal fiquei no miradoiro de Santa Luzia. Aquilo está cheio de estrangeiros. Uma loura bêbeda, muito divertida (provavelmente britânica) anda a dar com os martelinhos na cabeça das pessoas. Sorrio. Sinto a alma a doer de tanta juventude e fé. Ela sabe desejar Bom Ano em português. Fico ainda mais melancólico. O ar cheia a pólvora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;24h35m - Apanho o Metro no Rossio, para a Alameda. Vai apinhado. Uma Babel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;24h50m - Em direcção a casa, deparo com uma auto-puta, no sítio habitual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;01h - Em casa, a ver o show do Crazy Horse na TV. Mais melancolia por um clube que já se finou. Estes espectáculos são de 2000 e 2002 e valem sempre a pena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;02h45m - A SIC e a TVI estão a dar filmes eróticos.&lt;br /&gt;Venho para o meu quarto e finalizo o diário.&lt;br /&gt;Finalmente caio em mim e compreendo que este não foi um livro como os outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A escrita foi fácil, sem pretensões, ao correr da pena e do esgotamento, aí a 30 por cento das minhas faculdades habituais. Mesmo assim, sei que me safo. É escrita, não é?&lt;br /&gt;O problema é que me cruzei com muitas emoções, muitos olhares, muita noite. Não é por acaso que a capa do “Cidade do Strip” é um olho.&lt;br /&gt;E uma stripper húngara, numa dessas noites, ungiu-me com os santos óleos da ingenuidade, como uma medalha:&lt;br /&gt;— Há coisas que não podes perceber, porque não és da noite.&lt;br /&gt;A noite dói. Cruza sonhos e solidões.&lt;br /&gt;Custou-me sentir as dores por trás dos corpos. As angústias de quem tem de viver a vida a correr, de quem olha para os 30 anos como uma linha perigosa.&lt;br /&gt;As coreografias de sedução também doem. Mas há sempre uma borboleta de ternuras a esvoaçar dentro de mim. Por vezes, funde as suas asas no olhar de uma donzela saída de uma ilha de brumas.&lt;br /&gt;Foi por isso que este livro valeu a pena.&lt;br /&gt;Só hoje o percebi. À coragem da auto-exposição do meu strip junta-se a descoberta de mais um bocadinho de mim.&lt;br /&gt;Ponto final.&lt;br /&gt;Parágrafo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3h35m - Escorre-me pelo rosto uma lágrima de mel com travo de Campari. Os meus medos estão todos aí, Monsieur Mardi-Gras.&lt;br /&gt;Ao dobrar da esquina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FIM&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37794330-9132532944528848572?l=sexonanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sexonanoite.blogspot.com/feeds/9132532944528848572/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37794330&amp;postID=9132532944528848572&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/9132532944528848572'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/9132532944528848572'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sexonanoite.blogspot.com/2008/05/31-dezembro-de-2004.html' title='31 Dezembro de 2004'/><author><name>Luís Graça (Dick Hard / Von Grazen)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15302192874180431145</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/buga32/luis.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37794330.post-3594391312154305673</id><published>2008-05-05T22:31:00.001+01:00</published><updated>2008-05-05T22:34:16.825+01:00</updated><title type='text'>30 de Dezembro de 2004</title><content type='html'>&lt;b&gt;Trato de bué de coisas&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10h - No banco, a pedir cheques.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;11h - Na SPA, a registar o livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;12h - Num posto Net, a apagar 35 mensagens, mais 5 de lixo electrónico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;13h - No Sindicato dos Jornalistas, a pagar quotas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;13h30m - A comer um Haagen-Dasz, no Chiado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;13h45m - Na FNAC, a comprar um álbum de BD.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;14h - Na nova sex-shop Contranatura, ao pé do Trindade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;14h30m - Em casa. Almoço alheira. Estou exausto. Tenho mesmo de me ir deitar. De noite só dormi umas três horas, mesmo com bomba.&lt;br /&gt;Durmo das 15h30m até às 20 e tal. Sinto-me muito melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;21h15m - Na hidro, com a Margarida. Somos cinco: eu, o Rui Cartaxo, mais um gajo e duas mulheres. Vitória! Mais homens que senhoras, pela primeira vez. Aula puxada mas espectacular, com a piscina toda por nossa conta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;23h30m - Jantar no Galeto, com um amigo.&lt;br /&gt;Regresso a casa pouco depois da meia-noite. Leio jornais. Começo a ler o livro “Cidade do Strip”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37794330-3594391312154305673?l=sexonanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sexonanoite.blogspot.com/feeds/3594391312154305673/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37794330&amp;postID=3594391312154305673&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/3594391312154305673'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/3594391312154305673'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sexonanoite.blogspot.com/2008/05/30-de-dezembro-de-2004.html' title='30 de Dezembro de 2004'/><author><name>Luís Graça (Dick Hard / Von Grazen)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15302192874180431145</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/buga32/luis.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37794330.post-2036101398830647037</id><published>2008-04-27T10:45:00.002+01:00</published><updated>2008-04-27T10:49:42.438+01:00</updated><title type='text'>29 de Dezembro de 2004</title><content type='html'>&lt;b&gt;Uma noite no Cinebolso, com as “Enfermeiras Quentes”&lt;br /&gt;Os gloriosos malucos do sémen voador&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;18 horas - Chego ao médico. As consultas estão um pouco atrasadas. Tenho tempo de ir ao Cinebolso ver os horários das sessões contínuas. É um bocado vergonhoso escrever um livro que escorre sexo e não frequentar uma única sessão num cinema pornográfico. Há uma sessão a começar às 23 e 15. Registo mentalmente. Custa 3 euros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;18 e 40m - Falo com o Rui ao telelé e dou-lhe conta das desventuras com o computador. Sou chamado para entrar para a consulta. Falo do esgotamento, peço o atestado para o Holmes. Sou auscultado (sobre os grandes temas da vida nacional e internacional), medem-me a tensão (12/7) e acabo a fazer um electrocardiograma, que me confirmou como uma pessoa de bom coração e elevada estirpe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;22h48m - Compro um bilhete para as “Enfermeiras Quentes”. Filme de Alain Payet, com as porno star francesas Katsumi, Nomi e Jane Darling. Tudo boa gente. A coisa promete. Os bilhetes agora tiram-se em maquinetas tipo Metropolitano. Entradas individuais e duplas. A máquina aceita notas e vários tipos de moedas. Depois mete-se o bilhete à frente do sensor e um torniquete abre-se para o corredor que dá acesso a bengaleiro, cinema e WC.&lt;br /&gt;Há muita história naquele corredor. As vitrinas reproduzem um texto antigo do Alexandre Pais a protestar com as condições de visionamento no Roma, a propósito do “Amor entre mulheres”. Há cartazes porno antigos por cima das nossas cabeças, com estrelas como Amber Lynn ou Joanna Storm. Há também bilhetes antigos do Cinebolso. E fotos do tempo da projecção do “Salamandra”, do Tanner.&lt;br /&gt;Durante um período em que foi do Pedro Bandeira Freire (chamava-se Quinteto) passou belíssimo cinema. Foi lá que vi o “Blade Runner”, o “Tubarão” (na mesma sessão que o Litos, actual treinador do Estoril), o “Utu, o último guerreiro”, o “Blues Brothers”.&lt;br /&gt;Filmes porno, antes disto, lá nos meus 20 anos, só vi um. Francês. Mau como o caraças. Fui com um amigo e estivemos para levar um chocalho, para agitar cada vez que aparecesse uma actriz nova em cena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;23h10m - Resolvo entrar na sala, com um euro na mão esquerda,para dar ao arrumador. Mas qual arrumador? Não vi nenhum. Vou de sobretudo no braço e recuo prudentemente até ao “tombadilho”, que tem um varão de ferro, aí uns cinco metros à frente da cabina de projecção. Dá para passar de um lado para o outro da sala.&lt;br /&gt;Encosto bem atrás e vejo todo o compartimento mergulhado na penumbra. As “Enfermeiras Quentes” estão na última cena, com um trio capitaneado por Katsumi a masturbar o paciente deitado na marquesa, a seis mãos, bem unidas, tipo mosqueteiros. Há o climax. Uma frase final. Leva aí uns cinco minutos, no máximo.&lt;br /&gt;Bem, nestes cinco minutos aprendi um bocado sobre a vida. A sala tem para aí uns 30 ou 40 marmanjos. Mulheres, nem vê-las. Por baixo de mim, encostadas ao “tombadilho”, estão três cadeiras. Sem grandes dramas, o menino da ponta esquerda desata a mamar no vigoroso do senhor do centro, que está de boné de beisebol na cabeça, porque faz um sol do caraças no Cinebolso, às 11 da noite.&lt;br /&gt;O senhor da direita observa. Depois chega outro senhor, que fica a ver. E eu ali, de pé, quatro metros atrás, sem saber onde havia de me meter.&lt;br /&gt;O filme acaba. A luz acende-se. Os senhores compõem-se num ápice, mas não abandonam as suas cadeiras. Sei que só tenho uma “nesga” (temporal) de luz para me sentar. Passo pelo “tombadilho” e vou descendo pela ala direita. Há lenços de papel “desmaiados” em quase todas as filas. E pequenas poças de sémen moribundo, órfão e abandonado, testemunhas tristes e rasteiras das sessões contínuas do dia.&lt;br /&gt;Lá consigo entrar para a sexta ou sétima fila, que está vazia. Fico mesmo em frente dos dois óculos da porta de entrada, tipo navio de luxo. Estou numa posição privilegiada para ver quem entra e sai.&lt;br /&gt;As luzes apagam-se. A Katsumi começa logo com uma cena muito quente, mas o movimento na fila atrás de mim, 45 graus à direita, distrai-me. Há sussurros. Um menino de cabelo à menina tenta excitar manualmente um latagão de cabelo curto. Não percebo se vão ou não começar a acção. Aí com meia-hora de filme julgo aperceber-me de que o menino/menina pôs um preservativo no menino latagão e vá de lhe fazer um boca-doce é bom é bom é diz o avô e diz o bebé.&lt;br /&gt;Aquilo durou pouco e a dupla emigrou para o pé do “tombadilho”, longe da minha vista. Mas as actividades continuaram e eles saíram juntos cerca de 40 minutos depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;23h30m - Há sempre gente a ir ao WC, a sair e entrar na sala, a mudar de lugar. Isto é um bocado como o beisebol. A malta percebe a essência do jogo, mas há muitos movimentos que nos escapam.&lt;br /&gt;Às vezes, há gajos que vêm de pé à coxia e olham para mim. Eu estou muito sossegadinho, vê-se logo que não me estou a masturbar e só olho para as pessoas para “morder a cena”. Não estou nada interessado em “ir a jogo”. Quando me olham, eu colo os meus olhos ao ecrã, tipo Malcolm McDowell no “Laranja Mecânica”. Não vá dar-lhes ideias de se virem sentar ao meu lado. Mas não acontece nada. Não sou chateado durante toda a sessão.&lt;br /&gt;A minha preocupação é não deixar cair o sobretudo, o cachecol e as luvas ao chão. A minha fila parecia imaculada, mas pode ser ilusão de óptica e a esperma estar seca e dissimulada no chão azul-escuro.&lt;br /&gt;Acabo por ter uma erecção quando a louríssima e belíssima Nomi faz uma senhora felação ao paciente de serviço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;24h - A sala começa a ficar reduzida na sua lotação. Às vezes saem revoadas de quatro gajos. Uns vão para o WC, outros vão embora. Há para ali códigos de comunicação que a malta desconhece.&lt;br /&gt;A rapaziada que está sozinha vai acabando alguns serviços. Sinto o ranger metálico das cadeiras com uma intensidade diferente nas filas atrás de mim. Não chego a recear ser atingido em plena nuca por uma esguichadela. Simplesmente porque o perigo não me ocorreu. Sofri mais a ver o “Em águas profundas”, com o casal abandonado em pleno mar, com os tubarões a rondar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;00h20m- O filme não tem história nenhuma. É cena atrás de cena. Mas as meninas são do melhor do porno gaulês. A Katsumi tem duas cenas arrebatadoras, a Noni uma e a Jane Darling outra. Na penúltima cena, uma menina de olhos azuis e piercing na língua também protagoniza uma bela cena com o “doutor”.&lt;br /&gt;Lá para trás, numa das últimas filas, dois amigos falam animadamente durante cerca de 25 minutos, completamente alheados do filme, que lhes serve apenas de “música ambiente”. Saem quase no final, muito entusiasmados com a conversa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;24h42m - Quando as luzes se acendem, há dois espectadores na sala. Eu e um gajo a dormir, lá para trás. Depois fico a saber que é um dos “arrumadores” oficiais da rua Actor Taborda, que se refugia do frio dentro do cinema. Acorda estremunhado e despede-se do funcionário: “Até amanhã”.&lt;br /&gt;Consigo ainda apurar que as sessões da tarde são mais concorridas (60/70 marmanjos) e que a presença de uma mulher é rara. Os putos adolescentes não estão para se meter num esquema daqueles.&lt;br /&gt;— Hoje, com os vídeos em casa, quem é que precisa de passar estas vergonhas ? — questionam-me, já perto do Saldanha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;01h10m - À volta do Técnico, para variar. Estão 8 graus dos frios. A polícia ataca em grande, com carrinhas granjolas, veículos sinalizados e à paisana. Mais uma patrulha a pé. Os polícias também se dividem em auto-polícias e pedestres.&lt;br /&gt;Operações Stop. Conto 7 pedestres e duas auto-putas. Uma delas, que costuma seguir para a zona da Alameda, tem um carro novo. Conversa com um cavalheiro também motorizado, na posição “69 de estacionamento”.&lt;br /&gt;Ele: “Eles andam por aí espalhados por todo o lado. Ainda agora em Chelas…”&lt;br /&gt;Desço. Uma loura fresquinha sai do carro de um menino de brinco. Deve ser o manager. Não tem nada pinta de cliente. Ele terá vinte e poucos. Ela poderá ou não ter idade para votar.&lt;br /&gt;Dou mais uma volta e decido abordá-la, numa das últimas investigações deste livro. Mas a patrulha da polícia vem a subir a rua. Só quero abordá-la com calma. Dou mais uma volta ao quarteirão e ela já não está lá quando passo outra vez. Desculpem lá, leitores.&lt;br /&gt;Hesito em dirigir-me a outra senhora, toda de preto, já avançada nos trintas. Mas dona de uma belas pernas, emolduradas em bonitos collats cor de carvão escuro. Assim que me aproximo, pára uma carrinha Mercedes e ela parte para longe de mim e dos leitores.&lt;br /&gt;Regresso a casa. Como queijo e marmelada. Bebo chá. Deito-me. Agarro no meu bloco e escrevo o diário. Em termos de escrita no computador, levo uns 15 dias de atraso. Isto vai mesmo passar dos 350 mil caracteres. Ai,ai,ai…&lt;br /&gt;Quanto maior, mais dificuldades de publicação. Mas o sexo vende ou não vende?&lt;br /&gt;Andei eu aqui a pedalar para quê? A tentar nadar no meio dos esgotamentos, das noites em branco, do sono a surgir no meio do basket, do ténis, do futebol…&lt;br /&gt;E os filmes que não vi, no cinema, os DVD do clube de vídeo…&lt;br /&gt;OK, está bem, o livro foi pretexto para andar nos clubes de strip, coitadinho de mim. Mas tudo o que é obrigação cria pressão. Já começo a sentir-me mais leve, agora que estou a dois dias de finalizar o diário. Vou registá-lo na SPA com o título provisório de “Diário sexual de um escritor frustrado”. Também era giro “Outono sexual, diário de um escritor frustrado”. E aproveito para registar o pseudónimo Rick Dart.&lt;br /&gt;São 3 e 57. Estou mesmo a precisar de descanso. Resolvo tomar um Morfex. Vou começar a cortar a 1 de Janeiro.&lt;br /&gt;Ano Novo, Vida Nova. A solução da minha vida é fácil: deixar de ser camelo. É só largar projectos loucos, em que dou o cabedal para depois ser comido de cebolada. A versão 2005 tem de ser “não há dinheiro, não há palhaço”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37794330-2036101398830647037?l=sexonanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sexonanoite.blogspot.com/feeds/2036101398830647037/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37794330&amp;postID=2036101398830647037&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/2036101398830647037'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/2036101398830647037'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sexonanoite.blogspot.com/2008/04/29-de-dezembro-de-2004.html' title='29 de Dezembro de 2004'/><author><name>Luís Graça (Dick Hard / Von Grazen)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15302192874180431145</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/buga32/luis.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37794330.post-5185969885282304877</id><published>2008-04-20T16:44:00.001+01:00</published><updated>2008-04-20T16:45:14.487+01:00</updated><title type='text'>28 Dezembro de 2004</title><content type='html'>&lt;b&gt;Toma lá Morfex e não digas que não dormes!&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;06h30m - Pois é! Estou acordado e tenho uma enorme consciência das minhas olheiras. O meu estado de exaustão começa a desesperar-me. Tenho mesmo de dormir mais qualquer coisa.&lt;br /&gt;Já estou com o caralho do livro pelos cabelos!&lt;br /&gt;Nem tinha tomado notas disto. Como acordei, resolvo ir ao armário dos medicamentos, porque já não tenho kainever. Descobri Morfex, Lorenin e Castilium.&lt;br /&gt;Basicamente, são benzodiazepinas. Já sei o que a casa gasta, de outros esgotamentos. De “bombas” tomadas por causa de ruídos de obras a partir paredes, de chatices das grandes, desde perca de emprego a desilusões amorosas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;08h8m - Já tomei um Morfex e estou a escrever o diário no meu bloco.&lt;br /&gt;O Morfex é jogador da categoria fármaco-terapêutica dos hipnóticos. Isso também a Valentina, por isso é que eu gostava de dormir com ela, para tratar as minhas insónias. Isto é piada, mas corresponde aos meus anseios utópicos. E não estou só a falar de sexo. Era mesmo dormir/dormir. Mas como não ando a dormir, sei que é impossível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Viram como ainda mantenho o sentido de humor?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um comprimido de 30 mg de Morfex (o meu é de 15) contém 27,6 mg de monocloridrato de flurazepan e as cápsulas possuem corantes E104, E127,E171 e E172, além de outros excipientes. Não contêm “Eh! touro lindo!”. As smarties também têm corantes, mas não pertencem ao grupo das benzodiazepinas.&lt;br /&gt;Ponho-me a ler os papelinhos todos dos medicamentos e noto que o Castilium pode causar reacções paradoxais, especialmente nos idosos e nas crianças. Olhem só o cardápio: “inquietação, perturbação do sono, irritabilidade, estados agudos de agitação, agressividade, delírio, explosões de raiva, pesadelos, alucinações, reacções psicóticas, tendências suicidas ou espasmos musculares frequentes. Em caso de tais reacções, o tratamento com Castilium deve ser interrompido”.&lt;br /&gt;Por acaso, eu sinto quase tudo isto por causa do Escritorium por cima de mim, a “pastilha” com que levo diariamente. Só não tenho tendências suicidas, substituídas pelas homicidas. E os espasmos musculares frequentes acontecem-me quando me ponho a nadar à bruta no final da hidro. Chamam-se cãimbras.&lt;br /&gt;O Afonso Henriques é que não andava a dormir em serviço e fartou-se de tomar Castiliuns em Portugal. Numa rua de Lisboa, há tantas pessoas dependentes deste medicamento que a via se chama Rua Castilium, ali ao Marquês de Pombal.&lt;br /&gt;Bom, vou ver se isto (o Morfex) faz mesmo efeito. São 8 e 20. Vou meter os tampões nos ouvidos e tentar dormir. Agora estou calmo. A gente vai-se habituando às cenas. Olha, que se foda!&lt;br /&gt;Oh! Se eu dormisse em condições, o escritor que não seria!&lt;br /&gt;O Mário de Carvalho também ficou com perturbações no sono por causa das torturas da Pide. E se a ironia é cultivada pelos dois, eu sei muito bem que ele é mais escritor a dormir que eu acordado. O que não me chateia nada. O que me chateia é ver um livro como “Fantasia para dois coronéis e uma piscina” a não passar a barreira dos 30 mil exemplares vendidos e uma Margarida Rebelo Pinto em baixo de forma a vender 40 mil.&lt;br /&gt;Digam lá se não é de um gajo ficar à toa, ir ao Photus desesperado e gastar 124 euros em Private Dance tripla?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37794330-5185969885282304877?l=sexonanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sexonanoite.blogspot.com/feeds/5185969885282304877/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37794330&amp;postID=5185969885282304877&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/5185969885282304877'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/5185969885282304877'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sexonanoite.blogspot.com/2008/04/28-dezembro-de-2004.html' title='28 Dezembro de 2004'/><author><name>Luís Graça (Dick Hard / Von Grazen)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15302192874180431145</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/buga32/luis.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37794330.post-2426645165135230642</id><published>2008-04-13T18:15:00.002+01:00</published><updated>2008-04-13T18:18:56.821+01:00</updated><title type='text'>27 Dezembro de 2004</title><content type='html'>&lt;b&gt;Margarida divulga “Erecções”&lt;br /&gt;Valentina não provoca nenhuma&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar dos dois kainevers, só dormi umas quatro horas. Mesmo assim foram bastante repousantes. Apanho a hidro das 10h45m. A professora Margarida gostou de me ver lá de manhã:&lt;br /&gt;— Olha o Luís!&lt;br /&gt;Eu também gosto de ver a Margarida, que aceita muito bem as minhas palhaçadas subversivas. A piscina está quase cheia e há cinco homens. A Margarida divulga a minha sessão de autógrafos ao microfone. Quase ninguém me conhece àquela hora, até porque há muita gente do clube da Defensores de Chaves.&lt;br /&gt;Fico no jacuzzi, sauna e piscina até à 1 e picos. Apanho a Margarida a começar a aula da hora do almoço:&lt;br /&gt;— Ainda aqui está?&lt;br /&gt;Numa de grande generosidade poética, torna a divulgar a sessão de autógrafos no King. Mas já se tinha esquecido do título do livro. Eu relembro. As pessoas dentro da piscina riram-se. Acreditaram que eu era escritor, mas pensaram que o título era brincadeira.&lt;br /&gt;— É verdade! —  diz a Margarida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;15h30m -Tiro fotocópias às 147 páginas impressas deste diário. Depois vou registar à SPA, sob o título provisório de “Diário sexual de um escritor frustrado (1ª parte)”. Aproveito e registo um pseudónimo novo: Rick Dart, primo do Dick Hard. O Rick Dart será utilizado para escrever argumentos de filmes pornográficos, se a coisa acontecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;18h - Chego ao King. Visto a camisola dos Calgary Flames. Fumo charutos. Bebo Guiness. O meu fã Filipe Alberto voltou para comprar mais umas “Erecções”. Deu as outras aos amigos. Desta vez vem com a Ana Teresa. Dou uma “Idade das Trovas” à Ana Teresa. O Alexandre Andrade também vem oferecer-me o livro dele. Depois chega a mulher do Rui Brito. Passado um bocado, chega o Rui.&lt;br /&gt;O vibrador continua a rodar em cima da mesa. Ninguém liga nenhuma, até chegar uma miúda gira, de nome Sílvia, com ar intelectual. Sorri. Meto conversa e ofereço-lhe uma “Idade das Trovas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;22h40m - Saio do King, aliviado com o final das sessões de autógrafos. O travo dos charutos Monte Cristo que me deu o meu amigo Mário ficou na boca do Luís Graça, que não fuma, ao contrário do Dick Hard.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;23h30m - Chego ao Pasta Caffé. Como lasanha e crepe de chocolate. Estou arrasado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;00h15m - Chego a casa. O meu amigo Rui esteve lá a colocar uma caixa ATX e disse-me que o computador estava a funcionar. Que tinha 27 mensagens para ver.&lt;br /&gt;Carrego no botão do CPU novo e aquilo faz um barulho grande na refrigeração. Fico logo abatido. Depois começa a bloquear sistematicamente. Aí à sétima tentativa lá abriu o ecrã. Tento introduzir a ficha do modem da ADSL e… adeus CPU! Escuridão total. Carrego na “ignição” e nada. Fico mesmo “blue”. Arrasado! O problema foram as expectativas criadas.&lt;br /&gt;Agarro no sobretudo e vou para a rua andar. Fugir. Sem destino. Tirar a pressão de dentro de mim.&lt;br /&gt;Sem saber como, chego ao Photus. Estou exausto e deprimido. O contrário do estado de espírito com que saí da hidroginástica, horas antes. Esta “montanha russa” do esgotamento é altamente desgastante.&lt;br /&gt;O Photus está calmíssimo, quase deserto. É noite de segunda-feira e ainda é cedo.&lt;br /&gt;Bem, vai mesmo à bruta, para tirar o desgosto do espírito: pela primeira vez na minha carreira faço um Private Triplo. Objectivo? Com duas Private com a mesma stripper tem-se um de bónus. Nem sabia como a coisa funcionava. Só faço isto porque tinha ficado muito bem impressionado com a sofisticação da romena Valentina.&lt;br /&gt;Tomamos uma bebida e falamos sem “filmes”. Cada um conta ao outro a vida real. Ela acha que eu devo ser bom jornalista e escritor, porque me acha muito criativo. Eu desabafo sobre o computador e sinto complexos de culpa por isso, por estar a criar uma onda negativa.&lt;br /&gt;Mas ela diz-me que é uma optimista e pergunta-me o signo. O pai dela também é Escorpião e ela dá-se muito bem com ele. Está com 26 anos e com a mania que já foi muito mais bonita, que tem o cabelo a precisar de cuidados e que necessita de ir ao ginásio.&lt;br /&gt;É a minha vez de a moralizar. No estado em que estou, só me apetecia trazê-la para casa, beijá-la e dormir abraçado a ela. Estou tipo gatinho a precisar de mimos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;02h30m - Lá vamos para a Private tripla. A diferença em relação às outras é que esta dura muito mais tempo. A Valentina foi muito meiguinha. Tanto fiquei deitado de costas, na cama, como sentado, apoiado à parede. Ela fez-me olhares muito ternos. Gostava de ter tido uma erecção, para corresponder ao esforço dela. Esteve quase, mas continuo esgotado. E a Private não é Contact Dance.&lt;br /&gt;Foi uma bela terapia emocional. Criámos um laço afectivo. Pelo menos eu. Antes de sair do quartinho, ela pergunta-me se está bem arranjada. E se eu fico ou vou para casa.&lt;br /&gt;— Vou para casa, ver se durmo já e se sonho com um anjo louro romeno.&lt;br /&gt;— Espero que sim, mas olha que o anjo não é louro natural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;03h30m - Apesar de saber que o não devia fazer, não resisto a carregar no botão do computador, quando chego a casa. Mudo e quedo. Luto cinco minutos. Não tomo “bomba” e vou para a cama. Adormeço bem, talvez devido à depressão informática e às poucas horas de sono dormidas.&lt;br /&gt;O problema foi só este: acordei duas hora e meia depois!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37794330-2426645165135230642?l=sexonanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sexonanoite.blogspot.com/feeds/2426645165135230642/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37794330&amp;postID=2426645165135230642&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/2426645165135230642'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/2426645165135230642'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sexonanoite.blogspot.com/2008/04/27-dezembro-de-2004.html' title='27 Dezembro de 2004'/><author><name>Luís Graça (Dick Hard / Von Grazen)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15302192874180431145</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/buga32/luis.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37794330.post-4475148911426082040</id><published>2008-04-06T23:02:00.000+01:00</published><updated>2008-04-06T23:03:33.297+01:00</updated><title type='text'>26 de Dezembro de 2004</title><content type='html'>&lt;b&gt;Erecções no jacuzzi&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10h40m - Acordo banhado em suor. Estava a sonhar que um avião da Alitalia tinham batido no meu prédio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;11h45m - Saio da cama. Estou estoirado. Dormi umas duas horas, com o pesadelo patrocinado pela Alitalia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;14h15m - Chego ao Holmes. Vou para a piscina, que está fria como um raio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;16h10m - Estou no jacuzzi, que me sabe que nem ginjas. Vejo uma miúda a entrar, com os mamilos generosos marcados no fato de banho. Sai uma erecção!&lt;br /&gt;Desapareceu a erecção.&lt;br /&gt;Tenho mais umas fantasias sexuais com uma recepcionista do Holmes. Sai outra erecção!&lt;br /&gt;Desapareceu a erecção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;16h30m - Uma trintona entra no jacuzzi. Mais um par de seios voluptuosos.Imagino-me com ela em plena punheta de mamas, actividade muito injustamente desprezada por uns quantos intelectuais. Sai outra erecção!&lt;br /&gt;Um grande beijinho para a estrela porno americana Raylene, uma especialista da modalidade.&lt;br /&gt;O ponteiro do conta-quilómetros desce aos níveis normais três minutos depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;16h45m - Uma miúda assim-assim sai do duche tropical. Vejo-lhe os mamilos marcados no fato de banho e tenho a última erecção da tarde. Aproveito uma pausa em que não há ninguém no jacuzzi para sair da água. Enrolo a toalha à volta da cintura, para disfarçar. Vou para o duche. À saída, encontro o Rui Cartaxo, que anda a treinar no ginásio todo equipado à Benfica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;17h10m - Vou ao Residence, comprar os presentes de Natal dos meus pais, que já estão atrasados, pela primeira vez na minha vida. Compro “O poder e o povo” para o meu pai, ratificado pelo Luís Leitão, um antigo colega da Faculdade de Direito, que já abandonou a presidência do Conselho Científico. Para a minha mãe vai um perfume: “Pure Poison”. A porcaria do perfume fica-me no pulso umas seis horas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;19h - Em casa, a jantar (almoçar?) todo lixado da cremalheira. Fico a cabecear em frente à TV uma meia-hora(“Preço Certo”), babando-me perigosamente perto dos pratos das sobremesas.&lt;br /&gt;Por mim ia dormir, mas tenho o estômago cheio e a úlcera não ia gostar. Fico a beber chá e vejo 15 minutos da “Quinta das celebridades”, por falta de coragem para me levantar da cadeira. Vejo no rodapé o número de vítimas do Tsunami: 11 mil mortos contabilizados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;22h30m - Meto dois kainevers e vou para a cama. Tenho mesmo de dormir. Amanhã tenho a última sessão de autógrafos das “Erecções”. Escrevo o diário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;06h47m - Consulto o horário do Holmes. Não há hidroginástica antes das 10h45m. Ou durmo mais um bocado ou vou à hidro e depois fico com tempo para tratar de assuntos (correios, ver a Net na loja TMN…).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37794330-4475148911426082040?l=sexonanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sexonanoite.blogspot.com/feeds/4475148911426082040/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37794330&amp;postID=4475148911426082040&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/4475148911426082040'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/4475148911426082040'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sexonanoite.blogspot.com/2008/04/26-de-dezembro-de-2004.html' title='26 de Dezembro de 2004'/><author><name>Luís Graça (Dick Hard / Von Grazen)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15302192874180431145</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/buga32/luis.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37794330.post-2126534040272560388</id><published>2008-03-30T12:54:00.001+01:00</published><updated>2008-03-30T12:55:51.642+01:00</updated><title type='text'>25 Dezembro de 2004</title><content type='html'>&lt;b&gt;Pornografia natalícia&lt;br /&gt;e bingo do Belenenses&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Almoço em família.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;20h30m - Felicito uma amiga aniversariante, na sua casa. Ofereço um “Fadas Láureas” autografado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;00h10m - No Canal 18 transmitem pornografia. É um sábado normal, afinal de contas. Vou dar voltas à Gulbenkian.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;01h30m - Regresso a casa. No quarteirão do Galeto vão a passar duas miúgas giras e bem arreadas, com sotaque brasileiro. Call girls a caminho do bingo? Sigo-as. &lt;br /&gt;Vão mesmo ao bingo. Fico no átrio a ouvir a conversa. Não tiro conclusões. São as duas meiguinhas e bonitas. Uma loira, outra morena. As portas abrem-se. Vou atrás. A sala está cheia, umas 250 ou 300 pessoas.&lt;br /&gt;Elas sentam-se na primeira mesa. Há uma cadeira vazia. Sento-me na mesma mesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;03h - Saio do bingo, sem ganhar nada. Ao lado da minha mesa, um sujeito e a namorada fazem seis bingos durante a noite.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37794330-2126534040272560388?l=sexonanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sexonanoite.blogspot.com/feeds/2126534040272560388/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37794330&amp;postID=2126534040272560388&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/2126534040272560388'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/2126534040272560388'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sexonanoite.blogspot.com/2008/03/25-dezembro-de-2004.html' title='25 Dezembro de 2004'/><author><name>Luís Graça (Dick Hard / Von Grazen)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15302192874180431145</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/buga32/luis.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37794330.post-5013867579436034070</id><published>2008-03-23T13:32:00.002Z</published><updated>2008-03-23T13:38:33.395Z</updated><title type='text'>23 Dezembro de 2004</title><content type='html'>&lt;b&gt;Shower Dance com a Kátia&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ponho o despertador para as 16 e 33, mas acordo antes. O Rui vem às 18 ver o CPU do computador. Vou nadar para o Holmes.&lt;br /&gt;Levamos o CPU à Triudus de Alvalade. Fontes de alimentação é que não há. Vamos alimentar-nos depois para o Galeto. Começo a ficar fatalista em relação ao computador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;23h30m - Despeço-me do Rui. Dou duas voltas à Gulbenkian para desmoer a carne de porco à portuguesa e as quatro águas Fastio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;24h - Salta-me a “tampa” e resolvo atravessar o Parque Eduardo VII outra vez, ao lado do jardim Amália Rodrigues. Não escondo nada. Fica tudo nos bolsos. Tenho umas luvas de esqui dadas pela minha prima Guida, porreiras para a “batatada”. Estou com um insólito espírito de “venham eles”.&lt;br /&gt;Ninguém à vista. Na Artilharia Um há três putas. Ao todo, na zona, apenas 10. Pergunto o preço dos “beijinhos”:&lt;br /&gt;— São 15 euros.&lt;br /&gt;— E quanto tempo é no quarto?&lt;br /&gt;— O que levar a despachar-se.&lt;br /&gt;— Faz sexo anal?&lt;br /&gt;— Não.&lt;br /&gt;— Muito obrigado. Boas Festas.&lt;br /&gt;— Obrigada. Igualmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;00h30m - Atravesso o Parque de volta, na zona mais escura. Dou uma segunda hipótese de me assaltarem. Estou bem disposto, mas apetece-me estalo. Não sou nada eu. Sinto-me rápido e perigoso.&lt;br /&gt;Nada. Só dois paneleiros perto da estátua do Cutileiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;01h - Chego a casa. Mudo de roupa. Levo 150 euros para o Photus. Vou de gel “Carpe Diem” e perfume “Dimitri”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;02h - Chego ao Photus. Dou as “Erecções” ao Flávio, o man da porta. Deixo mais um livro para o dono, o Vítor Trindade, que me agradeceu mais tarde, quando nos encontrámos. Começo por beber Bacardi Cola. Depois passei para o Bacardi Limon.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;03h - Faço “Erotic Show” com a paulista Mary. É na cama, em vez de na cadeira. São mais 5 euros. O Photus está tipo estádio de futebol na festa de natal. Uns 200 tipos lá dentro. É table dances por todo o lado. Um gajo nem sabe para onde olhar.&lt;br /&gt;Fico magnetizado por uma loura da Roménia, a Valentina, que não tira a tanga. Mais tarde sei que é por causa dos convites não darem direito a strip integral. As tables estão de “atar e pôr ao fumeiro”, duram uns 5 minutos. As strippers não têm tempo de respirar.&lt;br /&gt;A Mary já está muito cansada. Nem se lembrava muito bem que tinha estado no Cabaret da Coxa no mesmo dia que eu. É muito querida e pede desculpa por não me conseguir dar mais atenção. Nas costas tem um índio tatuado.&lt;br /&gt;Está em Portugal há seis anos e a carrinha do “Passerelle” tinha a sua foto, em tamanho grande. Mas depois tirararam, porque a Polícia multava. A foto não deixava ver o interior da carrinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;03h15m - Volto à sala. Encontro o Mesquita, que era do kick-boxing do Sporting. Falamos dos combates do Fernando Fernandes no Arena. Passado um bocado chegam o Quaresma (FC Porto) e o Manuel Fernandes (Benfica). Ficam sentados com o Mesquita. Distribuo “bacalhaus” e agradeço ao Quaresma o último golo no antigo estádio do Sporting. Desejei-lhe um bom 2005 a nível pessoal e as maiores infelicidades futebolísticas para o FC Porto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;03h45m - Sento-me a uma mesa com um tipo simpático. Peço a shower com a Valentina. Ela não faz shower. A Mary também não faz Contact Dance, porque há clientes que são pegajosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;04h30m - Vou para a Shower Dance com a Kátia, lisboeta de ascendência angolana.&lt;br /&gt;Dispo-me e visto-me no WC, mas não há cabides. É na base do desenrascanço lusitano. Penduro a camisa numa torneira, as calças numa argola do poliban, meto as meias no bolso das calças. Visto o macacão azul de astronauta/jardineiro e espero pela Kátia no corredor.&lt;br /&gt;Lá vamos para o chuveiro. Ela pediu-me para não lhe passar com a esponja na barriga, porque tem um piercing muito recente. A ensaboadela decorre ao ritmo da música. A miúda é simpática, mas o ritmo é ultraveloz. A noite não está nada alentejana.&lt;br /&gt;Volto ao WC. Seco-me e visto-me. Não há secador e existe apenas uma toalha para os clientes todos. No chão há um sacalhão com um pó branco lá dentro. Fico intrigado. Para cocaína ou heroína é demasiado produto. Tem para aí uns 15 quilos. Ponho-me de cócoras. Será cimento de cor branca? Leio as palavras por fora do saco. Mas aquilo está em várias línguas. Lá descubro a solução do mistério: “pasta de agarre para juntas”. Parece que é para afagar os solos e juntar as placas. Soube mais tarde, por quem percebe do assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;05h10m - Saio. A conta é de 94 euros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;06h04m - Estão 5 graus. Ainda há cinco putas pedestres e uma auto-puta à volta do Técnico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;06h30m - Entro na pastelaria “Flor das Avenidas”. Tomo uma água das Pedras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;06h40m - Não me apetece sofrer, para saber se durmo. Tomo dois kainevers. É um último esforço por este diário.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37794330-5013867579436034070?l=sexonanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sexonanoite.blogspot.com/feeds/5013867579436034070/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37794330&amp;postID=5013867579436034070&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/5013867579436034070'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/5013867579436034070'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sexonanoite.blogspot.com/2008/03/23-dezembro-de-2004.html' title='23 Dezembro de 2004'/><author><name>Luís Graça (Dick Hard / Von Grazen)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15302192874180431145</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/buga32/luis.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37794330.post-6871046072021405272</id><published>2008-03-16T13:25:00.002Z</published><updated>2008-03-16T13:37:44.556Z</updated><title type='text'>22 Dezembro de 2004</title><content type='html'>&lt;b&gt;Amor entre mulheres no “Nocturno 76”&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordo pelas 14 e picos. Dormi sem “bombas”. Nado no Holmes, almoço e depois vou de comboio até Queluz, ver o basquetebol. Assisti a uma vitória histórica do Queluz sobre os israelitas. O meu amigo Rui telefona-me a combinar a mudança da fonte de alimentação do computador.&lt;br /&gt;Apanho boleia com o Barros, do Record, e ainda vou à Luz assistir ao hóquei, entre o Benfica e o Paço D’Arcos (7-4), para a Taça de Portugal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;22h40m - Janto na Catedral da Cerveja. Só quando me levanto reparo que tem vista para o estádio! Estou bonito, estou! Descubro que 80 por cento dos empregados da Catedral são do Sporting!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;23h45m - Estou na Worten do Colombo. Na zona dos DVD porno, o Frota ocupa praticamente todo o escaparate. Com dois filmes. Mais tarde há-de chegar o “Obsessão”. Até aqui Portugal não tinha frota de jeito. Mas este Frota chegou e venceu. Que pensará disto o Paulo Portas, que sempre lutou pela dignificação da frota portuguesa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;23h50m - Encontro outro amigo chamado Barros, à porta da FNAC. Dá-me o conselho de me despachar. Afinal a loja só fechava à 1 da matina. Horário de Natal. Compro um DVD dos Deep Purple como presente de Natal para o meu primo “Palhinhas”, “O perfume” para o meu primo Helmut se habituar a ler em português e um “Underground” do Kusturica.&lt;br /&gt;Pergunto pelas minhas “Erecções”. Já acabou o “stock”. Quantas tinham? Mistério. Não estava no computador. Eu bem tento caçar as minhas “Erecções”, mas está visto que é uma espécie de culto em vias de extinção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;00h25m - Saio do Metro em S. Sebastião e tomo o caminho de casa. Passo em frente do “Nocturno 76”. Olha, é mesmo agora! Ando para trás um bocado, saco 100 euros do multibanco e lá vou eu!&lt;br /&gt;Peço um Drambuie com duas pedras de gelo (15 euros, o preço do consumo mínimo) e sento-me num óptimo lugar. Coxia lateral, de frente para o DJ e vista para o pequeno palco espelhado, que terá 2 metros e meio de altura por quatro metros, medidos a olhómetro.&lt;br /&gt;Mais pequeno que um tubarão branco. Talvez por isso as meninas se mexam devagar, como se o Manoel de Oliveira lhes treinasse os strips. Só duram uma música, por isso vão dos 3 minutos e meio até aos 5 minutos, no máximo. As peças de roupa saem devagar, mas há muito pouco para tirar.&lt;br /&gt;A Anita (brasileira de S. Paulo) está no palco. É uma morena de fogo, sorriso largo e corpo de pecado, com bumbum que só não roça a perfeição porque é feio as pessoas roçarem-se.&lt;br /&gt;Gostei. Fico logo com vontade de pedir uma Private a 40 euros. Mas contenho-me. Estou ali para observar o que mudou no “Nocturno 76”, onde me divertia em grupo de amigos, há uns 15 anos.&lt;br /&gt;De 15 em 15 minutos sobe ao palco uma stripper. Vêm a Alex e a Tina (Letónia), que são irmãs. A Alex chegou primeiro a Portugal e depois veio a Tina, que grama bué o marisco português e o clima. A Salomé, checa matulona de formas voluptuosas, é a mais divertida e expansiva de todas. É anunciada pelo DJ como “artista”, na altura de subir ao palco. Corrige-o de imediato:&lt;br /&gt;— Magnífica artista!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1h15m - Acabo o meu Drambuie. Bem… é para a desgraça, é para a desgraça! Peço desculpa à minha úlcera, mamo um Compensan e vou buscar um Bacardi Cola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1h30m - Vem ter comigo uma romena. Chama-se Laura, está em Portugal há dois anos e praticamente só conhece Lisboa. Passados 20 minutos de conversa tenta cravar-me uma bebida. Ao invés, dou-lhe uma rosa de 5 euros, muito manhosa, vendida por um “kerfrô” sniper. Aquilo é um murchanço maior do que o meu no Peep-show. Laura aceita a rosa com ar de resignação. Nasceu perto da Hungria. Falamos do Drácula, da rota dos Cárpatos, do Hagi. A chavala já lhe dá uns 55 anos. Porra para a menina. Velho já eu me sinto!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;02h - A brasileira Lady está mesmo à minha frente, sentada com um gajo possuidor do “mais bom aspecto” da noite. É cliente de garrafa, charmoso, sedutor. A menina pede um cocktail. E ele para o empregado:&lt;br /&gt;— Não tem Água das Pedras?&lt;br /&gt;Depois sugeriu “água del cano”.&lt;br /&gt;E a menina:&lt;br /&gt;— Só posso beber cocktails.&lt;br /&gt;E ele:&lt;br /&gt;— Então e não é cocktail? Tem oxigénio e hidrogénio!&lt;br /&gt;Lá acaba por pagar a bebida e esteve mais de duas horas com a Lady. Despede-se com dois beijinhos na face. Um verdadeiro cavalheiro, bem disposto e civilizado. O sonho de qualquer clube de strip.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;02h25m - Começa a segunda volta das strippers, com a Anita. Usa muito o branco, para contrastar com a sua deliciosa mulatinagem. Os collants brancos não chegam a sair das suas pernas longas e bem torneadas. Se bem me lembro, dançou um “hit” do João Pedro Pais. As músicas escolhidas falam sempre de amor, os olhos delas sugerem sempre sexo, os corpos sabem a pecado, os clientes sonham. A vida é mesmo assim.&lt;br /&gt;Marco um Private com ela. Não sei que saída está a ter. O chato do meu lugar é que não vejo bem a sala. Gostava de ver melhor o ambiente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá vou para o Private. Ela toma-me a mão e pergunta-me o nome. Entramos para uma cabina pequena.&lt;br /&gt;—  Quer que me ponha no meio, não é?&lt;br /&gt;—  Sim. Quer a outra cabina, que é maior?&lt;br /&gt;—  Eu quero o que a Anita preferir.&lt;br /&gt;(Anita! Anita! Anita! dizia o anúncio do detergente)&lt;br /&gt;Ela leva-me para a cabina do lado. Sento-me no meio de um sofá confortável, em forma de ferradura, com cerca de metro e meio. Nos bolsos tenho uma carteira da Playboy (com menos cartões do que a carteira titular, que é um verdadeiro tijolo), telemóvel, chaves, protector labial contra o frio, lenço, Compensan. Ela topa o volume e manda-me tirar tudo. Dá-se um pequeno toque querido no Luisinho.&lt;br /&gt;—  Isto não tira.&lt;br /&gt;—  Pois é, às vezes faz falta.&lt;br /&gt;Anita monta-se no meu colo. Tem um estilo de Private diferente. Não faz a coreografia com aqueles exercícios obrigatórios da Roçagagem Artística. Prefere promover um contacto mais próximo. Abraça-me. Coloca os meus braços à sua volta. Abraço-a.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Digo que o meu pai nasceu em Manaus. Ela fica interessada e vamos falando. Acha que sou um cliente diferente. Muito simpático. Acho que não é música. Naquela altura era mesmo o que ela pensava. Digo que os Escorpiões são assim, simpáticos e tímidos. Ela não me achou nada tímido. Garanto-lhe que sou. A extroversão não implica ausência de timidez. É um complemento. A minha costela teatral e a estaleca do jornalismo é que disfarçam muitas vezes a timidez.&lt;br /&gt;Cola o seu rosto ao meu. Deve ter aspirado o perfume “Dimitri” da minha barba. Toca com o seu nariz no meu, tipo esquimó. Arrisco viagem manual até aos seus mamilos. Erectam-se quase automaticamente. Abençoados trópicos calientes do Brasil!&lt;br /&gt;— De que clube é?&lt;br /&gt;— Flamengo.&lt;br /&gt;— Flamengo, uma paulista? Sua traidora!&lt;br /&gt;— Pois é.&lt;br /&gt;— Eu sou do Sporting.&lt;br /&gt;— Em Portugal sou do Benfica.&lt;br /&gt;— Olhe, venho de lá agora!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vira-se de costas. Gira o bumbum no meu Luisinho. Os dedos tocam nele ao de leve. Continuo de calças de bombazina. É uma pena. Anita confessa-me que também é Escorpião, de 21 de Novembro.&lt;br /&gt;Ah! Por isso o magnetismo foi automático.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Deves ser é parvo. A gaja era boa todos os dias, essa é que é essa)&lt;br /&gt;(Quem está aí?)&lt;br /&gt;(É o Dick Hard, ó estúpido!)&lt;br /&gt;(Sai daqui, meu!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Private acaba abruptamente. Ela agradece-me.&lt;br /&gt;— Muito obrigada. Você levantou mesmo o meu astral. Hoje estava um pouco assim, sabe… você deu-me tanta energia positiva…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(É música, meu. Deste foi 40 euricos)&lt;br /&gt;(Cala-te, Dick. Nem sempre é música)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Gostava de continuar a falar com você. Mas agora tenho de ir ter com um amigo. Pode esperar?&lt;br /&gt;— Posso. Mas aviso já que não lhe vou pagar cocktails. Já estou nos limites do meu orçamento de jornalista.&lt;br /&gt;— Não faz mal. Apreciei a sinceridade. Depois vou ter consigo. Obrigada mesmo.&lt;br /&gt;— Obrigado eu.&lt;br /&gt;A Anita vai-se vestir e volta à sala com outro vestido branco, coleante. Realmente o branco é o que lhe cai melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;03h - No palco continuam a Jennifer brasileira, a Lady brasileira, a Salomé checa, a Tina da Letónia, a Alex da Letónia. Não me lembro de ter visto a Laura da Roménia.&lt;br /&gt;É mais normal as brasileiras falarem umas com as outras, mas parece que o ambiente global é bom e as de leste falam com as brasileiras. Em português. O inglês não é usado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;04h15m - A Anita não volta. Já bebi três águas Castelo, em homenagem ao avô Ayres Nunes, marujo de mulheres várias, uísques muitos, cigarros Sagres e uns olhos cinzentos que diziam sim ao mundo todos os dias.&lt;br /&gt;Um dia faltou-lhe o ar e desistiu sem avisar, como diria o Neves de Sousa.&lt;br /&gt;Chorei três lágrimas na varanda, com vista para as nespereiras, senti o peito a desfazer-se em puzzles, depois sorri por dentro e fiquei com a alma cheia de tesouros, para recordar eternamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Ó macaco! Então nas strippers? Lembra-te: nunca vás às putas sem ter um limão para pôr na sarda depois. Espreme lá para dentro. Vais ver que o limão arde, mas safa-te de chatices. Foi um conselho que me deram e resultou. E não abuses das punhetas!&lt;br /&gt;— Ó avô! Eu não bato punhetas nem ando nas putas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cuidado com os idos de Dezembro/1980, diria o áugure a Júlio César. Numa quinzena, morreram o meu avô, o vizinho Presas, o Sá Carneiro e o John Lennon.&lt;br /&gt;É também por isso que vou aos clubes de strip. Para fugir da morte. A beleza dos corpos e a música que me faz bater o pé e abana o capacete são aspirinas contra a morte.&lt;br /&gt;Vou dar um abraço ao DJ, um ex-viola baixo da banda residente que já não existe no “Nocturno”. É todo ele 1 metro e 90 de magreza e fraternidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— São 28 anos de casa!&lt;br /&gt;— Já merecia uma medalha!&lt;br /&gt;— Já tenho! Já tenho!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;04h30m - A Anita não volta mesmo. Está a trabalhar o “amigo”, que lhe vai pagando cocktails. Eu levantei-lhe o astral, ela vai baixando o saldo bancário do “amigo”.&lt;br /&gt;As outras strippers não me abordam. Já perceberam que o Barba-Branca não paga copos. É mais de jogar ao king e gritar desalmadamente:&lt;br /&gt;— Oito ou nulos!&lt;br /&gt;Como elas não me dão oito (fodas, beijinhos, boas histórias, sorrisos, o que quiserem) vou para nulos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os amigos que me acompanhavam ao “Nocturno” há 15 anos também jogavam para nulos com elas.&lt;br /&gt;— Posso tomar uma bebida com vocês?&lt;br /&gt;— À vontade. Podes servir-te da nossa garrafa.&lt;br /&gt;— Não posso beber uísque. Só cocktails.&lt;br /&gt;— Então é pena, estamos numa de uísque.&lt;br /&gt;Muito cocktail beberam os vasos das plantas, quando o “Nocturno” tinha strip e alterne. Os construtores civis já bem bebidos olhavam para o lado e lá ia champanhe para o vaso. E depois vinham mais garrafas. Mas as meninas eram quase todas portuguesas e o strip era muito mais cuidado.&lt;br /&gt;Lembro-me dos strips do Queen’s, ali ao Rego.&lt;br /&gt;A Lady Vampirella que fazia strip dentro de uma ostra que abria e fechava! (E mesmo assim não conseguia comer a gaja)&lt;br /&gt;A Arlette Fiorano que entrou em palco toda nua e acabou completamente vestida!&lt;br /&gt;No “Nocturno 76” lembro-me de ume pequenina loira, de seios tenros, de nome Joana, que ficou a falar comigo. Eu fazia colecção dos autógrafos delas em bases de copos.&lt;br /&gt;Eram noites fraternas.&lt;br /&gt;Às vezes, lá vinha uma tentativa de “garruço”, como no “Coche Real”, às portas de Benfica, há uns 20 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Que conta é esta? 24 contos?&lt;br /&gt;— Pois. São três garrafas de uísque.&lt;br /&gt;— Mas cada garrafa é a 7 contos. Ora, 3 vezes 7 são 21.&lt;br /&gt;— Certo. Mas e as senhoras?&lt;br /&gt;— As senhoras? — perguntou o mais atrevido do grupo, que depois meteu os forros dos bolsos para fora.&lt;br /&gt;— Ó rapaziada, vejam lá se levam alguma senhora no bolso, por engano. Eu bebi uísque, não bebi senhoras.&lt;br /&gt;— Está certo. Mas… e a companhia?&lt;br /&gt;— Qual delas? A Fidelidade? A Bonança? Companhia tenho eu com as minhas namoradas.&lt;br /&gt;Bem, a coisa foi azedando um coche.Um coche real. De repente, dois amigos do nosso grupo sacam do cartão de sócio da PJ e a matemática voltou a ser uma batata. 3x7 igual a 21 e noves fora nada.&lt;br /&gt;— Eh! Pá, vocês deixaram-me mal, que eu sou amigo do homem! — disse um gajo do grupo para o pessoal, já em plena madrugada das portas de Benfica.&lt;br /&gt;— Ah! Este artista das contas é teu amigo! Hás-de arranjar-me mais amigos destes, que eu tenho montes de notas nos bolsos e não sei o que lhes hei-de fazer.&lt;br /&gt;Para trás tinham ficado Dulce Guimarães e o seu grupo de lambada. E um voo picado do Totó em direcção ao órgão eléctrico, agarrado in extremis por um de nós, pela aba do casaco. Em cada noitada havia sempre um ou dois bêbedos de serviço e um piquete de dez ou doze amigos para tomar conta da situação. Até eu usei o WC do “Nocturno 76” como vomitorium, à boa moda romana. O Carlos Xeque-Mate foi lá ver como eu estava.&lt;br /&gt;— Estás bem?&lt;br /&gt;— Estou. É só despejar e já volto. Estava a ver duas strippers iguais lado a lado.&lt;br /&gt;— Tens a certeza?&lt;br /&gt;— Tenho a certeza de que vou ficar bem. Quanto às strippers, é capaz de ser apenas uma.&lt;br /&gt;— Bem, vê lá…&lt;br /&gt;Vi lá. E voltei à sala. Diz o Toninho, já informado dos últimos acontecimentos:&lt;br /&gt;— Por acaso estava a achar o teu ritmo estranho, a beber de urgência. Tu nem gostas muito de uísque.&lt;br /&gt;— É este clima de pecado que me obriga a beber para esquecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;04h45m - Últimos strips. Acabo a água Castelo. A Anita continua no mesmo grupo de amigos. Mudo de poiso, para ficar a ver tudo de frente. Perdi a esperança de que viesse falar comigo. Mas o seu terceiro strip foi deslumbrante. Um vestido branco, com flores verdes, ao som de Dulce Pontes, a cantar um dos maiores clássicos de Amália.Até me arrepiei. E o barman não resistiu a cantar um pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;04h50m - A Anita e a Jennifer são pagas para fazer duas table dances com duas clientes brasileiras que estavam com o grupo de amigos. As brasileiras não são habitués da casa. O DJ nunca as tinha visto. Aquilo foi mesmo de surpresa, que sabe melhor mas pode fazer mal ao coração.&lt;br /&gt;Os quatro amigos, algo anafados, já bem bebidos, preparam-se para gozar o prato. As amigas brasileiras estão sentadas no sofá do canto da sala. Anita e Jennifer avançam, decididas e divertidas com a surpresa das clientes. Há uma nota de grande erotismo no ar, mesmo que nenhuma das quatro brasileiras em acção revele particulares tendências lésbicas.&lt;br /&gt;O show decorre num ambiente intimista.Praticamente já não há clientes para além deste grupo. Salta-me a “tampa”. Avanço para uma cadeira mais próxima, sem pudores de observar. Não é o sexo que está em causa. É a malícia da situação, o jogo. Algo como misturar uma Guiness com uma Heineken.&lt;br /&gt;A deliciosa “mélange” entre as “Ligações Perigosas” de Choderlos de Laclos, um filme porno com cenas lésbicas, uma comédia estilo “American Pie” e um relato extraído do “Satíricon” de Petrónio, que li nos meus 15 anos.&lt;br /&gt;Não tenho nenhuma erecção, mas a sensualidade que paira no ar põe-me o coração a bater ao ritmo do Animal, dos Marretas. Aquilo dura-me o show todo. Não me salta pela boca porque estou com os antebraços apoiados nas costas da cadeira e as duas faces do rosto agarradas pelas mãos, como se estivesse concentrado na leitura de um livro como “Auto de fé”, do nobelizado Elias Canetti.Em que se fala de xadrez e de Capablanaca.&lt;br /&gt;Na sala, as pedras de xadrez estão distribuídas. Os quatro amigos observam, a sete metros de distância, impávidos e serenos. Eu estou a uns 15, ângulo bom.&lt;br /&gt;Anita senta-se ao colo da menina mais bonita e reproduz os movimentos que faria com um homem. Se a fricção nas zonas baixas não redundará no mesmo efeito, o contacto com os seios da cliente produz grandes efeitos na obsequiada. Morde os lábios, vibra. Os olhos brilham. Está mais que curiosa, está excitada.&lt;br /&gt;— Estão gostando, não é? —  atira para os amigos que pagaram o show.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É isso que a atrai? Saber que o show lésbico é o sonho de muitos homens heterossexuais? Talvez. Mas ela está a adorar o trabalho delicado e profissional das strippers.&lt;br /&gt;Por sua vez, as strippers estão a adorar o jogo. É uma coisa diferente. Querem provar que também sabem excitar as mulheres.&lt;br /&gt;Anita põe a sua menina louca. &lt;br /&gt;Jennifer provoca prazer na sua brasileira, mas ela não quer dar-se totalmente ao prazer que certamente está a sentir. Está embaraçada. Deve achar que a sua sexualidade pode ser posta em risco.&lt;br /&gt;A meio dos dez minutos de show, Anita e Jennifer trocam de menina.&lt;br /&gt;A brasileira que estava com Anita entrega-se logo. Toca na stripper. Arrisca. Jennifer abraça-a. Toca-lhe nos seios. Ela agarra a mão da stripper e coloca-a entre as suas pernas.&lt;br /&gt;Os amigos topam o seu delírio e um deles exclama:&lt;br /&gt;— Eh! Lá, ela não pode tocar!&lt;br /&gt;— Não pode tocar? Não pode tocar é piano.&lt;br /&gt;Mas as strippers continuavam a pianar o corpo bonito das clientes, que se mantêm totalmente vestidas. A menina mais desinibida continua a tentar avanços com Jennifer, que toca e foge. A cliente, totalmente no clima, acusa, meiga e maliciosamente:&lt;br /&gt;— Côvardi! Côvardi!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O show acaba num clima de grande cumplicidade, com as meninas a trocarem beijinhos com as strippers. Agradecem umas às outras.&lt;br /&gt;Já há strippers a sair do clube. Outras ficam a conversar no bar, no primeiro andar. Vou para perto dos vestiários, para dar um beijinho de despedida a Anita. Ela sai dos vestiários e praticamente não me liga. Quase arrasta um cliente do grupo de amigos para uma Private Dance.&lt;br /&gt;Vou pagar ao bar. A barwoman também é de S. Paulo. Cheia de jogo. Dou quatro notas de 20 para pagar 74.50 euros. Ela retira 50 cêntimos e avisa:&lt;br /&gt;— Esta vai para o mealheiro, está bem?&lt;br /&gt;Olho para o mealheiro gigante, de argila, dos antigos. Vou buscar o blusão ao bengaleiro. Faço um quatro com as pernas e meto mais dois euros e meio na ranhura. Ela ri-se.&lt;br /&gt;— Eu já não faço isso.&lt;br /&gt;Saio. Duas meninas saem de carro. As outras chamam táxis, parados na praça quase em frente do Nimas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;05h05m - Passa um autocarro 42 completamente vazio, a caminho da Ajuda. Encontro o meu amigo Mário, do Galeto. Faço-lhe companhia na paragem de autocarro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;05h25m - Uma volta ao Técnico. Ainda há três pérolas de ébano e duas brancas. Das pedestres. E mais três auto-putas. Uma é a D. Maria das válvulas desapertadas. Está a falar para um carro, com um casal de jovens. Por certo conhecidos. Não tinham pinta nenhuma de clientes:&lt;br /&gt;— Era vira o disco e toca à vez… o bófia ‘tá nervoso…&lt;br /&gt;Na Alves Redol, dois bêbados mijam na placa central. A puta que crava cigarros ao Tó-Zé avança e esconde-se na esquina. Também resiste ao frio.&lt;br /&gt;Venho para casa. Escrevo o diário. Já tomei um kainever. Só para assegurar que vou dormir qualquer coisa. Amanhã (hoje) tenho a festa do Photus e a shower dance.&lt;br /&gt;A seguir repouso, na Consoada e no Dia de Natal.&lt;br /&gt;São 08h13m e tudo vai bem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37794330-6871046072021405272?l=sexonanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sexonanoite.blogspot.com/feeds/6871046072021405272/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37794330&amp;postID=6871046072021405272&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/6871046072021405272'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/6871046072021405272'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sexonanoite.blogspot.com/2008/03/22-dezembro-de-2004.html' title='22 Dezembro de 2004'/><author><name>Luís Graça (Dick Hard / Von Grazen)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15302192874180431145</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/buga32/luis.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37794330.post-8396498586189307752</id><published>2008-03-09T12:23:00.001Z</published><updated>2008-03-09T12:24:46.302Z</updated><title type='text'>21 Dezembro de 2004</title><content type='html'>&lt;b&gt;Quase nu no meio da rua&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faço mais uma “directa” involuntária, com insónias. Vou até à piscina do Holmes. Participo num simulacro de incêndio e saio para a rua de touca, calções de banho e chinelos. O pessoal levou aquilo um bocado na reinação e pouca gente se dispôs a ir até à esquina.&lt;br /&gt;A seguir ao almoço ando à caça de “Erecções”, para que não faltem na última sessão de autógrafos. Consigo algumas. Na Bulhosa do Campo Grande compro o último livro de poesia do meu amigo Mexia. Fiquei muito atraído pelo poema “Nevermore”.&lt;br /&gt;Vou até ao pingue-pongue do Inatel. Um dos meus colegas de grupo lê “A mãe” (do Gorki). Alguns dos meus smashes passam-lhe ao lado por pouco. &lt;br /&gt;Está mesmo mergulhado na leitura. Venho a casa jantar, já todo flipado com a “directa”. Ainda vou juntar-me à Tertúlia BD no bar “Cem nomes”, na Rua da Rosa, um espaço muito simpático. Bebo um chá, como uma fatia de bolo e compro um livro: “Cidade do Strip”, (bem)escrito por uma ex-stripper americana.&lt;br /&gt;O pessoal da Tertúlia BD notou a overdose de “Água Brava” no meu rosto. Riram-se à brava. Comprei um frasco na perfumaria ao lado da Bulhosa. Com a cabeça toda flipada, pus a colónia na barba como se fosse after-shave. Reflexo condicionado de há 20 anos.&lt;br /&gt;Venho para casa de boleia com o António. Exagero a comer sortido húngaro e fico indisposto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37794330-8396498586189307752?l=sexonanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sexonanoite.blogspot.com/feeds/8396498586189307752/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37794330&amp;postID=8396498586189307752&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/8396498586189307752'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/8396498586189307752'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sexonanoite.blogspot.com/2008/03/21-dezembro-de-2004.html' title='21 Dezembro de 2004'/><author><name>Luís Graça (Dick Hard / Von Grazen)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15302192874180431145</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/buga32/luis.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37794330.post-296980496111068733</id><published>2008-03-02T11:40:00.000Z</published><updated>2008-03-02T11:42:19.513Z</updated><title type='text'>20 Dezembro de 2004</title><content type='html'>&lt;b&gt;Computador K.O!&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou para mais uma sessão de autógrafos no King. Vou jantar ao restaurante chinês e dou duas de conversa com o meu amigo José Eduardo Agualusa, que também tinha estado no King a ver um filme. O jantar com o meu amigo Gastão Salvado decorre a contento. Vimos a pé para minha casa. Ele vem confirmar o meu diagnóstico do computador. O CPU foi mesmo à vida. Venho depois a saber que um “pico de energia” (após algumas horas sem luz) me lixou a vida. Olha que porra, EDP!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37794330-296980496111068733?l=sexonanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sexonanoite.blogspot.com/feeds/296980496111068733/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37794330&amp;postID=296980496111068733&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/296980496111068733'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/296980496111068733'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sexonanoite.blogspot.com/2008/03/20-dezembro-de-2004.html' title='20 Dezembro de 2004'/><author><name>Luís Graça (Dick Hard / Von Grazen)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15302192874180431145</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/buga32/luis.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37794330.post-6664354628284416116</id><published>2008-02-25T11:34:00.001Z</published><updated>2008-02-25T11:37:22.788Z</updated><title type='text'>19 Dezembro de 2004</title><content type='html'>&lt;b&gt;Rivette em baixo de forma&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordo pelas 16h30m. Almoço. Vou comprar bilhete para o “Histoire de Marie e Julien”, ao Nimas, para a sessão da noite. O Vera Jardim está a sair da sessão da tarde.&lt;br /&gt;Levo uma seca. O filme arrasta-se. A Émanuelle Béart está magnífica, como sempre, mas mesmo assim levo uma seca. Que saudades do Jacques Rivette de “A bela impertinente”.&lt;br /&gt;À saída, venho atrás de uma miúda gira, sem intenções malévolas de qualquer espécie. À conta das mudanças no trânsito da Av. República, ia levando uma “passa” de um táxi. Ainda gritei, mas se o táxi não travasse a miúda levava mesmo uma “passa”.&lt;br /&gt;— Bem, só tinha vantagem se fosse antes de entrar para o filme…&lt;br /&gt;Ela riu-se. Falamos sobre o filme (ela gostou) e acabo por levar a miúda a casa. Mais tarde descubro que é frequentadora do Galeto e que temos amigos comuns.&lt;br /&gt;Saio do Galeto pela madrugada e chego a casa. Tento ligar o computador e nada. Perco 45 minutos de gatas, a ligar e desligar as fichas todas. Entro em «parafuso». Tomo dois kaineveres.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37794330-6664354628284416116?l=sexonanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sexonanoite.blogspot.com/feeds/6664354628284416116/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37794330&amp;postID=6664354628284416116&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/6664354628284416116'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/6664354628284416116'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sexonanoite.blogspot.com/2008/02/19-dezembro-de-2004.html' title='19 Dezembro de 2004'/><author><name>Luís Graça (Dick Hard / Von Grazen)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15302192874180431145</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/buga32/luis.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37794330.post-2453275866159003141</id><published>2008-02-17T01:13:00.001Z</published><updated>2008-02-17T01:16:46.339Z</updated><title type='text'>18 de Dezembro de 2004</title><content type='html'>&lt;b&gt;Em Peniche, a ver os faróis do litoral oeste&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tento dormir às 7 da matina. Às 8 meto um kainever. Pelas 9 devo ter adormecido. Pelas 13 e 45 sou acordado. Tenho perto de uma hora para chegar ao Campo Grande. A minha amiga Inês Ramos vai dar-me boleia para o forte de Peniche, onde decorre o lançamento do livro “Guardiães do Litoral Oeste”, com texto de Carlos Baptista, fotos de José de Deus, prefácio do professor Martelo e design da minha amiga Inês. &lt;br /&gt;O nosso carro leva Deus ao volante e a Inês ao lado de Deus; atrás, da esquerda para a direita, a Alexandra, eu e o actor e escritor Álvaro Faria, que leu textos do livro. E bem, como seria de esperar.&lt;br /&gt;A obra está mesmo bonita e o lançamento foi muito interessante. Compro uma data de coisas na loja de artesanato. Durante o lançamento ocorre-me um verso à Dick Hard: “Ó amigo faroleiro/que olhas de longe o mar/só podes ser punheteiro/não tens ninguém para amar”.&lt;br /&gt;O dia foi muito agradável. Fomos num pulinho ao Cabo Carvoeiro, antes de chegar ao forte de Peniche (ou fortaleza, é a mesma coisa). Por acaso o dia até é histórico. Cumpre-se um aniversário da fuga do dirigente comunista Dias Lourenço.&lt;br /&gt;Chegamos com uma hora de avanço para o lançamento e assim ainda vamos tomar qualquer coisa a um café que anuncia como petiscos “caracóis, amêijoa branca, camarão, polvo e navalheiras”. Nas bebidas, particular destaque para a variedade: brandymel, mel doiro e lacrimel, a 2 euros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;17h35m - Na televisão vemos o Wayne Rooney a falhar um penalty para o Manchester.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;18h05m - Provo uma água de 33 cl de uma marca que não conhecia: Caldas de Penacova. Não é má. Inicia-se o lançamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;20h (mais ou menos) - Saio do salão nobre do forte e dou com a potentíssima fotografia que está no átrio: o povo em reivindicação, a 26 de Abril de 1974, um dia a seguir à revolução. Lê-se um cartaz: “Peniche exige forte para visitar e não para ficar”. O registo é de António Alves Seara. Ao lado, uma lápide assinala que a libertação dos presos políticos só ocorreu no dia seguinte.&lt;br /&gt;Agarro-me às grades e vislumbro um parlatório, com a indicação expressa de que as conversas tinham de ser mantidas de forma a que o guarda pudesse ouvir tudo o que se dizia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;21h30m - O pessoal amigo janta todo junto. Ele era feijoada de búzios, ele era picanha, ele era caldeirada.&lt;br /&gt;— Mas ouve lá, vens para Peniche comer Picanha? —  disse Deus ao co-autor Baptista, o antropólogo engravatado do dia.&lt;br /&gt;— De peixe ando eu farto. Quero comer bem —  respondeu o sobrinho do faroleiro, sem temor a Deus.&lt;br /&gt;— Então e uma feijoada de búzio não é comer bem?&lt;br /&gt;Acordou-se que sim. Deus ainda comeu caldeirada.&lt;br /&gt;E a malta regressou a Lisboa. Com uma paragem na área de serviço deserta. A série da TVI ouvia-se através dos altifalantes nas casas de banho. Quando cheguei a casa, a Alexandra Lencastre estava a cabriolar no Passerelle, com um corpete vermelho de se lhe tirar o chapéu. Mas o Joe Cocker, a Kim Basinger e o Mickey Rouco não estavam presentes.&lt;br /&gt;Vou-me ao computador, ligo a Net, abasteço a Inês de poemas, retribuo votos de Boas Festas, peregrino pelo quartzo-feldspato-mica, vejo o último kuentro, com as minhas fotos encimadas pelos habituais balões subversivos do Jorge Machado-Dias.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37794330-2453275866159003141?l=sexonanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sexonanoite.blogspot.com/feeds/2453275866159003141/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37794330&amp;postID=2453275866159003141&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/2453275866159003141'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/2453275866159003141'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sexonanoite.blogspot.com/2008/02/18-de-dezembro-de-2004.html' title='18 de Dezembro de 2004'/><author><name>Luís Graça (Dick Hard / Von Grazen)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15302192874180431145</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/buga32/luis.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37794330.post-2466013696742711365</id><published>2008-02-10T20:35:00.000Z</published><updated>2008-02-10T20:36:18.726Z</updated><title type='text'>17 de Dezembro de 2004</title><content type='html'>&lt;b&gt;Recupero os sonos e leio jornais e revistas&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durmo bem. Recupero. Vou nadar para o Holmes. Chego a casa e vejo o final do FC Porto-Moreirense (1-0). Leio montes de jornais e revistas. Na Maxmen de Janeiro (sim, já saiu) descubro a Maria Wood, uma brasileira modelo do mês. Uma beleza de estontear. Um homem não é de pau, mas não me importava de ser pau para toda a obra com esta Maria. Ainda dou com mais miúdas de cortar a respiração noutras publicações. Já nem sei onde vi a Soraia. E nem chego a abrir a Playboy brasileira ou a ver a Photo francesa. Nem leio a crónica do Ricardo de Araújo Pereira na Visão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37794330-2466013696742711365?l=sexonanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sexonanoite.blogspot.com/feeds/2466013696742711365/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37794330&amp;postID=2466013696742711365&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/2466013696742711365'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/2466013696742711365'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sexonanoite.blogspot.com/2008/02/17-de-dezembro-de-2004.html' title='17 de Dezembro de 2004'/><author><name>Luís Graça (Dick Hard / Von Grazen)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15302192874180431145</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/buga32/luis.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37794330.post-2759888975255800866</id><published>2008-02-04T18:43:00.000Z</published><updated>2008-02-04T18:44:50.212Z</updated><title type='text'>16 de Dezembro de 2004</title><content type='html'>&lt;b&gt;O Nuno Marques pôs-me a dormir no ténis&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais uma noite de insónias. Mais uma directa involuntária. Mais uma hidroginástica matinal com a Sara, que é muito querida e me pediu para não chapinhar na água, a fim de não molhar as lentes de contacto dos outros imersinhos. E eram muitos, a abarrotar na piscina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;15h30m - Chego ao CIF e reencontro essa feliz família dos jornalistas que usualmente cobrem o ténis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;19 horas - Descemos até aos courts onde decorrem os jogos do Masters TMN. Um frio do caraças. O Nuno Marques vence o Tiago Godinho por duplo 6/4 e o jogo agradou-me muito. Mesmo assim, à conta da “directa”, adormeço por uns 15 minutos no segundo set. Acordo com o telemóvel do Pedro Keul (Público) a tocar ao meu ouvido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;22h30m - Vou jantar com o Manel Perez (O Jogo) ao Gordinni (tem lá uma empregada russa, lourinha, que é um mimo), no Estoril. Damos com um cartaz a anunciar a greve dos trabalhadores do casino. Experimentei uma lasanha nova, de que gostei. O Manel tem a atenção de me vir trazer a Lisboa. Combino entrevistá-lo para a TV Guia, em Maio, revista para a qual cobrirei o próximo Estoril Open.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37794330-2759888975255800866?l=sexonanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sexonanoite.blogspot.com/feeds/2759888975255800866/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37794330&amp;postID=2759888975255800866&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/2759888975255800866'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/2759888975255800866'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sexonanoite.blogspot.com/2008/02/16-de-dezembro-de-2004.html' title='16 de Dezembro de 2004'/><author><name>Luís Graça (Dick Hard / Von Grazen)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15302192874180431145</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/buga32/luis.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37794330.post-1729678335084797891</id><published>2008-01-27T21:31:00.000Z</published><updated>2008-01-27T21:42:20.335Z</updated><title type='text'>15 de Dezembro de 2004</title><content type='html'>&lt;b&gt;Eu, o 69, a Tackifire Special, os Evangelhos,&lt;br /&gt;o carro roubado e abandonado, os private do “Nocturno 76” a 40 euros, a puta que me acha giro, os putos do MRPP a pintar paredes e mais o diabo a sete.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;16 horas - Saio da cama. Ontem tomei dois kainever para dormir. Estava nos limites do esgotamento. Não conseguia escrever uma linha do diário. A sequência de dias com sonos trocados era esta: uma directa, uma noite em que dormi três horas, mais uma noite em que dormi duas horas e picos. Não dava para mais uma noite assim. Sentia-me exausto e fui para a cama dormir. E o problema não é adormecer, nesta fase do esgotamento. Adormeci lindamente. Mas acordei passada hora e meia. Sabia o que tinha a fazer. Hoje tinha pingue-pongue e não podia ir para lá a abanar. Tomei dois kainever e nem liguei o despertador. Tocou às 14 e 30 (estava marcado para aí, já nem me lembro porquê), saí da cama às 16 horas. Dormi bastante, mas o barulho do escritório começou logo a incomodar-me. Não quis perder tempo a tomar banho, senão falhava o lançamento do livro coordenado pelo meu camarada de noites galetianas, Sousa Machado. Tinha o cabelo todo no ar. A solução foi pôr um bocado de gel “Carpe Diem”, da Boticário, mas o meu dermatologista disse para eu não abusar do gel, que cria um micro-clima. É por isso que eu só raramente tempero o cabelo com gel. Sempre fica um clima mais temperado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;18h45m - Chego ao Centro Nacional de Cultura, mas já não consigo dar um abraço físico ao Sousa Machado, que está na mesa do lançamento do livro sobre os Evangelhos, como é óbvio. O lançamento deve ter começado a horas. Está a abarrotar de pessoas. Só consigo passar para o varandim. Passado um bocado, outro camarada das noites galetianas junta-se-me e dou-lhe um cartão de visita para ele entregar ao Sousa Machado. Só para dizer que estive presente em corpo e espírito, mas tive de me pirar para o pingue-pongue. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;19h15m - Estou a subir para o Largo da Misericórdia, para apanhar um táxi. Se apanhasse no Chiado podia ficar logo engarrafado. Passo ao lado do Trindade. Zóing! Ideia: comprar bilhetes para o espectáculo do Tochas, que esgota à brava. Não está ninguém na bilheteira, tirando a senhora da bilheteira, que é uma simpatia. Compro o bilhete para sábado (7 euros, com desconto de sócio do Inatel), dia 22 de Janeiro. E já sobravam só dois bilhetes. O gajo esgota com uma facilidade impressionante. Mas o gajo é bom e já andou por aí a penar. O cabrão do chaval de Avelar (peço desculpa pelo chaval, que o man já vai nos 32 ou 33, não sei ainda quando sai este livro) merece ter êxito. Por algum motivo é popular em todo o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Pode ser bom na cama, pode ter um ar simpático, podem ter pena dele, pode ser porque é português, pode ser porque faz bem de mimo, pode ser porque nasceu de cu virado para a lua e ter a sorte da lua não lhe ter ido ao pacote)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;19h30m - Chego ao Inatel e vou equipar-me. Lavo a cabeça com água fria, para ver se atino. Ainda estou um bocado zonzo dos dois kainever. Com a conversa nos balneários e o tempo que levo a equipar-me (que é bastante, uso duas coxas elásticas e dois pés elásticos, por causa das lesões que já tive) só chego à mesa às 20.05 horas, mas eu sou apenas o terceiro a entrar em acção.&lt;br /&gt;Cumprimento o meu colega de grupo que não está a jogar. Está sentado num colchão a ler “A mãe”, do russo que é o máximo.&lt;br /&gt;— Isso não é um bocado forte antes de jogar?&lt;br /&gt;— Por acaso é um bocado depressivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;20h32m - Sou chamado para jogar com o Marques. Perdi sempre com ele, mas da última vez estive quase a ganhar. Cheguei a estar a vencer por 2-0 (em sets) e desperdicei match-point para 3-1, se não me falha a memória. Desta vez, está quieto, ó preto. Mudei de borrachas e a adaptação tem os seus quês. Resultado: 3/11, 3/11, 11/9 e 4/11. O terceiro set é que é o mais normalzinho entre nós. Mas se sabia perfeitamente qual o comportamento do revestimento Butterfly Tackiness Drive (na sua máxima pujança de estar novinha), ainda estava em pleno período de estudo do revestimento com que nunca tinha jogado, a Butterfly Tackifire Special de 2 milímetros, que é super-explosiva, mas mais difícil de controlar do que a minha anterior Tackifire Drive ou mesmo a Sriver S ou Sriver L. Ainda experimentei pôr uma FX noutra raqueta de 1975, mas as madeiras eram más e eu não tinha vida para aquilo. É só mais uma raqueta para andar no saco, para mostrar aos amigos:&lt;br /&gt;— Olhem uma Butterfly Slazenger que me custou 275 escudos em 1975, com revestimentos de Butterfly Sriver FX preta e Butterfly Tackifire Drive vermelha.&lt;br /&gt;— E jogas bem com isso?&lt;br /&gt;— Não. Ia perdendo com um dos piores jogadores do Inatel. As madeiras são muito antigas e não consigo jogar bem com esta raqueta.&lt;br /&gt;— Mas ainda gastaste uma pipa de massa nas borrachas, ou não?&lt;br /&gt;— Pois gastei. Mas não achas que um primeiro amor (de raqueta) merece uma segunda oportunidade, nem que seja décadas depois?&lt;br /&gt;— Mas essa raqueta foi o teu primeiro amor?&lt;br /&gt;— Foi. Tive uns “flirts” com uma Vic verde de 75 escudos, com uma Sunflex azul de 59 escudos. Mas amor a sério foi com esta Slazenger. O Maio (Maio é o nome do gajo, não é mês, uma espécie de herói da turma e já atiradote com as miúdas, apesar dos 11 anos) tinha uma namorada igual e eu fiquei apaixonado por uma gémea da raqueta dele. Tinha cabo envernizado, com o símbolo da pantera com rabo cheio de tesão. Ou é a Puma que tem o rabo levantado? Acho que é a Slazenger...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, com os dois revestimentos comprados na Patacho, mas as películas de protecção, mais duas caixas de bolas Tibhar de três estrelas e 40 milímetros, o dinheiro que gastei foi... 69 euros.&lt;br /&gt;Não acreditam?&lt;br /&gt;Foi, sim senhor, caralho! Ficaram de me mandar a factura.&lt;br /&gt;E o bilhete para ver o “Bartoon” tinha o número 69. Foda-se, é verdade!&lt;br /&gt;E ainda tenho mais um 69 na minha vida. Foi na primeira terça-feira do mês. A filha da Carla, do restaurante “Gina” (porra, é mesmo o nome do restaurante, sei lá se a D. Gina é leitora da revista, deve ser mas é por causa do nome da dona, olha que caralho) andava a vender rifas para o cabaz de Natal lá do liceu e eu escolhi a rifa 69. Porque sim. Mas os outros dois são perfeitamente casuais. E o Pedro Mexia pediu-me para lhe comprar uma revista de automóveis e eu comprei o MaxTunning número 69. Mas só depois é que vi o número. É muito 69 na minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Anedota brejeira: um clássico. ‘Um amigo meu não gosta de 69 porque não quer nada que o distraia enquanto faz minete’.&lt;br /&gt;Uma história destas, noutro livro qualquer comprometeria irremediavelmente a qualidade da obra, neste não faz diferença nenhuma)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;21h30m (mais ou menos) - Vou jogar com o Lemos, a quem venci sempre. É dos tipos mais simpáticos do pingue-pongue do Inatel e isto não tem nada a ver com o facto de eu lhe ganhar. O Adelino dos CTT vê-me perder o primeiro set por 11-4 e vem saber o que se passa.&lt;br /&gt;— Estou a experimentar a Tackifire, ó Adelino. Daqui a bocado meto a Tackiness Drive e ganho 3-1. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim foi, mas com parciais muito equilibrados. O Lemos já tem dado dissabores a tipos que me ganham. O pingue-pongue é muito giro. O meu amigo Jorge Roxo é mais jogador que eu, mas eu posso até aviá-lo grandemente num dia mau do rapaz. Este ano ele vai ficar uns 20 lugares à minha frente, o ano passado foi o contrário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;23h15m - Estou a acabar de me vestir, já depois do banho, nas calmas. É a primeira vez que fico sozinho nos balneários do Inatel, depois dos jogos. Isto é que é qualidade de vida, melhor do que no Holmes Place. O vapor já se dissipou, o espaço todo só para mim, um consolador silêncio, todo o tempo do mundo para me vestir e tomar banho.&lt;br /&gt;Mas... estão tipos lá fora! Queres ver que são os empregados a controlar-me? Mas porquê? Ainda faltam 15 minutos para o horário de fecho!&lt;br /&gt;Olha, são dois tipos de bidão exterminador em punho, que vêm dar caça às baratas. Em 15 anos de Inatel, ainda não tinha levado com um número destes. Quando o Paiva (da Marconi), me disse “Vê lá se te despachas no duche, que vai haver desinfestação de baratas” pensei que era no gozo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Paiva (da Marconi) é um ganda bacano. Tal como o Caetano (da Marconi), que é o famoso Marconi Caetano que entra no conto “A mansão das mil folias” do livro “Neura 2004”. Desta vez o Marconi Caetano chegou ao Inatel ligeiramente tocado, para me substituir de bêbedo de dia. O Balseiro (da Marconi) também é um ganda bacano. Na Marconi são todos bacanos. E ganharam-me sempre sem espinhas. Estão a ver como tenho “fair-play”? &lt;br /&gt;Uma vez, no campeonato por equipas (o Carlos ainda jogava comigo e com o Roxo), o Paiva chegou ao Inatel e disse-me:&lt;br /&gt;— Vá, menino, vamos lá embora a despachar isto que o Sporting dá na televisão e eu quero ver!&lt;br /&gt;Eu ri-me. Ora bolas, o jogo era dali a 45 minutos. Certo que nós íamos perder, mas também não convinha exagerar o tempo da derrota. O Carlos, que jogava mais que eu e o Jorge e era o depressivo-defensivo da equipa (eu e o Jorge ainda hoje somos maníaco-ofensivos), costumava dar luta ao pessoal quase todo.&lt;br /&gt;Pois é.&lt;br /&gt;Perdemos 5-0 num ápice. E os tipos da Marconi ainda davam umas bolas de amizade, para nós fazermos 11 pontos e não levarmos capote. Na altura os jogos eram até aos 21, com bolas de 38 milímetros. Quem não sabia fica agora a saber que as bolas aumentaram para 40 milímetros (faz diferença, podem ter a certeza) e os sets vão só até aos 11. Mas joga-se à melhor de cinco sets, em vez de três sets.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Está? Luís Graça? É o editor. Como vai, está bom? Olhe, é para lhe dizer que o livro deve escorrer sexo. Não perca tempo com pingue-pongues. Depois o livro fica grande e o senhor queixa-se quando não lhe editamos as obras. O quê? Se entrar o pingue-pongue do Inatel são mais 200 potenciais compradores? Mas o senhor garante-me isso? Ah! o Caetano da Marconi comprou o Neura-2004 só por entrar nele... e o Damásio Caeiro anda na Faculdade de Letras e interessa-se... e um dos árbitros anda sempre na Feira do Livro e nas Livrarias... e outro árbitro até queria ‘As mulheres não gostam de foder’ do Alvarez Rabo, autogafado... bem, sendo assim, o senhor não encara a hipótese de fazer um segundo volume versando o sexo no ténis de mesa do Inatel? Não há, que o senhor saiba... que pena... mas tanto homem nu no balneário... nunca se apercebeu de nada... que pena... sim, às vezes tratam-se por ‘ó paneleiro’, mas é na brincadeira... que pena...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RED ALERT: O COMPUTADOR INFORMA QUE O LIVRO VAI NOS 300 MIL CARACTERES, MARCA RAZOÁVEL PARA VENDER UM LIVRO.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ai, ai, ai... e agora, o que faço?&lt;br /&gt;Bem, vou saltar uns dias. Só posso. E resumir ao máximo. Ainda me faltava fazer tanta coisa interessante. E tenho o “shower dance” de dia 23, não fui ao “Avião”, ainda não falei dos filmes porno do Frota (tenho cinco revistas só com a intrigalhada à volta dele, já com sublinhados), sei lá, tanta coisa...&lt;br /&gt;Vou tentar não passar dos 320 mil caracteres...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Dick Hard — Ó meu, nem em sonhos...&lt;br /&gt;Luís Graça — Pronto, está bem... 350 mil.&lt;br /&gt;Dick Hard — Vão-te obrigar a cortar, na editora.&lt;br /&gt;Luís Graça —  Cortam mas é o caralho!&lt;br /&gt;Dick Hard — Desde que seja o teu, que até é minorquinha!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;01h20m - Ando à volta da Gulbenkian, a desmoer o jantar. A polícia está parada com um reboque, ao pé do monumento ao Azeredo Perdigão. Está lá abandonado um carro roubado. O assaltante ia sendo apanhado. Fugiu a pé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;02h10m - Páro de dar voltas à Gulbenkian. Toco à campainha do “Nocturno 76” e pergunto se há réveillon planeado. O porteiro não sabe. Mas sabe o preço da private dance (40 euros). Agradeço e bazo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;02h15m - Vou contar putas ao Técnico. Primeira volta: 16-1, ganham as pedestres em relação às auto-putas, obviamente. Segunda volta: 18-1. Uma loja de automóveis na Rovisco Pais tem dois Jaguares fabulosos na montra. Um branco e um preto. Um pouco acima, a preta que me disse “Eu trabalho” (ver princípio do livro) continua com um aspecto que ninguém diria de puta. Está escondida nas sombras de uma entrada para garagem.&lt;br /&gt;Pouco depois apanho um diálogo giro na esquina. Não sei o que motivou uma frase, mas uma puta branca diz que os clientes de uma carrinha branca grande:&lt;br /&gt;— Na pensão também há WC...&lt;br /&gt;(Qualquer coisa que não percebi)&lt;br /&gt;—  Em cima do bidé...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta puta é bem disposta e deve achar-me giro e educado. Conhece-me de vista e sabe que não sou potencial cliente. Mas tem pena. A avaliar pela frase que ouço dizer às duas colegas, enquanto me afasto, já na segunda volta:&lt;br /&gt;— Ainda o mando parar e digo: ‘Leva-me a casa’.&lt;br /&gt;Estou convencido que ela não pensou que eu ouvisse. Mas há uns meses, vinha eu do kick-boxing com o Gastão Salvado, já tinha mandado umas bocas simpáticas, a atirar o barro à parede. Eu e o Gastão a caminho do Galeto e lá vieram as bocas, suave e educadamente, falando dos jornais que eu trazia debaixo do braço, salvo erro o ‘Record’. E o Gastão:&lt;br /&gt;— Ó Luís, acho que elas estão a meter-se connosco...&lt;br /&gt;Pois estavam. Mas eu e o Gastão fomos para o Galeto meter... qualquer coisa no bucho, depois da porrada. Apesar de tanto eu como o Gastão gostarmos de comida, porrada e sexo. O Gastão gosta mais de comida. Eu é de sexo. Porrada só gostamos de ver, sem praticar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;02.25m - Na parede do Técnico estão a pintar um mural. O símbolo com a foice, o martelo e a estrela já lá estão. Três chavais dos seus 20 anos dedicam-se à tarefa. O que pinta está em cima do capot do automóvel do amigo. Já leio: “O Gov...”.&lt;br /&gt;Vou-me aos putos e pergunto:&lt;br /&gt;— Bem, já que estão na primeira demão, dêem-me lá a frase em primeira mão!&lt;br /&gt;— “O governo já está. Faltam as propinas”.&lt;br /&gt;— Obrigado. Olhem, o Garcia Pereira foi meu professor na Faculdade. Boa noite.&lt;br /&gt;— Boa noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;05h08 - É a hora actual. Vou imprimir estas folhas, guardar na diskette, um pulinho ao hotmail, a ver se há mensagens, abrir as cartas do dia (tenho carta da minha amiga Dolores, que me chama pen-friend), espreitar os jornais e... dormir? Espero que sim. E sem bombas. Caso contrário... ou é mais uma directa de esgotamento/insónia ou lá vai bomba.&lt;br /&gt;E estou-me a poupar. Ainda nem escrevi no diário o concerto dos 20 anos dos Ena Pá, que já foi no dia 30 de Novembro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37794330-1729678335084797891?l=sexonanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sexonanoite.blogspot.com/feeds/1729678335084797891/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37794330&amp;postID=1729678335084797891&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/1729678335084797891'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/1729678335084797891'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sexonanoite.blogspot.com/2008/01/15-de-dezembro-de-2004.html' title='15 de Dezembro de 2004'/><author><name>Luís Graça (Dick Hard / Von Grazen)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15302192874180431145</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/buga32/luis.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37794330.post-2144490899676670903</id><published>2008-01-23T01:51:00.000Z</published><updated>2008-01-23T01:53:35.822Z</updated><title type='text'>13 de Dezembro de 2004</title><content type='html'>&lt;b&gt;O diabinho vibrou durante horas&lt;br /&gt;e  eu fiquei prisioneiro do Inatel&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;18 horas - Pontualmente, ocupo o meu lugar no bar da Assírio e Alvim, no King Triplex, para a sessão de autógrafos e declamação do “De boas erecções está o Inferno cheio”. Desta feita, envergo a camisola de hóquei sobre o gelo dos Calgary Flames (de um vermelho-vivo), tenho pendurados ao pescoço dois bonequinhos de peluche (um ursinho e um porquinho), uso óculos escuros e fumo cigarrilhas e pequenos charutos da Henri Wintermans (Half Corona). O Luís Graça não é fumador, mas o Dick Hard gosta de fumaças. Eu estou no King como Dick Hard. Tenho um ar arrogante, de gajo importante, provocador, visto de longe. Depois, se o leitor se dirige a mim, sou um gajo simpático, que pergunta logo se o fumo incomoda. Tenho à minha frente duas mesas cheias de poemas espalhados, um casal de porquinhos a copular (bonequinhos, bem entendido) e um vibrador verde com um preservativo/diabinho enfiado nele, a girar. Girou durante toda a sessão, desde as 18 horas até às 21 e 30. Ninguém ligou nenhuma. Talvez tenha mesmo havido quem não se tenha apercebido de que aquilo era um vibrador.&lt;br /&gt;Um rapaz levou um marcador do Neura-2004. “Por uma questão utilitária”, confessou. Dá sempre jeito marcar as páginas de um livro, para saber onde se está.&lt;br /&gt;Recebi a visita de alguns amigos e conheci uma fã bem recente, a Ana, irmã da Cristina, uma colega da hidroginástica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;21 e 55 - Chego ao Inatel para a primeira jornada da segunda fase de ténis de mesa. Tenho o árbitro à minha espera nos balneários.&lt;br /&gt;“Então?”.&lt;br /&gt;Então, o quê? Ainda faltavam 20 minutos em relação à hora marcada para o início do encontro. Perdi os dois jogos, embora tivessem sido equilibrados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Não é para me desculpar, mas estava tocado das quatro ou cinco Guiness que bebi no bar do King. E já não comia desde o almoço. Podia perfeitamente ter perdido os dois jogos, mas os 11-4 do primeiro set com o senhor Octaviano são mesmo devidos ao facto de estar a ver a bola a fazer percursos curiosos na atmosfera. E o estilo de jogo dele, todo cortado, também me embebedou. Não quero tirar méritos aos senhor Octaviano) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os meus companheiros de grupo são pessoas com quem nunca tinha falado. O empregado do Inatel veio avisar às 23 e 15 horas que aquilo ia fechar às 23 e 30. Gostei. Já uma vez os portões tinham sido fechados com jogadores lá dentro. Por isso, ter ficado prisioneiro do Inatel não foi novidade. Pus uma cancela encostada à parede (tipo assalto a castelo medieval), subi, pousei os sacos lá em cima, puxei a cancela, encostei-a à parede do lado de fora e desci. Da outra vez tinha acontecido esta situação a cinco jogadores. Agora eu estava só. E tinha dois sacos a tiracolo (o do ténis de mesa e o dos autógrafos, que tinha para aí uns 4 quilos), mais o chapéu de chuva. Foi mais trabalhoso subir com aquilo tudo. Apesar do grande barulho que fiz com a cancela (o que é inevitável, é metal a bater contra a rede, contra a parede e a cair sobre chão de pedra), nenhum vizinho veio à janela e o homem do lixo deve ter achado que aquilo era a coisa mais natural do mundo, um gajo a “desassaltar” o Inatel.&lt;br /&gt;O país está verdadeiramente bonito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37794330-2144490899676670903?l=sexonanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sexonanoite.blogspot.com/feeds/2144490899676670903/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37794330&amp;postID=2144490899676670903&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/2144490899676670903'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/2144490899676670903'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sexonanoite.blogspot.com/2008/01/13-de-dezembro-de-2004.html' title='13 de Dezembro de 2004'/><author><name>Luís Graça (Dick Hard / Von Grazen)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15302192874180431145</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/buga32/luis.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37794330.post-1636815085949159099</id><published>2008-01-14T12:14:00.000Z</published><updated>2008-01-14T12:16:18.279Z</updated><title type='text'>12 de Dezembro de 2004</title><content type='html'>&lt;b&gt;“A ópera do falhado” do JP Simões&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais uma noite de insónias. Lá vou eu para a aula de hidroginástica do Holmes. Lá vou eu para o jacuzzi. Depois abalo até Almada, para um lançamento de um livro, no Forum. É “A ópera do falhado”, do JP Simões, um homem que muito aprecio pela fluência do discurso e a elegância na maneira de estar. Um subversivo sofisticado. Um excelente músico, um vocalista como deve ser.&lt;br /&gt;Compro o livro para dar a um amigo, na sua data de aniversário. E acabo por regressar a Lisboa com mais dois álbuns de banda desenhada. Ia perdendo o barco de regresso por estar à espera dele no cais errado. Chego a casa a tempo de ver o Troféu dos Campeões de hóquei em campo, com a vitória da Espanha sobre a Holanda por 5-2. Masculinos. Mas há uma jogadora holandesa com um nome português (Fátima Moreira da Silva) que até tem um site e tudo. Canta, é modelo, um verdadeiro ídolo nacional.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37794330-1636815085949159099?l=sexonanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sexonanoite.blogspot.com/feeds/1636815085949159099/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37794330&amp;postID=1636815085949159099&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/1636815085949159099'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/1636815085949159099'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sexonanoite.blogspot.com/2008/01/12-de-dezembro-de-2004.html' title='12 de Dezembro de 2004'/><author><name>Luís Graça (Dick Hard / Von Grazen)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15302192874180431145</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/buga32/luis.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37794330.post-1193928101172981308</id><published>2008-01-06T19:31:00.000Z</published><updated>2008-01-06T19:35:18.008Z</updated><title type='text'>11 Dezembro de 2004</title><content type='html'>&lt;b&gt;“Bartoon” (a erecção na escuridão)&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;‘Teatro Mínimo’ na Guilherme Cossoul&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8 horas - Quando decido ir para a cama, na boa (pensava eu que os idiotas do escritório não vinham ao sábado) começa o barulho. Passo-me! Meto mais um kainever, ponho os tampões nos ouvidos e regulo o despertador para as 16 horas. Quero ver na RTP2 o Sporting de Espinho — Castelo da Maia (2-3, grande jogatana) e o VIC  — Benfica, em hóquei (1-1, passou o Benfica, mas não jogou nada do outro mundo. Nem os espanhóis do vê-i-cê, como disse a “speaker” do Benfica, na primeira mão, na Luz).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;19 horas - Dou 15 minutos de braçadas rápidas na piscina do Holmes e à saída flirto um bocadinho (não dá nada, mas desopila-se) com a Diana, da recepção, que me confessou ter feito parte dos Tocárufar. Na recepção dá para flirtar com o pessoal todo. É tudo miúdas giras. Os homens também são bonitos, mas o meu prisma óptimo é completamente diferente em relação a eles.&lt;br /&gt;(Um dia, quem sabe, a vida dá tantas voltas...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;21h30m - Como uma sopa de alho francês no átrio do Saldanha Residence, ao pé dos cinemas. O ecrã do átrio transmite o Sporting. Já nem sofro. Deixo a mesa por breves instantes para ir falar a um amigo noutra mesa (um jornalista amante do jazz) e fico de olho no meu blusão, não vá dar-lhe vontade de ir à casa de banho com outra pessoa, por alta recreação.&lt;br /&gt;Evito por duas vezes que as funcionárias de recolha de tabuleiros me levem ainda a sopa a meio, a garrafa de água, o folhado de queijo e fiambre e a maçã assada. Também não era muita coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;22h40m - Junto-me aos amigos da BD na Sociedade de Instrução Guilherme Cossoul, onde eu, o Luís ‘Destravado’ e o Gastão Salvado organizámos o Filotoon, uma semana de cinema de animação à borla, entre 7 e 13 de Outubro de 2002. Sim, sem pornografia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;23h07m - Começa a peça baseada no “Bartoon”, do meu amigo Luís Afonso. Em palco estão os meus amigos Pedro Alpiarça, José Boavida, Vicente Morais e... e... e... nem consigo escrever... a Vera Fontes, uma miúda mais querida que um Ferrero Rocher arraçado de bombon de ginja, coberto com chantilly e com um travo final de Absolut Citron misturado com peppermint Get 27.&lt;br /&gt;Bem, já não via a Vera há uns cinco anos, desde o “Romeu e Julieta” no palco do Trindade. Um “Romeu e Julieta” à moderna, em que a Vera aparecia toda nua. E eu chego à Guilherme Cossoul sem relacionar o apelido Fontes com a Vera toda nua de há cinco anos.&lt;br /&gt;Bem, a Vera é gira, a Vera é simpática, a Vera é boa, a Vera tem uns seios de sonho...a Vera não se lembrava puto de mim. Mas já lá vamos.&lt;br /&gt;O Boavida lá está atrás do balcão, a fazer de barman, o Vicente aparece a fazer de Pintas e de Militar Bronco. O Alpiarça a fazer de compadre alentejano. E todos vão bem. O problema é quando entra a Vera a fazer de Matilde, que vem toda boa. Usa um espartilho branco (vi eu nos bastidores) e um soutien tipo Jean-Paul Gaultier. E faz um papel da enjoadinha/menina da terra/sensual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;23h33m (mais ou menos) - O Luisinho começa a conspirar com o Dick Hard, vá de trocar piadinhas, o Luisinho começa a lembrar-se da Vera nua no palco do Trindade, está ali a olhar para a Vera outra vez, toda giraça...e aconteceu o inesperado. O Luisinho teve uma erecção. Não foi uma erecção máxima, que aquilo era o Teatro Mínimo. Mas foi uma vera erecção, provocada pela Vera, na escuridão. E a erecção até podia ter durado até ao final da peça, não fosse a Vera sair de cena e o Luís Graça ter dito ao Luisinho e ao Dick Hard: “Porra, pá, quando preciso de vocês é só baldas, agora que estou no teatro é isto!”.&lt;br /&gt;00h15m  —  Bato à porta dos bastidores, de surpresa.&lt;br /&gt;Boavida  —  Olha o Luís!&lt;br /&gt;Luís Graça  —  Posso entrar? A Vera não está nua?&lt;br /&gt;Boavida —  Quase!&lt;br /&gt;Luís Graça  —  Então eu espero e depois entro!&lt;br /&gt;(Entro e dou uns bacalhaus à malta, mas estou mais interessado na Vera).&lt;br /&gt;Luís Graça (para a Vera)  —  Olha, até já te vi nua, a fazer de Julieta!&lt;br /&gt;Vera Fontes  —  Isso foi há uns... cinco anos...&lt;br /&gt;Luís Graça --- Já vi que não te lembras de mim. Eu lembro-me muito bem de ti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, eu passo a dar opiniões sobre a peça ao Boavida e ao Alpiarça, mas a Vera vai-se despindo e tira o espartilho, que é tipo armadura medieval. Pelo espelho, numa fracção de segundo, vislumbro através do maillot branco que continua com uns seios perfeitos. E não tive coragem de ficar a olhar por mais tempo. Aí sim, era capaz de ter uma erecção à Dick Hard e partir os adereços. Ah! e continuo bastante esgotado! É só para verem, seus palhaços! Ainda há aqui 17 centímetros de homem, quando calha!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Sim, em erecção. Queriam que fosse no estado normal, seus idiotas? Eu não faço publicidade enganosa, não me chamo Rocco Sifreddi ou John Holmes. É como no anúncio da Renault: grandes para quê? Eu nem tenho carta de penetração. Era para tirar (e meter) logo aos 18, mas a coisa foi-se arrastando e ando muito nos transportes públicos fora de hora de ponta).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;00h40m - Apresento os actores ao pessoal da Tertúlia BD, que neste caso está travestido da Tertúlia dos Bedéfilos Teatrófilos. É a segunda incursão da malta no teatro, mas eu estava convencido que era estreia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;01h10m (mais ou menos) - Dou o meu cartão de visita “romântico e quarentão” à Vera e ela dá-me o telemóvel dela e o mail.Já ganhei a noite. A Vera vai-se embora e mando-lhe beijinhos de longe. É muita querida. Também deve ter defeitos, mas eu não sei nada disso nem quero saber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;02h15m - Estou no “Túnel de Santos” (não tem nada a ver com o Santana Lopes nem com um bar de putas, é mesmo um bar/restaurante que fecha às 3 da matina, ao lado do Cinearte/A Barraca), com os meus amigos António e Gastão Salvado. Como somos todos gajos normais, saem três bitoques para a mesa do canto. A TV está ligada na TVI. Bolinha vermelha no canto do ecrã. Que filme é este? Olha, o Ryan O’Neal, a Ally McGraw e o Ray Milland. É o “Love Story”.&lt;br /&gt;Gastão Salvado  —  Bolinha vermelha porquê?&lt;br /&gt;António  —  Também não percebo.&lt;br /&gt;Luís Graça  —  Nem eu, já acredito em tudo. Por acaso até chorei, quando vi o filme em meados de 80, em Braga. Na TV. Foram umas férias em que os cinemas de Braga só tinham filmes porno e kung-fu. E foi assim que fui ao Cine-Teatro Circo ver a Anette Heaven pela primeira vez, num filme das 1001 Noites, que vi a Veronica Heart pela primeira vez (e não tive erecção, mas saí do cinema com as calças sujas por aquele líquidozinho pré-aviso de recepção, olha que chatice!) em “Amanda, perigo sexual”. E vi o “Fist of fury” do Bruce Lee.&lt;br /&gt;E ver a pornografia em Braga foi muito giro, porque o pessoal mandava bocas em clima de grande interactividade e confraternização. Passados uns anos fui ao Sá da Bandeira, no Porto, ver “As ultrapotentes”, com a Pippi Andersson, uma modelo sueca de passerella que fez uma boquinha nos filmes porno. E que boquinha. Há uma cena em que ela está de joelhos e são cinco de volta dela. “Ó menina, desculpe, quando pudesse atender-me...”.&lt;br /&gt;Depois saí do Sá da Bandeira e fui ver “A cor púrpura” do Spielberg, que por acaso era protagonizado por uma preta, a Golderg, que até tem nome judeu. Que grande confusão de narizes!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Cyrano de Bérgerac  —  Chamaram?&lt;br /&gt;Luís Graça  —  Agora já não preciso de ti. Se fosse no outro dia, no show com a húngara, no Peep Show, é que eras preciso. E ainda tinha o Juca Chaves, para o que desse e viesse...&lt;br /&gt;Juca Chaves  —  A Yara nunca se queixou... (sic, Festival de Humor do Inatel, para aí em 1995)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;03h05m - Casa. O carro do António fica estacionado em frente à minha porta, enquanto vou buscar uns cartazes de uma gala de kick-boxing para dar ao Gastão Salvado. Estava prometido. Subo e desço num ápice, ao contrário do que acontece com a minha vida sexual, que está como eu: com os fusos todos trocados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Podia ainda falar-vos da super-erecção involuntária do Verão de 78, que não tem nada a ver com o “Verão de 42”, que vi no Zodíaco, ao pé da Judiciária, dos travestis, das putas e do “Maybe”.&lt;br /&gt;Ah! querem que conte já? Então está bem.&lt;br /&gt;Eu fui parar ao hospital com uma pleurisia na Primavera/Verão de 1978. A pleura cheia de líquido. Uma pleurisia líquida. Fiz três punções, parecia um alambique de Chicago nos tempos do Al Capone.&lt;br /&gt;Tinha de fazer fisioterapia. Ou seja, ginástica respiratória. Primeiro era o senhor Carvalho que me fazia os 15 minutos de pressão abdominal. E tive de aprender a respirar pelo abdómen.&lt;br /&gt;Um dia apareceu uma miúda gira, de 19 anos, a Isabel, uma estagiária. Eu tinha 15. Ora bem, a malta para fazer fisioterapia está deitada nas marquesas, de barriga para cima e calças desapertadas, senão a barriga não sobe e desce.&lt;br /&gt;Eu ponho-me a olhar para a Isabel, que era gira e simpática e...oops! O Luisinho fez continência com uma velocidade que até surpreendeu o campeão mundial desse ano, o Andretti, da Lotus. Reacção do Luís Graça: corou automaticamente, continuou a respirar como se não fosse nada e tentou disfarçar. Mas disfarçar o quê, senhores ouvintes? É claro que a Isabel viu, mas agiu profissionalmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;NÃO FEZ NADA! IDIOTAS! Continuou a ginástica respiratória normalmente. E posso dizer que não me provocou absolutamente nada. Nem com o olha, nem com os movimentos do corpo, nem com o decote. Aquilo foi uma coisa que passou pela cabeça (a glande, que o resto é só para levar e trazer, dizem os entendidos) do Luisinho e o Luís Graça teve de se aguentar à bomboca.&lt;br /&gt;Resumindo: quando é preciso, não há nada. Quando não é conveniente, não faltam. Vá lá entender os homens).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6h12m - Vou tentar dormir sem bombas, mas antes ainda dou uma passadela de olhos pelos jornais. O mesmo erro táctico de sempre, quando se está com esgotamentos. O que querem? Ainda sou mais viciado em jornais do que em pornografia. Haviam de ler um livro meu quando estou em forma. Isto é a jogar a 30 por cento. O último conto (cronológico) do “Neura 2004” (A mansão das mil folias) também foi escrito em pleno esgotamento. E para a revisão do “Neura 2004” fiz duas ‘directas’.&lt;br /&gt;E adoro escrever. Se é para nos rebentarmos num emprego merdoso das 9 às 5, venha de lá essa escrita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Dedico este dia do livro a todas as miúdas queridas que passaram pela minha vida. De uma forma ou de outra. Mais de outra, que sou um menino tímido. Não acreditam? Não me conhecem).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37794330-1193928101172981308?l=sexonanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sexonanoite.blogspot.com/feeds/1193928101172981308/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37794330&amp;postID=1193928101172981308&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/1193928101172981308'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/1193928101172981308'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sexonanoite.blogspot.com/2008/01/11-dezembro-de-2004.html' title='11 Dezembro de 2004'/><author><name>Luís Graça (Dick Hard / Von Grazen)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15302192874180431145</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/buga32/luis.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37794330.post-1449378095804519453</id><published>2008-01-02T11:49:00.000Z</published><updated>2008-01-02T11:53:56.586Z</updated><title type='text'>10 de Dezembro de 2004</title><content type='html'>&lt;b&gt;Bolo-rei para as putas e cabeças partidas!&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;16 horas - Toca o despertador. Acordo. Um bocado zonzo do kainever. Fico na cama até às 17 horas, a sonhar meio-acordado com gajas boas e miúdas queridas. Deixei de adormecer a pensar em guerras de bonecos e corridas de carrinhos com uns 12 anos. A partir daí é sempre a pensar em mulheres para adormecer. Adoro sonhar com mulheres. O outro sonho ideal é aquele em que me imagino a voar e penso que não é sonho. Que é verdade. Tive um espectacular: voava sobre uma praia, a grande velocidade, a meio metro do areal, numa prancha de windsurf. Mas não acertava com a prancha em ninguém. Outro sonho dos bons era aquele em que dava uns enormes saltos com uma Honda Mini-Trail (quem tem mais de 35 anos lembra-se da mini-mota), agarrava uns ramos de eucalipto e ficava com a Honda Mini-Trail presa entre as pernas. Depois deixava cair a mota “suavemente” de uma altura de uns seis ou sete metros, saltava para o solo na boa, pegava na mota e recomeçava. Bem, se fosse na realidade só tinha dado o primeiro salto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;19 horas - Estou a entrar no Clube Português de Artes e Ideias, onde “vai começar” às 18h30m o lançamento de “As não-metamorfoses”, da editora Errata. O autor, Alexandre “O grande” Andrade, é meu amigo. Aquilo tem lá muito malta do DN-JOVEM. E o grande Manel Dias, o Pai dos Pais, o maior! O Afonso Henriques do DN-JOVEM, o grande fundador, a quem deram um montante para se pôr na alheta do DN. Sim, deram-lhe um montante. Não, não é uma espada grande. Foi mesmo em euros. Pois, se fosse um montante/espada o Manel vendia na Feira da Ladra mas não dava para andar a curtir nas provas de orientação e no Coro Infantil de Santo Amaro das Beiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Actualmente, no jornalismo português, existe uma enorme conspiração para despedir todos os elementos competentes e bem formados. A coisa vai bem encaminhada. Os medíocres já têm muito mais de 50 por cento de posse de bola)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;22h - Jantar da malta amiga do Alexandre no “Sinal Verde”. Como estava um bocado speedado, uma miúda gira e inteligente que tem a mania que é formada em Linguística (e que estava a comer à minha frente) disse assim:&lt;br /&gt;“Tu deves dormir muito bem! Tens cá um discurso!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso queria eu! Não dá para vires convencer os gajos por cima de mim, no escritório das cadeiras com rodinhas e das gajas com botas de salto alto por cima do chão que é de tacos, mas já teve carpete?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Ó pessoal do escritório, adorava meter-vos um exército de malaguetas pelo rabo acima e depois amarrar-vos a um pinheiro em Monsanto e depois meter-vos mel nas orelhas e depois despir-vos todos e depois meter-vos compota de cereja nos órgãos sexuais e depois pôr o “Highway to Hell” dos AC/DC a tocar 24 horas sobre 24 horas. E havia de ser giro ver as formigas a circular das orelhas para os órgãos sexuais e vocês a levarem com os AC/DC. E quando pedissem clemência, eu só dizia: atão, como é, vão pôr carpete para me deixarem dormir, seus grandes filhos de um cabresto?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;24 horas - Saímos do restaurante. O grupo de amigos fracciona-se. Eu sigo com malta da BD, o Filipe Abranches e o Pedro Lopes. Era para seguirmos até ao “Estádio”, um bar (?) do Bairro Alto. Resolvo portar-me bem e venho até casa, para escrever o diário. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;00h50M - Saio do Metro em Arroios. Subo. Junto ao Técnico, uma ambulância recolhe um corpo. Vou lá. Não tenho curiosidade mórbida por acidentes, mas depois da cena do estudante morto pelo toxicodependente só penso em desgraças. Felizmente é uma coisa muito menos grave. Um tipo partiu a cabeça, mas à partida está tudo OK.&lt;br /&gt;Dobro a esquina. Mau! Outra ambulância? Nada disso. Era daqueles super-vans dos organismos estatais, que dão preservativos às putas e trocam seringas. Desta vez também estavam a dar bolo-rei. Não percebi se o bolo-rei também é um contraceptivo ou se há conveniência em trocar de bolo-rei com as prostitutas bolo-rei-dependentes.&lt;br /&gt;A lourinha de Madrid estava uns metros à frente. A miúda é mesmo gira. Como já tinha falado com ela, meti conversa.&lt;br /&gt;— Então, não queres bolo-rei?&lt;br /&gt;(Sorriso)&lt;br /&gt;— No, gracias.&lt;br /&gt;Expliquei-lhe que aqui em Portugal o Dia de Reis já era muito murcho, nada como em Espanha. Ela disse que não fazia mal, que comia o bolo antes. Adorava ter uma prenda destas a sair-me no bolo-rei. Mas quase que aposto que me saía a fava, tipo, sei lá, uma apresentora de reality-show em crise pré-menstrual.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37794330-1449378095804519453?l=sexonanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sexonanoite.blogspot.com/feeds/1449378095804519453/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37794330&amp;postID=1449378095804519453&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/1449378095804519453'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/1449378095804519453'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sexonanoite.blogspot.com/2008/01/10-de-dezembro-de-2004.html' title='10 de Dezembro de 2004'/><author><name>Luís Graça (Dick Hard / Von Grazen)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15302192874180431145</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/buga32/luis.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37794330.post-1512381891547705794</id><published>2007-12-25T15:27:00.000Z</published><updated>2007-12-25T15:30:26.546Z</updated><title type='text'>8 de Dezembro de 2004</title><content type='html'>&lt;b&gt;Viva o hóquei do Cambra!&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;16 horas - Toca o despertador. É um alívio não ter o pessoal do escritório a martelar-me a cabeça. Estes feriados a meio da semana sabem bem. Fico mais um bocado na cama, a sonhar acordado que estou abraçado a uma gaja boa e meiguinha. Passados 45 minutos acendo a luz, tiro os tampões dos ouvidos. Leio A BOLA e constato que o jogo de hóquei entre o Benfica e a Académica de Cambra começa às 18 horas. Pensava que era às 21.&lt;br /&gt;Nem banho tomei. Foi comer a correr e ir até à Luz. Quando cheguei o jogo estava com três minutos e o Benfica já estava a levar na ripa. A Académica de Cambra trouxe uma claque de umas 80 pessoas e ainda acreditou que a vitória não fugia, pois os amarelo-e-pretos estiveram a ganhar por 3-1 e 4-2. Mas as barracadas do keeper e algumas más opções de José Fernandes, somadas a alguma sorte por parte do Benfica, lá deram o empate a quatro. O meu Sporting estava a perder por 1-0 em Gulpilhares e o FC Porto ganhou 4-3 à Oliveirense a 9 segundos do fim.&lt;br /&gt;Na FNAC Colombo comprei o DVD da “Cidade de Deus”, que não chegava aos 13 euros e é um grande filme. Encontro o Abel Barros Baptista, que não se deixou convencer disso.&lt;br /&gt;Janto no Pasta Caffé do Saldanha. À minha frente janta um casal. Ele um latagão de cabelos grisalhos e ar fleumático, praticamente todo o tempo calado e a olhar para o ecrã do telemóvel. Ela uma trintona de jet-set, pinta de cigana, estilo Carmen. Morena, brincos grandes nas orelhas, cabelo preto encaracolado, um sorriso bonito, um olhar penetrante. Uma pantera na cama. Nem vale a pena perguntar ao Boavista.&lt;br /&gt;Passou o tempo todo a dar música ao cavalheiro.&lt;br /&gt;“Gosto da aventura. O trabalho não me dá tusa. Os pretos é que dão. Ou nem é isso. Homens árabes. Quero um homem que goste de mim pelo que sou, não pelo que tenho. Não tenho nada de jeito. O dinheiro vai e vem. Mas a avó diz que você vai ‘tar sempre na minha vida”.&lt;br /&gt;O latagão de pullover Ashworth continua imperturbável a olhar para o telemóvel. E ela a fazer-lhe a cabeça lenta e sincopadamente, com a voz sensual e o olhar a esbarrar no pullover do gajo.&lt;br /&gt;“Preciso de sol na minha vida. O Brasil é muito longe. Gosto mais dos espanhóis. Você, quando me viu a primeira vez, pensou o quê? Eu ‘tava com o cabelo mais curto. E o resto, ‘tá igual?”.&lt;br /&gt;Depois a conversa desmarcou-se para as metáforas cavalares. Nada de zoofilia, novamente (é verdade, comprei um DVD com zoofilia cavalar, mas aquilo é chato à brava. Afinal aqueles DVD de zoofilia de produção holandesa são feitos por húngaras).&lt;br /&gt;“Eu cavalo ressabiado é um cavalo que não gosta de ser montado”.&lt;br /&gt;(por acaso ela dizia ressaibiado)&lt;br /&gt;“Não gosto que mandem em mim. Ele é meu patrão, mas as ordens dele “é” uma chatice. Não gosto de receber ordens, mas preciso das pessoas”.&lt;br /&gt;Dos cavalos a sério para os cavalos automóveis?&lt;br /&gt;“Você tem um descapotável? Você tem confiança em mim? Acha que eu era boa secretária?”.&lt;br /&gt;Pedem café. Eu peço um lemoncello. Quero saber como aquilo acaba.&lt;br /&gt;“Não posso já, já, já. Quando é que quer? Diga quando é que quer. Seja explícito. Isso é para quando? Já Janeiro? Em Janeiro ainda não tenho a minha casa vendida”.&lt;br /&gt;O gajo fala. Pouco, mas fala.&lt;br /&gt;E ela: “Mas é para quantos de Janeiro? Diga. É a segunda vez que me ‘tá a propor uma coisa boa. Mas o que é que eu fazia lá, mais ou menos?”&lt;br /&gt;Ele: “O que fosse preciso”.&lt;br /&gt;Perco um bocado da conversa com os barulhos.&lt;br /&gt;“A casa é uma chatice. É como o outro. Posso ter tudo num hotel. Desde que tenha uma boa fechadura. Não me importo nada. Posso fazer tudo desde que tenha a minha vida organizada”.&lt;br /&gt;E saíram. Ela de casaco de peles cinzento. Eu fui até ao Galeto. E depois vim para casa escrever o diário. São 5 horas e 3 minutos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37794330-1512381891547705794?l=sexonanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sexonanoite.blogspot.com/feeds/1512381891547705794/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37794330&amp;postID=1512381891547705794&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/1512381891547705794'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/1512381891547705794'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sexonanoite.blogspot.com/2007/12/8-de-dezembro-de-2004.html' title='8 de Dezembro de 2004'/><author><name>Luís Graça (Dick Hard / Von Grazen)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15302192874180431145</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/buga32/luis.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37794330.post-6567219022577076086</id><published>2007-12-19T20:12:00.000Z</published><updated>2007-12-19T20:18:13.712Z</updated><title type='text'>7 de Dezembro de 2004</title><content type='html'>&lt;b&gt;Agustina em grande forma na Gulbenkian&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;15h05m - Entro na Gulbenkian, já atrasado para assistir ao painel das 14h30m do segundo e último dia de “A língua portuguesa: presente e futuro”, uma iniciativa que teve a presença constante do Jorgito dos Bilhares, quer dizer, o nosso PR Jorge Sampaio, que só arredou pé da primeira fila do auditório 2 às 16 horas e 9 minutos, tempo módico de Green Witch.&lt;br /&gt;Tinha consultado o programa do colóquio e interessava-me ouvir o primeiro painel da tarde. Quando começo a descer as escadas depara-se-me o inimaginável. Há gente sentada nas escadas de madeira, tipo filósofos gregos. No átrio, um ecrã gigante transmite o que se passa no auditório 2. Mais tarde venho a saber que ainda existem mais dois pequenos auditórios a cobrir o acontecimento em directo. Tanta gente interessada pela Língua Portuguesa e eu para aqui a maltratá-la!&lt;br /&gt;Bem, como estava desconcentrado com a comunicação de Agustina Bessa-Luís (era só malta a subir e a descer as escadas), resolvo tentar entrar no auditório 2 antes de começar a intervenção seguinte. Foi muito fácil. Identifiquei-me como jornalista e fiquei repimpado da Silva na cadeira encostada à parede da segunda fila da frente. Pois é, não há nada como ser um gajo importante.&lt;br /&gt;Isabel Alçada (capa do JL no dia seguinte) falou, entre outras coisas, do tratamento do sexo na literatura infantil. E concluiu que “chegar à grande literatura é um processo lento e longo. Há uma interacção da aprendizagem da leitura e da escrita”, reforçando que no estrangeiro a leitura é intensiva. Gastão Cruz foi igualmente interessante, tendo citado Ruy Belo quando afirmou que um médico nunca deixava de ser médico por ser mau profissional. Mas um poeta, se fosse mau poeta, perdia essa qualidade.&lt;br /&gt;Ondjaki, indiscutivelmente uma espécie de José Luís Peixoto de carrapito, no que toca ao afecto feminino, frisou que “a língua é a língua de uma onda gigante que aí vem. E eu vou mais fazer uma instalação do que ler um texto”. Não topei instalação nenhuma. De resto, a Gulbenkian já está muito bem servida de instalações.&lt;br /&gt;Fora de brincadeiras (porquê, sim, porquê?) o homem é bom e tem o dom da palavra: “O maleável não pode ser amarrado. Uma língua grávida pode parir culturas”.&lt;br /&gt;No entanto, mesmo em boa forma, Ondjaki não pode nunca competir com o espírito subversivo de Agustina, que levantou o estádio da Gulbenkian por várias vezes:&lt;br /&gt; “A hostilidade é profundamente erótica. Reprimir pode inspirar. A culpa é inspiração. O exercício do pecado é o caminho de todos os tempos. O homem é violento para se afirmar. A mulher não precisa da violência para nada. Basta-lhe a maternidade. Mas só com mulheres no mundo a ser mães ainda estávamos na Idade da Pedra. Foi a inveja do Homem que permitiu o desenvolvimento da sociedade”.&lt;br /&gt;Inspirado pela Agustina, fui o primeiro a levantar o braço para a breve sessão de perguntas, limitada a quatro questões pelo Professor Carlos Reis, moderador do painel, outro dos motivos que me levou ao estádio.&lt;br /&gt;— Diga o seu nome, por favor.&lt;br /&gt;Claro que não desperdicei a oportunidade do trocadilho com a famosa peça “Português, escritor, 45 anos”.&lt;br /&gt;— Luís Graça, português, escritor, 42 anos.&lt;br /&gt;Logo ali cativei a assistência. E lá perguntei à Isabel Alçada se um puto que vai à meia-noite para uma enorme bicha, só para comprar o último Harry Potter enquanto está fresquinho, pode vir a dar num leitor de Sophia de Mello Breyner ou António Lobo Antunes.&lt;br /&gt;Carlos Reis agradeceu-me a brevidade. Eu não pergunto para me exibir. Só pergunto quando quero saber qualquer coisa. Estava eu a começar a falar novamente, quando o moderador me disse amigavelmente:&lt;br /&gt;— Não estrague...&lt;br /&gt;Esclareci apenas que tinha sido aluno dele via TV, no Propedêutico de 1979/1980. Acabava sempre as aulas com a frase: “Nada mais por hoje. Até à próxima lição”. E usava uma barba estilo Alexandre Herculano. Cá fora, depois da sessão, trocámos breves palavras, ao lado de Inês Pedrosa, Nuno Júdice e Manuela Júdice. Foi aí que encontrei o meu amigo Prol, com quem intercambiei demorados olhares, prenhes de fraternidade cúmplice.&lt;br /&gt;Anh? O kékefoi? A resposta da Isabel Alçada? Pá, ficou assim numa onda de nunca se sabe. O futuro só a Deus pertence.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;17h26m - Depois de um pequeno passeio pelos jardins, para tomar ar, regresso para a sessão de encerramento, prevista para as 17h30m. Mas já tinha começado. Não há dúvida de que foi um congresso estranho. Muita gente, painéis adiantados...&lt;br /&gt;Vou para o auditório 3. A Lídia Jorge estava a falar, sentiu-se mal, teve de abandonar o palco. Depois veio o Prado Coelho, que agradeceu à maltosa toda e passou a bola ao Rui Vilar. E depois eu dei de solex e comprei três postais do José de Guimarães e um catálogo da exposição, a que não tiraram o controlo electrónico e que se pôs a apitar à entrada do El Corte Inglés. Comprei o “Fada Láureas” para dar como presente na Tertúlia BD de Natal.&lt;br /&gt;Cheguei à TBD (primeira terça do mês, já sabem) e o FC Porto estava a jogar com o Chelsea, no Dragão. Fiquei de frente para a TV, mas sempre a falar com a malta. O André Carrilho foi um dos distinguidos na sessão. Depois fomos até ao Foxtrot. No caminho (de boleia com o meu amigo Álvaro Santos) fiquei na conversa com outro elemento bastante fresco, o Pedro Alves. A namorada é professora e nas aulas sobre sexualidade sai-lhe cada pitéu que é de um gajo ficar de cara à banda. Um puto de 15 anos confessou sentir alguma culpa por se masturbar na sala, ao lado da avó, a ver o canal 18. Mal a avó adormece, ele muda para o Canal 18 e orienta-se. Mas o acto provoca-lhe uma sensação de culpa.&lt;br /&gt;Mas nem só de rapazes vivem os desabafos. Uma miúda esclareceu que se sente bastante perturbada com a actividade sexual dos pais. A cabeça da mãe bate na cabeceira da cama e o “bang-bang” sensual deixa a nossa adolescente uma bocado perturbada. Obrigado! Ouvir os pais a foder à maluca é sempre traumatizante para qualquer terráqueo. Muito mais nestas idades complicadas.&lt;br /&gt;O Foxtrot fechava às 3 da manhã, para variar.&lt;br /&gt;Comi dois cachorros (agora não estou a falar de zoofilia, foi dos outros), bebi dois S. Francisco sem álcool e a noite findou com o Lino frustrado por se ter desconcentrado na snookerada com o Álvaro Santos.&lt;br /&gt;Vim para casa de boleia com o António, a quem prometi fotocópias dos artigos de jornal com as críticas ao concerto dos Ena Pá 2000.&lt;br /&gt;Adormeci pelas 8 da manhã.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37794330-6567219022577076086?l=sexonanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sexonanoite.blogspot.com/feeds/6567219022577076086/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37794330&amp;postID=6567219022577076086&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/6567219022577076086'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/6567219022577076086'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sexonanoite.blogspot.com/2007/12/7-de-dezembro-de-2004.html' title='7 de Dezembro de 2004'/><author><name>Luís Graça (Dick Hard / Von Grazen)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15302192874180431145</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/buga32/luis.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37794330.post-1644380644641209234</id><published>2007-12-09T13:28:00.000Z</published><updated>2007-12-09T13:54:50.357Z</updated><title type='text'>4 de Dezembro de 2004</title><content type='html'>&lt;b&gt;Esgalha aí uma, ó solitário, disse a menina húngara!&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;08h – Acabo todo o trabalho de impressão e organização de que preciso para a primeira sessão de autógrafos no bar da livraria Assírio e Alvim, no King Triplex. A noite foi cansativa, mas ao mesmo tempo fico mais descansado. Já tenho as coisas feitas. No entanto, acho que o melhor é mesmo tomar um kainever, por causa das tosses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Por causa das tosses o melhor é um rebuçadinho de Santo Onofre, do Dr. Bayard ou um Halls de mel e limão. Por causa das tosses foi força de expressão).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar do kainever não consigo dormir. A minha cabeça está ocupada com muitas coisas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10h - Decido apanhar a sessão da manhã de hidroginástica, no Holmes. Estreio-me na água com o Hugo Castro, que cria um ambiente muito simpático. Mais tarde venho a descobrir que é filho do jornalista Mário Rui de Castro e neto de um grande companheiro das lides profissionais: Joaquim Castro, muito justamente distinguido pelo desempenho das suas funções. Um dos meus professores de hóquei em patins e um homem profundamente elegante na forma como está na vida.&lt;br /&gt;Apesar da “directa”, aguento-me bem na aula. Depois fico a nadar um bom bocado, para me cansar ainda mais. E porque uma piscina sossegada é um bom local para desopilar de uma “directa”. Conheço o monitor de hidrobike, o Raúl. Fico a espreitar meia-hora da sessão de hidrobike, com os sócios do Holmes que não podem fazer a sessão na Defensores de Chaves, por causa das obras.&lt;br /&gt;Almoço e vou para a Luz, ver o hóquei do Benfica, com o VIC, para a Taça CERS. Ganhou o Benfica 5-2, mas esteve a vencer por 4-0. Deixou reduzir para 4-2 e marcou o quinto golo a 16 segundos do final. A equipa das “águias” continua abaixo das minhas expectativas e o encontro não foi grande espingarda. Começo a sentir-me muito cansado e zonzo.&lt;br /&gt;Vou até ao Colombo e tomo um táxi para o Príncipe Real. Uma amiga lança um livro infantil na livraria Ler Devagar. Fico lá a conversar, tomo um favaios, compro o livro e desço até ao Chiado. Vou à FNAC. Compro um álbum de BD.&lt;br /&gt;Quando desço para os Restauradores, a caminho da loja Tema, lembro-me de que me falta cumprir uma promessa aos leitores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já me estava a passar, mas tinha prometido assistir a um espectáculo de sexo ao vivo na loja ao lado do Elevador. Uma das Mega-Sex. Nunca sei se é a 1 ou a 2. Não me chamo Tomás, por isso não me podem considerar um “peeping Tom”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;20h 22m - Entro e consulto os horários na parede das cabinas circulares. Faltam 8 minutos para começar um show. Serve muito bem. O espectáculo é protagonizado por uma dupla espanhola. Vou à cabina dos trocos e pergunto como é que aquilo funciona.&lt;br /&gt;É assim: começa com três euros para abrir a “comporta”. Dizem-me que com cerca de 8 euros dá para ver o espectáculo todo, que leva aí uns 15 minutos. Troquei dez euros em moedas e não as quis meter no bolso. Sei lá onde é que andaram as moedas. Fico com elas na mão direita, pronta a entrar em acção nas ruelas de Ranhura City. Quem mete moedas mais rápido do que eu? Apenas Billy, the Kid.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;20h30m – Os artistas entram em palco, quais gladiadores sexuais. O palco é vermelho, rotativo, em velocidade de cruzeiro.Aquilo lembra o “Paris, Texas”, do Wim Wenders, que me deslumbrou numa sessão do Londres. Lembro-me da Kinsky. Mas a menina espanhola é diferente. Magrinha, ladina, pequenina, estilo colegial, com dois totós a apanhar os lisos cabelos negros. O parceiro é um tipo lingrinhas, com uma barbita à César Bórgia e umas calças de camuflado à Parfois.&lt;br /&gt;A chavalita abre-lhe a braguilha e vá de aviar no vigoroso, que se faz tarde e não há tempo para grandes preliminares. Talvez o palco rotativo provoque tonturas nos artistas. A erecção do senhor não é lá grande coisa, mas o tamanho do bicho é bem acima do normal. Nem pensar em socialismos utópicos como a prática onírica do “deep throat”. Dá lá para enfiar um mangalho daqueles pelas goelas. Nem a “Barracuda de Trás-os-Montes”!&lt;br /&gt;Lá vou metendo as moedas no “peepxímetro” e ainda tenho mais uns moedas de 1 euro no bolso. Não estou puto excitado, porque o meu objectivo não é masturbar-me. Estou com os sacos da FNAC na mão e ainda não percebi que os artistas me podem ver. A ideia é mesmo descrever a cena ao leitor e bazar dentro de 20 minutos. Não me passa mesmo pela cabeça “esgalhar ao pessegueiro”, na terninologia da Força Aérea, segundo contou o Zé Tó no  Liceu Camões. O Zé Tó era um grande matulão que fazia anos no mesmo dia que eu e hoje trabalha em hotelaria.&lt;br /&gt;Cinco minutos volvidos, meto os cornos mais perto do vidro e espreito para o tecto, para poder descrever tudo minuciosamente. O tecto tem luzinhas e começo a prestar mais atenção aos espelhos que circundam a cabina, tipo caleidoscópio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O menino toma a iniciativa das posições. Vai ajeitando a menina e vão trocando de tempos a tempos. A erecção continua a meio-gás, mas dá perfeitamente para penetrar. O par tem à-vontade interactivo, está bem automatizado, mas a coisa tem ar de cena normal, muito diferente dos atletas dos filmes porno.&lt;br /&gt;A menina Natália chupa mais um bocadinho no Carlos e acabam por se ir embora, dizendo-me adeus. Não respondo, porque ainda não percebi que me estão a ver. Fico espantado por o menino não ter ejaculado. Assim é mais fácil fazer vários espectáculos por dia. Lembro-me de um livro do italiano Alberto Moravia (“A virgem guerreira” ou “A romana”?) em que uma senhora que sustentava um jovem exigia que ele se viesse dentro do seu rabo. Eróstrato era o nome do mocinho.&lt;br /&gt;Ainda estou a pensar nisto, entra logo uma menina de “soutien” rosa para o palco. Sorri-me. Show de strip. Olho para o “peepxímetro”. Tenho créditos. Mais vale esgotá-los. Mas considero a minha missão cumprida. Percebo então que me vêem. Os espelhos do outro lado reflectem a minha cara. Só não vejo é os outros clientes.&lt;br /&gt;Passado um bocadinho, a menina fica nua rapidamente e começa a fazer-me sinais com a mão: 6. Ahn? Mas 6 o quê? Penso que tenho de mudar para a cabina 6. Na minha cabecinha de estreante no “peep”, com “directa” em cima, a versão que faz sentido é esta: para o sexo ao vivo é uma cabina, para o strip temos de ir para outra. Mas então o que faço aos créditos? Tento carregar na ranhura para os recuperar. Népias. Perco para aí 1 euro. Lá saio e entro na cabina 6. Meto três euros e lá está a menina morena a sorrir-me. Penso: já estou outra vez legal, mas isto é um bocado mal feito, parece o meio-campo do Benfica e do Sporting. Nunca se percebe muito bem o que se está a passar entre os jogadores.&lt;br /&gt;Entre uma loura para a cabina, fica logo nua e faz-me sinal com os dedos: 8. Mas 8 o quê? 6 e 8 são 14, pronto. Ainda agora entrei aqui e está aquela a mandar-me para a cabina 8. Continuam a sorrir para mim. Nesta altura percebo perfeitamente que me estão a ver. Concluo que estou no local errado à hora certa, mas que elas não estão muito zangadas com o meu estatuto de imigrante ilegal. Vou fazendo gestos para elas, mas o diálogo gestual está num impasse. Encolho os ombros. Sei lá o que se está a passar, parece um solo de clarinete do Courtney Pine.&lt;br /&gt;Saio outra vez da cabina com créditos. Não vejo nenhuma cabina 8, para onde ela me está a apontar. Ao lado da que acabei de sair diz 11. Começo a sentir-me o Saltitão Tornicotim Tornicotão do “Carrossel Mágico” da minha infância. Mas não vejo o Franjinhas (deve estar nos filmes de zoofilia), a Anita (deve atacar no Cais do Sodré) ou o gajo da estação (por certo líder sindical da CP).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinto-me um bocado como na sala das máquinas do Casino Estoril. Sempre a abrir. Só que em vez das três maçãs apareceram-me duas gajas todas nuas que não dão “jackpot”.&lt;br /&gt;Vou à cabina dos trocos esclarecer a situação e pedir a táctica ao mister. O gajo é bastante simpático. Na TV do fundo, ao alto, está a jogar o Belém, na Sport TV. Ponho-me a falar da minha deslocação a Mostar, pela Gazeta dos Desportos. O moço dos trocos (que é o “speaker” dos espectáculos de sexo ao vivo, gramava fazer um relato, um dia destes) explicou-me que o que elas indicam é o seu número de código e não o da cabina. Estavam a tentar atrair-me para números privados. Sabia lá eu!&lt;br /&gt; Afinal eu não estava ilegal. Estava era a fazer figura de urso. O corpo já não está a funcionar lá muito bem, a cabeça ainda menos.&lt;br /&gt;Pergunto os preços. O moço diz que é a partir de dez euros, mas que não pode negociar. A questão é mesmo com as meninas, em diálogo ao vivo. Elas é que sabem. As cabinas são ao canto, com cadeiras de um lado, vidro ao meio e menina do outro.&lt;br /&gt;Bem, já que estou ali para informar o leitor, resolvo “ir” com a Shirley, a loura. Pergunto se posso pagar via multibanco. Não tenho problemas de controlo de talões em casa. Assumo tudo. Sou solteiro e bom rapaz. Fica assim combinado com o moço dos trocos: vou lá à cabina combinar com ela, depois regresso para pagar no multibanco e volto à cabina. O moço dos trocos diz-me que elas são de leste e falam espanhol.&lt;br /&gt;Lá chego à cabina.&lt;br /&gt;Olho para o chão. É de empedrado. Parece-me limpo. Olho com cuidado. Mas mesmo assim não pouso os sacos no chão. Sento-me e fico com eles ao colo, o que representa um volume considerável. São vários jornais, o livro infantil da minha amiga e o álbum de Monsieur Mardi-Gras, segundo volume. É uma visão da morte cheia de humor negro, com um pendor filosófico e um desenho fabuloso. A preto-e-branco, claro.&lt;br /&gt;A menina chega e pergunta-me em espanhol:&lt;br /&gt;— Isso são presentes de Natal?&lt;br /&gt;— Não. São jornais e um álbum de BD para mim. E um livro infantil para a filha de um amigo, que se chama Patrícia Alexandra.&lt;br /&gt;Iniciamos as conversações, como me tinha dito o moço dos trocos. Digo que quero um espectáculo com um “consolador” (ó pá, o que é que querem, os espanhóis dizem assim...) e ela pergunta:&lt;br /&gt;— Vibrador?&lt;br /&gt;—  Sim.&lt;br /&gt;Pois. &lt;br /&gt;—  São 40 euros. &lt;br /&gt;— Quanto tempo? &lt;br /&gt;— Dez minutos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais tarde percebo que aquilo dava para baixar (digo eu), mas pensei que não estava em Marrocos e que era “prix unique”. Que não dava para negociar “bon marché”. Que o preço estava tabelado por elas como nos clubes de strip. Digo que vou pagar ao multibanco e volto.&lt;br /&gt;E ela: “Não voltas nada!”.&lt;br /&gt;Foda-se! Se há coisa que me tira a tesão é chamarem-me mentiroso!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(N.A. - Não é nada disso, mas o melhor é preparar o leitor para o desfecho que se segue)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela pergunta-me quanto tempo demoro. Atão? Estamos no contra-relógio dos mundiais de ciclismo? Num rally paper? Numa prova de orientação?&lt;br /&gt;— Não sei. Depende do senhor do multibanco e dos clientes.&lt;br /&gt;Ela diz para eu ir pagar e voltar. Espera por mim cinco minutos.&lt;br /&gt;Bem, lá saio. Sou um homem de palavra. É óbvio que vou voltar. Prometi aos leitores que lhes dizia como era um show de sexo ao vivo e aqui estou eu! Assim como assim, lá vou esvaziando a conta, de uma maneira ou de outra.&lt;br /&gt;Pago os 40 euros no multibanco (sem espinhas, o gajo do multibanco também é bastante simpático) e depois tenho de passar pelo moço dos trocos, com o talão, para ele me dar os 40 euros em “pat cash”.&lt;br /&gt;Quando regresso à cabina vejo que tranquei a porta (que é de correr) sem saber que o tinha feito. Volto e chamo o moço dos trocos. Ele lá vem solícito, qual bombeiro:&lt;br /&gt;— Isto está a transformar-se numa odisseia — digo eu, sorridente.&lt;br /&gt;Entro. Ué? Cadê a minina? Mistério! Mistério! Mistério! Como diriam os grandes palhaços Colombaioni, com quem tive o privilégio de dividir o palco do Trindade, quando me sacaram da assistência para fazer um número de homenagem ao cinema mudo.&lt;br /&gt;Isto não é cinema mudo, mas tem partes gagas. O moço dos trocos diz que vai chamar a menina. Lá me torno a sentar, com os sacos ao colo. Não tenciono preocupar-me com erecções. Só quero ver a menina para descrever ao leitor o espectáculo. E estou todo estoirado da “directa”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(N.A. - É verdade, mas é mais uma desculpa para o desfecho que se segue)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, aparece a menina e diz-me para carregar na tecla 8 e pôr 3 euros na ranhura. Aquilo parece o intercomunicador de um prédio.&lt;br /&gt;— De onde achas que sou?&lt;br /&gt;— De leste, certamente.&lt;br /&gt;— Sou da Hungria.&lt;br /&gt;— Budapeste?&lt;br /&gt;— Sim.&lt;br /&gt;— És muito bonita.&lt;br /&gt;— Sou assim-assim.&lt;br /&gt;— Não sejas modesta. Bem, é agora que te dou as notas, não é?&lt;br /&gt;— Pois.&lt;br /&gt;Passo-lhe uma nota de 20 e duas de 10 pela fresta do vidro, que deve ter uns 3 a 4 centímetros, se tiver. A fresta está junto à parede do lado direito da cadeira. Mal dá para meter os dedos. Convém, para o pessoal não se esticar.&lt;br /&gt;Ela volta a perguntar-me que livros tenho no saco. Eu ainda acredito que é curiosidade natural. A menina da Letónia no “Maybe” não me viu o “Fadas Láureas” de ponta a ponta e não ficou a falar comigo uma meia-hora de literatura russa? E nem sequer bebeu nada. ‘Tá bem que era tarde e aquilo já estava “slow”, mas mesmo assim...&lt;br /&gt;Seja como fôr, peço o livro das regras:&lt;br /&gt;— Time out. O tempo então não conta para os dez minutos combinados, pois não?&lt;br /&gt;Ela concorda. Mas o facto é que os créditos estão a cair. Não me apercebo que está a contar para a chave do totobola. Pensei que era 40 euros/dez minutos/show de vibrador. O tanas!&lt;br /&gt;Mostro-lhe umas páginas do Monsieur Mardi Gras, pergunta-me a profissão, lá digo umas coisas, o meu nome, etc. Olha, os 3 euros acabaram!&lt;br /&gt;Ela diz-me que tenho de ir buscar mais. Eu protesto de forma civilizada. Afirmo que já andei demais no “Carrossel Mágico” e que tínhamos combinado que o tempo não estava a contar. Atão? Isto é tudo do Alberto João Jardim?&lt;br /&gt;Ela diz que se eu tiver dinheiro vai trocar para mim. Desconfio que não é um procedimento comum, que o espectador normal é tipo cãozinho de língua de fora e já vai preparado para andar tipo space shuttle, “vaivém especial”.&lt;br /&gt;PONTO DA SITUAÇÃO (eu sei que tenho cara de otário solitário): já arrotei uns 15 euros no sexo ao vivo, mais 40 no espectáculo combinado, mais 3 a abrir a janela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, acabo por condescender. Perdido por um, perdido por mil.&lt;br /&gt;Ela sai da cabina e volta pouco depois, com a minha última nota de 5 euros trocada em moedas de 1 euro. E eu ainda tinha mais umas três moedas de 1 euro no bolso, mais uma série delas de 50 cêntimos e 20 cêntimos. E outras minorcas. Por acaso era um dia cheio de trocos, por causa dos táxis (de casa para a Luz e do Colombo para o Príncipe Real) e dos jornais.&lt;br /&gt;Lá meto mais 3 euros na ranhura, que dá para os tais dez minutos prometidos de espectáculo. Mas a minha disposição está um bocado amolecida, com tanta burocracia. Deviam criar um Ministério do Peep Show, com um secretário de Estado dos Assuntos Ranhurais.&lt;br /&gt;Ela fica sentada na cadeira, de seios à mostra (bonitos). Pergunta se não quero masturbar-me. Aquilo agarrou-me completamente de surpresa. Já sei que existe papel para limpar as mãos. Ouço contar histórias há muito tempo, mas para mim é todo um mundo novo de Aldous Huxley (por acaso não li o livro).&lt;br /&gt;Não estou para me exibir diante da menina, com um vidro pelo meio. O “El Negrito” é para as eleitas. Para os camaradas do ténis de mesa do Inatel. Para breves instantes no Holmes Place. Aquilo é mais fino e a malta anda de toalhas à volta da cintura, ao contrário do Inatel, em que a malta já conhece a caralhada toda, bem como o estilo de jogo dos adversários.&lt;br /&gt;Palavra de honra que penso assim: no estado em que estou vou dar barraca. Não vim cá para isto. Mas também penso que devo aproximar-me o mais possível da realidade, se estou a escrever sobre as situações. Há limites, claro, mas este ainda é um limite perfeitamente ultrapassável.&lt;br /&gt;O pior é que não faço ideia por onde andaram as moedas. Isso é um factor altamente inibidor. Se nem pousei os sacos no chão (limpo), não vou estar a tocar uma segóvia com a mão que andou a jogar às moedas.&lt;br /&gt;— Tenho as mãos sujas. Não estava a contar com isto. Vinha só para ver. Querias mesmo que eu me masturbasse?&lt;br /&gt;Ela diz que sim e faz um sorriso maroto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Nesta altura já estamos a falar em inglês, que o vidro abafa um bocado as palavras e ela mudou do espanhol para o inglês. Lembro-me do ditado que se dizia no liceu: “Surdos e moucos já eu enrabei uns poucos”).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuo abananado. Qual era a dela? Já tinha recebido. Mais punheta menos punheta, que diferença lhe fazia? Não estava propriamente toda excitada com os meus sacos da FNAC, com a minhas olheiras de estimação, com o meu ar de otário simpático de capital ibérica.&lt;br /&gt;Talvez pense que um gajo é tímido e depois se pode viciar na punheta “ao vivo”. Não é mal pensado. Não tenho outra explicação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez goste mais de masturbar-se a dois, retirando algum prazer da situação. Menos provável. Não estou a dizer que não tire nenhum prazer, mas acho que a questão é secundária na vida da menina.&lt;br /&gt;Ela insiste para eu me masturbar. O olhar exerce uma estranha influência em mim. Tipo cobra do “Livro da Selva”, a Casca, com o seu olhar magnético. Além do mais sou um tipo bem avontadado e cavalheiresco, gosto de fazer a vontade às pessoas. Mas dos milhares de portas que já abri para as senhoras passarem até à primeira braguilha numa cabina de uma sex shop vai um passo de Armstrong na lua...&lt;br /&gt;Quando ela saca de um spray dentro de uma pequena bolsa “nécessaire preta”, vão-se-me os argumentos.&lt;br /&gt;— O que é isso? Perfume?&lt;br /&gt;— Não. É álcool puro.&lt;br /&gt;Deve ser para limpar o vibrador. Não estou a ver que toda a gente tenha pruridos como eu. Ou então o spray também serve para ajudar a limpar as mãos dos clientes. Menos provável. Para isso está lá o papel e a ranhura no vidro não está propriamente preparada para o efeito.&lt;br /&gt;Coloco as pontas dos dedos (menos do polegar, que não cabe) através da ranhura, com a palma da mão virada para dentro.&lt;br /&gt;Pff! Pff!&lt;br /&gt;Retiro a mão e esfrego a direita na esquerda. Aquilo não me satisfaz. Apanha pouco álcool. Peço-lhe para repetir quatro vezes. Ela corresponde aos meus pedidos e depois fica um bocado aflita com o ambiente dentro da cabina do lado dela, que quase a faz tossir.&lt;br /&gt;Continuo a esfregar as mãos, mas não é de contente. É para ver se não penso nas moedas. E sei que ali não há sangue ou outra coisa. Mas estas cenas massacram psicologicamente. Ou seja, a fórmula é esta: ‘DIRECTA’+SURPRESA+RECEIOS=UM GAJO INIBIDO.&lt;br /&gt;Espantosamente, nesta altura do campeonato acabo por abrir a braguilha e tirar o “El Negrito” com muito mais descontracção do que seria de esperar. Ainda pensei que ela fosse buscar a lupa do Sherlock Holmes ou se pusesse a gozar com a tonalidade amorenada do “El Negrito”. Não se passou nada disto. Ela olha para o Luisinho de forma natural e esforça-se por fazer um olhar libidinoso. Mas eu sei que é tudo teatro e saber que é tudo teatro também não ajuda nada a minha problemática elevatória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(À mesma hora, a menos de 20 metros, na Calçada da Glória, um heróico elevador subia sem problemas as vezes que fossem precisas. E carregado de turistas)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinto-me um bocado como o Benfica, sempre que os jogadores vão actuar fora de casa: “Cheira-me que vamos perder...”.&lt;br /&gt;A minha masturbação decorre tímida e desesperançadamente. Ela também se masturba e pisca-me o olho. Pisco-lhe também o olho.&lt;br /&gt;— Um a um — digo eu.&lt;br /&gt;— O quê?&lt;br /&gt;— Um a um em piscadelas de olho.&lt;br /&gt;A obrigação de defender a honra de Portugal não ajuda nada à situação. Se estivesse a jogar pelo Sporting não havia problemas. A derrota é uma coisa habitual, mas pela selecção...&lt;br /&gt;Instintivamente, sei que aquilo vai dar em nada. Mas continuo a lutar meigamente contra as ondas, como um cocker spaniel que vê o dono a afastar-se do lar, saindo para o trabalho de manhã.&lt;br /&gt;Acaba o guito. Por mim dava por finda a minha actuação, mas ela pergunta-me se eu não tenho mais moedas.&lt;br /&gt;Mau! Figuras tristes já eu fiz. Tiro as moedas do bolso direito e tenho ainda trocos. Dá mais de três euros, mas em moedas pequeninas. Experimento com uma de 50 cêntimos e cai. Passo-lhe as moedas todas pela ranhura, ela sai e volta com uma moeda de 2 e outra de 1. Recebo com mão esquerda, tipo aleijadinho, para não conspurcar a mão do action man.&lt;br /&gt;— Não tens o vibrador na bolsinha?&lt;br /&gt;Tem. É um vibrador doirado, pequenino, tipo modelo banal, de grande consumo. Mas diz com a cor dos cabelos.&lt;br /&gt;— Isso não é muito pequenino?&lt;br /&gt;— Não gosto de muito grande.&lt;br /&gt;Meteu o vibrador sem problemas. Devia estar previamente lubrificado. Ou ela se lubrificou um pouco com a masturbação. Ou a excita um bocadinho exibir-se. Ou é completamente parva e excitou-se com a minha falta de tesão, pelo insólito.&lt;br /&gt;— Não ligas o botão da vibração?&lt;br /&gt;— Queres?&lt;br /&gt;—  Quero, se tu quiseres. Estou um bocado inibido e não vejo isto nada encaminhado para ter uma erecção.&lt;br /&gt;— És solteiro?&lt;br /&gt;Digo que sim. Ela espanta-se. Eu espanto-me sempre com a capacidade das miúdas de leste se espantarem com o facto de ser solteiro. E a naturalidade de encararem o facto de fazermos coisas destas às escondidas da esposa ou da namorada, coisa que me choca.&lt;br /&gt;— Tens namorada?&lt;br /&gt;— Não.&lt;br /&gt;— Porquê?&lt;br /&gt;— Não calhou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(N.A. – Não calhou, o caralho! Eu não sou um sedutor nato, muito menos pato de Varsóvia com laranja)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Já houve umas experiências maradas, com muito mercurocromo num coração em chamas. Já apanhei as pecinhas todas do meu coração por muitas vezes. Como um puzzle de cristais Swarowski comprado em Amesterdão, para dar a uma Helena de Almada. Houve Patrícias (6 anos), Anas Marias (12), Rosarinhos (12), Paulas (13), Marias João (16), Paulas (19)...eu sei lá. E mesmo uma Alexandra que julgava que eu era gay. Ideia que nunca me tinha ocorrido.&lt;br /&gt;Houve espanholas com quem estive de mãos nas mãos e olhos nos olhos — de verde peppermint —, italianas que admirei ao longe a passar como miúdas da Martini em roller-blades de Riccione/95... italianas simonettadas que regressaram à cidade Eterna...).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou bom gajo. Não vejo as mulheres como um pedaço de carne ou forte a conquistar. E isso inibe. Se fosse tarado sexual esgalhava ali uma num ápice. Lá fora o elevador da Glória sobe e desce. Eu, lá dentro, sem glória, mantenho-me coerentemente “piça-mole”. Não tenho fé. Sem fé não se vai lá. E não é por falta de prática. Ainda digo à menina:&lt;br /&gt;— Se estivesses deste lado para me ajudar era outra coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Seria?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela manda-me levantar. Baixa a sua cabeça. Põe-se com a língua muito próxima do vidro, a simular lamber-me. Pois. Aquilo não é o famoso “Plato’s” de Nova Iorque, em que se metia a sarda num buraco e alguém tratava do assunto anonimamente, do outro lado.&lt;br /&gt;Quase me dá vontade de rir. Mas percebo que ela tenta a sugestão erótica. Profissionalmente, dá o litro para ver se eu arrebito. Ou talvez comece a encarar a situação como uma derrota pessoal.&lt;br /&gt;Mas eu também não queria que não houvesse vidro. Os tempos não estão para brincadeiras.&lt;br /&gt;É como ir ao zoo ver o pavilhão dos répteis. A gente sabe que entre nós e a víbora do Gabão há um vidro de segurança.&lt;br /&gt;Aquilo para mim é Playstation 2. É virtual!&lt;br /&gt;E ela:&lt;br /&gt;— Diz a posição em que gostas mais...&lt;br /&gt;— Sentada de pernas abertas, com o vibrador, até estava muito bem. Mas eu não estava preparado. Fiz uma “directa” e não pretendia vir para aqui masturbar-me.&lt;br /&gt;— Porquê?&lt;br /&gt;— Sou tímido. Só queria ver como era.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(N.A. - É verdade, mas não lhe ia dizer que estava a escrever um livro. Ainda parava tudo e pedia para eu ir buscar mais moedas)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabou o tempo.&lt;br /&gt;— Vais voltar?&lt;br /&gt;— Olha lá, já te tinha dito que não estou a ganhar um tusto no jornalismo.&lt;br /&gt;— Não gostas é de mim.&lt;br /&gt;— Gosto, sim senhor!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Sou uma boa alma. Mesmo nas alturas em que fui copiosamente derrotado não resisto ao “fair-play” de moralizar o adversário)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Não gostas, não!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Ai, o caralho!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;—  Já é a segunda vez que me chamas mentiroso. Eu sou um homem de palavra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(N.A. - E sou. Pelos vistos, não sou é um homem de tesão. Muitos aranhiços no sótão, na hora de entrar em campo. Como um recordista ibérico de punheta que falha nas grandes competições).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Diz lá, vais voltar?&lt;br /&gt;— É muito pouco provável. Não há grande motivação.&lt;br /&gt;— Vais voltar no Natal! Gostava que voltasses. Acho-te simpático, mas um bocadinho solitário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Vou, pois! Abraçado ao D. Sebastião, numa manhã de nevoeiro, ao som das guitarras do Grupo de Rock ‘Os Bandarras’).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— É muito pouco provável, como já disse.&lt;br /&gt;— Então muito obrigada. Um bom fim-de-semana.&lt;br /&gt;— Muito obrigado. Para ti também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saio da cabina com elevação. Dizia o anúncio que antigamente um homem se distinguia pela barba, pela espada e pela camisa. Eu distingo-me pelos sentimentos elevados.&lt;br /&gt;Passo pela cabina do moço dos trocos com o ar de quem acabou de beber uma imperial no café da esquina:&lt;br /&gt;— Boa-noite. Até à próxima.&lt;br /&gt;Penso: será que a miúda vai contar que acabou de sair um “piça-mole”? Ou é um fait-divers que lhe passa ao lado? Não estou muito preocupado. Fui ao “Peep” em missão.&lt;br /&gt;Mesmo assim saio vergado ao peso da derrota, apesar de não ser nada do outro mundo. Acho que os gajos fixes como eu pensam mais nas coisas e depois... nicles. É K.O. à partida.&lt;br /&gt;Deixam um gajo “blue” à brava. Cheguei a casa, lavei as mãos, lavei a sarda com álcool (algo ritualístico, talvez a purificar-me da derrota, o que eu gramava mesmo era imolar um político e arrancar-lhe o coração num altar asteca), mesmo sem ter acontecido nada de especial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;22h30m - Saí para jantar. Estou a escrever isto sentado no átrio do Monumental, por baixo dos cinemas. Em folhas de papel.&lt;br /&gt;Para esquecer a depressão, vá de mamar duas Carlsberg e duas Superbock pretas, enquanto escrevo. Quando chegar a casa vou-me fartar de beber água, para compensar. A minha úlcera por certo compreenderá as razões do tratamento de excepção.&lt;br /&gt;Podia perfeitamente passar sem dizer nada disto ao leitor.Mas achei que se deve imprimir uma certa dose de realismo. Seria cobardia literária e pessoal não assumir tudo.&lt;br /&gt;Afinal, que mal me aconteceu?&lt;br /&gt;Nenhum. Apenas quero chegar a casa e esgalhar uma, para provar que está tudo normal em Cape Canaveral.&lt;br /&gt;A vida é uma coisa muito complicada. Sinto a cabeça pesada da cerveja e da “directa”. E umas saudades de morte do meu cão “Beauty”, que morreu em 1984. Queria deitar-me no chão, ao lado dele, em frente ao calorífero, e fazer-lhe festas no peito, num dia de trovoada. Apertando-o tanto, tanto, tanto, para ele não ter medo...&lt;br /&gt;É justo a morte apossar-se de nós, como quem conquista um castelo?&lt;br /&gt;Uma lágrima quer cair-me do olho. Tenho de ir ao WC e depois sigo para o Pasta Caffé, para comer uma lasanha.&lt;br /&gt;Queria tanto que o mundo se amasse!&lt;br /&gt;São 23h25m.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37794330-1644380644641209234?l=sexonanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sexonanoite.blogspot.com/feeds/1644380644641209234/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37794330&amp;postID=1644380644641209234&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/1644380644641209234'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/1644380644641209234'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sexonanoite.blogspot.com/2007/12/4-de-dezembro-de-2004.html' title='4 de Dezembro de 2004'/><author><name>Luís Graça (Dick Hard / Von Grazen)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15302192874180431145</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/buga32/luis.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37794330.post-7457183308616019923</id><published>2007-12-02T15:18:00.000Z</published><updated>2007-12-02T15:32:25.375Z</updated><title type='text'>26 de Novembro de 2004</title><content type='html'>&lt;b&gt;Luís Graça, 0 - Hungria, 0&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;(Campeonato Distrital de Erecções da Junta de Freguesia da Assembleia da República. Uma noite no Savana Club)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;16 horas - Toca o despertador. Ligo o computador. Acendo a luz. Abro o transístor no Rádio Clube Português. Bebo umas goladas valentes da garrafinha de meio litro de água do Luso. Vou à cozinha. Bebo um danoninho de Strawberry Cheesecake. Lavo os dentes. Regresso ao quarto.&lt;br /&gt;Ligo a Net. Não há mensagens do senhor do calendário. Fico ansioso. Agora já não estou ansioso com a Presença. Estou ansioso à espera de uma mensagem da ASA e outra do senhor dos calendários. Mas vocêses estão-me a morder a cena? O texto é o menos. Um jantar com doze modelos? Ouviram bem? Um jantar com doze modelos! Sim. E magníficas, nas palavras do meu amigo e ex-professor Miguel Martins. E o homem sabe do que fala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;19h45m - Nos correios do Corte Inglés, a pagar contas. Compro uns sabonetes do Roger Gallet e um protector labial da Agata Ruiz de la Prada. Tenho uma série de cadernos da chavala. Ainda perguntei se o protector dos lábios era para os dois sexos. Disseram-me que sim. Venha de lá esse sabor a Kiwi. O treinador Raúl Águas (um bacano, com quem privei nos tempos em que cobria o Sporting para a Gazeta dos Desportos) era um grande plantador de kiwis. Mas não foi por isso que comprei a caixinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;20h30m - Em casa, a jantar em super-speed, enquanto vejo no Eurosport o slalom gigante de Aspen. Senhoras. Dá para ver logo que são as senhoras por causa do volume do rabo nas curvas. Desta vez é mesmo rabo com caixa baixa. Não estou a falar do grande Alvarez Rabo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;21h30m - Sentadinho na Culturgest, para mamar os filmes premiados do Cinanima. Quer dizer, metade deles. Os outros fugiram-me na noite anterior. Banquete à borla, cortesia da Culturgest. Verdadeiro serviço público, senhoras e senhores, meninas e meninos.&lt;br /&gt;Vem o primeiro filme (Wind along the coast, Ivan Maximov, Rússia, 6 minutos) e é logo um vendaval de qualidade, sentido de humor, ternura, imaginação. A confirmar a vitalidade do cinema de animação russo, que não é só Alexandre, o Grande, Petrov.&lt;br /&gt;Bato palmas no final. Sou o primeiro a bater palmas na sala praticamente cheia. Uma miúda três lugares ao lado olha para mim e ri-se. Não está habituada a ambientes de festival. Acha que é parolice bater palmas. Deve ter mudado de ideias ao longo da sessão. A sala está cheia de chavais e chavaias, aí pelos vinte e crescem mais uns quantos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; As melhores piadas não percebem. Mas riem muito quando vêem alguém a chocar contra uma parede. Podia falar de mais uma série de filmes, mas falta-me espaço para falar de gajas e hoje fui ao Savana Club. Os tarados sexuais que compraram este livro merecem o meu mais profundo respeito e por isso peço desculpa aos amantes de cinema de animação. Para esses, defendo-me alegando que já organizei um ciclo de uma semana de cinema de animação (Filotoon) na Guilherme Cossoul. E nunca organizei um ciclo de cinema pornográfico. Olha, isto deu-me uma ideia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(É perfeitamente possível conciliar a tara sexual com o cinema de animação. Nem falo de mim. Pensem no grande filme “Tarzoon, a vergonha da selva”, do Michel Picha. O nome do homem é mesmo assim. O que querem? Vi o filme no Éden, antes de destruírem essa pérola do Cassiano Branco. É por estas e por outras que o futuro é negro. E nem sequer estou a falar da cor do meu coiso. Há mais taradices sexuais no cinema de animação. O “Fritz, the cat”, por exemplo. E são dois grandes filmes! Tomem e vão-se curar!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;23h10m - Encontro o Geraldes Lino na saída da sessão. O Lino faz-me parar e põe-se a olhar para a escadaria. Não tem nada a ver com fixação numa cena do “Couraçado Potenkin” (os brasucas chamam o encouraçado, ah! ah! ah!), em que o carrinho de bebé vem por ali abaixo. O Lino quer ver se estava mais malta da Tertúlia BD na sessão. Encontramos o Marte, que vem a sair com um garruço à “Os canhões de Navarone”. O David Niven e o Gregory Peck tinham uns barretes do estilo.&lt;br /&gt;Vou para o Bairro Alto. Ofereço um “De boas erecções está o Inferno cheio” ao Miguel Martins, no bar dele. E um “A Idade das Trovas” à Ivana, uma sócia do Holmes Place que mora perto de mim e é um miminho. A Ivana trabalha no bar do Miguel. Mais um motivo para frequentar mais o bar. Gosto muito mais da Ivana do que do IVA, mas em qualquer das situações preencho as declarações a zeros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;01h15m - Chego ao Savana Club, que me tinha sido aconselhado pela Débora, no 69-B, (ex-Skylab), há mais de um ano.&lt;br /&gt;Sentam-me numa mesinha acolhedora, tal como o clube, cheio de telas a óleo de ressonância savanesca. A começar por duas panteras negras, uma em cada parede principal do clube, que tem também um par de bolas de espelho. O palco para as strippers tem o tradicional varão central, um espelho grande por trás e a novidade de um corrimão de madeira, tipo saloon, que permite às strippers deitarem-se de costas no dito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A empregada vem-me perguntar se quero tomar algo. Pode ser, Ambrósio. Um vodka Absolut, a 10 euros. Não há Ablosut Citron? Venha então com sumo de laranja. Vem. Também não havia motivo nenhum para não vir. Peço uma palhinha. Vem uma palhinha, embrulhada num guardanapo de papel.&lt;br /&gt;A seguir vem uma menina loura, esguia, de vaporoso vestido azul, a condizer com os olhos. Beijinho no rosto, posso sentar-me, fáxavor, tudo bem, tudo. Simone. Húngara. De uma terra a 200 quilómetros de Budapeste. Está há uns anos em Portugal. Mas ainda não fala português muito bem. Governamo-nos sem problemas em inglês.&lt;br /&gt;Pede-me uma bebida. Há bebidas a 25 euros  e a 50 euros, para as meninas. Está bem, pronto, venha lá uma de 25. Um dia não são dias. Vem a bebida de 25.&lt;br /&gt;Digo que nunca estive na Hungria, mas perdi uma ida a Budapeste de moeda ao ar, nos tempos da Gazeta dos Desportos. Fui parar ao Mónaco, com o Belém, em vez de ir a Budapeste com o Benfica. A propósito do Belém, falo dos pastéis. Ela conhecia. Olá se conhecia!&lt;br /&gt;Digo que sou jornalista, ela interessa-se, ponho-me a mostrar o cartão do CNID, o da Sociedade Portuguesa de Autores. Enfim, foi um ver se te avias da carteira a despir-se progressivamente de cartões. Um card-strip, por assim dizer.&lt;br /&gt;A conversa vai parar à situação da mulher na Hungria e em Portugal. Ela gosta do nosso país, mas diz que na Hungria as mães podem ficar três anos em casa. Aqui é só uns meses. Isto revolta-a. Sabe que ganha bem comparativamente a um português, mas alerta-me que nem é assim tanto. Faço contas para umas seis ou sete vezes mais que um ordenado médio. Ela baixa-me a parada para três vezes mais. Tem um “manager”, que lhe trata de tudo. Gosta do “Savana”. O clube tem uma Anastasia, uma Júlia, uma Rute, uma Carla. Há brasileiras, portuguesas, uma checa, uma da Letónia (se disser letona proporciona rimas chatas), é tutti-frutti, senhores ouvintes. Numa noite normal dá para fazer uma equipa de andebol de 7 e sobram duas a jogar ao banco.&lt;br /&gt;— És casado?&lt;br /&gt;Não sou. Fica muito espantada. Eu é que fico sempre muito espantado. As miúdas de leste, e muito particularmente as húngaras, ficam sempre muito espantadas por verem um gajo solteiro. Olha que porra! Estou muito bem assim.&lt;br /&gt;—  Não tens filhos?&lt;br /&gt;Não. Tenho filhos espirituais: os meus leitores.&lt;br /&gt;Lá desbobino. A vida está má, não dá para comprar casa, blábláblá.&lt;br /&gt;—  Na Hungria os jornalistas ganham bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parabéns e um queijo da serra. Eu não ganho um cêntimo há dois anos. O que é muito diferente de não trabalhar. Mas a rapaziada aqui habituou-se a dar a “boca”. É para o tecto, senhores ouvintes. São duas da manhã e está tudo bem. Não há vivalma na Rua Borges Carneiro.&lt;br /&gt;A propósito de carneiro a conversa vai parar aos signos. A menina é Carneiro com ascendente Escorpião. Puxo logo dos galões: eu sou Escorpião com ascendente Escorpião.&lt;br /&gt;—  Como é que se sabe o ascendente?&lt;br /&gt;—  É pela hora do nascimento. Eu nasci às 08h30m. &lt;br /&gt;(Tinha de pegar às 9 na oficina. Havia um Fiat 600 com problemas nos platinados).&lt;br /&gt;— Eu nasci às 8.&lt;br /&gt;—  Eu sou Tigre na astrologia oriental.&lt;br /&gt;—  Na chinesa? Eu sou cavalo.&lt;br /&gt;Bem, o tigre e o cavalo foram fazer um Private Dance. Já sabem o esquema. A menina pergunta se pode beber mais um drink, em meto o atalho na conversa e vai de ir para o Private (40 euros).&lt;br /&gt;Ela já estava com frio na mesa (Eu: não tens vergonha? Uma húngara com frio em Portugal? Ela: Olha lá, a porta está aberta e o vento vem para aqui. Na Hungria não ando assim na rua, aqui estou quase nua), mas a cabina do Private ainda estava mais ao pé da porta.&lt;br /&gt;Sofá grandinho. Coloco-me ao centro. Já sei das regras da paróquia e não quero chatear as reverendíssimas.&lt;br /&gt;— Fico ao meio, não é?&lt;br /&gt;Poistáclaro. Mãozinhas sossegadas, como habitual. E o erro do costume, por causa da época de Inverno. Calças de bombazina, que diminuem a sensibilidade do Luisinho. Sou muita estúpido.&lt;br /&gt;O vestido azul lá vai saindo do corpo da Simone, mas o fio com o símbolo do Carneiro fica preso.&lt;br /&gt;— Time out! Não contes comigo para ajudar. Sou um grande nabo em questões técnicas.&lt;br /&gt;Aí uns 30 segundos depois prosseguiu o strip.&lt;br /&gt;— Que tatuagem é esta na barriga?&lt;br /&gt;— Nada. É um desenho abstrato.&lt;br /&gt;Tá certo. A menina desce na vida. Fica de joelhos. Mergulha de cabeça até ao solo. Os longos cabelos compridos volteiam no espaço, como se fossem pilotados pelo Michel Tanguy, o Jaime Eduardo de Cook e Alvega ou o Barão Vermelho. E agora, senhores ouvintes, uma novidade: marradinhas roçagantes nas partes baixas. A nuca da menina no Luisinho e seus acólitos hortícolas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é nada mau. Mas precisava de mais insistência para o Lusinho abandonar a sua proverbial horizontalidade e levantar-se. Penso: vai, Luisinho! É o nome de Portugal que está em causa. Ficava bem uma saudação à menina.&lt;br /&gt;Mas a coreografia vai mudando e vamos trocando de sorrisos. O número dos seios no Luisinho não é utilizado e o Luisinho adora particularmente essa variante. Paciência!&lt;br /&gt;Depois a Simone dá-me espaldas, já toda desnuda. Puxa-me profissionalmente as pernas para a frente. Ficam totalmente esticadas e num ângulo de 45 graus. A húngarazinha querida senta-se na bancada central e gira como num rodeo do Texas. Gosto. Sem reservas. Com mais insistência, o Luisinho ia lá. Quase dá para pedir:&lt;br /&gt;— Esqueça o resto do número. Fique sintonizada nesta estação até ao final da sua actuação.&lt;br /&gt;Não peço. Elas é que sabem. Elas é que são as profissionais.&lt;br /&gt;De modos que o Luisinho não chegou a abandonar a sua horizontalidade.&lt;br /&gt;— Então, Luisinho? A passarinha da menina esteve a milímetros da tua cara...&lt;br /&gt;— Ah! não vale, não vale. Tens de me pôr é no campo de batalha, não é nestas playstations de simulação. Eu já sei que é só o aquecimento e depois as equipas recolhem aos balneários... como é que queres que me motive...&lt;br /&gt;— Isso são desculpas de mau entesador.&lt;br /&gt;— São mas é o caralho! Já sabes do que eu sou capaz. Mas isto aqui não é tudo à Lagardère.&lt;br /&gt;— Conheces a estocada de Philippe de Nevers?&lt;br /&gt;—  Ó pá, vai dar banho ao cão!&lt;br /&gt;—  Não gostaste da Simone?&lt;br /&gt;—  Gostei, meu.&lt;br /&gt;—  Então?!?&lt;br /&gt;— Então, isto não é de caixa automática. Estás para aí a cantar de galo não sei para quê. Pediste uma Private bem comportada e depois querias ópera? Olha, paga-me mas é uma Contact como deve ser, em que há muito mais coiso-e-tal e depois falamos. Eu sou um gajo tímido e bem formado. Também não ajuda muito. Os taradões é que vêm para aqui e entesam-se logo. Mas depois não dão uma para a caixa na conversa com as miúdas.&lt;br /&gt;— Vais-me dizer que não sou eu que falo com elas? És tu, queres ver?&lt;br /&gt;—  És tu, claro. Mas inspirado por quem?&lt;br /&gt;—  O quê?&lt;br /&gt;—  Claro que é inspirado por mim. As tuas conversas são do caralho. Puseste-te a falar à miúda dos desenhos animados do Nick Park...&lt;br /&gt;— Atão, vim de uma sessão do Cinanima, estava influenciado. E não foi só. Repara que a miúda também me falou que tinha visto um filme de zoofilia na Hungria. Mulheres a ter sexo com cavalos e cães. E uma cobra! E um homem a ter sexo como uma galinha!&lt;br /&gt;—  E o que é que tu disseste a seguir?&lt;br /&gt;—  Lembrei-me de um artigo que li sobre o Dali. Dizia que o gajo gostava de se vir a enrabar um pato, enquanto o estrafegava.&lt;br /&gt;—  Achas isso bonito?&lt;br /&gt;— Não, acho abjecto. Eu mostrei-me muito chocado e a miúda também.&lt;br /&gt;—  Mas como é que a conversa foi parar aí?&lt;br /&gt;— Olha, estava a falar-lhe do meu conto “O homem que sodomizava cães de raça” e fomos lá dar.&lt;br /&gt;—  E ela acreditou que eras um gajo normal?&lt;br /&gt;— Na boa. Percebeu que eu era um quarentão castiço, maluco, com grande criatividade e uma pancada pela escrita.&lt;br /&gt;—  Ai foi?&lt;br /&gt;—  Pois foi. Disse-me ela: “Histórias não te faltam. Dizemos uma palavra e tu não paras”.&lt;br /&gt;Depois a Simone teve de ir dançar. E dançou muito bem. Eu mudei de mesa para perto da pista e pedi mais um Absolut. Um dia não são dias. Depois a Simone mudou de vestido azul (havia muito azul no clube, até o sabão da casa de banho era um cheiroso Liquid Soap Marine Blue, mesmo ao lado da Entrée des Artistes, onde as meninas se equipam) para perto e voltou para mim. É uma maneira de dizer.&lt;br /&gt;— Danças muito bem e gostas de dançar. Tens escola ou é sensualidade natural.&lt;br /&gt;— No strip é sensualidade natural. Não tive escola. Mas danço desde os cinco anos.&lt;br /&gt;—  Ah! é? Ballet?&lt;br /&gt;—  Ballet, rumba, salsa, tudo… até fui majorette.&lt;br /&gt;— Que giro! Aqui em Portugal não há tradição de majorettes.&lt;br /&gt;(É mais major Valentim Loureiro nas manchetes)&lt;br /&gt;— Na Hungria há. Tínhamos um grupo e fizemos uma digressão por França, Espanha, em três camionetas... em França estivemos em Nice, Cannes...&lt;br /&gt;—  Ô, la Côte D’Azur...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(sempre gostei muito desse detergente. Dava bonecos do jardim zoológico. Alguns já saíam da caixa sem se aguentar em pé. Foi através do azur que fiquei a saber da existência do boi-cavalo, que é um eufemismo para hooligan de futebol).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;—  E sabias atirar o pau ao ar?&lt;br /&gt;—  Ah! pois! O stick, não é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem diz stick diz Dick. Quem diz Dick diz Dick Hard. Quem diz Dick Hard diz “De boas erecções está o Inferno cheio” e a conversa voltou aos livros, à poesia e às minhas ordinarices. Mas ela achou piada.&lt;br /&gt;— Vai mais uma Private Dance?&lt;br /&gt;— Não, obrigadinho. O budget já só dá para o táxi de volta.&lt;br /&gt;E então ela despediu-se, muito simpaticamente. Tempo total de antena: hora e meia. Ou mais. Clube quase a fechar. Vejo mais uns strips de miúdas do “Savana”. Os seios delas são pequeninos. A Júlia não sorri e controla muito o espelho. Duas brasileiras riem muito na mesa de um cliente engravatado. Quatro jovens entram no clube quase às quatro da matina:&lt;br /&gt;— Da outra vez fiz uma Table Dance com uma gaja da Letónia...&lt;br /&gt;Peço a conta. São 85 euros. Vida de rico feita por um pobre diabo em crise de erecções. De consciência tranquila e por vezes frouxa pila.&lt;br /&gt;Pago. Dou uma nota de 5 euros de gratificação. Peço uma base de copo, para ir pedir um autógrafo à Simone. Tenho autógrafos de strippers há muito tempo. Acabam por me dar uma lista do “Savana Club” e um coisinho de pôr nas mesas a avisar a malta: “Por favor... Não... não toque, não grite, não faça propostas, não fale mal! Respeite estas regras, se não as cumprir pode ser que tenha de sair”.&lt;br /&gt;Inteiramente de acordo. Que pena as regras do “Savana” não serem cumpridas poucos metros abaixo, na Assembleia da República.&lt;br /&gt;A Simone não percebe por que motivo me há-de dar um autógrafo. Explico-lhe. Lá me dá um autógrafo.&lt;br /&gt;—  Agora vais mostrar a um grafologista, para descobrir mais sobre mim?&lt;br /&gt;— Não vale a pena. Já te vi nua.&lt;br /&gt;Tive ainda tempo para perguntar a uma empregada o que é um “Especial Show”.&lt;br /&gt;— Ah! é mais para as despedias de solteiro. O rapaz ou o senhor, como é o seu caso...&lt;br /&gt;—  Olhe, eu sou veterano no pingue-pongue do Inatel, mas no campo literário ainda sou considerado um jovem poeta...&lt;br /&gt;— Pois, como eu dizia, é mais para as despedidas de solteiro. O senhor é levado para cima do palco, senta-se no banco e elas brincam com ele e despem-no.&lt;br /&gt;—  Se vai para o palco, devia era ser remunerado e não pagar.&lt;br /&gt;—  Não é ele que paga. São os amigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saio. Noite fresca. Venho a pé até ao famoso Jardim Cinema, Loucuras, como lhe quiserem chamar. Depois apanho um táxi e saio no Saldanha. O que falta fazer? Não sabem?&lt;br /&gt;Meus (e minhas) é contar putas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;04h35m - Uma volta ao Técnico. Há 13 pedestres e duas auto-putas. Às 04h40m ouço um pssst. Era uma pedestre que queria saber as horas. Estava a fechar a loja.&lt;br /&gt;Recolho às cabinas. Vejo a Net. Escrevo o diário. São 7h28m. Vou passar os olhos pelas gordas dos jornais em super-speed.&lt;br /&gt;E vou sonhar que tenho uma húngara loura, chamada Simone, a dormir ao meu lado, a chamar-me ‘Meu Príncipe, encantado’.&lt;br /&gt;Com a minha sorte, é óbvio que o sonho rapidamente se transformaria em pesadelo. Já estou a ver o João Baião &lt;br /&gt;(é verdade! Já me ia esquecendo! Encontrei-o no Corte Inglés, fui-me a ele e felicitei-o pelo poema do ‘Fadas Láureas’. Ele ainda se vai encontrar com o casal Louro, para falar do livro) &lt;br /&gt;a entrar-me no sonho:&lt;br /&gt;—  Tem uma húngara na sua cama e é o Príncipe Encantado? Cuidado! Não deixe que ela o beije e o transforme num sapo. Mas, se fôr caso disso, agora com o Sapo ADSL você até vai andar de mota!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pronto. Este é o diário do dia em que não me perdi no “Savana”. E o recibo ainda tem o nome do antigo bar: “Zeferinos Café Concerto. Rua Borges Carneiro, 38-A, 1200-619 Lisboa”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37794330-7457183308616019923?l=sexonanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sexonanoite.blogspot.com/feeds/7457183308616019923/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37794330&amp;postID=7457183308616019923&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/7457183308616019923'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/7457183308616019923'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sexonanoite.blogspot.com/2007/12/26-de-novembro-de-2004.html' title='26 de Novembro de 2004'/><author><name>Luís Graça (Dick Hard / Von Grazen)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15302192874180431145</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/buga32/luis.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37794330.post-2058389141266602332</id><published>2007-11-25T20:33:00.001Z</published><updated>2007-11-25T20:33:47.199Z</updated><title type='text'>24 de Novembro de 2004</title><content type='html'>&lt;b&gt;Queluz perde com Chalon&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;18h - Estou em casa a ver o CSKA-FC Porto. Perdi o início, porque fui nadar um bocado para o Holmes. A água da piscina continua fria como a puta que a pariu. Já me estou a passar dos cornos. Para que o dia continue a correr mal, o FC Porto marcou um golo e os russos não.&lt;br /&gt;Vou tirar umas fotocópias ao Centro Comercial S. João de Deus e leio com atenção o que diz na estátua do Tó-Zé: “Ardente tribuno, patriota perfeito, cidadão exemplar”. É bonito!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;20h23m - Apanho o comboio para Queluz. Vou assistir a um jogo de basket da Taça ULEB e ainda não é desta que os portugas vencem um jogo. O Queluz começou com a gasosa toda, mas o Chalon francês acabou por ganhar por oito pontos, mesmo no final.&lt;br /&gt;Janto com um amigo jornalista, próximo do Bairro Alto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37794330-2058389141266602332?l=sexonanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sexonanoite.blogspot.com/feeds/2058389141266602332/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37794330&amp;postID=2058389141266602332&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/2058389141266602332'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/2058389141266602332'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sexonanoite.blogspot.com/2007/11/24-de-novembro-de-2004.html' title='24 de Novembro de 2004'/><author><name>Luís Graça (Dick Hard / Von Grazen)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15302192874180431145</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/buga32/luis.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37794330.post-5728196505653297593</id><published>2007-11-18T19:34:00.000Z</published><updated>2007-11-18T19:36:02.977Z</updated><title type='text'>23 de Novembro de 2004</title><content type='html'>&lt;b&gt;Carregadoras telescópicas rígidas 3015 com vibrador&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;20h - Estou na sala por baixo das piscinas do Inatel, no pequeno bunker/cave onde os tipos do tai-do dão lugar à última jornada da primeira fase do Campeonato Distrital de Ténis de Mesa do Inatel, 3ª Categoria.&lt;br /&gt;Chego com tempo e vou palrando com a malta que vai invadindo o balneário com toda a pacatez.&lt;br /&gt;Fazem-se as contas para a fase seguinte. O meu grupo joga frente à EDP. Ganho o primeiro jogo por 3-0. Depois desperdiço um match-point no segundo e perco na “negra” (2-3). Finalmente, perco um encontro equilibrado por 0-3. Estive a vencer 5-0 no primeiro set e arranjei maneira de sucumbir por 10-12, desperdiçando mais um set-point. Nestes 15 anos de Inatel faço muitas coisas destas. O meu colega Jorge “levou na corneta” os três jogos e fundiu-se de esperanças de entrar para o grupo dos cinco primeiros. Eu bem lhe dizia que estava com mais olhos que barriga.&lt;br /&gt;Contas feitas, acabo a primeira fase com 3 vitórias, 8 derrotas e 3 faltas de comparência. Lá me encontrarei com muito boa gente no grupo dos últimos. Especialmente para os leitores, dei-me ao trabalho de efectuar uma pequena estatística. Conquistei 359 pontos e perdi 435, o que quer dizer que tive um “point-average” negativo de 76.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;00h35m -Jantei em casa e depois fui dar uma volta ao Técnico, para desmoer. Contei 20 pedestres e duas auto-putas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;02h10m - Fui à Net ver as mensagens do hotmail. Depois da missão cumprida, deu-me na cachimónia e fui para o google pesquisar barbaridades infantis. Escrevi “vibrador insensato” e não deu nada. Tirei o insensato e aquilo nunca mais acabava. Contrariamente ao que eu pensava, apareceram vários tipos de vibradores que não tinham nada a ver com sexo.&lt;br /&gt;Entrei num site da John Deere que tinha “carregadoras telescópicas rígidas 3015 com vibrador. A John Deere oferece-lhe a combinação perfeita para a sua exploração de oliveiras, a nova carregadora telescópica com vibrador”.&lt;br /&gt;Dizem eles que é a máquina ideal para a colheita de azeitonas. Mais informações: dirija-se ao concessionário John Deere da sua zona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não fui ao concessionário da John Deere, mas descobri um site com um vibrador de gesso que é um mimo para trabalho de prótese; e outro site sobre construção civil brasileira com um vibrador de imersão. “O acoplamento do conjunto vibrador/mangueira ao motor é realizado de forma rápida e simples. Isso se traduz em economia e melhor eficiência na homogeneização do concreto”. (site da CSM).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37794330-5728196505653297593?l=sexonanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sexonanoite.blogspot.com/feeds/5728196505653297593/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37794330&amp;postID=5728196505653297593&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/5728196505653297593'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/5728196505653297593'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sexonanoite.blogspot.com/2007/11/23-de-novembro-de-2004.html' title='23 de Novembro de 2004'/><author><name>Luís Graça (Dick Hard / Von Grazen)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15302192874180431145</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/buga32/luis.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37794330.post-9037819023805442344</id><published>2007-11-10T20:56:00.000Z</published><updated>2007-11-10T20:57:46.052Z</updated><title type='text'>21 de Novembro de 2004</title><content type='html'>&lt;b&gt;Benfica vence na Maia&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fico por casa, a ver desporto na TV. Assisto ao êxito do voleibol encarnado na Maia(RTP2), com vitória por 3-1 (todos os sets às diferenças) sobre o Castêlo. E as águias somam e seguem!&lt;br /&gt;Vejo também o FC Porto a ganhar ao Barcelos (hóquei, Sport TV) e espreito um bocadinho do Espanha-Ucrânia (Mundial de Futsal, Eurosport).&lt;br /&gt;Depois almoço por volta das 20 horas (Pasta Caffé, Lasanha clássica e sobremesa Il Padrino) e vou ao cinema ver o filme “Na sombra de um sequestro”, com o Redford, o Dafoe e a Helen Mirren, de boas memórias anatómico-performativas em filmes como “Excalibur” ou “Calígula”.&lt;br /&gt;Filme muito razoável, mantendo o interesse do espectador sem grandes cabriolas do argumento, banal mas bem trabalhado. Fico tocado pelas rugas dos actores, expostos na sua fragilidade e exibidos na sua grande capacidade interpretativa.&lt;br /&gt;Depois janto no Galeto, por volta da meia-noite. E vou desmoer para a Gulbenkian. Como almocei e jantei no espaço de duas horas, ando por ali a arrotar, com 10 graus de temperatura e grande humidade. Aproximo-me do cartaz que anuncia um congresso de língua portuguesa para 6 e 7 de Dezembro. Há nomes que me atraem, como Prado Coelho, Lídia Jorge ou Ondjaki. Já sei que de manhã não me vou conseguir levantar, mas certamente haverá sessões de tarde, em que conto estar presente.&lt;br /&gt;Ainda dou uma volta ao Técnico. Presentes 9 putas pedestres (cheias de frio) e uma auto-puta, a olhar a solidão do horizonte, de motor a trabalhar.&lt;br /&gt;O Tó-Zé, do alto da sua estátua, pergunta-me: “O senhor não me sabe dizer se o Benfica passou para a frente do campeonato?”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá disse ao Tó-Zé que o Benfica se deixou empatar em casa com o Rio Ave (3-3). O Tó-Zé, que se confessou benfiquista, ficou um bocado chateado. Depois perguntou pelo Vitória. A sua amiga Luísa Todi gostava que o Vitória ganhasse o campeonato. Mas a coisa também esteve de salmonetes ressequidos para as bandas do Setúbal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37794330-9037819023805442344?l=sexonanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sexonanoite.blogspot.com/feeds/9037819023805442344/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37794330&amp;postID=9037819023805442344&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/9037819023805442344'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/9037819023805442344'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sexonanoite.blogspot.com/2007/11/21-de-novembro-de-2004.html' title='21 de Novembro de 2004'/><author><name>Luís Graça (Dick Hard / Von Grazen)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15302192874180431145</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/buga32/luis.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37794330.post-208103036754502805</id><published>2007-11-04T15:37:00.000Z</published><updated>2007-11-04T15:38:58.325Z</updated><title type='text'>20 de Novembro de 2004</title><content type='html'>&lt;b&gt;Sporting, 1 – Benfica, 3&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;17 horas - Estou em casa, a ver o Sporting-Benfica na Sport TV. Em hóquei. Os meus “leões” lá perderam por 3-1. A sorte do jogo não esteve com os verdes, mas desta vez não há grande razão de queixa no que toca à justiça do resultado.&lt;br /&gt;Depois vejo mais um demolidor espectáculo de degradação futebolística (o FC Porto-Boavista) e apanho um táxi para a Luz, onde acompanho a vitória do Ginásio Figueirense sobre o Benfica, em basket, num pavilhão às moscas (aí umas 150 pessoas). Um camarada jornalista entreteve-se a declamar poemas do “De boas erecções está o Inferno cheio” ao intervalo. O filho tinha-lhe “nacionalizado” o livro, mas lá devolveu a obra.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37794330-208103036754502805?l=sexonanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sexonanoite.blogspot.com/feeds/208103036754502805/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37794330&amp;postID=208103036754502805&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/208103036754502805'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/208103036754502805'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sexonanoite.blogspot.com/2007/11/20-de-novembro-de-2004.html' title='20 de Novembro de 2004'/><author><name>Luís Graça (Dick Hard / Von Grazen)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15302192874180431145</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/buga32/luis.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37794330.post-4407300807270822651</id><published>2007-10-23T12:17:00.000+01:00</published><updated>2007-10-23T12:18:22.047+01:00</updated><title type='text'>19 de Novembro de 2004</title><content type='html'>&lt;b&gt;Poetas! Amigos! Resistentes!&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;22 horas -  Estou na Academia Recreio Artístico, uma casa velha de 159 anos, que tem placas nas paredes a assinalar a passagem, em 1931, de nomes como Erico Braga e Chaby Pinheiro.&lt;br /&gt;Desta vez, não é o teatro o protagonista. É a poesia. A Tertúlia Rio de Prata (de que faço parte) foi fazer uma declamação. Muita malta baldou-se, mas ainda assim conseguimos estar a declamar durante o tempo de um jogo de futebol. Enquanto os sócios da Academia seguiam o Nacional-Marítimo (1-1) na salinha do lado, indiferentes aos nossos dotes poéticos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37794330-4407300807270822651?l=sexonanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sexonanoite.blogspot.com/feeds/4407300807270822651/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37794330&amp;postID=4407300807270822651&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/4407300807270822651'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/4407300807270822651'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sexonanoite.blogspot.com/2007/10/19-de-novembro-de-2004.html' title='19 de Novembro de 2004'/><author><name>Luís Graça (Dick Hard / Von Grazen)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15302192874180431145</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/buga32/luis.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37794330.post-3662504226908695387</id><published>2007-09-30T13:00:00.000+01:00</published><updated>2007-09-30T13:01:46.143+01:00</updated><title type='text'>17 de Novembro de 2004</title><content type='html'>&lt;b&gt;Big Band Poesie da Vienna Art Orchestra&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;21h30m - Estou no meu posto, no magnífico e acolhedor auditório da Culturgest. Ainda vejo Portugal aviar o Luxemburgo por 5-0, via TV.&lt;br /&gt;Depois deixo-me embalar num fabuloso concerto da Vienna Art Orchestra. Uma coisa de encher a alma de música para um mês. Cá fora, após o concerto, consigo conter-me e não compro o CD. Em casa vou ao site da orquestra e descubro o diário da digressão, escrito pelo trombonista americano Ed Partyka. Vejo no dia seguinte que foi o melhor concerto. Tive sorte!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37794330-3662504226908695387?l=sexonanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sexonanoite.blogspot.com/feeds/3662504226908695387/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37794330&amp;postID=3662504226908695387&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/3662504226908695387'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/3662504226908695387'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sexonanoite.blogspot.com/2007/09/17-de-novembro-de-2004.html' title='17 de Novembro de 2004'/><author><name>Luís Graça (Dick Hard / Von Grazen)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15302192874180431145</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/buga32/luis.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37794330.post-3597475386118818269</id><published>2007-09-24T11:46:00.000+01:00</published><updated>2007-09-24T11:49:12.946+01:00</updated><title type='text'>16 Novembro de 2004</title><content type='html'>&lt;b&gt;Atão a chavala dos Corrs teve um puto e não veio?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje a minha amiga Maria João fez 40 anos. Cabrão do tempo! Não pára.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;15h30m - Estou na hidroginástica. Mais uma vez como único representante masculino, no meio (é como quem diz, depende dos exercícios aquáticos) de 19 mulheres.&lt;br /&gt;A água estava bastante fria. Gerou-se uma pequena onda de protestos. O jacuzzi, ao invés, estava porreiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;17h30m - Almoço dobrada. Depois meto-me a caminho do metro da Alameda. Vou ao Atlântico. Estreio-me em concertos na Expo. Dei 32 euros para o balcão de nível 1. Qual concerto? Também não é mal perguntado, não senhor. Têm muita razão. Fui ver os Corrs. Se gosto dos Dalton nas histórias do Lucky Luke, também posso gostar dos  Irmãos Corrs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;20h30m - Já estou sentado na primeira fila por baixo dos camarotes, a meio do pavilhão, em plena Tiazilândia. E muito céptico quanto à qualidade do som. Opto por ver bem, mas fico de pé atrás com o som.&lt;br /&gt;Confirmou-se.&lt;br /&gt;O concerto começou às 21h19m e só às 22h05m é que o je “entrou” no concerto, desapontado por não estar a perceber a letra das canções. Está bem que sou fã, mas também não é preciso exagerar. Gramava ouvir a miúda a dizer coisas, por mais inócuas que sejam.&lt;br /&gt;A Andrea vinha toda de preto. Fartou-se de dizer “Muito obrigada” de forma correctíssima. A miúda tem energia para dar e vender. Mas gosto mais da irmã loura, a Sharon. O meu estado de espírito mudou radicalmente quando a Andrea e a Sharon começaram a esgalhar no pífaro e na rabeca, respectivamente. Aí é que a minha alma céltica me fugiu para o pezinho de dança.&lt;br /&gt;O Pavilhão Atlântico estava muito compostinho. Aí umas 12 mil pessoas. Nada mau para um dia de semana. Terça-feira, pronto. Também querem saber tudo, olha que porra. Por acaso não sabem os resultados da jornada de pingue-pongue a que eu faltei? Bem me parecia.&lt;br /&gt;O quê? Não, faltei mas avisei. Sim, senhor. Avisei o Inatel por carta e desejei uma salutar noite de fraternal convivência desportiva. Não foi assim, mas foi quase. Agora não vou buscar a carta, só por causa de um pormenor destes. E já ficam a saber que estas faltas de comparência me enviam direitinho para o grupo dos últimos. Se querem gozar, podem começar já.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;23h10m - Terminou o concerto, depois de dois “encore”. O público rendeu-se. Acabei o concerto bem disposto, mas com aquele travo amargo do som. Bolas! Esperei seis anos até me estrear no Atlântico! Merecia um som como deve ser.&lt;br /&gt;Fiquei deslumbrado com a sofisticação da Sharon, emérita violinista e toda a pinta de ser a mulher que está a fazer falta à minha vida: sensual, coleante, meiga, numa palavra: style, meus!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto ela cantou a sua balada, o coração fugiu-me para a plateia VIP. Depois voltou, com um autógrafo no ventrículo de estibordo.&lt;br /&gt;A irmã Caroline não veio. A irmã Andrea explicou que a chavala atravessa uma fase de recém-prenha. Já deu o puto à luz e está a recuperar. Não dá para se meter na marretada à bateria, tipo Animal dos Marretas. Não sei se foi por isso, mas os putos “groupies” das primeiras filas (muito bem comportados) mandaram-lhe uns ursinhos de peluche. E as miúdas acabaram o concerto de cachecol de Portugal ao pescoço, para satisfação do Scolari.&lt;br /&gt;A Andrea disse que os portugueses eram uma “magnific audience”, mas também ainda não vi nenhum concerto em que dissessem o contrário.Uma vez o saxofonista Stan Getz (és o maior, onde quer que estejas, meu!) pôs-se a reinar com isso. “Olá, Copenhaga. Vocês são o meu melhor público dos últimos tempos. Ontem disse isto em Estocolomo”. Não sei se a ordem das cidades está certa, mas a piada era esta.&lt;br /&gt;Vou ao WC. A máquina de preservativos avisa que só funciona com o dinheiro certo. Não dá trocos. Ou seja, é uma espécie de slot machine do amor que dá pouca confiança a jackpots para quem não tem as moedas certas.&lt;br /&gt;Encontro uns amigos e ponho-me à conversa.&lt;br /&gt;Depois ainda vou à Bertrand do Vasco da Gama. Desta vez com toda a calma. No lançamento do Luís Afonso foi de raspão. O meu “De boas erecções está o inferno cheio” está colocado entre o António Gedeão e a poesia erótica do José Craveirinha. Estou por cima do Manuel de Freitas.&lt;br /&gt;A mesinha de entrada está cheia de Códigos Da Vinci.&lt;br /&gt;— Não li, não gostei e tenho opinião sobre o livro! — disse um sujeito castiço para o empregado. É assim mesmo! Esta coisa de ler um livro por moda só me dá vontade de vomitar.&lt;br /&gt;Começo a folhear por curiosidade e acabo por comprar mais um livro da Taschen, atraído pela taradice sexual e pelo preço moderado: “Roy Stuart, volume III”.&lt;br /&gt;Não sabem quem é? Eu também não. Na contracapa diz que “o mestre do erotismo absoluto está de volta”. A opinião é da Playboy dos Estados Unidos, mas aparece escrita em francês. Não me perguntem porquê. Se calhar foi um francês importante que disse aquilo à Playboy americana.&lt;br /&gt;O chamado mestre do erotismo absoluto é fotógrafo. Isso é certo. A Taschen não edita qualquer um. Quanto ao erotismo é que temos discussão. Porque há muita foto com meninas de sarda na boca. Ah! pois, aguentem-se!&lt;br /&gt;“Crazy girl, what you’re doin’? For the fun? For the money? No…for the pleasure, pleasure, honey”. Começa assim o ensaio “Live show”. E a verdade é que não parece nada que as meninas o tenham feito por dinheiro, mas por prazer.&lt;br /&gt;O conjunto de fotos reporta-se a uma cena de strip, com sexo ao vivo. E podem crer que se vê mesmo muito. Sexo oral, masturbação entre a assistência e um ar genuinamente interessado. A minha opinião sincera?&lt;br /&gt;O fotógrafo reuniu malta disponível para sair em livro com o rótulo “Arte”. E a crazy girl deu-se toda pelo pleasure.&lt;br /&gt;De resto, não se pode desprezar o coeficiente de genuinidade e surpresa em todo o livro, independentemente do maior ou menor grau de encenação das fotos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37794330-3597475386118818269?l=sexonanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sexonanoite.blogspot.com/feeds/3597475386118818269/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37794330&amp;postID=3597475386118818269&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/3597475386118818269'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/3597475386118818269'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sexonanoite.blogspot.com/2007/09/16-novembro-de-2004.html' title='16 Novembro de 2004'/><author><name>Luís Graça (Dick Hard / Von Grazen)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15302192874180431145</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/buga32/luis.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37794330.post-1615370549810009341</id><published>2007-09-16T15:36:00.000+01:00</published><updated>2007-09-16T15:38:18.130+01:00</updated><title type='text'>14 de Novembro de 2004</title><content type='html'>&lt;b&gt;Os juniores de Oeiras são de Sesimbra&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;15h30m - Faço um esforço e estou na Luz ao desabar do princípio da tarde. Militantemente adepto de voleibol, como ex-jogador e jornalista freelance. O jogo dava na RTP2, mas prefiro ao vivo. Quase convido o meu editor da Polvo para vir assistir ao encontro, mas depois penso que ele merece um Benfica-Castêlo da Maia ou um Benfica-Esmoriz para se estrear. Em resumo, um jogo entre candidatos.&lt;br /&gt;A partida não teve história, com êxito do Benfica sobre uma empenhada Académica de Espinho, por 3-0. A tarde valeu pela boa disposição dos juniores de um clube de voleibol de Oeiras, que a seguir defrontavam os miúdos do Benfica. O “speaker” anunciou por duas vezes que o Benfica ia jogar com o Sesimbra. Os putos “afinaram” e no final tiveram direito a pedido de desculpas oficial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;18 horas - Passeio na FNAC Colombo. Acabo por comprar o último Lobo Antunes, com vontade de começar a ler já.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;20 horas - Janto com uma amiga no Pasta Caffé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;24 horas - Vejo o “Noite Escura”, do Canijo, no Residence. Gostei do filme. Pretexto para rever em celulóide as minhas ex-colegas do curso do Stephen Rosenfield: Cleia Almeida, Anabela Moreira e Rita Blanco. Também tinha conhecido o Bogomolov (é o russo mau da fita) na Act, no Bairro Alto, quando fiz um curso com o Jorge Paixão da Costa.&lt;br /&gt;Mesmo assim, ainda não esqueci a dupla Ana Bustorff/João Reis em “Sapatos Pretos”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37794330-1615370549810009341?l=sexonanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sexonanoite.blogspot.com/feeds/1615370549810009341/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37794330&amp;postID=1615370549810009341&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/1615370549810009341'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/1615370549810009341'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sexonanoite.blogspot.com/2007/09/14-de-novembro-de-2004.html' title='14 de Novembro de 2004'/><author><name>Luís Graça (Dick Hard / Von Grazen)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15302192874180431145</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/buga32/luis.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37794330.post-6652163624088268317</id><published>2007-09-09T14:37:00.001+01:00</published><updated>2007-09-09T14:40:55.071+01:00</updated><title type='text'>13 de Novembro de 2004</title><content type='html'>&lt;b&gt;Já vi a Kerry Fox com a sarda na boca&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pronto. Já vi a Kerry Fox toda nua. O minuto 34 é o tal: vê-se a menina com a sarda do Mark Rylance na boca. Dura pouco tempo. É assim a modos que “O diabo no corpo” do século XXI. Na altura (há mais de 20 anos) o filme do Marco Bellochio deu que falar, só porque a Maruscha Detmers metia na boca a sarda de um cavalheiro. Vi no Apolo 70, que Deus tem.&lt;br /&gt;Aquilo era de um obscurantismo atroz. A cena passava-se num canto escuro e a malta tinha de estar concentrada para perceber que o gajo estava mais mole que o mais mole dos pântanos. Acho que durava 17 segundos. Ou coisa assim. E o filme era mau.&lt;br /&gt;Este “Intimidade” é bem melhor. Não tem a dimensão operática que o Patrice Chéreau imprimiu a “La Reine Margot”, com o pessoal a transpirar sangue e tudo. Não. Este “Intimidade” é mesmo um filme para ver pausadamente e meditar. Gostei, independentemente da Kerry Fox toda nua e dos gemidos de amor lembrarem dois cãezinhos a arfar, depois de muitas brincadeiras no jardim, a correr atrás de um pau ou de uma bola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;17 horas - Estou no comboio, mais um amigo. Vamos para a Parede, assistir ao Sporting—Barcelos, em hóquei em patins.&lt;br /&gt;No final o Sporting perdeu por 4-3, porque deu muitas “barracas” defensivas. Bateu-se muito bem. Os jogadores do Barcelos estão muito cansados fisicamente.&lt;br /&gt;Saio do pavilhão em passo apressado. Quero chegar a tempo do concerto do Terence Blanchard, na Culturgest. E chego. Comprei o bilhete e ainda fui comer dois folhados de linguiça à pastelaria Namur.&lt;br /&gt;Belo concerto. O “encore” foi uma inspiradíssima balada, daquelas que deixa a alma dum gajo a pingar meiguices. Duas horas de quase magia. Alguns músicos vieram desopilar com um passeio em zona de putas, ao lado do Técnico. Cruzámo-nos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37794330-6652163624088268317?l=sexonanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sexonanoite.blogspot.com/feeds/6652163624088268317/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37794330&amp;postID=6652163624088268317&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/6652163624088268317'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/6652163624088268317'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sexonanoite.blogspot.com/2007/09/13-de-novembro-de-2004.html' title='13 de Novembro de 2004'/><author><name>Luís Graça (Dick Hard / Von Grazen)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15302192874180431145</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/buga32/luis.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37794330.post-3089084426229560544</id><published>2007-09-02T12:43:00.000+01:00</published><updated>2007-09-02T12:44:45.837+01:00</updated><title type='text'>12 Novembro de 2004</title><content type='html'>&lt;b&gt; Mais duas derrotas! &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais duas derrotas (e uma vitória) no pingue-pongue do Inatel.&lt;br /&gt;Chego a casa e vejo a Académica a ganhar ao Estoril por 1-0. Depois agarrei-me a este livro, que estava interrompido desde 28 de Outubro, por cansaço patente. Pois é, tudo o que leram desde 28 de Outubro até hoje foi escrito agora. Comecei pouco depois da meia-noite. Agora são 3 da matina. Vou ver o “Intimidade” aqui no computador. Comprei-o no jornal PÚBLICO. Já tinha saído há muito tempo. Agora é que vou ver a Kerry Fox nua. Por apenas 8 euros e 90. Ou melhor, 9 e 90. Temos de comprar um jornal. Como eu já tinha, dei o exemplar suplente a um amigo.&lt;br /&gt;Vou imprimir isto e depois mando-me ao filme.&lt;br /&gt;Respiro de alívio. Estava a deixar acumular muito material, apontado em tópicos num bloco do Euro-2004.&lt;br /&gt;Depois de ter desistido da Oficina para me editar este livro “meti o meu passo”, como disse ao editor. Mas não se preocupem. Ainda tenho muita coisa para vos contar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37794330-3089084426229560544?l=sexonanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sexonanoite.blogspot.com/feeds/3089084426229560544/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37794330&amp;postID=3089084426229560544&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/3089084426229560544'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/3089084426229560544'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sexonanoite.blogspot.com/2007/09/12-novembro-de-2004.html' title='12 Novembro de 2004'/><author><name>Luís Graça (Dick Hard / Von Grazen)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15302192874180431145</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/buga32/luis.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37794330.post-1787628255478129962</id><published>2007-08-26T13:57:00.000+01:00</published><updated>2007-08-27T18:31:53.065+01:00</updated><title type='text'>11 Novembro de 2004</title><content type='html'>Bolo para o S. Martinho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cumpro a minha palavra e levo bolo e espumante Asti para o Holmes Place. Faço a hidro das quintas-feiras e a professora já estava a estranhar a minha ausência. Havia 9 senhoras e oito homens. Estamos quase lá!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37794330-1787628255478129962?l=sexonanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sexonanoite.blogspot.com/feeds/1787628255478129962/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37794330&amp;postID=1787628255478129962&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/1787628255478129962'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/1787628255478129962'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sexonanoite.blogspot.com/2007/08/11-novembro-de-2004.html' title='11 Novembro de 2004'/><author><name>Luís Graça (Dick Hard / Von Grazen)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15302192874180431145</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/buga32/luis.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37794330.post-7394090090972040702</id><published>2007-08-21T13:50:00.000+01:00</published><updated>2007-08-21T13:51:34.394+01:00</updated><title type='text'>10 de Novembro de 2004</title><content type='html'>Ai, Blueberry, foi mesmo sem vaselina!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;21h15m — El  Corte Inglés. Vou ver as aventuras de Blueberry, à sala 8, em mais uma peregrinação da subtertúlia dos Bedéfilos Cinéfilos. Somos dez.&lt;br /&gt;O Blueberry foi sodomizado sem vaselina. A direcção de fotografia do Nagata é extraordinária, mas o argumento andou por ali aos tombos. A malta não gostou muito, mas deu para ver. A meio do filme estou zonzo. Quase durmo. Há bocados em que só ouço os diálogos.&lt;br /&gt;Quando saio ouço as mensagens. Tenho uma das 21 horas e 38 minutos. É um amigo que diz não me conseguir contactar. Por coincidência, passa por mim pouco depois. Estava a ver outro filme no Corte Inglés.&lt;br /&gt;Eu tinha-lhe deixado dois livros do Rabo no escritório. E ele desconfiado de que o Alvarez Rabo era mais um heterónimo meu.&lt;br /&gt;O que posso fazer?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37794330-7394090090972040702?l=sexonanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sexonanoite.blogspot.com/feeds/7394090090972040702/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37794330&amp;postID=7394090090972040702&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/7394090090972040702'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/7394090090972040702'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sexonanoite.blogspot.com/2007/08/10-de-novembro-de-2004.html' title='10 de Novembro de 2004'/><author><name>Luís Graça (Dick Hard / Von Grazen)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15302192874180431145</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/buga32/luis.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37794330.post-6117115024787629835</id><published>2007-08-11T13:53:00.001+01:00</published><updated>2007-08-11T13:53:50.377+01:00</updated><title type='text'>9 Novembro de 2004</title><content type='html'>Ganho um jogo no Inatel&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prossegue o pingue-pongue do Inatel. Jogo com o Metro. Ganho um e perco dois. Encontros equilibrados, que me deram gozo. O meu amigo e colega Jorge está frustrado. Perdeu os três encontros e põe-se a deitar contas à vida no que toca ao apuramento para a segunda fase. Eu estou mentalizado para as derrotas. Com as três que me tocam por falta de comparência no dia 16 (vou ao Pavilhão Atlântico, ver os Corrs) sigo disparado para o grupo dos últimos que nem ginjas!&lt;br /&gt;Chego a casa e janto.&lt;br /&gt;Depois vou dar duas voltas à Gulbenkian, para desmoer.&lt;br /&gt;Um rato grande como um coelho está em cima do muro, põe-se a olhar para mim. Estou imóvel. Finalmente, ele percebe que estou vivo e sou potencialmente perigoso. Desaparece em grande velocidade. Tinha um pelo bonito e luzidio. Uma expressão bem mais inteligente que muitos portugueses.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37794330-6117115024787629835?l=sexonanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sexonanoite.blogspot.com/feeds/6117115024787629835/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37794330&amp;postID=6117115024787629835&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/6117115024787629835'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/6117115024787629835'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sexonanoite.blogspot.com/2007/08/9-novembro-de-2004.html' title='9 Novembro de 2004'/><author><name>Luís Graça (Dick Hard / Von Grazen)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15302192874180431145</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/buga32/luis.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37794330.post-6182104621656131649</id><published>2007-08-06T10:33:00.000+01:00</published><updated>2007-08-06T10:34:58.204+01:00</updated><title type='text'>8 de Novembro de 2004</title><content type='html'>FC Porto avia Sporting&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;21 horas - Estou em casa a ver o FC Porto-Sporting, na Sport TV. Cheio de fé, sem saber porquê. Deixei um belo lançamento na Culturgest. O poeta e ensaísta Hélder Macedo concedeu-me um autógrafo. Continua com um comportamento fidalgo e gostei imenso de o ouvir. Acabo por dialogar com o editor Francisco Espadinha, que me diz para mandar o meu romance para a Presença. Assim. Sem mais delongas. Vou mandar. Não se perde nada. Escrevi-o em 2000. Concorri ao Prémio Orlando Gonçalves (Amadora) e ao ASA/Acontece. Não ganhei nada. O ano passado o livro esteve na Temas e Debates. Foi recusado. Depois esteve na Oficina do Livro. Foi aprovado pelo Gonçalo Bulhosa, que inicialmente tinha recusado o Neura-2004. Dez meses depois acabou por ser recusado pelo António Lobato Faria, que descobriu que o livro estava muito grande.&lt;br /&gt;— Ganda maluco! 600 páginas!&lt;br /&gt;(Isto disse-me ele no lançamento do “Sem medo”, da Rita Delgado, a 15 de Setembro).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; 23 horas - O Sporting perdeu 3-0. Mais uma “barraca” do Ricardo. Já nem dói muito. Estou habituado. O espectáculo continua arredio do futebol.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37794330-6182104621656131649?l=sexonanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sexonanoite.blogspot.com/feeds/6182104621656131649/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37794330&amp;postID=6182104621656131649&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/6182104621656131649'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/6182104621656131649'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sexonanoite.blogspot.com/2007/08/8-de-novembro-de-2004.html' title='8 de Novembro de 2004'/><author><name>Luís Graça (Dick Hard / Von Grazen)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15302192874180431145</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/buga32/luis.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37794330.post-8896521391365000233</id><published>2007-07-29T12:15:00.000+01:00</published><updated>2007-07-29T12:19:36.480+01:00</updated><title type='text'>6 de Novembro de 2004</title><content type='html'>Hamburgo no Casal Vistoso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;15h05m - Chego ao pavilhão do Casal Vistoso, com algum esforço para chegar a horas. Demorei a apanhar táxi. Mal saio, um adepto sportinguista furioso desabafa comigo: “5 euros! 5 euros!”. Bate em retirada. Eu entro no pavilhão, com muito público e um belo ambiente. O Sporting já está a perder o jogo de andebol com o Hamburgo por 5-2. No final, derrota por 24-28, com os alemães em grande descontracção. Ainda vi dez minutos do guarda-redes Tomas Svensson.&lt;br /&gt;Vejo a partida ao lado do Professor Pintado. No final do encontro visito os ex-colegas de O JOGO, ali ao lado. Depois vou até ao Holmes Place, nadar um bocado.&lt;br /&gt;Janto. Sigo para o Arena, ao lado do Jardim do Tabaco. É mais uma gala de kickboxing, desta feita concluída com um combate histórico. É o regresso de Fernando Fernandes, depois de quase dez anos sem combater. Ganhou, mas sofreu. Felicito-o no final do combate.&lt;br /&gt;— Obrigado por teres vindo — diz o Fernando, cansado, sorriso aberto, as marcas do esforço no rosto e o suor a peregrinar-lhe o torso forte.&lt;br /&gt;Apanho o Metro no Rossio. Saio na Alameda. Subo.&lt;br /&gt;Uma pérola de ébano não chega a acordo com o motorista de uma carrinha. Resolvo ir lá.&lt;br /&gt;— Boa-noite. A quanto são os beijinhos?&lt;br /&gt;Ela está desconfiada comigo. Olha para o saco de plástico que trago na mão, com os jornais.&lt;br /&gt;— Não faço esse trabalho.&lt;br /&gt;Estranho à brava. Aprofundo o tema.&lt;br /&gt;— Então o que faz?&lt;br /&gt;— São 100 euros em cama de água.&lt;br /&gt;— E faz sexo oral?&lt;br /&gt;— Faço. Lá na cama de água.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mau! Afinal sempre faz beijinhos! Já estou bastante fodido com a terminologia e a decadência da língua portuguesa.&lt;br /&gt;— Quanto tempo?&lt;br /&gt;— 1 hora. Mas na Praça do Chile é 50 euros, sem cama de água.&lt;br /&gt;— E onde é a cama de água?&lt;br /&gt;— É no Campo Mártires da Pátria.&lt;br /&gt;— Muito obrigado. Boa noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zás e aí estou eu a caminho do Galeto. Afinal, as putas do Campo Mártires da Pátria podem ser oriundas do Técnico. As voltas que a vida dá. E podem estar escondidas e não à vista.&lt;br /&gt;Uma chavala discute com o chulo. Amuos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37794330-8896521391365000233?l=sexonanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sexonanoite.blogspot.com/feeds/8896521391365000233/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37794330&amp;postID=8896521391365000233&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/8896521391365000233'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/8896521391365000233'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sexonanoite.blogspot.com/2007/07/6-de-novembro.html' title='6 de Novembro de 2004'/><author><name>Luís Graça (Dick Hard / Von Grazen)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15302192874180431145</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/buga32/luis.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37794330.post-8992041263784195645</id><published>2007-07-22T13:39:00.000+01:00</published><updated>2007-07-22T13:43:45.236+01:00</updated><title type='text'>5 de Novembro de 2004</title><content type='html'>159 anos de Academia Recreio Artístico&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordo mais recuperado. Vou ao Holmes nadar um bocadinho. Depois vou buscar as cópias das fotos da BD. Almoço. Sigo para a Academia Recreio Artístico, velha de 159 anos.&lt;br /&gt;Reencontro um amigo do DN-Jovem. Um poeta da Tertúlia Rio de Prata teve um incêndio em casa e está com o braço todo entrapado. Eu a leste da notícia velha de dois meses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabo na mesa do lançamento, a estrear uma gravata que uma amiga me deu pelo aniversário, em tons de cinza. Bastante bonita, por sinal. Tiro fotos aos poetas. Acabo a jantar com o amigo do DN-Jovem e com o Fernando Grade, que me apresenta a última revista literária Viola Delta, com uma porradaria de poetas, como habitual.&lt;br /&gt;Levo um livro do Teixeira de Pascoaes para um bar de amigos, no Bairro Alto.&lt;br /&gt;Desço em missão até ao Cais do Sodré. O tal inquérito dos preços. Sabem como é. Já tirei a gravata, estou de mala às costas e um ar animado. Tinha dormido bem.&lt;br /&gt;Ao pé do “Niagara”, pergunto a uma senhora loura:&lt;br /&gt;— Quanto são os “beijinhos”?&lt;br /&gt;— 50 euros.&lt;br /&gt;É a inflação! Não fiquei nada convencido.&lt;br /&gt;Dou uma volta por ali. Do outro lado da rua, está uma pérola de ébano de meia-idade, com um ar muito civilizado, nada de aspecto de puta reles.&lt;br /&gt;— Quanto são os beijinhos?&lt;br /&gt;— Faço beijinhos e depois foder, na cama, com camisinha. São 25 euros.&lt;br /&gt;Agradeço. Havia ali muito calor humano. O diálogo ocorreu de forma muito cordata, como se eu tivesse pedido um galão e um croissant numa pastelaria de um amigo.&lt;br /&gt;Estou cansado. Apanho um táxi para o Galeto. O motorista conta-me umas histórias giras, sobre a juventude de hoje.&lt;br /&gt;— O senhor nem queira saber como isto anda. Duas miúdas lá atrás e uma delas a dizer para a outra: “Apetecia-me e a ele também. Mas não tinha camisinhas, por isso não houve nada”.&lt;br /&gt;— Ao menos essa teve juízo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;03h - Saio do Galeto, depois do reabastecimento. Volta ao Técnico, antes de ir para casa. Contagem oficial: 12 pedestres, duas auto-putas.&lt;br /&gt;Uma pedestre pérola de ébano chama-me, aí na meia-distância de uns 15 metros. Vou lá, com toda a calma.&lt;br /&gt;E ela: “Vamos?”&lt;br /&gt;Eu (adivinhem lá a pergunta): “Quanto são os beijinhos?”.&lt;br /&gt;Percebi 95 e assustei-me com a inflação e a desigualdade de critérios. Mas ela fala um misto de português e espanhol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu: Quanto? 95?&lt;br /&gt;Ela: 25.&lt;br /&gt;Eu: Obrigado. Não tenho.&lt;br /&gt;Ela: Quanto tienes?&lt;br /&gt;Eu (para dar uma saída airosa): 5 (faço sinal com a mão).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuo o meu périplo. Na outra esquina estão dois gajos num Smart a invectivar uma pérola de ébano, que se mantém impassível:&lt;br /&gt;—  Diga lá, fode bem ou não fode?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37794330-8992041263784195645?l=sexonanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sexonanoite.blogspot.com/feeds/8992041263784195645/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37794330&amp;postID=8992041263784195645&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/8992041263784195645'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/8992041263784195645'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sexonanoite.blogspot.com/2007/07/5-de-novembro-de-2004.html' title='5 de Novembro de 2004'/><author><name>Luís Graça (Dick Hard / Von Grazen)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15302192874180431145</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/buga32/luis.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37794330.post-5011101268757984938</id><published>2007-07-16T13:15:00.000+01:00</published><updated>2007-07-16T13:18:08.252+01:00</updated><title type='text'>4 de Novembro de 2004</title><content type='html'>Na BD da Amadora&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, decido-me. Vou ver a exposição de BD. Até aí ainda nem tinha olhado para as pranchas. E nos últimos dias vai estar impossível. Os problemas com as portas automáticas da estação de Metro da Falagueira continuam. Quando chego, há um tipo a ameaçar com uma carta para a Administração.&lt;br /&gt;Quando acabo de ver a exposição, olho para o Estugarda-Benfica. Os lampiões estão a perder 1-0. O jogo está fraco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Regresso a casa. Tenho um encontro marcado com um amigo, para as 19 horas. Ele telefona-me para o telemóvel:&lt;br /&gt;— Finalmente, pá! Estou há horas a tentar!&lt;br /&gt;— Não há rede na BD, pá!&lt;br /&gt;— Se estavas na Amadora podias ter vindo aqui a casa.&lt;br /&gt;— Deixa lá. Encontramo-nos agora.&lt;br /&gt;— O Sporting é só às 21 horas. Só vou ter contigo mais tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Digo que sim. Aproveito para ir à sex-shop da Praça do Chile. Compro um vibrador em forma de massaroca para uma amiga boa como o milho, passe o trocadilho fácil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;21h30m - Estou a jantar no “Twister”, a ver o Sporting-Panonios. Adormeço várias vezes a ver o jogo.&lt;br /&gt;O meu amigo: “Pá, vai dormir. Eu vou para casa ver a segunda parte”.&lt;br /&gt;Deixou-me na Gulbenkian, para eu andar um bocado antes de ir para a cama. Comi bastante ao jantar. O Sporting lá ganha, mas quanto a qualidade de futebol...&lt;br /&gt;Vou para a cama às 00h10m. Acordo à 01h36m. Até às 03h40m fico às voltas na cama, tentando voltar ao sono. Meto um Kainever e meio e espero que faça efeito.&lt;br /&gt;Tenho de ter um mínimo de bom aspecto no lançamento do dia seguinte, do livro do Teixeira de Pascoaes. Vai estar lá uma miúda muito querida, que se pôs a dizer que eu estava muito charmoso no lançamento do “Fadas Láureas”, do Luís Louro.&lt;br /&gt;O charmoso estava com umas olheiras à Lon Chaney.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37794330-5011101268757984938?l=sexonanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sexonanoite.blogspot.com/feeds/5011101268757984938/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37794330&amp;postID=5011101268757984938&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/5011101268757984938'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/5011101268757984938'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sexonanoite.blogspot.com/2007/07/4-de-novembro-de-2004.html' title='4 de Novembro de 2004'/><author><name>Luís Graça (Dick Hard / Von Grazen)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15302192874180431145</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/buga32/luis.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37794330.post-5942323606825372612</id><published>2007-07-08T01:21:00.000+01:00</published><updated>2007-07-08T01:22:13.466+01:00</updated><title type='text'>3 de Novembro de 2004</title><content type='html'>Falho o Villa-Matas sem culpa nenhuma&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leio no DN que o Enrique Villa-Matas vai à Casa Fernando Pessoa, ao final da tarde. Dou com o nariz na porta. Era no dia seguinte. Estou mesmo a ver que alguém publicou a notícia um dia antes do previsto.&lt;br /&gt;Sigo com calma para o pavilhão do Restelo. O Belém joga basket com uns checos. Como três pastéis de Belém e bebo uma Trina de maçã. Mesmo na subida para o pavilhão está uma miúda a atacar. Já agora, pergunto o preço. São 20 horas e picos.&lt;br /&gt;— Desculpe, a quanto são os beijinhos?&lt;br /&gt;— Beijinho é a dez euros.&lt;br /&gt;A miúda pressupõe que eu vou com ela e começa a deslocar-se para um canto escuro, dez metros acima. Esclareço que vou ao basket e que era só para saber. Não ficou muito chateada. Reparem no preciosismo técnico: ela utilizou o termo “beijinho” e não “beijinhos”, como em ocasiões anteriores dos meus inquéritos.&lt;br /&gt;Adormeço a ver o jogo na bancada de Imprensa.O meu amigo Barros, do Record, acorda-me:&lt;br /&gt;— Então, pá?&lt;br /&gt;Fico desperto e assisto à primeira vitória do Belém na Europa, por dois emocionantes pontos. Depois vou jantar ao D. João V, com um amigo jornalista.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37794330-5942323606825372612?l=sexonanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sexonanoite.blogspot.com/feeds/5942323606825372612/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37794330&amp;postID=5942323606825372612&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/5942323606825372612'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/5942323606825372612'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sexonanoite.blogspot.com/2007/07/3-de-novembro-de-2004.html' title='3 de Novembro de 2004'/><author><name>Luís Graça (Dick Hard / Von Grazen)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15302192874180431145</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/buga32/luis.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37794330.post-9075010669458723967</id><published>2007-07-01T18:41:00.000+01:00</published><updated>2007-07-01T18:42:29.577+01:00</updated><title type='text'>2 de Novembro de 2004</title><content type='html'>Mais uma dose de derrotas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começo o campeonato de pingue-pongue do Inatel. Na III Divisão. Não há mais baixo. Inicio a minha prestação com duas derrotas equilibradas e frustrantes, após dez meses sem pegar na raqueta.&lt;br /&gt;Regresso a casa e vejo o “Cabaret da Coxa”. O Júlio Isidro porta-se a grande altura. Observo alguns resumos da Liga dos Campeões. A coisa está mesmo de chuva para o FC Porto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37794330-9075010669458723967?l=sexonanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sexonanoite.blogspot.com/feeds/9075010669458723967/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37794330&amp;postID=9075010669458723967&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/9075010669458723967'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/9075010669458723967'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sexonanoite.blogspot.com/2007/07/2-de-novembro-de-2004.html' title='2 de Novembro de 2004'/><author><name>Luís Graça (Dick Hard / Von Grazen)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15302192874180431145</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/buga32/luis.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37794330.post-3751151257782862981</id><published>2007-06-23T15:50:00.000+01:00</published><updated>2007-06-23T15:52:36.787+01:00</updated><title type='text'>1 de Novembro de 2004</title><content type='html'>Vou dar os parabéns ao meu amigo Lemos. Ofereço-lhe um poster do André Carrilho. Quase me esqueço de ver “Os sopranos”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37794330-3751151257782862981?l=sexonanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sexonanoite.blogspot.com/feeds/3751151257782862981/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37794330&amp;postID=3751151257782862981&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/3751151257782862981'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/3751151257782862981'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sexonanoite.blogspot.com/2007/06/1-de-novembro-de-2004.html' title='1 de Novembro de 2004'/><author><name>Luís Graça (Dick Hard / Von Grazen)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15302192874180431145</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/buga32/luis.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37794330.post-9038071673234036910</id><published>2007-06-18T01:22:00.000+01:00</published><updated>2007-06-18T01:23:19.034+01:00</updated><title type='text'>31 de Outubro de 2004</title><content type='html'>Faço anos no Dia das Bruxas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;05h10m - Acordo abruptamente. Tenho sede. Bebo um gole de água. Olho para o relógio. Fico abatido, mas nem por isso muito surpreendido. É assim com os esgotamentos. Sobe a criatividade, diminuem a capacidade de dormir, a atenção, a concentração, a memória. Aumenta a irritabilidade, ficamos hipersensíveis, com as emoções à flor da pele.&lt;br /&gt;Dormi três horas, a seguir a uma “directa”!&lt;br /&gt;Ponho-me a ler os jornais, um bocadinho.&lt;br /&gt;Tento dormir outra vez. Fico na cama mais umas horas, para descansar os músculos.&lt;br /&gt;Saio da cama, estou cheio de fome. Como vários iogurtes. Depois levo o material de banho para o Holmes Place. Antes disso compro os jornais todos a triplicar na loja de conveniência. Para mim, para o Rui Brito e para o Rabo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem dei pela mudança da hora! Chego com 40 minutos de avanço ao Holmes e não posso entrar, claro. Há mais gente enganada, que vai dar uma volta. Eu fico sentado num pequeno pilar de cimento, a ver as notícias sobre o Rabo. A mais bem escrita é a do JN, com texto e fotos de Rui Bondoso.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;10h15m - Ponho-me a nadar na piscina e encontro um amigo, a quem conto as aventuras e desventuras do dia anterior. Faço jacuzzi e sauna. Volto a casa e resolvo tirar fotocópias aos jornais. Para afixar na banca da POLVO, a fazer publicidade ao prémio do Miguel Rocha e a alertar para o facto do Rabo dar autógrafos da parte da tarde, na Amadora.&lt;br /&gt;À conta das fotocópias só vejo a última volta do último Moto GP da temporada. O Rossi é mesmo o maior! Encerrou a época em beleza!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;14 horas - Apanho o Rabo e os outros autores na “Taverna do Visconde”, na Amadora, onde somos sempre bem tratados. Como umas lulas porreiras e falho o cabrito porque a malta toda está já a sair. É importante dar apoio ao Rabo. No dia dos meus anos estou de oficial de dia ao Rabo.&lt;br /&gt;Na zona dos autógrafos está um calor dos diabos e não há rede.&lt;br /&gt;O Rabo fica a tarde toda a dar-lhe com intensidade. O Rui Brito vai controlando a situação, com viagens frequentes entre o stand da Polvo e a zona dos autógrafos.&lt;br /&gt;A minha prima Xana vem dar-me os parabéns. Oferece-me uma T-shirt com uma frase do Damião de Góis, um CD do Birelli Lagrènne (que vi há muitos anos no Franco-Português) e “Os 50 poemas do amor furtivo”, com introdução e versões do poeta Jorge de Sousa Braga, um dos meus ídolos, que ainda não calhou conhecer pessoalmente.&lt;br /&gt;À noite vamos ao jantar-volante do auditório da Câmara Municipal da Amadora, onde tudo começou para a BD há uns 17 anos e onde conheci o grande Morris, do Lucky Luke, numa sessão com uns 30 amantes de BD.&lt;br /&gt;Finalmente, começam a chover telefonemas de aniversário. Malta a queixar-de de não conseguir falar-me. Explico-me com a falta de rede. Quando dou por mim, quase não há comida. Vingo-me com cinco fatias de bola de carne, por acaso porreira. E no tintol alentejano de boa escolha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sento-me na escadaria, com o Derradé, a Luísa Louro, quem calha. Não estou com “directa” em cima, mas mesmo assim já se nota o cansaço. E a consciência tranquila do dever cumprido, na dupla missão de amigo e anfitrião do Rabo.&lt;br /&gt;Dou-lhe um exemplar autografado da obra de homenagem ao Teixeira de Pascoaes, pelos escritores da Tertúlia Rio de Prata e convidados. O meu poema chama-se “A montanha mágica”. É um livro fresquinho, acabadinho de sair. O Rabo é o primeiro a recebê-lo.&lt;br /&gt;Despeço-me do Rabo, que me aconselha a dormir.&lt;br /&gt;— Olha lá, mas tu achas que eu colecciono esgotamentos? Achas que é voluntário?&lt;br /&gt;O Rabo sorri. Lançámos mais uma pequena âncora na nossa amizade, nascida há precisamente um ano, na “Taverna do Visconde”.&lt;br /&gt;Saio com o Rui Brito, que me recebe na casa dele e me oferece chá de hortelã, bolo de iogurte e aletria doce. O Rui está estoirado e adormece ao vivo e em directo.&lt;br /&gt;Acorda para me levar a casa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37794330-9038071673234036910?l=sexonanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sexonanoite.blogspot.com/feeds/9038071673234036910/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37794330&amp;postID=9038071673234036910&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/9038071673234036910'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/9038071673234036910'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sexonanoite.blogspot.com/2007/06/31-de-outubro-de-2004.html' title='31 de Outubro de 2004'/><author><name>Luís Graça (Dick Hard / Von Grazen)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15302192874180431145</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/buga32/luis.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37794330.post-6481411409948952061</id><published>2007-06-10T15:04:00.000+01:00</published><updated>2007-06-10T15:11:43.958+01:00</updated><title type='text'>30 de Outubro de 2004</title><content type='html'>Viseu, abram alas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Rui Brito vem-me buscar a casa, pelas 8h45m.Estou com uma directa de insónias em cima, mas nesta fase nem estou mal, depois do duche. Seguimos para o Campo Grande, até ao hotel do Alvarez Rabo.&lt;br /&gt;No átrio estão umas modelos a debater o trabalho. Mal o Rabo desce, trocamos um grande abraço e sorrisos cúmplices. O Rabo dá-me a segunda parte dos “Consejos Sexuales de Alvarez Rabo” (53% inédito) e eu retribuo com o último livro do Luís Afonso, especialmente autografado para o Rabo. O Rabo não conhece o Luís Afonso. Fico satisfeito por poder divulgar um dos nossos maiores nomes.&lt;br /&gt;O trânsito está muito mau. Chove. Pomos o Rabo a par das últimas de Viseu e das tentativas de boicotar o livro. O Rabo entra em contacto com a rádio para onde faz crónicas.&lt;br /&gt;Chegamos a Viseu em cima das 14 horas e almoçamos na “Congolesa”, que tem a atenção de custear a refeição aos escritores malditos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;14.45m - Marchamos decididos para dentro das Galerias Ícaro. Ficamos no átrio em frente à Livraria Polvo. A Comunicação Social (JN, Público, CM, SIC e órgãos da região de Viseu) cai em cima do Rabo, que defende veementemente a liberdade de expressão. Eu estou ao lado dele, com uma camisola de hóquei no gelo dos Calgary Flames. Tem lógica. Vou dar autógrafos no “De boas erecções está o Inferno cheio”. É tudo chama. Por baixo visto uma sweat-shirt comprada em Le Mans por um amigo meu, que ma ofereceu como presente de aniversário.&lt;br /&gt;Vendo quatro livros. Quem compra, compra aos pares. Um dos compradores é já um amigo da livraria, que se estreia connosco (eu e o Rabo, claro) em sessões de autógrafos.&lt;br /&gt;Quando acaba a sessão de autógrafos, vamos ver a livraria e tirar fotos. Sabemos que é um dia histórico e a malta da livraria de Viseu merece o nosso apoio, depois de estar a levar com uma cidade que ainda não decidiu se quer viver no século XIX ou no século XX.&lt;br /&gt;Os contornos da tentativa de boicote ao livro são ainda mais sinistros do que eu pensava. É óbvio que somos vítimas do poder local. Instrumentalizaram a questão e vieram “marrar” logo com as “formiguinhas” que se dedicam à literatura com paixão. Em vez de uma medalha de mérito cultural por abrirmos a terceira livraria de Viseu, levamos com os tribunais. É bem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;22 horas - Chego ao jantar oficial e volante que se segue aos prémios do FIBDA (Festival Internacional de BD da Amadora, já tinha dito, não tinha?). Estou a modos que a flutuar, com a “directa”. Tudo me parece um bocado cinzento. Mas a malta da BD é fixe e ninguém estranha que eu vista uma camisola de hóquei sobre o gelo. Querem saber que tal correram as coisas em Viseu. Toda a gente acha que a publicidade que nos estão a fazer é coisa a valorizar.&lt;br /&gt;Opto por comer bacalhau com natas e avio dois pratos.&lt;br /&gt;A moral está mais animadita com os dois prémios para a POLVO: melhor álbum e melhor desenho para o Miguel Rocha, com “Beterraba, a vida numa colher”. Devia ser um dia de profunda alegria para a malta da POLVO. Sessão de autógrafos em Viseu, prémios na Amadora. Mas o desgaste físico e psicológico deixa marcas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;23.15h – O Rui faz-se outra vez à estrada. Vamos à Sobreda da Caparica, buscar os novos livros do Rabo (Anal-fabetos), que têm de estar disponíveis para autógrafos no dia seguinte.&lt;br /&gt;Eu olho para os cruzamentos e parecem-me todos iguais. Chove. A “directa” está agora a massacrar-me. Só penso em ir para a cama. A minha voz está grave. O cansaço acalma-me os nervos. Sinto as olheiras a gritar cactos de desânimo.&lt;br /&gt;Ao bater da meia-noite o Rui deixa-me em casa. Leio-lhe uns poemas bem comportados que tinha levado para Viseu. Um deles, “Young at heart”, é um hino à liberdade de expressão. Acabei por não o declamar em Viseu, porque não havia clima para isso. Não havia ninguém a insultar-nos, por isso não valeu a pena.&lt;br /&gt;Ele fica espantado com o registo tão diferente dos poemas do “De boas erecções está o Inferno cheio”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;00h15m – Recebo o primeiro telefonema a felicitar-me pelo meu aniversário. É uma amiga da Comunidade de Leitores. Conto-lhes as nossas desventuras.&lt;br /&gt;Tomo um pouco de chá. Não sei se vomite ou não. É do bacalhau ou da exaustão?&lt;br /&gt;Vou para a cama pelas 2 da manhã. Para mim é muito cedo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37794330-6481411409948952061?l=sexonanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sexonanoite.blogspot.com/feeds/6481411409948952061/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37794330&amp;postID=6481411409948952061&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/6481411409948952061'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/6481411409948952061'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sexonanoite.blogspot.com/2007/06/30-de-outubro-de-2004.html' title='30 de Outubro de 2004'/><author><name>Luís Graça (Dick Hard / Von Grazen)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15302192874180431145</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/buga32/luis.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37794330.post-5433363851934017977</id><published>2007-06-04T19:57:00.000+01:00</published><updated>2007-06-04T19:58:57.949+01:00</updated><title type='text'>29 de Outubro de 2004</title><content type='html'>Parto-me todo e não durmo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou para o Holmes partir-me todo, para ver se durmo sem “bombas”. Faço uma RPM de alto lá com elas (sete homens, duas miúdas), vou nadar, faço sauna e jacuzzi. E mesmo assim não dormi.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37794330-5433363851934017977?l=sexonanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sexonanoite.blogspot.com/feeds/5433363851934017977/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37794330&amp;postID=5433363851934017977&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/5433363851934017977'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/5433363851934017977'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sexonanoite.blogspot.com/2007/06/29-de-outubro-de-2004.html' title='29 de Outubro de 2004'/><author><name>Luís Graça (Dick Hard / Von Grazen)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15302192874180431145</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/buga32/luis.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37794330.post-910837979159079449</id><published>2007-05-28T00:56:00.001+01:00</published><updated>2007-05-28T00:56:44.261+01:00</updated><title type='text'>28 de Outubro de 2004</title><content type='html'>Holmes Place: 100 visitas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Compareço pela 100ª vez no Holmes Place, desde que me inscrevi, em Fevereiro. Sou dos primeiros sócios a chegar às 100 presenças. Fico lixado por me ter esquecido de contabilizar a situação. Queria levar um bolo, de surpresa. Prometo festejar a efeméride em 11 de Novembro, dia de S. Martinho.&lt;br /&gt;Com os sonos trocados e já em pleno vórtice de mais um esgotamento, esqueço-me da touca de banho e dos chinelos. Largo 7 euros por outra touca e tomo banho de peúgas.&lt;br /&gt;Em vésperas de fim-de-semana prolongado, a hidroginástica estava muito sessão privada. Três mulheres e dois homens. O Carlos veio de automóvel do Porto, chegou a Lisboa 15 minutos antes e veio para a água. Aí, valente!&lt;br /&gt;Eu faltei a um recital do Diogo Dória na Casa Fernando Pessoa, à mesma hora. Mas optei pela hidroginástica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falo com um editor da Oficina do Livro e avisam-me de que o registo humorístico não é o mais adequado para este livro. Boa malha! Ainda só tinha escrito 160 mil caracteres! Custa alguma coisa começar tudo de novo?&lt;br /&gt;Por acaso até custa. De molde que este livro já não é da Oficina do Livro. Nesta altura do campeonato não faço ideia de quem o vai editar. Mas estou convicto de que ele vai sair.&lt;br /&gt;À noite, vejo a Marisa Cruz no “Cabaret da Coxa” e o pessoal amigo do Gato Fedorento no “Homem que mordeu o cão”.&lt;br /&gt;Telefono ao Rui Brito e combina-se a ida até Viseu, com o Rabo, para os autógrafos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37794330-910837979159079449?l=sexonanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sexonanoite.blogspot.com/feeds/910837979159079449/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37794330&amp;postID=910837979159079449&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/910837979159079449'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/910837979159079449'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sexonanoite.blogspot.com/2007/05/28-de-outubro-de-2004.html' title='28 de Outubro de 2004'/><author><name>Luís Graça (Dick Hard / Von Grazen)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15302192874180431145</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/buga32/luis.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37794330.post-2188624720970039699</id><published>2007-05-22T13:07:00.000+01:00</published><updated>2007-05-22T13:13:22.544+01:00</updated><title type='text'>25 de Outubro de 2004</title><content type='html'>O que é o sexo oral?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Artilharia Um e Adjacentes, 21  Técnico, 24&lt;br /&gt;(putas de serviço nas respectivas zonas)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foda-se! Caralho! Já não se pode ser bem educado. E a língua portuguesa está pelas ruas da amargura.&lt;br /&gt;Andei hoje a perguntar preços de sexo oral ali na zona da Artilharia Um e liceu Maria Amália Vaz de Carvalho. E na Defensores de Chaves.&lt;br /&gt;Parece que só conhecem o termo “beijinhos”. Olha que puta de situação! Um gajo quer ser bem educado e leva com um número destes!&lt;br /&gt;Então na Volta a França é o delírio. Se os “beijinhos” são sexo oral, os ciclistas que sobem ao pódio levam com três broches de cada vez?&lt;br /&gt;E se eu perguntar a uma puta quanto é o broche ela manda-me para uma ourivesaria? Só percebe “beijinhos”? Mas se me aparecer uma stripper num clube e me perguntar “posso dar-lhe um beijinho?”, sabem o que acontece se eu abrir a braguilha? Vou logo com os pigs! No “Maybe” até têm umas coisinhas de papel em cima das mesas a dizer que se infringirmos os regulamentos arriscamo-nos a uma saída rápida. Em português e inglês.&lt;br /&gt;Nem pensem que eu estou a inventar. Vou começar pelo princípio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;01h da madrugada (já é dia 26, mas vocês sabem como é que isto funciona comigo. Antes de me deitar é sempre o dia anterior) - Um dos roteiros obrigatórios da noite lisboeta é na clássica Artilharia Um, onde as putas fazem fogo à vontade mesmo ao pé da casa do Jorgito. Sim, do Jorgito. Do Sampaio. Qual Sampaio? Não é o dos Bilhares Sampaio, olha que caralho! O Jorge Sampaio, o presidente de todos os portugueses. Bem, meu não é, que eu voto nulo desde 1983 e estou muito feliz com isso. Com o meu voto nunca! Não sou dos que dizem que eles são todos iguais. Isso seria impossível. Estão é a ficar cada vez mais estúpidos a cada dia que passa.&lt;br /&gt;(EMBORA AÍ, CLASSE POLÍTICA, PROCESSEM-ME! SÓ UM, POR FAVOR! NECESSITO DE TODA A PUBLICIDADE. AVISO À NAVEGAÇÃO: TENHO AMIGOS DE INFÂNCIA NOS HOMICÍDIOS DA PJ, CASO SE LEMBREM DE EU TER UM ACIDENTE)&lt;br /&gt;Bem, resolvo atravessar o Parque Eduardo VII, ao pé do jardim Amália Rodrigues, em frente ao super-caralho do Cutileiro, que se esporrava alegremente na noite lisboeta, a apontar o céu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disse-me um familiar que a noite ia ser de grande temporal, de modo que saí de casa de chapéu-de-chuva. Por acaso estava uma noite magnífica, mas um chapéu-de-chuva é maior do que uma naifa. Numa de atravessar o Parque à noite dá sempre jeito.&lt;br /&gt;Mas como não sou um super-herói de poderes mágicos, se me aparecer um gandim e me meter um fogante na boca (“Olha, chupa aí um bocadinho e já agora passa para cá o telelé e outras coisas giras de que te lembres, tipo carteira, relógio e demais minudências e utilidades”) eu fico-me.&lt;br /&gt;Então, lembrei-me: desliguei o telelé e meti nos boxers “Decameron” (não fui eu que escolhi a marca, deram-me, e até são confortáveis, o que é que foi, seus paneleiros e paneleiras, leitores da tanga), na zona do cu. O relógio da colecção Berardo do Tintim, que a minha prima me deu de presente de aniversário, foi para as adjacências do tomate direito. E o cartão multibanco para as adjacências do tomate esquerdo. Não fiquei lá muito confortável, mas dava para andar na boa.&lt;br /&gt;Para me roubarem, tinham de me apalpar muito. E supondo que fosse uma assaltante, pelo menos teria algum prazer. No caso de ser um homem, quem sabe se não se procederia a um novo rumo na minha orientação sexual. Ou como dizia o meu amigo Marujo, quando lhe apalpavam a bilha na reinação: “Tens meia-hora para tirar daí a mão!”.&lt;br /&gt;Já atravessei aquela zona do Parque, de madrugada, com o coração a bater ao ritmo da bateria de Acácio Salero, André Sousa Machado ou Cindy Blackman. Como estava imbuído de espírito de missão (se me assaltarem é pela literatura, não me posso cortar), estava estranhamente calmo. Calmo mas vigilante! Não, brincas! Parecia um camaleão a olhar para todo o lado, atento a todos os sons. E Lisboa tão linda, o céu tão suave, tão poético.&lt;br /&gt;Chavais a atacar: um, para amostra. Passo ao lado do carro de um senhor de meia-idade, de boné de beisebol, a negociar com o chaval. Não chegam a acordo. Imagino que o homem pode fazer-se ao meu piso. O carro passa por mim lentamente. Ainda penso: vou fingir que também ando nisto e pedir 1000 euros. Se o homem se espantar, digo logo: é a minha primeira vez, o jornalismo está fodido, eu gosto de mulheres e além disso era a brincar.&lt;br /&gt;O carro segue. Antes assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Rua D. Francisco Manuel de Melo está uma chavala portuguesa em alarido, a desabafar com o seu chulo. Não sei qual era o problema, mas ela estava chateada. Passo para a Artilharia Um. Tenho de caminhar debaixo de uns andaimes. Vejo uns pés na esquina. Gajo escondido para me fazer a folha? Preparo a carabina do coronel Clifton e avanço (o chapéu de chuva do coronel Clifton disparava uns 15 tiros, nas BDs da revista Tintim. Quem conhece, parabéns, muitas felicidades. Quanto aos putos estúpidos que só lêem Manga e Comics, vão levar na bilha, seus atrasados mentóis da pior espécie! Já basta o tempo que perdi a discutir o tema no site Centralcomics) Afinal era paneleiro. Um “arrebenta”, diz-se na gíria. Mas era um “arrebenta” com um ar infeliz.&lt;br /&gt;Corto à esquerda e ouço duas putas da velha guarda a desabafar, com um ar tremendamente abatido: “Elas fazem beijinhos e é o que eles querem”. Concluo: estas não fazem broche. Só fodem. Recado ao Alvarez Rabo: estás a ver, Alfredo, afinal estas mulheres gostam de foder. Não gostam é de fazer broche. Broche é como quem diz: “beijinhos”.&lt;br /&gt;A saga começou aqui, pela 1 e 10 da matina. Artilharia Um abaixo, só mais uma puta. Corto à esquerda e volto para cima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 e 15 - esquina ascendende do Maria Amália. Uma chavala mesmo gira conversa com uma puta da velha guarda.&lt;br /&gt;“Ele era um rapazinho com um ar tão jeitoso, tive pena...”, dizia a miúda nova, que não tinha mesmo pinta de puta e é daquelas queridonas por quem um tipo se podia apaixonar. Queria ouvir a conversa, mas não dava para ficar ali a olhar para elas. Pensei: que truque vou usar para meter conversa, a ver o que dá, de forma espontânea?&lt;br /&gt;Pus-me a mirar a frontaria do Maria Amália (mas antes da entrada, onde está escrito o nome), voltei para trás e disse-lhes:&lt;br /&gt;— Desculpem, este é o liceu Maria Amália ou Maria Amélia?&lt;br /&gt;E a chavalinha, muito solícita, muito simpática:&lt;br /&gt;— É Maria Amália.&lt;br /&gt;Insisto:&lt;br /&gt;— E não tem outro nome?&lt;br /&gt;A mais velha:&lt;br /&gt;— Maria Amália Vaz de Carvalho.&lt;br /&gt;— Então onde é que é o Maria Amélia?&lt;br /&gt;— Em Alvalade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faço de conta que penso:&lt;br /&gt;— É aquele ao pé da Eugénio dos Santos?&lt;br /&gt;A mais nova:&lt;br /&gt;— É uma transversal da Av. Roma.&lt;br /&gt;— Estou bem longe. Confundi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dou boa-noite e sigo. Elas não meteram mais conversa. Se metessem, eu perguntava os preços, como quem não quer a coisa. Não deu, olha, não deu. Mas fico com a chavalinha bonita atravessada no cérebro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1h30m - Subo. Um táxi dá a volta ao quarteirão. Duas putas na esquina. Portugas.&lt;br /&gt;Puta 1 — Foda-se para o fogareiro, anda para aqui às voltas há que tempos!&lt;br /&gt;Um gajo da stand-up comedy tem de saber aproveitar a deixa. Salto logo a terreiro para meter conversa:&lt;br /&gt;— Se calhar anda a treinar para as 24 horas de Le Mans!&lt;br /&gt;Puta 1 — Foda-se para o homem!&lt;br /&gt;Eu (posso ser a Puta 3, se os leitores quiserem, para facilitar a leitura) – A pé também eu ando, mas gasto menos gasosa. &lt;br /&gt;Puta 2 — Pois é, lá isso é verdade.&lt;br /&gt;Puta 3 — Então boa-noite.&lt;br /&gt;Puta 1 — Boa-noite.&lt;br /&gt;Puta 2 — Tchau.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais umas voltas. Na rua Marquês da Subserra (grande nome para o filme “Massacre no Texas”, Vrrr,vrrr,vrrr) três putas estão sentadas no chão. Li uma vez no “Tal e Qual” que a zona estava com umas boazonas ucranianas e russas. Não dou por nada. Parece tudo português.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1h35m - Percebo que tenho de perder a timidez e perguntar preços. Vejo uma chavala com bom ar numa esquina (Av. Padre António Vieira? Não sei, por ali...) e “amando-me”:&lt;br /&gt;—  Boa-noite. Posso fazer uma pergunta.&lt;br /&gt;Diz que sim com a cabeça.&lt;br /&gt;Puta 3 — Quanto é o sexo oral?&lt;br /&gt;Olha para mim como se eu tivesse dito que o Vítor Baía não dá frangos, o professor Martelo não gosta de intriga política e Portugal é um país sereno e de grande prosperidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela — “Beijinhos” ?...&lt;br /&gt;Puta 3 (para os mais esquecidos, ainda sou eu) — Sim. Não sabia? Não se usa o termo aqui?&lt;br /&gt;Ela (sorri) — Não. É “beijinhos”.&lt;br /&gt;Tem um sotaque de mel. É uma brasileira pequenina, morena, de sorriso lindo, bem arranjada.&lt;br /&gt;Puta 3 — E quanto são os “beijinhos”?&lt;br /&gt;Ela — 20.&lt;br /&gt;Puta 33 (ainda sou eu, mas gramava o Larry Bird, dos Celtics de Boston) — 20 euros?&lt;br /&gt;Ela — Sim.&lt;br /&gt;Sorrio. Muito obrigado, boa-noite. Ela sorri de volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1h37m — Continuo a subir. Resolvo comparar preços. Pergunto a uma pérola de ébano que está na esquina:&lt;br /&gt;— Quanto é o sexo oral?&lt;br /&gt;Ela: 15 euros.&lt;br /&gt;Puta 99 (sou eu, em homenagem ao Wayne Gretzky, não tem nada a ver com o número do Baía, esse ganda frangueiro que levou com um sombrero do Poborsky no Euro-1996) — Muito obrigado.&lt;br /&gt;Sigo. &lt;br /&gt;Então, estão a ver: no espaço de um quarteirão o sexo oral diminuiu cinco euros. Relação curiosa: a rua sobe, o preço desce. Bem, a brasileira era bem mais gira, diga-se a verdade. Mas quem vê caras não vê bocas a trabalhar.&lt;br /&gt;Corto à direita, já na avenida que desce paralela ao Parque, na rua onde o Lobo Antunes pôs a casa de um personagem. Creio que no “Manual dos Inquisidores”. Ou em “O esplendor de Portugal?”. Ai esta carola...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1h43m - Corto à direita no Meridien. Tem um Porsche prateado parado à porta que nem vos digo nem vos conto. Recuo dois passos, para ver o nome do modelo no cu do bichano. Olha, népias, nestum, néribi, niente. Atão isto é assim? Já não há nome do modelo no cu do animal? A tradição já não é o que era. Ó pessoal de Estugarda, vamos lá a atinar!&lt;br /&gt;Um grupo de gajos a falar bem inglês (país de expressão inglesa, por certo) vem por ali abaixo, a regressar ao hotel, por certo. Três homens e uma senhora alta, trintas e tais.&lt;br /&gt;Ela — Venha tomar uma bebida.&lt;br /&gt;Ele — Não, obrigado.&lt;br /&gt;Ela — Não quer mesmo tomar uma bebida agora?&lt;br /&gt;Ele — Vamos ver como se porta amanhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pistas para o leitor, fornecidas pelo idiota do Puta 22 (número do carro do Jacky Ickx que está no poster do meu quarto, um Ensign de 1976 ou 1977):&lt;br /&gt;— A gaja querida foder com o chefe, para subir na carreira.&lt;br /&gt;— O gajo não é chefe dela, mas ela não lhe dá pica.&lt;br /&gt;— Ela dá-lhe pica, mas o gajo está armado em castigador.&lt;br /&gt;— A gaja está bêbeda e o gajo não quer sarilhos.&lt;br /&gt;— O gajo não quer testemunhas, deixa os colegas subirem para o quarto e depois vai telefonar para o quarto dela.&lt;br /&gt;— Eu sou tarado sexual e vejo foda por tudo quanto é sítio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Por acaso é verdade. Eles a regressarem ao hotel, ela toda melosa, “Não quer tomar uma bebida?”. Ó Luís, tás parvo, homem, as tuas teorias estavam certas)&lt;br /&gt;(Quem está aí?)&lt;br /&gt;(Sou o teu heterónimo Dick Hard, Luís)&lt;br /&gt;(Trata-me por Puta 22, se fazes favor)&lt;br /&gt;(Vai para o caralho, estás sempre a mudar de número)&lt;br /&gt;(Meu, estou a trabalhar)&lt;br /&gt;(Tá bem. Manda-me um mail)&lt;br /&gt;(Qual é o endereço electrónico?)&lt;br /&gt;(warmhell@quentinho.Cocas.cóm.Piggy.pt) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Subo na direcção do Maria Amália. Quero ver se encontro a miúda gira a falar com a da velha guarda. Miúda gira, iooyoo? Where are you?&lt;br /&gt;Foi-se. A da velha guarda está encostada à vedação do Maria Amália. Topa-me. E estranha a minha vinda por aquele lado. Um gajo que queria ir para Alvalade ainda anda por ali às voltas? Um gajo sem pinta de cliente? Quem será? Um Judite à paisana, com cara de tenrinho, para disfarçar?&lt;br /&gt;Em frente ao Maria Amália, uma chavala nova está a rapar desalmadamente um panfleto de pó. Coca? Cavalo? Mistério. Mas não há dúvidas. Dedo no papelinho, dedo no nariz, dedo no papelinho, dedo no nariz. A da velha guarda topa a minha aproximação e dá um conselho à Miss Snifas:&lt;br /&gt;— Não escondas.&lt;br /&gt;Mas eu ouvi. A miúda assustou-se. Olhei em frente e segui. Sou muito senhor do meu nariz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1h54m — Subo tudo até acima, para o regresso à minha zona, via Marquês da Fronteira, ao pé da penitenciária. Dou com um polícia a fazer o teste do belão ao condutor de um BMW. Tudo muito civilizado. O balão agora parece um telemóvel pequenino ou o raio que o parta.&lt;br /&gt;— O senhor nem precisa de encostar a boca. Inspire e depois aguenta-se seis segundos.&lt;br /&gt;— Assim? Sopro assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segui. À Miss Snifas não precisa o senhor agente de ensinar a inspirar.&lt;br /&gt;Marquês da Fronteira. Estou calmo. Não sinto receio nenhum. Apetece-me tirar a parafernália toda dos boxers. Mas às vezes o excesso de confiança é mau. Encosto ao quarteirão do lado esquerdo, para me afastar do Parque. Assim vejo todas as aproximações e quem quiser tem de atravessar a estrada.&lt;br /&gt;Há guindastes a laborar, mas em silêncio. A noite continua friazita, mas bonita. Tenho um blusão porreiro e não tenho frio, mas sinto as teclas do Nokia encostadas à nádega direita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Olá, daqui é o Dick Hard. Tu és uma fraude, ó puta 22! Se ainda tens o relógio na tomateira, como é que podes dar as indicações horárias de forma tão precisa?)&lt;br /&gt;(É a olhómetro, só para dar uma ideia ao leitor. Mas sei que entrei no Parque Eduardo VII à 1 da matina e saí às 2 e 35. Satisfeito?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Junto ao Departamento de Economia da Universidade Nova retiro todo o material, começando pelo cartão multibanco. O meu pénis resistiu um bocado. Queria fazer um levantamento do caralho. Olho para o relógio. Apesar dos meus irrepreensíveis hábitos de higiene, será que ficou a cheirar ao “El Negrito”? Nada. Cheira é ao cabedal da pulseira nova. O Nokia também não cheira a cu. Ligo o Nokia.&lt;br /&gt;“Não tem massagens. Dlim-Dlom”.&lt;br /&gt;Faltava-me dar a volta ao Técnico, para a habitual contagem. Deu 24. Ou seja, 22 pedestres e duas auto-putas. Na paragem do 60, uma pérola de ébano gira a mala na atmosfera e diz bastante alto, tipo ordem simpática:&lt;br /&gt;-— Vamos! Vamos! Vamos!&lt;br /&gt;Aquilo foi de tal forma que pensei que ela estava a falar com a colega, metros abaixo. Afinal era comigo.&lt;br /&gt;— Obrigado. Estou só a passear.&lt;br /&gt;Sorrisos mútuos. Ficou na boa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Regresso a casa pela Defensor de Chaves. Ainda não sei os preços na Defensor de Chaves, que conheço de ginjeira há quase 30 anos. Vou por ali fora, direcção Campo Pequeno e aproximo-me de uma puta que não ouve os meus passos (até ia a fazer bastante barulho, por acaso) e apanha um susto. Peço-lhe desculpa. Ela pede-me desculpa.&lt;br /&gt;— Ai, o senhor desculpe. É que há bocado passaram dois miúdos assim com um aspecto um bocado esquisito e eu fiquei com medo.&lt;br /&gt;— Eu é que peço desculpa. Já agora, deixe-me fazer-lhe uma pergunta: quanto é que é para o sexo oral?&lt;br /&gt;Ai o caralho! Outra vez a expressão de ver um extraterrestre. Já começo a ficar fodido com esta cena.&lt;br /&gt;— “Beijinhos”, é?&lt;br /&gt;— Ai isto é conhecido por “beijinhos”?&lt;br /&gt;Faz que sim com a cabeça. Está satisfeita por falar com um gajo simpático. O preço é dez euros. Pergunta-me se fumo. Digo que não. Que me safei na altura em que toda a gente começa a fumar. E que só comecei a beber aos 20. Agora, oficialmente, só posso beber tintol, por causa da úlcera.&lt;br /&gt;— Eu gosto muito de tinto às refeições. E um uísque, não gosta?&lt;br /&gt;— Nem por isso, embora um Jamesonzinho... era mais dos licores... sou guloso.&lt;br /&gt;Boa-noite para cá, boa-noite para lá, direcção Campo Pequeno. Regresso a casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chego a casa. Faço três ovos mexidos. Como uma banana com queijo. Espreito um programa na TV Galicia. Adoro ouvir o galego e adoro a Galiza. Quando a maré negra do “Prestige” bateu nas areias das Ilhas Cies (a 45 minutos de Vigo) eu chorei. E faltou-me a coragem de largar tudo e de ir dar uma pazada simbólica que fosse. Fiz um poema que entrou para um site galego, através do meu amigo Alberto Augusto Miranda.&lt;br /&gt;Abro a Net. Comento dois posts do Kuentro, que já têm imagens do festival de BD. É a primeira vez em 15 anos que vejo as imagens da Net antes de ver ao vivo. Sensação estranha, como se estivesse em Nova Iorque. Ponho-me na brincadeira, para variar. A malta do Kuentro percebe as private jokes. É tudo malta conhecida.&lt;br /&gt;São 6h48m. Vou ler os jornais. Não quero falhar a hidroginástica das 15h30m. É das minhas aulas favoritas. Posso chegar lá tipo zombie. Passados 45 minutos sou outra vez um homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(AVISO À NAVEGAÇÃO: não adianta fazerem-me esperas, porque entre a escrita do livro e a sua publicação os horários do Holmes mudaram todos e eu já alterei o meu visual. Vou ter um piercing na língua, o cabelo à escovinha pintado de ruivo, uma tatuagem no braço esquerdo — um dragão ou uma tartaruga californiana, daquelas pequeninas — sapatos de salto alto, à Bee Gees e óculos espelhados comprados na Feira da Ladra. Em resumo: prontinho para ocupar o meu lugar nas bancadas da Assembleia da República).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(O leitor sabia que já escrevi 865 parágrafos até agora? E que 865 era o meu número do 1º ano da Eugénio dos Santos? Eh! lá. Creepy! Não há coincidências. O que vale é que eu tenho alma de pássaro. Apetece-me algo. Sei lá, comer uma nazarena ou uma matrioska).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Estou a gozar contigo, MR Pinto. Ameaça-me com um processo, como fizeste ao Pedro Magalhães Mexia. Vá lá, “eu preciso tanto, meu amô”, como diria o Paulo Silvino, no “Planeta dos Homens”).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37794330-2188624720970039699?l=sexonanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sexonanoite.blogspot.com/feeds/2188624720970039699/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37794330&amp;postID=2188624720970039699&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/2188624720970039699'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/2188624720970039699'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sexonanoite.blogspot.com/2007/05/25-de-outubro-de-2004.html' title='25 de Outubro de 2004'/><author><name>Luís Graça (Dick Hard / Von Grazen)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15302192874180431145</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/buga32/luis.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37794330.post-7044537034943853567</id><published>2007-05-06T20:19:00.000+01:00</published><updated>2007-05-06T20:23:39.370+01:00</updated><title type='text'>24 de Outubro de 2004</title><content type='html'>“Terça insana” fez-me chorar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;21h05m - Saio de casa com o Benfica a ganhar 1-0 ao Nacional (um golo com uma sorte do Karadas) e vou até ao antigo cinema Roma, agora Forum Lisboa, para assistir a dois espectáculos do Festival RIR, promovidos pela Comed’in, onde fiz um curso de um mês, de escrita para comédia. Reencontro alguns colegas (Heitor Lourenço, Nuno Porfírio, João Miranda, Aramac) e no final vou pedir autógrafos aos brasileiros paulistas do “Terça insana”, que me puseram a chorar... de riso!&lt;br /&gt;Principalmente no sketch do Octávio Mendes, uma “Irmã Selma” plena de humor negro, de instintos assassinos à la Hitchcock, com uma pitadinha de Mário-Henrique Leiria. Tudo boa gente. Depois falei ao inglês (de Liverpool) Les Bubb, que me deu um autógrafo assim: “Make your brains go pop”. Ou seja: “Estoira-me com esses miolos”. Ele também deu um espectáculo primoroso, com grande domínio físico (técnica de mimo, raízes em Marcel Marceau) e enorme criatividade. Impagáveis as imitações de uma varejeira e de um galo. Ter entrado em cena com o som da 40ª do Mozart (a minha sinfonia favorita) pôs-me logo a atinar som o súbdito de Sua Majestade, que não foi de modas e também deu uma boquita ou outra à Rainha, mas sem maldadezinha nenhuma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;05h45m - Acabei de fazer o poema para o “Florilégio de Natal” dos escritores da Tertúlia Rio de Prata. Uma tradição a rasar os dez anos. Começámos em 87. Este ano o meu poema chama-se “Covadonga, 25 Dezembro, neblinas matinais” e coloquei o meu habitual quarteto de personagens (Deus, o Diabo, o Menino Jesus e o Pai Natal) a passar o 25 de Dezembro nas Astúrias, nos lagos que encimam a catedral de Covadonga.&lt;br /&gt;Corro o anti-vírus do computador e constato que tenho 11 Trojans capturados pela quarentena. Tremo um bocado por dentro, depois de 20 e tal dias a funcinar na maior. Mas ainda mantenho a esperança de que esteja tudo OK. Peço a Deus uma ajudinha.&lt;br /&gt;São 06h51m. Na avenida já começa a sentir-se o movimento do pessoal a ir para o trabalho. Está na hora de passar os olhos pelo PÚBLICO e pela BOLA. Estou com um bocado de fome. Vou-me aos iogurtes. Mas antes ainda vou imprimir estas últimas páginas. Andale, andale, arriba, arriba, como diria o meu amigo Speedy Gonçalves.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37794330-7044537034943853567?l=sexonanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sexonanoite.blogspot.com/feeds/7044537034943853567/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37794330&amp;postID=7044537034943853567&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/7044537034943853567'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/7044537034943853567'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sexonanoite.blogspot.com/2007/05/24-de-outubro-de-2004.html' title='24 de Outubro de 2004'/><author><name>Luís Graça (Dick Hard / Von Grazen)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15302192874180431145</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/buga32/luis.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37794330.post-4510834725877707390</id><published>2007-04-22T01:35:00.000+01:00</published><updated>2007-04-22T01:37:49.821+01:00</updated><title type='text'>23 Outubro de 2004</title><content type='html'>Gala de kickboxing&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; 21h10m - Desisto da ideia de ver o Sporting-Belenenses na TV e vou até um gala de kickboxing, no Arena de Lisboa, ao pé do Jardim do Tabaco. O grande combate da noite era o Max (Francisco Maximiano) face ao francês Wallid Haddad, campeão gaulês. Acabou no final do segundo round, com a desistência forçada de Max, lesionado numa omoplata e na perna direita, que apresentava um extenso edema. O francês castigou Max de forma intensa e o público ficou frustrado com a brevidade do combate. Max saiu ao colo e o guarda-redes sportinguista Nelson (que foi entregar os prémios) lá entregou o troféu de vencedor ao francês. A menina que assinalava o início dos “rounds” era uma estreante, de sorriso radioso.&lt;br /&gt;Grande sensação foi a presença de Manuela Moura Guedes, que se aguentou até ao final da gala, mesmo depois da vitória de Pedro Koll (Sporting), de cuja família é amiga. Depreendo eu e só posso depreender correctamente. O “Fisga” (treinado por Fernando Fernandes, que regressará às lides a 6 de Novembro) é espectacular e mantém um ar muito discreto antes e depois dos combates. Parece que não é nada com ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;24h - Saio com o meu amigo Amílcar Teixeira, repórter fotográfico da extinta “Gazeta dos Desportos”. Pomos a conversa em dia, bebemos um copo e vou a pé até à casa dele. Não chovia. O rapazinho continua a pescar e disse-me que apanhou um pargo de  2,860 quilos porque tem um carreto Stella Shimano 7000 XA, de 16 rolamentos, com WC, cozinha e três ensolaradas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Amílcar é um grande cromo e um bom amigo. Foi ele que me recebeu na Gazeta em Agosto de 87, pondo-me à vontade. Recordo com particular saudade o dia em que fomos entrevistar o goleador holandês Peter Houtman, a Cascais. Estava o Amílcar a tirar-lhe a foto para a capa, máquina numa mão, saco a tiracolo, quando o poderoso canídeo do goleador (um boxer de nome Urban, assustador mas bom camarada) resolveu empreender uma tentativa de sexo, atacando o Amílcar à má-fila, por trás. O Amílcar teve um bocado de dificuldade em resolver a situação. Os braços ocupados com o material e o enorme boxer no seu truca-truca virtual. Nem eu nem o Mário Pereira (que também foi connosco) nos quisemos intrometer na situação.&lt;br /&gt;Passado um bocadinho o filho do Peter Houtman (um lourinho de uns três anos) estava muito entretido a chutar uma bola de praia contra o focinho do cão, que resolveu emigrar para o meu colo, para obviar à chatice. De modo que eu estava a entrevistar o Peter Houtman de braço completamente estendido e um boxer ao colo. Só deixou o meu colo quando o filho do Houtman o abalroou com um triciclo.&lt;br /&gt;Presumo que o cão estivesse a pensar algo do estilo:&lt;br /&gt;“Caralho para o puto! Nestas merdas deviam deixar-nos aviar uma pedagógica dentadinha”.&lt;br /&gt;Olha, eu, por exemplo, tenho uma cicatriz de boxer na mão direita. Tinha 12 anos e o “Sir” resolveu arquivar a minha mão, a fundo perdido. Tiveram de lhe abrir a boca e puxar-me a mão, que já estava dormente. Anos depois, em 1991 ou 1992, fui mordido em plena Federação de Futebol pela mascote “Leão”, ao pé do elevador.&lt;br /&gt;Aplicando a máxima “Não se foge com a mão, que pode rasgar e é pior” levei três dentadas em vez de uma. Gostava de conhecer o cabrão que inventou essa teoria. Fui ao Instituto Câmara Pestana com o boletim de vacinas do “animal agressor”, que mais tarde foi identificado pela polícia.&lt;br /&gt;Bem, eu é que tive azar. O “Leão” nem era o animal mais perigoso da Federação, por aqueles tempos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37794330-4510834725877707390?l=sexonanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sexonanoite.blogspot.com/feeds/4510834725877707390/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37794330&amp;postID=4510834725877707390&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/4510834725877707390'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/4510834725877707390'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sexonanoite.blogspot.com/2007/04/23-outubro-de-2004.html' title='23 Outubro de 2004'/><author><name>Luís Graça (Dick Hard / Von Grazen)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15302192874180431145</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/buga32/luis.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37794330.post-8223805224375083671</id><published>2007-04-17T19:21:00.000+01:00</published><updated>2007-04-17T19:23:04.974+01:00</updated><title type='text'>22 de Outubro de 2004</title><content type='html'>Welcome to Falagueira City&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;19 horas - Aí estou eu a chegar à estação de Metropolitano da Amadora Este, também conhecida por Falagueira City. Não conseguia passar as portas do Metropolitano nem à lei da bala. Qual bilhete, qual Viva Lisboa!&lt;br /&gt;Saltei as portas (já tinha levado com elas nas têmporas a 8 de Junho, no Campo Pequeno, como prova a queixa anexa) e chamei um funcionário simpático, que foi soltar as pessoas que não quiseram saltar. Só faltou a música dos Delfins: “Soltem os prisioneiros, soltem os prisioneiros...”.&lt;br /&gt;Entro no festival e o Rui Brito dá-me a credencial da POLVO, ou seja, o meu passe social para o festival. A essa hora estava toda a gente a concentrar-se na galeria Artur Bual, na CM Amadora, onde tudo começou há 15 anos. Eu pensava que íamos ao jantar de inauguração, mas ao invés fiquei especado em frente à banca da POLVO, a ver as “tropas” (livros) a ocupar lugar na “parada” (escaparates). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A POLVO divide o stand com a BOOKTREE. Fico a falar com amigos até às 21h30m. Depois, eu, o Rui e o Nelson vamos comer filetes urgentes e beber “Pipa Doirada”, da Vinícola de Borba.&lt;br /&gt;Regresso ao festival e mais paleio. Pela primeira vez saio da estreia do festival sem ver uma única prancha. Também há tempo. O espaço ainda está em perfeita carpinteiração, mas nota-se que o espaço é muito maior.&lt;br /&gt;Como está tudo um bocado confuso, são alteradas as sessões de autógrafos do dia seguinte, o primeiro sábado do festival. Regresso de boleia com o Rui Brito, mais o Pedro Brito e o Tiago Gomes, da “Bíblia”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37794330-8223805224375083671?l=sexonanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sexonanoite.blogspot.com/feeds/8223805224375083671/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37794330&amp;postID=8223805224375083671&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/8223805224375083671'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/8223805224375083671'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sexonanoite.blogspot.com/2007/04/22-de-outubro-de-2004.html' title='22 de Outubro de 2004'/><author><name>Luís Graça (Dick Hard / Von Grazen)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15302192874180431145</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/buga32/luis.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37794330.post-1006547626107776924</id><published>2007-04-08T19:29:00.000+01:00</published><updated>2007-04-08T19:33:36.049+01:00</updated><title type='text'>21 de Outubro de 2004</title><content type='html'>Aí estão as minhas “Erecções” à venda nas melhores livrarias!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;18h45m - Estou a chegar à Bertrand do Picoas Plaza, onde se realiza o lançamento dos “Super-heróis da História de Portugal”, texto de António Gomes de Almeida e ilustrações de Artur Correia, dois amigos do cinema de animação, da BD e da escrita, de há 20 anos. Que grande gozo me dava ler os “Tele-gatos”, a crónica do António na “Tele-semana”, a revista de televisão dos anos 70, em formato tipo “Maria”.&lt;br /&gt;Parece que ouço a voz do meu colega Luís Marcos, nas aulas mais chatas do Liceu Camões, a segredar-me da carteira por trás da minha, nos idos de 1979: “Psst, passa aí a Tele-semana”. Eu, o Luís Marcos e o Orlando (por alcunha o “Batata”) passávamos muito tempo juntos.&lt;br /&gt;Adiante.&lt;br /&gt;Primeiro falou a editora, a Zita Seabra. Ninguém bateu palmas. Depois falou o apresentador da obra, o João Paiva Boléo. Toda a gente bateu muitas palmas. Depois falou o Artur Correia. Toda a gente bateu muitas palmas. Depois falou o António Gomes de Almeida. Toda a gente bateu muitas palmas. Depois a Zita Seabra encerrou a sessão e convidou para os copos e os salgadinhos. Ninguém bateu palmas.&lt;br /&gt;Como o António e o Artur são uma organização, a malta dava o livro ao António, o António autografava e punha o livro na bicha (em cima da mesa), enquanto o Artur dava despacho aos desenhos. E a malta ia dar uma volta pela livraria e voltava depois para recolher o livro. Assim é que é!&lt;br /&gt;Numa das voltas dei com o “De boas erecções está o Inferno cheio”, a 6 euros e picos. Afinal sempre chegou às livrarias antes do Festival da Amadora. Por pouco, mas chegou. No escaparate principal, “As mulheres não gostam de foder”, do meu amigo Rabo, está em grande destaque.&lt;br /&gt;Embrulhem, cidadãos de Viseu! E ponham-se a pau. Vou levar um bastão de beisebol e um martelo. Sempre quero ver se eu e o Rabo “não nos intregramos no espírito da cidade”. Para vergonha já basta eu ter fugido da estátua do Viriato, com 6 anos. Estavam-me a tirar uma foto, eu olho para cima, julgo observar um movimento e fugi uns metros. Depois senti-me estúpido, mas já estava.&lt;br /&gt;“Então estás a fugir de uma estátua?”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estas merdas marcam um gajo para a vida inteira. Aos 19 anos, na Venda do Pinheiro, de madrugada, tinha noites em que os eucaliptos me assustavam e imaginava inimigos que me queriam assassinar. Aí era fruto de ter visto muitos filmes do Hitchcock, do Dario Argento, do Carpenter...&lt;br /&gt;Mal eu sabia que muitos anos depois se rodou na Venda do Pinheiro um grande filme de terror: “Big Brother”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;21h15m - Cá estou eu em mais uma sessão de hidroginástica. Havia oito senhoras para cinco homens. Está a ficar mais equilibrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;24 horas - Vejo o Luís Louro no “Cabaret da Coxa”. Só teve direito a 8 minutos de tempo de antena. E a Maya foi aos 14 porque continuou a falar com o Unas, que aquilo estava a apontar para os 11. É o que eu digo, o Cabaret está a perder nas entrevistas. O flash do salão de Barcelona do Gimba foi muito curto. Logo a seguir a SIC Radical passa um documentário de 2000, “Sin cities”, e ficámos a conhecer os antros de Barcelona como deve ser.&lt;br /&gt;Soube pela Maya que o Benfica ganhou 4-2.&lt;br /&gt;Venho para o computador e escrevo o diário. Estou com fome. Vou comer qualquer coisa e ler os jornais. São 4 e 25 e tenho um princípio de enxaqueca.&lt;br /&gt;Beijinhos e até amanhã, se fôr caso disso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37794330-1006547626107776924?l=sexonanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sexonanoite.blogspot.com/feeds/1006547626107776924/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37794330&amp;postID=1006547626107776924&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/1006547626107776924'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/1006547626107776924'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sexonanoite.blogspot.com/2007/04/21-de-outubro-de-2004.html' title='21 de Outubro de 2004'/><author><name>Luís Graça (Dick Hard / Von Grazen)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15302192874180431145</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/buga32/luis.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37794330.post-4587308157797542503</id><published>2007-04-01T16:01:00.000+01:00</published><updated>2007-04-01T16:32:02.477+01:00</updated><title type='text'>20 de Outubro de 2004</title><content type='html'>A stripper que jogou hóquei no gelo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;19 horas - El Corte Inglés (Correios)&lt;br /&gt;Porra! Há muita malta à minha frente na bicha dos correios. E é tudo pessoal com magotes de cartas, para variar. Está um bocado abafado. Ouço a música ambiente e leio A BOLA, com as intermináveis telenovelas sobre o Benfica-FC Porto. Vejo que o Sporting vai defrontar o Hamburgo em andebol. Agora é que não posso falhar o jogo. Por dois motivos: primeiro, para ver os craques do Hamburgo. Depois, porque o Sporting não se safa desta nem com muitas velinhas ao Dr. Sousa Martins e muitos discursos do António José de Almeida. Os milagres têm limites. Que seja um bom espectáculo.&lt;br /&gt;Ponho em correio azul o poema para a antologia do Cântico dos Cânticos. Mando em correio azul um livro “Fadas Láureas” para um amigo de Baleizão e outro para a rua Guaratiningueta, em S. Paulo, Brasil. Para o meu grande amigo Arthur Garcia, companheiro da Tertúlia BD, que regressou ao Brasil e se dedica à BD e ao ensino.&lt;br /&gt;Quando saio do Corte Inglés estou mais leve 19 euros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;20h46m - Chego ao restaurante “Moisés”, onde vou seguir a segunda parte do PSG-FC Porto. Aproveito para dar duas de conversa com o meu amigo Carlos Castro, um dos donos do restaurante.&lt;br /&gt;O FC Porto lá perde por 2-0 e as coisas ficam muito negras no que toca ao apuramento. E até o terceiro lugar, que dá acesso à UEFA, fica em risco.&lt;br /&gt;Depois sigo para um loja de fotocópias. Tiro cópias ao convite para um lançamento de uma antologia sobre Teixeira de Pascoaes (tenho lá um poema), no dia 5 de Novembro. E também tiro cópias a um mail do Alvarez Rabo, para dar ao Rui Brito, editor da Polvo. E ainda à cartinha do IVA, que vai seguir mais uma vez a zeros, que isto de ganhar dinheiro no jornalismo está a aproximar-se de uma verdadeira utopia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;23horas - Armo-me em camurço e resolvo ir dar um “Fadas Láureas” à Cherry Chérie sem ter combinado nada previamente. Meto-me num táxi, ando 20 minutos (o trânsito está porreiro nos arredores de Lisboa, apesar da estrada molhada da chuva) e dou com o nariz na porta no “Clube dos Corações Solitários”. Ou melhor, aquilo estava a funcionar, mas a Cherry Chérie estava constipada e não foi. Granda melão!&lt;br /&gt;Não entro. Meto-me noutro táxi (é só despesas!) e regresso a Lisboa. Dá-me na caixa dos pirolitos e penso: Ai é? Agora vou mesmo investigar um clube de strip.&lt;br /&gt;Antes disso saio no Fórum Lisboa, para ver o cartaz do Festival RIR. Saco montes de folhetos de vários acontecimentos culturais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;23h30m - Passo a pé pela zona do Técnico. Há uma auto-puta estacionada. Mais acima, uma operação stop da polícia. Três carros parados, vários polícias a pé. Um deles com uma shot gun, em pose marcial, mas sossegada. Olha, esta vida está mesmo a mudar.&lt;br /&gt;Quando passo pelo Saldanha vejo oito marmelos em plena rotunda, no meio da estrada, a discutir uma cena qualquer de obras ou sinalização. Dois têm coletes laranja, os outros têm pinta de engenhêros. Dois polícias de colete laranja desviam o trânsito, que contorna o octeto dialogante, que parece muito perplexo.&lt;br /&gt;Do outro lado, ao pé do Monumental, o senhor que tem a mania de dizer adeus e levar com buzinadelas de volta está no seu posto, com a habitual expressão indescritível e a mãozinha a acenar, tipo Queen Elizabeth.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;00h05m - Estou no “Maybe”, ali no Conde Redondo, na zona dos travestis e da Sociedade Portuguesa de Autores. Mas o negócio do “Maybe” é muito heterossexual. Não há talvez nem meio talvez. Ao contrário da Sociedade Portuguesa de Autores, que está cheia de paneleirices burocráticas e não faz a mínima ideia de onde pára o dinheiro dos associados, nem das suas actividades de criação. Em Junho chamaram-me para ir lá receber uns dinheiros, não me conseguiam explicar de quê e depois acabaram por me dizer que não tinha nada a receber. Até estranharam que me tivessem telefonado. Comecei a ferver e estava quase a pedir um isqueiro para queimar o meu cartão de sócio, o 8800.&lt;br /&gt;Acabei por sair de fininho e fui ver o Suécia-Bulgária do Europeu, a Alvalade. Ao intervalo ainda me apetecia bombardear a Sociedade Portuguesa de Autores.&lt;br /&gt;Bem, adiante. Entro no “Maybe” e abanco de frente para o palco-ferradura onde as strippers exibem os seus dotes. Bancada central. Peço um drambuie com uma pedra de gelo. Passados uns dez minutos, vem ter comigo uma menina loura, esguia e alta, com um ar querido.&lt;br /&gt;Beijinho para aqui, beijinho para ali, posso sentar-me, claro, faça favor, olá, como se chama, chamo-me Luís, muito prazer, é português, por acaso sou, fala espanhol, falo.&lt;br /&gt;A menina era checa, de Praga. Nome de guerra: Penélope. Não resisti: então, a fazer uma pausa nas tapeçarias? Ela percebeu a piada. Afinal a cultura grega não anda longe das strippers. Perguntei se era um trocadilho estafado na vida dela. Era. Pedi desculpa. Desculpou-me.&lt;br /&gt;Combinámos falar em espanhol. Também podia ser em inglês, mas ela falava um espanhol correcto. Deu-me os parabéns pelo meu. Disse-lhe que era uma coisa normal. Ela disse que poucos portugueses falavam. Eu disse que não, a defender a malta. Ela insistiu. Das duas uma: ou lhe dava uma lamparina ou ia para a cama com ela. Solução de compromisso: nem uma coisa nem outra. E vai de me pôr a falar de Praga, do filme do Soderbergh sobre o Kafka. Etc e tal.&lt;br /&gt;E depois ela cravou-me uma bebida, que já estávamos nos dez minutos de diálogo para aquecer, perna encostada à perna e eu a mergulhar intensamente naqueles olhos bonitos, emoldurados por uns óculos queridos à secretária de contabilidade, tão usuais nas nossas fantasias eróticas.&lt;br /&gt;— Faço outra proposta: que tal um contact dance, em vez da bebida?&lt;br /&gt;Pois muito bem, disse ela, mas o problema continuava a existir. Não podia estar ali ao pé de mim sem beber, durante muito tempo. Nem era por ela. Eu já estava a pau com a escrita. Uma bebida “low profile” para as meninas é só 10 euros. Lá disse que sim.&lt;br /&gt;— Posso pedir já para marcarem no cartão de consumo a contact dance e a bebida?&lt;br /&gt;Poistáclaro. Fáxavor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Nota do investigador: a CONTACT dance custa 40 euros, é feita num privado e existe contacto físico bilateral, com termos. A PRIVATE dance é feita num privado, custa 20 euros e só a menina é que pode mexer no menino. A TABLE dance custa 10 euros, é um strip feito na sala, em frente do cliente, sem contacto físico. A LAP dance é feita na sala, mas existe contacto físico unilateral. Custa 15 euros).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá vem e bebida para a menina, num copo alto. Parece-me sumo de laranja, sem tirar nem pôr. Não digo nada. Lá emborco o meu drambuie (ela cheirou a bebida e assustou-se, achou forte, eu disse-lhe que era uma espécie de uísque com mel e açúcar, para os gulosos como eu e para as crianças deste país) e fico um niquinho à espera, enquanto ela se foi arranjar. Estou ligeiramente transpirado (Lisboa está abafada) e espero que o stick desodorizante da Azzaro Crome cumpra a sua missão. Bem como os três esguichos de Live Jazz, da Yves Saint-Laurent.&lt;br /&gt;Desço na vida, com ela. Lembro-me agora da única visita que fiz ao “Maybe”, já há uns anos, com dois amigos, assim tipo bebida, meia-hora a ver as meninas e adeus e um queijo da serra. Na altura era na cave que os strips se processavam. Agora é no primeiro piso.&lt;br /&gt;Mas os privados são no bunker escuro. Faço de conta que tenho medo. Nunca consigo abdicar de uma boa dose de palhaçada. Não há ninguém na cave. Ela fecha a cortina e começa a despir-se e a promover contacto. Se fosse no basket era falta.&lt;br /&gt;Toca-me ao de leve nas partes baixas e pergunta, com um ar maroto:&lt;br /&gt;— Está aqui qualquer coisa?&lt;br /&gt;Obviamente que está. Nem mais nem menos do que 17 centímetros de incompetência sexual, no estado de sentinela. Ou por outra, está também o heterónimo “El negrito”. É que eu sou um bocado moreno. Colocar a palma da minha mão ao lado do Lusinho é uma espécie de Black and White, mas sem uísque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Conto-lhe a história do “El negrito”, que remonta aos meus tempos de desportista universitário, na Faculdade de Direito. Já íamos com uns seis meses de época, todos nus, nos duches frios da Cidade Universitária, quando o capitão de equipa olha para mim mais detalhadamente e me pergunta, com um ar sacanamente irónico:&lt;br /&gt;— Ó Luís, desculpa lá a pergunta, mas levaste algum choque eléctrico?&lt;br /&gt;— Olha, Carlos, uma coisa te garanto. Não está assim de ir ao forno.&lt;br /&gt;A partir daí foi a caldeirada geral. Eu mesmo me alcunhei de “El Negrito” e de cada vez que chegava ao balneário lançava a palavra de ordem:&lt;br /&gt;“Oi pessoal, chegou El Negrito, toda a gente dá um grito”.&lt;br /&gt;E a rapaziada dava um grito histérico.&lt;br /&gt;No final do ano fizemos uma jantarada e eu pus-me a distribuir troféus. Até dei uma medalha com a inscrição “Troféu El Negrito” ao capitão de equipa. Como o voleibol de Direito estava misturado com a equipa feminina de Direito e Medicina, havia miúdas no jantar, que ficaram curiosas com a história. Ainda tive esperanças de que desse qualquer coisa, mas está quieto ó mano.&lt;br /&gt;A noite acabou a discutir com um polícia por estar a andar nos cavalinhos do jardim Sá da Bandeira, ali à Ribeira. E depois, eu, o Carlos e o Luís viemos para minha casa comer sandes de marmelada e eu pus-me a declamar poesia e a falar de desgostos amorosos.&lt;br /&gt;Como a malta entrou em minha casa às escuras, para não acordar a minha avó, o Carlos-capitão-de-equipa-que-nunca-tinha-estado-em-minha-casa, queria-se despedir de mim à entrada para a casa de banho, onde o Luís tinha ido fazer um urinançozito rotineiro do nascer do dia.&lt;br /&gt;— Atão obrigado, ó Luís, vemo-nos no treino.&lt;br /&gt;E eu:&lt;br /&gt;— Olha lá, costumas despedir-te das pessoas antes de entrar para a casa de banho, Carlos?&lt;br /&gt;E ele:&lt;br /&gt;— Eh! pá, pensava que era a saída. A malta entrou às escuras.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disse à Penélope que isto me tinha inspirado o conto “O homem que tinha o pénis cor de carvão”, incluso no “O homem que casou com uma estrela porno e outros contos perversos”. Ela disse que não conseguia ler português e ficámos por aí. Mas fartou-se de rir.&lt;br /&gt;Sentou-se em cima de mim e os seus seios delicados tocaram-me o rosto. Toquei-lhes ao de leve. Ela apreciou o meu gesto e desabafou:&lt;br /&gt;— Assim tudo bem. Há homens que se põem a apertar à bruta, pensam que isto são botões de rádio, para sintonizar...&lt;br /&gt;Eu não sou desses. Sou um ser sensível. Percorro-lhe as pernas longas com delicadeza, nas pontas dos dedos. Sinto ao de leve os seus pelinhos louros. Ela fica envergonhada e desculpa-se:&lt;br /&gt;— Já me devia ter depilado.&lt;br /&gt;Sossego-a:&lt;br /&gt;— Não se preocupe. É muito querida e bonita.&lt;br /&gt;Sorri. Agradece. Começa num vaivém em cima de mim, mas está na zona do cinto e não toca no “El negrito”. Podia ter-lhe dito: “Psst, desculpe, se é para excitar não está a acertar no target”. Mas não disse nada. Deve-se deixar trabalhar as pessoas em paz e sossego. Por outro lado, é-me difícil excitar. Sinto-me sempre um pouco nervoso. Mesmo podendo tocar a menina, não me sinto completamente à vontade.&lt;br /&gt;E além disso o Outono está aí em força. Já estou com umas calças de bombazina fortes. A sensibilidade é menor. De repente, veio-me à ideia um diálogo de amigos no antigo “Skylab”, hoje 69-B, também degenerado em clube de strip. Em Agosto de 2003.&lt;br /&gt;— Ó pá, não percebo o que se passa com os gajos que não sentem nada. Devem ter algum problema...&lt;br /&gt;Ai o caraças! Não tenho nenhum problema, mas não disse nada ao mocinho, que transpirava como o caraças na casa de banho, depois de uma Private Dance que o deixou de biela gripada.&lt;br /&gt;Voltando à Penélope e às 00h45m (mais ou menos), assinalo que a menina se sentou de costas para mim, começou a situar-se de outra forma de encontro ao Luisinho. O contacto foi mais intenso e uma mão delicada passou por baixo dela e começou a acariciar-me no Luisinho. Uma coisa fina, tipo “Como vai o cavalheiro? Família? Tudo bem? Estimei vê-lo!”. Nada de sacar da manápula tipo recruta da tropa, assim a modos: “Tudo a pé e é já, dentro de dez segundos”.&lt;br /&gt;O Luisinho começou finalmente a entusiasmar-se e o Luís sentiu a missão moral de o encorajar, para que mais tarde não se contem histórias de molezas físicas na República Checa.&lt;br /&gt;Processou-se um diálogo tipo Beatriz Costa/António Silva “Chega, chega, minha agulha, afasta, afasta, afasta meu dedal”.&lt;br /&gt;— Ai, paizinho — dizia o Luisinho.&lt;br /&gt;E eu, tipo António Silva, a encorajar o Luisinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois a menina pôs-se de joelhos e passou-me os seios pequeninos e perfeitos pelo Luisinho. O Luisinho achou óptimo e continuou de pé, como se estivesse a espreitar as marchas na Avenida da Liberdade. E desabafou para comigo:&lt;br /&gt;— Que pena os manos Zezinho e Huguinho não terem vindo...&lt;br /&gt;Depois a Penélope sentou-se em cima de mim, já toda nua, e pôs-se a emitir uns gemidozinhos sensuais, em uh!uh!uh!.&lt;br /&gt;Percebia que era coreografia vocal, mas deixei-a lá com as suas manias, embora não me provocasse nada. É como aqueles engraxadores que fazem um ganda barulho com o pano nos sapatos. Aquilo não engraxa mais por causa disso, mas é um ritual. Há que respeitar, até porque tem a sua beleza.&lt;br /&gt;Depois aquilo acabou, ela olhou para mim e sentiu que eu estava com aquela expressão:&lt;br /&gt;— Ó mãe, não vamos já embora do jardim zoológico, ainda quero ver a aldeia dos macados e dar uma moeda para o elefante tocar o sino...&lt;br /&gt;Mas a vida é mesmo assim e 40 euros não dão direito ao Paraíso.&lt;br /&gt;— Eu sei que duas músicas é muito pouco...&lt;br /&gt;Gostei da sua solidariedade. Ficámos a falar mais um bocadinho e depois ela escusou-se e partiu para outras paragens.&lt;br /&gt;Vi afastar-se a Penélope dos 28 anos, mãe espanhola (ah! está explicado o espanhol perfeito...), há dois meses em Portugal, com passagens anteriores por clubes de strip do México e de Tóquio.&lt;br /&gt;— Portugal é muito diferente. No México, a corrupção é muita. Tudo se compra.&lt;br /&gt;— Pois é. Portugal é muito diferente... olha, agora a sério, aqui neste país as coisas estão a vir ao de cima e já não param...&lt;br /&gt;Reclino-me no sofá confortável. Olho para o tecto, tranquilizador, que parece o Planetário, cheio de estrelinhas.&lt;br /&gt;“Daqui a pouco continua o show da noite. Teremos a Miss Carina”, diz o DJ brasileiro, ainda mais moreno do que o Luisinho. Um tom raro na casa, do lado da tripulação. Disseram-me que a política era não ter meninas blackie:&lt;br /&gt;— Não é por racismo. É por opção. Nos optámos essencialmente pelas portugueses.&lt;br /&gt;E assim, nessa noite, no “Maybe”, estava toda uma equipa de portuguesas, uma Nicole da Letónia e uma Penélope de Praga. Olaré!&lt;br /&gt;Noite calma, de quarta-feira, de muito paleio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E lá pelas 2 da manhã, um sujeito gordinho e simpático activou o “Super Show” no palco. Uma cena para despedidas de solteiro. Mas não parecia ser o caso.&lt;br /&gt;O nosso amigo sentou-se na cadeira e uma portuguesinha com físico cheio, à la pinturas de Rubens, apareceu por trás, tirou-lhe o cinto, meteu-o de gatas e levou-o nesses preparos até à mesa dos amigos, pelo palco fora. Depois, cavalgou o menino e deu-lhe palmadas no rabo:&lt;br /&gt;— Ai, é tão bom — dizia a Isa, sorriso galhofeiro.&lt;br /&gt;E os amigos:&lt;br /&gt;— Ó pá, olha a hérnia do homem...&lt;br /&gt;Depois o senhor foi outra vez sentado na cadeira, a menina foi-se despindo, foi amarinhando por ele acima, deitou-o ao chão outra vez (para mim era “ippon” e acabava o combate, mas sabe-se como está a arbitragem portuguesa), tirou-lhe as calças e deixou-o com uns boxers brancos muita castiços, com vacas pára-quedistas.&lt;br /&gt;— Deixa-te estar aí — disse a Isa, que depois lhe mandou gelo para dentro dos boxers.&lt;br /&gt;Já que se estava a desperdiçar gelo no palco, pedi ao empregado gelo para o Drambuie, para cortar e porque não tencionava pedir mais uma bebida, a 13 euros. Trouxeram-me um balde de gelo à maneira.&lt;br /&gt;Depois a conversa descambou para a mesa do lado. Simpatizei com um senhor de Leiria, que tinha más experiências com mulheres algarvias:&lt;br /&gt;— As algarvias são quentes, putas e falsas.&lt;br /&gt;— Mas não há excepções?&lt;br /&gt;Esteve complicado para ele concordar. Ele achava é que a miúda do palco “que tem muita pedalada, eu é que já estou velho” era algarvia. E perguntou-me se a matulona loura era portuguesa. E eu:&lt;br /&gt;— Acho que sim. Estava a falar português.&lt;br /&gt;Ganda barraca. Uma hora depois a matulona loura veio ter comigo, ao fechar da loja e sentou-se em cima do saco da FNAC que tinha o livro para a Chérry Chérie, já autografado.&lt;br /&gt;A menina da Letónia estava em Portugal há três anos, gostava à brava de literatura, viu o “Fadas Láureas” de ponta a ponta e propôs-se que riscasse o nome da Cherry Chérie e lhe desse o livro. Fiquei sensibilizado, mas disse-lhe que só tinha uma palavra. Ela compreendeu e ficou a respeitar-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois falámos de literatura russa e tínhamos Tchekov como gosto comum. Só meti água quando disse que conhecia o Jankauskas, que é lituano e não da Letónia. Porra! Da outra vez foi o Pará e o Paraná, com a Cherry Chérie!&lt;br /&gt;Foi-se a ver, a miúda até jogava hóquei no gelo na Letónia, na brincadeira. Lá puxei dos galões de ex-comentador do Eurosport.&lt;br /&gt;— Posso pedir uma bebida?&lt;br /&gt;— Desculpa lá, mas isto vai mau pelas bandas do jornalismo. Já excedi o meu budget. Já lá vão 76 euros e já fui pagar ao multibanco...&lt;br /&gt;— 76 euros?&lt;br /&gt;— Pois. Dois drambuie, uma contact com a Penélope e uma bebida para a Penélope. Tlim. Thank you. Come again.&lt;br /&gt;Estava na hora de fechar a loja. Um indiano das flores já tinha saído sem vender nada, apesar dos cravos a dois euros.&lt;br /&gt;Fui dar um beijinho à Penélope e desejámo-nos mutuamente felicidades. À saída pediram-me a chapinha. Qual chapinha? Neguei três vezes. Afinal, a chapinha era um matacão rectangular que me tinham dado depois de ir ao multibanco. E dizia: “Deixa-me à porta”. Nem tinha pensado nisso. Se tivesse um buraco em cima e outro texto podia servir para pendurar nas portas dos quartos de hotel: “Do not disturb”.&lt;br /&gt;Fui um bocado atrasado mental, mas aquilo não tem nada de chapinha. Chapinha é uma coisa pequenina, redondinha, de metal, que nos dão nos bengaleiros ou nos balneários das piscinas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4h20m - À volta do Técnico. Para proceder à tradicional contagem. Estavam 17 pedestres e duas auto-putas. Ao pé do Instituto Nacional de Estatística, cinco pérolas de ébano dialogavam animadamente em dialecto, tipo “Alvorada Zulu”. Outras três comiam hamburgueres, sentadas num degrau lateral do prédio Alves Redol, onde fica o Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores.&lt;br /&gt;Do lado do Técnico, ao pé da Alameda, um jipe cheio de putas pedestres, a rilhar a ceia. E uma senhora mais velha, ao volante, a deixar fugir a frase quando eu vou a passar:&lt;br /&gt;“Eu é que tomo conta das meninas. Das minhas putinhas”. Com muito doce maternal naquela voz de bagaço, que já viu muito da vida.&lt;br /&gt;Já estou no fim da contagem, ainda sou abordado por uma veterana que nunca tinha visto.&lt;br /&gt;— Queres vir?&lt;br /&gt;— Obrigado. Vou para casa dormir. Também é preciso dormir.&lt;br /&gt;— Tinhas tempo. Nem sabes o que perdes.&lt;br /&gt;— Acredito. Mas ainda vou escrever.&lt;br /&gt;— Escrever? (espanto estampado na cara).&lt;br /&gt;— Pois. Sou jornalista.&lt;br /&gt;Assim percebeu melhor.&lt;br /&gt;Ainda passo pelo meio de duas pérolas de ébano, que estão a falar.&lt;br /&gt;— Com licença.&lt;br /&gt;— Passa.&lt;br /&gt;E riram-se. Não estão habituadas a gajos bem educados.&lt;br /&gt;São 6 horas e 55 minutos. Ontem não fiz diário. Houve o lançamento do “Fadas Láureas” na FNAC Colombo. Fui para lá dar autógrafos no livro do Luís Louro que tem um texto meu. O livro está impec. Estou muito feliz. Antes disso estive na hidroginástica do Holmes. Havia quatro homens e doze senhoras. A Joana (monitora) disse que eu estava a ter uma evolução extraordinária. Aquilo caiu-me bem, mas hoje tive de pagar 76 euros no “Maybe”. Ainda estive para perguntar na hora da dolorosa:&lt;br /&gt;— Desculpem lá, não há descontos para quem está a ter uma evolução extraordinária na hidroginástica?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37794330-4587308157797542503?l=sexonanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sexonanoite.blogspot.com/feeds/4587308157797542503/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37794330&amp;postID=4587308157797542503&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/4587308157797542503'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/4587308157797542503'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sexonanoite.blogspot.com/2007/04/20-de-outubro-de-2004.html' title='20 de Outubro de 2004'/><author><name>Luís Graça (Dick Hard / Von Grazen)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15302192874180431145</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/buga32/luis.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37794330.post-8954631776714399779</id><published>2007-03-26T14:23:00.000+01:00</published><updated>2007-03-26T14:25:11.780+01:00</updated><title type='text'>18 de Outubro de 2004</title><content type='html'>Broca no siso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;16h30m - À hora marcada sento-me na cadeira do dentista. O dente do siso do lado direito está a precisar de tratamento. Broca nele! Primeiro uma picadinha, para anestesiar. Depois, segue-se o trabalho normal do doutor, nestas ocasiões. No final, é-me feita a revelação: a cárie quase tinha chegado ao nervo. Descuido da minha parte? Talvez. Um pouco. Há anos que não ia ao dentista. Mas não me doía nada. Ou seja, há coisas que não doem e estão a fazer mal e outras que nos doem e afinal de contas nem fazem tanto mal como isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;17.05h - Já estou na livaria da FNAC, a ver as novidades. O “De boas erecções está o Inferno cheio” ainda não se encontra nos escaparates da poesia. Sou tentado por uma série de livros, mas lá consigo resistir. Até chegar à zona da BD, claro. Compro dois da série “Vae Victis”(“Didius, le retour de l’infame, volume 5”; “Boadicae, la guerrière folle”, volume 6) e “Grand Vampire, la communauté des magiciens”, de Joann Sfar.&lt;br /&gt;O Sfar é da mesma linha do Christophe Blain. Atraem-me mais os argumentos do que os desenhos. Mas têm um espírito satírico que aprecio imenso. O tom sombrio e irónico da narrativa cativou-me. Claro que a decisão de comprar um álbum se toma numa piscadela de olho e por isso é sempre prematuro efectuar juízos de valor. No entanto, em 90 por cento dos casos confirmo as expectativas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;18h05m - Como quase não chovia, fui a pé do Rossio até ao Instituto Italiano, na Rua do Salitre. A propósito da Semana da Língua Italiana, o organismo promoveu um tri-lançamento da Cavalo de Ferro. Durante uma hora, tive enorme prazer em escutar o director do Instituto, bem como Diogo Madredeus (o editor) e os três autores, Romana Petri (os olhos castanhos mais intensos que vi nos últimos meses), Alain Elkann e Giovanni Chiari.&lt;br /&gt;A páginas tantas chegou a Teggy (a nossa governante laranja, que vinha com um casaco vermelho-semáforo e uns collants pretos sensuais), que saiu da sala por duas vezes.&lt;br /&gt;Romana Petri cativou a assistência com o seu discurso bem elaborado. Deu uma perfeita noção do seu livro, uma história que começa em 1943, no Dia do Armistício. Fala da Itália sob o nazismo e da resistência, mas não se fica por aí.&lt;br /&gt;Depois o microfone passou para Alain Elkann, um homem sedutor, que fascinou a audiência. Começou por falar de coincidências, das visitas em Lisboa, da oferta cultural na cidade, desembocando no seu livro, um diálogo entre o pai parisiense e o artista Topor. Alain conheceu Topor sem saber quem ele era. E a imagem daquele ser pleno de vida, a fumar, a beber e a rir, marcou-o para sempre. Por isso, resolveu colocá-los em diálogo inter-tumba, num cemitério de Paris “frequentado” por nomes muito famosos. Porque, mais uma coincidência, o pai de Alain ficou sepultado ao lado de Topor. E o progenitor do escritor não ia lá muito à bola com artistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do surrealismo de Alain Elkann passamos para o hiper-realismo de Giovanni Chiari, num livro que fala de morte e das relações entre um pai e um filho condenado a morrer. Um livro em que Chiari nunca escreveu a palavra Mafia de forma consciente, mas o “polvo” está presente na obra. O que não admira, porque Chiari se dedicou à investigação deste tema durante muitos anos.&lt;br /&gt;Depois seguiu-se um beberete.Seria uma boa ocasião para travar contacto com os autores, mas resolvi ir até ao Holmes Place, dar umas braçadas na piscina. Saí pelas 22h25m, a tempo de chegar a casa e ver mais um episódio da nova série de “Os sopranos”. Fiz um bocadinho de “zapping” e depois segui com muito interesse a entrevista de Nuno Artur Silva, por Ana Sousa Dias. Como já vi “Urgências” (fui à estreia, no Maria Matos, com os convites dados por um dos autores dos sete textos, o Pedro Mexia), pude balizar o discurso do Nuno, quando se falou do espectáculo.&lt;br /&gt;Agora estou aqui a escrever o diário e depois passo à Net, a ver se tenho mensagens para responder.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37794330-8954631776714399779?l=sexonanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sexonanoite.blogspot.com/feeds/8954631776714399779/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37794330&amp;postID=8954631776714399779&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/8954631776714399779'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/8954631776714399779'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sexonanoite.blogspot.com/2007/03/18-de-outubro-de-2004.html' title='18 de Outubro de 2004'/><author><name>Luís Graça (Dick Hard / Von Grazen)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15302192874180431145</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/buga32/luis.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37794330.post-6464216375247984442</id><published>2007-03-18T16:49:00.000Z</published><updated>2007-03-18T16:51:07.472Z</updated><title type='text'>17 de Outubro de 2004</title><content type='html'>Baptizados McDonald’s e peixeirada no futebol&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às 6 da matina ponho-me a fazer zapping e apanho a grelha de partida para o GP Austrália, em Moto GP. Sabendo que o Rossi se pode sagrar campeão, não resisto. Fico a ver no Eurosport.&lt;br /&gt;O circuito de Philip Island é muito bonito e exige uma grande condução. A última volta entre o Rossi e o Gibernau foi espectacular. “The doctor” conseguiu o seu sexto título mundial, aos 25 anos. Um génio!&lt;br /&gt;Como diria o Chico Buarque: “Foi bonita a festa, pá!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durmo três horas e lá vou para o baptizado, em Alhandra.&lt;br /&gt;Nunca tinha assistido a um baptizado tipo McDonald’s, celebrado por um diácono castiço. Eram umas quatro crianças para baptizar “em série” e a coisa exigia um certo ritmo.&lt;br /&gt;Depois fomos almoçar a Arruda dos Vinhos. Venho para fora do “Barrilinho” e dou uma volta pelas redondezas. Rapidamente dou comigo na Peixaria do Adro e no Beco das Amarguras. Fiquei a fazer festas a um gatinho querido, preocupado em ver se conseguia caçar uns passaritos.&lt;br /&gt;Seguiu-se uma tarde em família, em casa dos pais da criança baptizada. O final do dia foi preenchido com o visionamento do Benfica-FC Porto.&lt;br /&gt;Como eu esperava, o futebol português continua uma maravilha. As cenas da sala de Imprensa do Estádio da Luz são antológicas. Luís Filipe Vieira, José Veiga e Pinto da Costa em absoluta super-forma. Pinto da Costa aproveitou pouco depois para dar mais um pontapé, desta feita na gramática, com um “houveram” que lhe saiu do mais profundo do seu ser. Calma, José Régio, o homem já não declama o “Cântico Negro” há uns tempitos. Penso eu de que.&lt;br /&gt;Regresso a casa pelas 23 horas, para tirar a farpela e ler os jornais do dia. Espanto-me com o empate do Benfica no hóquei, frente ao Paço D’Arcos, que ainda não tinha marcado golos em dois jogos. E também me espanto com a vitória do Benfica em Ovar, na abertura do campeonato de basquetebol.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37794330-6464216375247984442?l=sexonanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sexonanoite.blogspot.com/feeds/6464216375247984442/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37794330&amp;postID=6464216375247984442&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/6464216375247984442'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/6464216375247984442'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sexonanoite.blogspot.com/2007/03/17-de-outubro-de-2004.html' title='17 de Outubro de 2004'/><author><name>Luís Graça (Dick Hard / Von Grazen)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15302192874180431145</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/buga32/luis.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37794330.post-4668016845717571911</id><published>2007-03-06T20:22:00.000Z</published><updated>2007-03-06T20:24:28.567Z</updated><title type='text'>16 de Outubro de 2004</title><content type='html'>Viva o Benfica!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os meus projectos para este sábado consistiam em ver o Sporting com os austríacos (andebol), pelas 15 e 30, no pavilhão do Casal Vistoso; o Benfica-Paço D’arcos (hóquei) e o Benfica—V. Guimarães (vólei), na Luz. Como fiquei na cama até tarde (estive a escrever de madrugada um poema sobre o “Cânticos dos Cânticos”, para uma compilação organizada pelo meu amigo Gonçalo Salvado) nem sequer vi o Sporting na TV. Soube depois que os “leões” seguiram em frente, o que nem me espantou, visto que já tinham triunfado fora.&lt;br /&gt;Almocei em casa e segui depois até à Luz. Agora o pavilhão do vólei foi baptizado de Açoreana Seguros, o que pode provocar trocadilhos que doam aos benfiquistas, em caso de derrotas.&lt;br /&gt;Andei um bocado à toa para dar com o acesso ao pavilhão, pois saí do táxi no topo da Rua dos Soeiros, como fazia sempre. Depois fui por ali abaixo e tive um bocado de dificuldade em orientar-me. É muito cimento, muito descampado, muito betão à vista, muita luz, muita megastore. E pouco projecto urbanístico com o Belo por prioridade. Os estádios de futebol são hoje bocados de estruturas, com publicidade a grandes multinacionais. Deixaram de ser espaços de convívio e aventura do espírito. O do Benfica não foge à regra. Basta ver onde deixaram a estátua do pobre Eusébio, com vista para nada, entalada entre carros que estacionam onde couberem.&lt;br /&gt;Chego ao pavilhão a poucos minutos do início do jogo de estreia do campeonato de voleibol. Os fiscais pedem-me a identificação, apesar de já me conhecerem há uns 20 anos. Têm dificuldades em compreender o estatuto de freelance. Depois tomam nota dos números do cartão do CNID (Clube Nacional de Imprensa Desportiva) e da Carteira Profissional e eu lá entro.&lt;br /&gt;Subo o mais possível na bancada e mesmo assim ainda me sinto baixo. O vólei é das modalidades que gosto de ver de alto. Mas o pavilhão (arranjadinho, arrumadinho) é muito “british”. Está com o público muito em cima do campo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os espectadores são quase os mesmos do pavilhão do Casal Vistoso, onde o Benfica jogou a época passada. Não chegam às duas centenas. É tudo malta da família do voleibol: jogadores, treinadores, dirigentes, seccionistas, familiares e amigos dos jogadores.&lt;br /&gt;Fico triste. Agora que o Benfica assume a candidatura ao título, ainda não há espectadores para encher o pavilhão? E não houve sinergia hóquei/voleibol, já que o hóquei se disputou pouco antes?&lt;br /&gt;É claro que não. O povo não tem cultura desportiva e já está a pensar no Benfica-FC Porto do dia seguinte, em futebol, e das guerrilhas verbais do costume. É óbvio que se o Benfica disputar o título vai haver gente pendurada por todo o lado no pavilhão de voleibol, no jogo decisivo.&lt;br /&gt;Bem, para resumir: o Benfica lá ganhou por 3-1, com parciais equilibrados, com uma excepção.Não me lembro dos parciais. Isto não é jornalismo, é literatura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Nota do Autor — Será mesmo literatura? Com um bocado de boa vontade será literatura epistolar... mas a verdade é que este diário não é escrito para ninguém em especial... ainda pode ser considerado literatura epistolar? E os vários registos, desde o coloquial ao vincadamente literário... não retirarão dignidade à prosa? Mas qual dignidade?!?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grande atractivo do encontro era avaliar das novidades em cada equipa. No primeiro “set” os encarnados andaram mesmo à toa e o Vitória dominou, porque o Benfica não atinava com a defesa baixa e o distribuidor (o Adriano Carneirinho, ou Lamb) via-se grego para dar jogo em condições. Depois as coisas mudaram de figura e o Zé-Tó Jardim lá deve ter convencido as enormes “vigas” do Benfica de que voleibol era mais do que bater na bola com força e velocidade. Porque o Dudu, o André França e o Renato Júnior estavam a abusar do estilo “é mesmo à canzana, senhor Gungunhana”. Aquilo era “vai buscar Tibi e não se pensa mais nisso”. Depois veio ao de cima a qualidade de jogo do André Lukianetz, que não é muito alto, mas “flutua” no ar, apesar de estar a saltar antes de tempo. O que é compensado pela impulsão e explosão do remate.&lt;br /&gt;Saio do pavilhão e recebo uma mensagem do meu amigo Juvenal, que esteve a ver o hóquei em patins do nosso Sporting. É mais uma preciosa vitória, sobre o Cambra, por 3-2.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;22h30m - Estou na FNAC Colombo, a ver as novidades. Compro o último Steven Saylor. Adoro policiais romanos. Adoro mesmo, tia! São o máááximooo!&lt;br /&gt;Também compro uma agendinha da teNeues para 2005. Mantive-me fiel ao Monet nos últimos anos, mas desta feita aposto no James Rizzo. Não faço ideia quem seja o pintor, mas gostei dos bonecos. Agora é só investigar no Google e decorar meia-dúzia de coisas sobre o homem. Mais tarde ou mais cedo há-de haver uma miúda curiosa com a minha agenda e eu aproveitarei para mostrar erudição, com um ar muito natural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;23h - Fui comer ao Pasta Caffé. Está quase vazio.&lt;br /&gt;Regresso a casa e resolvo dar uma volta ao Técnico, para contar putas. Não é que me apeteça especialmente, mas começo a perceber que já é uma tradição deste livro. Aqui vai: 13 pedestres, 2 auto-putas. A notícia da noite (perto da 1 da manhã) é que do lado do Instituto Nacional de Estatística estava um potencial cliente de cócoras a falar com uma auto-puta, agarrado à porta do carro; do lado da Rovisco Pais estava a miúda da camisola à Feyennord de cócoras, a falar com dois potenciais clientes, num carro. O que é que lhes deu para adoptarem a posição preferida dos treinadores de basquetebol?&lt;br /&gt;Em casa tomo uma chávena de chá e ponho-me a fazer zapping. No canal 18 estão no truca-truca, para variar. O Hollywood está a dar um filme com o John Wayne, o Ben Johnson e a Ann Margret. Nos outros canais está a Elle McPherson a fazer de fufa e mais uma data de cenas.&lt;br /&gt;Venho para o computador. Quase não tenho mensagens no Hotmail. Escrevo o diário. E são 4 e 9 da madrugada. Ainda nem comecei a ler os jornais. E amanhã (que digo? daqui a bocado...) tenho de me levantar, para ir a um baptizado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37794330-4668016845717571911?l=sexonanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sexonanoite.blogspot.com/feeds/4668016845717571911/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37794330&amp;postID=4668016845717571911&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/4668016845717571911'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/4668016845717571911'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sexonanoite.blogspot.com/2007/03/16-de-outubro-de-2004.html' title='16 de Outubro de 2004'/><author><name>Luís Graça (Dick Hard / Von Grazen)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15302192874180431145</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/buga32/luis.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37794330.post-793847483310475340</id><published>2007-02-25T23:13:00.000Z</published><updated>2007-02-25T23:14:26.256Z</updated><title type='text'>14 de Outubro de 2004</title><content type='html'>Futebol por linhas tortas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;18h35m - Saio de casa para o lançamento do livro do meu amigo Luís Afonso (tem o mesmo nome que eu, mas eu nasci com alguns anos de avanço), que se chama “Futebol por linhas tortas”. É na Bertrand do Vasco da Gama, pelo que me meti num táxi e lá fui dar à zona da Expo-98.&lt;br /&gt;Andei um bocado à nora, porque a Bertrand mudou de sítio e agora está num piso superior, com uma bela livraria. A outra não era má (até era simpática), mas tinha muito pouco espaço. Esta nova Bertrand tem um espaço muito cuidado e por isso a minha primeira impressão foi muito positiva.&lt;br /&gt;Quando cheguei a coisa já estava em movimento e depois seguiram-se os autógrafos. É sempre um momento muito concorrido, no caso do Luís Afonso. Peço para me baterem um “boneco” abraçado ao Luís Afonso, que tenciono mandar ao Bernardo Sassetti, um dos génios do jazz português. O Bernardo (com quem troquei cartões de visita há pouco tempo) confundiu-me com o “verdadeiro” Luís Afonso, no final de um concerto no CCB. Por isso, vou-lhe mandar a foto, para ele descobrir as diferenças entre os dois Luís Afonsos.&lt;br /&gt;Comprei dois livros. Um para mim, outro para o grande Alvarez Rabo, com uma dedicatória do Luís Afonso. Hoje telefonou-me o Rui Brito, com uma “convocatória” para dia 30, em Viseu. Eu e o Rabo vamos dar autógrafos na livraria da Polvo. Calha no segundo fim-de-semana do festival da Amadora, pelo que imagino o corre-corre que vai ser. Mas como um dos meus objectivos era estar com o Rabo, tudo bem. Se ele vier de capuz enfiado (é o mais natural) vou-me solidarizar e também enfio um barrete, ou melhor, um collant. O espírito de equipa é muito bonito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;21h15m - Estou no Holmes Place, para mais uma aula de hidroginástica. Desta feita, grande proporcionalidade entre homens e senhoras (9 contra 6, vantagem senhoras). Pela primeira vez tive de esperar um pouco para poder tomar duche. Nota-se uma grande afluência de sócios, agora que acabaram as férias. Tinham-me dito que o clube queria ter apenas uns mil sócios, mas o facto é que já vai nos 5 mil! E na Defensores de Chaves são 12 mil! Começo a sentir-me claustrofóbico. Mais grave: no meio de tantos sócios e sócias como é que a minha vida sexual não se está a ressentir positivamente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;00h - Cá estou eu a ver o “Cabaret da Coxa”, hoje com o Nuno Nodim (sexólogo) na primeira parte e o José Cid na segunda. O Pedro Ribeiro fez um comentário espectacular à letra de uma canção do José Cid. O Cid acabou por confessar que a letra não era dele.&lt;br /&gt;Depois ainda espreito um bocado do “Sexo na Cidade” e do Venezuela-Equador.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37794330-793847483310475340?l=sexonanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sexonanoite.blogspot.com/feeds/793847483310475340/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37794330&amp;postID=793847483310475340&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/793847483310475340'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/793847483310475340'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sexonanoite.blogspot.com/2007/02/14-de-outubro-de-2004.html' title='14 de Outubro de 2004'/><author><name>Luís Graça (Dick Hard / Von Grazen)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15302192874180431145</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/buga32/luis.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37794330.post-8112800238534047979</id><published>2007-02-18T17:03:00.000Z</published><updated>2007-02-18T17:07:49.861Z</updated><title type='text'>13 de Outubro de 2004</title><content type='html'>Fornicanços portugueses e masturbações islandesas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;20 horas - Estou no Atrium Saldanha, na Loja do Boticário, a recolher a encomenda de quatro embalagens de shampoo “Universal Colors”, maciez e brilho, tons grisalhos a brancos. Podem pensar que é uma mariquice da minha parte, mas sempre quero ver se ainda têm vontade de rir se eu vos disser que o Universal Colors contém extracto de açaí e menta, com pró-vitamina B-5. Ai agora já não gozam?&lt;br /&gt;Estão roxos de inveja? Acho muito bem, porque é a cor do shampoo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;20h30m – CC Arco-Íris. Livaria. Compro o número dez da revista “Ficções”, inteiramente dedicada aos contos. Sou um militante desta revista, que já devia existir há muitos anos. Vivam os contos, como género maior da literatura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;21h15m - Estou em casa, para seguir o Portugal—Rússia, sem fé nenhuma numa vitória das cores lusas. Em Alvalade estão 25 mil almas, abaixo do esperado.&lt;br /&gt;Afinal, fornicámos os russos à grande e à francesa, por 7-1, resultado que me deixa o coração embevecido de ternuras, como sportinguista. Houve grandes golos para todos os gostos, mas a verdade é que os lusitanos tiveram a sorte do jogo. O primeiro golo é precedido de fora-de-jogo e depois os ventos sopraram a nosso favor. Parece que todas as que lá iam entravam. Até o golo russo é bonito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;23h30m - Saio de casa, rumo ao Quarteto, para ver um filme que me escapou no festival “Indie 2004”. Como me tenho dado bem com o cinema nórdico, quis ver o “Nói, o Albino”, do nosso amigo Dagur Kári.&lt;br /&gt;Na zona do Campo Pequeno começo a cruzar-me com malta que vem de Alvalade, de cachecóis e bandeirinhas. Desta feita, apesar dos 7-1, não se ouvem os carros a apitar e não há manifestações de histerismo e atrasadice mental, como durante o Europeu. Ainda bem. Todos os adeptos com quem me cruzei tinham um ar normalíssimo. Constato que havia muitas miúdas entre os adeptos, tipificados, pela amostra, nos seguintes espécimes: grupos de amigos na casa dos 20/30 (machos); grupos de amigos na casa dos 18/24 (machos e fêmeas); famílias (pais com filhos, machos e fêmeas).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;23h55m - Chego ao Quarteto e compro um bilhete. Recebo duas senhazinhas diferentes do habitual. Agora são assim a modos que talãozinho: Castello Lopes-Cinemas. Socorama, S.A. Nói, o Albino. Sala 2, 00.00h. Sem lugar marcado. Preço: 4.50 Euros. Normal.&lt;br /&gt;Quando começa o filme estou sozinho na sala. Depois entram uma menina e um menino. Não há trailers e começamos logo a levar com o gelo e a neve daquele fiorde islandês. Saco um panfleto de propaganda que diz assim:&lt;br /&gt;“Será que ele é o tolinho da aldeia ou um génio disfarçado? Nói, 17 anos, desliza pela vida num fiorde remoto no norte da Islândia. Sonha em fugir desta prisão de muralhas brancas, com Íris, uma rapariga da cidade que trabalha na bomba de gasolina local. Mas apenas um desastre natural poderá arruinar o seu universo e oferecer-lhe uma janela para um mundo melhor”.&lt;br /&gt;Mais abaixo, o panfleto fornece-nos o que, no Propedêutico, chamavam uma dádiva cultural: a Islândia é a segunda maior ilha da Europa, depois do Reino Unido. Esta massa de terra tem 65 milhões de anos e teve origem na deriva continental.&lt;br /&gt;O melhor do panfleto é mesmo um conjunto de dez frases em islandês, algumas retiradas do filme, como esta: Hvad fróar thú thér oft? Ora, para os mais estúpidos (as), sempre vale a pena traduzir: masturbas-te muitas vezes? A frase “não percebo” é muito gira em islandês: Ég skill ekki.&lt;br /&gt;No DN, o E.B (Eurico de Barros) disse que se vê muito bem o filme durante meia-hora, mas depois chateia. Vi até ao final com gosto. O Luís Miguel Oliveira (PÚBLICO) considerou escapatório, dentro do género menor. Por mim, venham mais. Continuo cliente do cinema nórdico.&lt;br /&gt;Ainda por cima, recuperou para a minha nostalgia coisas como o Master Mind, o Cubo de Rubik e o View-Master.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;01h30m - Saio do cinema à frente do casal de amigos, que se queixam do frio, pois estão ambos de T-shirt. O termómetro da Av. Roma marca 15 graus, mas está bastante húmido. Considero-me um ser inteligente, por ter saído com blusão e écharpe.&lt;br /&gt;A meio da Av. Roma (deserta) ouço música dos Beatles. Passados uns segundos identifico um morador jovem a ouvir o Rádio Clube Português, num primeiro andar. A música era o “Ticket to ride”.&lt;br /&gt;Venho para casa pelo Técnico. Hoje só havia quatro auto-putas. A primeira que identifico está a falar com uma puta pedestre. Diz a auto-puta: “Ela tem uma casa arrendada em Benfica. Essa é que está bem”.&lt;br /&gt;Mais acima dou com a auto-puta das válvulas desreguladas, que mudou a cor do cabelo. Nem de propósito, está a falar com um senhor que aparenta intimidade com ela. E diz ele: “É o que te digo. Se fosse a ti comprava já outro automóvel. Esses modelos têm tendência a dar problemas. E quanto mais tarde pior”. &lt;br /&gt;Não percebo nada de automóveis, mas o carro até é bonito e parece novo.&lt;br /&gt;No jardim da Casa da Moeda, um desalojado dorme com plástico por cima de si. Na esquina um mupi publicitário deixa-me sem fôlego. Uma menina de DIM oferece uma maçã verde roída a um pitão reticulado. Slogan: O verdadeiro jogo é o da sedução. Se não é assim, é parecido. Na Miguel Bombarda, ao pé da Embaixada do Chile, está outro mupi. Desta feita a menina é uma fenomenal morena, envolvida por uma série de homens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;02h15m - Abro a TV e ponho-me a fazer zapping, enquanto como dois brioches com fiambre. Dou com o Brasil-Colômbia, qualificação para o Mundial. Deixo-me ficar pela Sport TV, pois o jogo está interessante. Ronaldinho e Ronaldinho Gaúcho vão por ali fora, mas os colombianos aguentam o empate a zero. Há uma bola que bate na trave e entra, mas o árbitro não viu, para desespero da assistência do Estádio Rei Pelé, em Maceió. Sou muito ignorante. Não sabia que havia um estádio com esse nome em Maceió. E não reconheci ninguém na assistência, eu que até conheço tanta gente. Volta e meio dou um pulinho ao canal Holywwod, onde o Max Von Sydow e a Julie Andrews têm todo o aspecto de estar a converter almas na Polinésia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;04h10m - Ponho-me a ver as mensagens no Hotmail e tenho aquilo já a vermelho, com um aviso de estar quase no limite. É mesmo preciso apagar as mensagens todos os dias. Recebo uns mails com bonecada. Um com montagens, a propósito do tema: como seria, se o Iraque ganhasse a guerra. Outro com imagens tiradas de uma revista porno ou coisa assim. Mas é uma produção cuidadíssima. Duas meninas nuas na sauna, com língua na coisa, vibrador na coisa e beijinhos entre elas. &lt;br /&gt;Agradeço ao amigo que me enviou e explico que retiro os insultos mentais que lhe prodigalizei, quando vi que tinha a caixa cheia de tretas. Logo a seguir apanho um mail mais porco, mas ainda assim interessante pela ideia: uma menina toda nua simula um parto com um bebé de plástico. Primeiro só se vê a cabeça do bebé a sair dela. À medida que vamos correndo o mail para baixo percebemos que ela conseguiu meter o bebé de plástico todo dentro dela. É artista!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37794330-8112800238534047979?l=sexonanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sexonanoite.blogspot.com/feeds/8112800238534047979/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37794330&amp;postID=8112800238534047979&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/8112800238534047979'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/8112800238534047979'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sexonanoite.blogspot.com/2007/02/13-de-outubro-de-2004.html' title='13 de Outubro de 2004'/><author><name>Luís Graça (Dick Hard / Von Grazen)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15302192874180431145</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/buga32/luis.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37794330.post-1806738760902080328</id><published>2007-02-11T23:28:00.000Z</published><updated>2007-02-11T21:37:50.389Z</updated><title type='text'>11 de Outubro de 2004</title><content type='html'>A canzana de Amesterdão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ponho o despertador para as 11 horas. Pelas 11h30m vêm-me trazer o novo colchão. Foi uma pena libertar-me do outro, que tinha apenas 22 anos de uso! Agora tenho um Molaflex Molinhas Yoga. Não sei como vai ser. Ainda não dormi nele. Não posso fazer juízos de rendimento sobre qualidade de sono, sexo ou leitura. Sim, uma cama serve para muita coisa.&lt;br /&gt;Como tive de acordar “de madrugada” (já sabem que o meu fuso é outro) e só dormi umas quatro horas, resolvo aproveitar para descontrair na piscina do Holmes Place. E lá vou eu para a aula de hidroginástica das 13h15m, dada pela Carla. O corpo principal do trabalho foi feito com “aquafinn”, que são uma espécie de asinhas de morcego que se prendem aos punhos ou aos tornozelos, para aumentar a resistência à água e trabalhar os músculos. Para variar, grande presença feminina na água: 22 senhoras para três homens.&lt;br /&gt;Acabou a aula e fiquei por lá a andar de um lado para o outro, dentro de água. Depois jacuzzimizei-me uns bons 20 minutos e voltei a casa. Saquei do livro de cheques e fui pagar a Caixa dos Jornalistas, como freelance. Agora querem que a malta comece a pagar via multibanco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Almoço. Depois vou até aos jardins da Gulbenkian, ler os jornais. Capturo os maravilhosos raios de sol de um final de dia magnificamente outonal. Já estou a sair quando encontro uma dilecta amiga dos tempos do DN-JOVEM.  Veio passear com a filha, de quase três anos. Pusemos a conversa em dia, apesar das queixas da Leonor, que queria mais atenção da parte da mãe. Entro na brincadeira com a menina e acabo a “meter uma cunha” à mãe, para a levar a ver “O gangue dos tubarões”, que por acaso ainda não degluti. Depois fiz de cavalinho, carregando com 16 quilos às costas até ao carro, segundo fontes bem informadas. No final, a Leonor deu-me um torrão de açúcar imaginário, tal como tínhamos negociado previamente.&lt;br /&gt;Janto e dou de pinote para a minha catedral dos últimos dias, o S. Jorge. Chego bastante em cima da hora, mas ainda caibo no sector central da fila P. Lá vejo o “Podium”, de que gostei bastante.&lt;br /&gt;Estreado em França em Fevereiro, este filme (adaptado do livro do realizador Yann Moix, de 2002) é uma verdadeira pérola do nacional-pirosismo-cançonetismo. Reza assim a sinopse retirada do programa da V Festa do Cinema Francês: “Nome: Bernard Fréderic. Profissão: Claude François, cantor de sucesso dos Anos 70. Sósia profissional, flanqueado pelas suas quatro coristas, a sua ambição é ganhar o concurso televisivo dos sósias. Ao lado do seu amigo Couscous, sósia do produtor musical Michel Polnareff, mergulha com deleite nesse universo fútil, correndo o risco de perder a mulher, o filho e a sua própria identidade”.&lt;br /&gt;O filme tem vários méritos. Evocando a memória de Claude François (falecido a 11/3/1978), capturou o espírito do nacional-cançonetismo gaulês dos anos 60 e 70, já que Claude François começou a destacar-se ainda na primeira metade dos anos 60. Ao lado romântico do pirosismo, excelente para ser tratado em comédia, soma-se a interpretação verdadeiramente a rasgar de Benoît Poelvoorde, que foi a “isca” que me pescou para o visionamento deste filme, à mesma hora de “L’Anatomie de L’Enfer”, de Breillat, programado para o Instituto Franco-Português.&lt;br /&gt;Poelvoorde continua com a mesma truculência de “Manual de Instruções para Crimes Banais”, polvilhada agora com uma versatilidade a todos os títulos notável. A sua cena com a sensual Marie Guillard (uma das meninas do coro de Poelvoorde) é digna da cena de truca-truca de “Delicatessen”. Ao som de “Si j’vais un marteau” (adaptação de Claude François de “If I had a hammer”), ele ataca canzanisticamente Marie Guillard, num dos momentos superlativos do filme, fazendo também lembrar uma canzana famosa em “O homem das estrelas”, protagonizada por Sergio Castelitto, que os protugueses viram recentemente na TV, a fazer de Enzo Ferrari.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A banda sonora é mesmo um “must” e o CD será bem comprado por quem assim o decidir. Pelo filme perpassa a memória de Joe Dassin, Johny Halliday e alguns outros monstros da canção francesa. Halliday faz mesmo um pequeno “cameo” de segundos, sem diálogo, simplesmente a atravessar o palco.&lt;br /&gt;Fenomenal o dueto ao piano entre Poelvoorde e Claude François, com a ajuda da trucagem. Eu já tinha visto um bocadinho na TV5, quando o filme estreou. Prodígios da tecnologia, que também pôs o Nat King Cole a cantar em dueto com a filha, num clip.&lt;br /&gt;Saio do cinema bem disposto e meto outra vez pela Rodrigues Sampaio, para subir até casa. Pouco passa das 11 da noite e à porta do clube de strip Sampayo ainda não se nota grande movimento. Continuo a subir e acabo por entrar numa sex-shop, que está deserta. Ponho-me a “folhear” os DVDs e deparo com uma enorme oferta na área da zoofilia. Penso que não será muito boa ideia falar de um destes DVDs aos leitores(as). Afinal, sou o autor do conto “O homem que sodomizava cães de raça”, que até foi desviado de título de livro para segundo conto de “O homem que casou com uma estrela porno e outros contos perversos”, da Polvo. Por outro lado, este conto foi escrito em 1994, como mero exercício de estilo. É preciso ser muito bronco(a) para não saber distinguir entre ficção e realidade.&lt;br /&gt;Bem, resumindo: considero serviço público a divulgação do conteúdo de um DVD de zoofilia. E aviso já que só tinha visto um filme desta área, até ao momento, em casa de um amigo, há muitos anos. E fiquei muito abananado, depois de ter visto uma brasileira a praticar sexo oral com um cavalo. O bichinho ejaculou tipo jacto Falcon, ela engasgou-se e até parecia que tinha levado com o recuo de um canhão do tempo do Gungunhana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 da manhã (bem bom, ei, 2 da manhã, ei, bem bom)&lt;br /&gt;Toma lá com um Dogue Alemão!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de muitas hesitações (estive para trazer um DVD de meninas a sodomizar meninos, a chamada simulação masculina, também era um DVD esquisito e com pano para mangas no que toca a comentários), optei por “Danish Master Dog”, volume 14 da colecção “Animal Lovers”. DVD datado de Junho de 2002, produzido na Holanda, em Amesterdão. Depois de ver o filme continuo a gostar mais das holandesas, dos canais, do Rutger Hauer e do Ajax.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para que ninguém perca nada destes quase 60 minutos, resolvo fazer uma espécie de “filme de jogo”, tal como acontecia na “Gazeta dos Desportos”, em que era obrigatório ter 50 linhas a descrever as jogadas, para dar uma coluna de alto a baixo do jornal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preâmbulo: o filme retrata um “ménage à trois” entre duas holandesas (presumivelmente) e um dinamarquês de origem (o cão, que também pode ser holandês). De resto, a situação é confusa. O Grand Danois, ou Great Dane, tem nomenclatura portuguesa como Dogue Alemão e não Dogue Dinamarquês. Como é pouco provável que tenham utilizado um cão estrangeiro, partamos do princípio de que é de raça tulipense, arraçado de dinamarquês.&lt;br /&gt;O filme começa com as duas meninas a beijar-se. Uma tem um aspecto mais ordinário, outra até tem um aspecto bastante fino.O cão não está em cena.&lt;br /&gt;5’31’’ - A menina mais ordinária (designemo-la por  actriz B) já está numa de “fist fucking” (masturbação com a mão toda dentro da coelhinha da actriz A, a mais fina). Pormenor de salientar: retira os anéis, para não magoar a camarada de caralho. Vão-se os anéis, fiquem os dedos! A menina tem um relógio estilo swatch, que a acompanhará ao longo de toda a película. Como não se vê a marca, presumo que seja falta de lembrança em tirar o relógio. Também pode ser promessa. Ou uma agenda muito sobrecarregada, que a obrigue a controlar o tempo metodicamente.&lt;br /&gt;7’03’’ - Um beijinho na perna da menina penetrada. É o toque de ternura de que o filme carecia.&lt;br /&gt;7’39’’ - Actriz B agarra num vibrador cor de chocolate, com a glande em rosa, com vibração propulsionada a pilhas. Há mudança de posição, com troca de extremos. Mãozinha de Scolari? Mistério. Primeira cena de sexo oral.&lt;br /&gt;8’50’’ - Primeira penetração do vibrador. O zumbido é intenso, tipo Abelha Maia no final do episódio.&lt;br /&gt;10’57’’ - Percebe-se que o realizador deu uma indicação qualquer. Julgo entender “Allez!”, mas não posso garantir. O segundo vibrador (preto e doirado, talvez tenha patrocínio da John Player) entre em acção.&lt;br /&gt;11’33’’ - Actriz B mete os dois vibradores na boca, enquanto actriz A lhe lambe a zona da verdade. O som dos vibradores é igual ao de uma broca de água, no dentista.&lt;br /&gt;12’59’’ - Vibradores em dupla penetração.&lt;br /&gt;15’45’’ - Auto-fist fucking. Não percebem?!? Ai, ai,ai…é preciso dizer tudo aos meninos e meninas. São muito atadinhos... pronto, eu explico: a menina vira-se de rabo para a câmara e mete a mãozinha dela na ratinha dela. Perceberam agora?&lt;br /&gt;17’04’’ - A segunda atleta brinca com o vibrador negro e doirado. Tem o mesmo problema de Hugo Viana e Pedro Barbosa. É muito paradinha, parece adormecida.&lt;br /&gt;18’57’’ - Temos um pico fonético. O som conjugado dos vibradores lembra a partida de um GP de Motonáutica, mas Nico Benavente não tem mesmo nada a ver com este filme.&lt;br /&gt;20’06’’ - Cena de masturbação. Vibradores a suplentes, mas sempre com a pilha a funcionar. Certo que a Holanda é um país rico, mas este desperdício de energia devia ser condenado. O Protocolo de Quioto não abrange estas situações?&lt;br /&gt;20’34’’ - O cão entra em cena, finalmente. Mas desenganem-se os que esperavam uma cena progressiva. Este filme não tem mesmo argumento nenhum. As duas meninas entraram mudas e saíram caladas. Gemeram muito mais do que o cão.&lt;br /&gt;A primeira imagem do cão é já com a menina mais fina a lamber a vermelhusca sarda do Grand Danois (que não tem as orelhas cortadas, como é comum na raça). O focinho do cão não é filmado. Encaro a hipótese da preservação do anonimato, para evitar problemas com a família. Mas é hipótese que não se confirma. E apesar do DVD dizer que todos os participantes apresentam comprovativos em como têm mais de 18 anos, é evidente que o cão é menor. E a FIFA não faz nada.&lt;br /&gt;23’19’’ - Quem sabe de cinema reconhece o famoso “Plano Céltico”. É um plano lateral, que apanha a menina por baixo do cão. O plano chama-se céltico porque parece que ela está por baixo de uma anta pintada de preto. O cão está desconcentrado. Vê-se que faz porno por dinheiro. Tem uma expressão caracteristicamente aparvalhada. Não nos admiraria nada que mais tarde venha a escrever uma biografia a explicar que foi obrigado.&lt;br /&gt;24’10’’ - Menina mais fina sujeita-se à sarda pouco erecta do super-canídeo. A cena é de penetração/masturbação, já que é preciso agarrar a sarda do animal pelo nó e andar num vaivém contínuo. É assim estilo rebocador, porque o cão está de pé e de costas para a menina, que está deitada na cama, de perna aberta, de frente para o cão, tipo sapo. Só vendo, mas depois não digam que fui eu que mandei. A expressão da menina indica que pode mesmo estar a desfrutar da situação. Muito mais do que o cão. Isso é certo. Até porque ganha muito mais do que o cão. Uns ficam com a carne, outros roem os ossos, como sempre.&lt;br /&gt;29’33’’ - Bond, James Bond, em “Tira e torna a meter”.&lt;br /&gt;31’25’’ - Cão tão depressa apresenta uma expressão séria e curiosa perante a câmara como está de língua de fora. O contraste entre o preto da cabeça e o rosa da língua dá-lhe uma expressão patusca, tipo desenhos animados.&lt;br /&gt;35’40’’ - Está na hora da outra menina lamber os tomates ao cão.&lt;br /&gt;37’46’’ - Aqui está a verdadeira canzana! A menina vira as costas ao cão, que também continua de costas. Tem de ser a outra menina a direccionar a sarda. E a menina mais fina é que fode o cão, auto-propulsionando-se na cama king size.&lt;br /&gt;41’27’’ - Menina mais ordinária dá beijinhos no cu da menina mais fina. Já estou muito cansado de ver o filme, mas quero ver se as miúdas dizem qualquer coisa. Não dá para avançar o filme à campeão. O profissionalismo tem regras. Talvez o filme não seja falado para se tornar mais universalista. Ou por motivos de marketing. Assim, pode ser compreendido em todos os países e mesmo por todos os animais, permitindo um visionamento simultâneo a donos de cães de companhia e respectivas mascotes.&lt;br /&gt;44’05’’ - Regresso à primeira posição. O cão continua desinteressado. Questão ética: o cão está a ser violado? Por um lado, não parece nada atormentado com a situação, por outro é evidente que ele não quis tomar a iniciativa. Sendo assim, a participação de animais em filmes porno está ao nível das touradas, dos jardins zoológicos, dos espectáculos de circo? Questão para reflectir.&lt;br /&gt;Certo é que o cão pode ser holandês mas tem feitio de cão alentejano. Mais calma do que aquilo não é possível. A minha grande dúvida existencial é: será que o cão se vem, para o filme acabar? Ou acaba mesmo sem o cão se vir? Ou seja, haverá um filme porno sem o chamado “money shot”?&lt;br /&gt;46’49’’ - Segunda menina entra em acção. Pára no peito, cola na relva, penetra na área.&lt;br /&gt;52’58’’ - Segunda menina muda de posição.&lt;br /&gt;55’05’’ - Menina mais fina faz sexo oral ao cão.&lt;br /&gt;56’17’’ - Ajuda ao número...2! (Lembram-se da Barra do Lenço?)&lt;br /&gt;De repente... acaba tudo. O cão não se veio. Quem quiser saber mais, continue a seguir a série. Para mim chega. Não faço ideia de como são as outras produções. São 4 horas e 29 minutos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37794330-1806738760902080328?l=sexonanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sexonanoite.blogspot.com/feeds/1806738760902080328/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37794330&amp;postID=1806738760902080328&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/1806738760902080328'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/1806738760902080328'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sexonanoite.blogspot.com/2007/02/11-de-outubro-de-2004.html' title='11 de Outubro de 2004'/><author><name>Luís Graça (Dick Hard / Von Grazen)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15302192874180431145</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/buga32/luis.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37794330.post-117060043336371412</id><published>2007-02-04T14:43:00.000Z</published><updated>2007-02-04T14:47:13.373Z</updated><title type='text'>10 de Outubro de 2004</title><content type='html'>No S. Jorge, com a Breillat&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deito-me mais cedo do que habitual na madrugada de sábado para domingo e não passo cartucho ao GP de F.1, transmitido às 7 da matina. Quando me levanto, como um iogurte e vou nadar um cochinho para o Holmes Place.&lt;br /&gt;Depois almoço e ala para o S. Jorge, para a festa do cinema francês. Compro um bilhete para o “Podium”, do Yann Moix, com o Benoît Poelvoorde, que vi no magnificente “Manual de instruções para crimes banais”, há uns bons anos, no King Triplex.&lt;br /&gt;Na banca dos livros está uma obra que me interessa: “Les films-clé du cinéma” (Claude Beylie, Larrousse). São 32 euros, mas vale a pena. Vou ao multibanco e compro. Ao dar a volta por trás do Tivoli descubro uma casa de strip onde nunca fui, o Sampayo, do mesmo patrão do Nina.&lt;br /&gt;Regresso ao S. Jorge e fico a ler na varanda o “24 horas”, que tem na capa a Marisa Cruz, a dizer bem do João Pinto. Como ser humano. E a fechar-se em copas, no corpo da entrevista, por já estar escaldada.&lt;br /&gt;Finalmente, chega a hora do aguardado “Sex is comedy”, da realizadora-escândalo Catherine Breillat. Estou muito curioso de a ouvir. O filme é bom, superiormente interpretado pela Anne Parillaud do meu contentamento. A Anne Parillaud que vi pela primeira vez a contracenar com o Alain Delon (numa cena de cama muito meiguinha), que depois segui como a assassina de Nikita, como vampira em Nova Iorque e sei lá mais onde. Bref: gramo da gaja bué.&lt;br /&gt;O filme expõe de forma conseguida várias questões candentes do cinema: a relação entre realizador/actores, a encenação, as relações de poder. É uma ficção quase documental, com muito de autobiográfico. No final da película, Catherine Breillat ficou a falar para uns 60 espectadores. Os outros viram o filme e foram-se embora. Bastantes abandonaram o S. Jorge durante a intervenção da realizadora. Acho estranho e um grande desperdício. Não é todos os dias que se pode falar com ela.&lt;br /&gt;Se o seu cinema enumera questões cruéis, ela é bastante dócil na comunicação, mas tem um discurso paradoxal. Considera-se fria e racional como realizadora, distante de tudo, mas ao mesmo tempo acha que o cinema é paixão e a paz é boa para quando estivermos mortos. Não acredita na harmonia do plateau entre actores e realizador, mas acaba por conseguir ser amiga dos seus actores, depois de ter concluído os filmes. Faz mesmo algumas analogias entre um actor e um cavalo de corrida. Acha que tem de os espicaçar para tirar o melhor deles. &lt;br /&gt;No entanto, está recheada de dúvidas cada vez que vai filmar e tem dias em que pensa que não sabe nada de cinema.&lt;br /&gt;Para si, mais do que o cérebro, a verdade é o corpo. Assume uma problemática interessante em relação ao macho, num dilema paixão/rejeição, num mundo que considera machista e que lhe colocou bastantes entraves no início da carreira. É peremptória quando afirma que a relação entre uma realizadora é sempre melhor com as suas actrizes.&lt;br /&gt;E depois disto tudo, e de termos visto o filme, ela ainda acha que falou em abstracto e que não há nada de voluntariamente autobiogáfico. Mas eu não fico nada convencido. Choca-me a visão soturna da vida que ela tem e que aceita com um ar muito natural. Percebo, depois de a ouvir, muita da violência dos seus filmes. E fico assim a modos que.&lt;br /&gt;Subo a pé pela Av.Liberdade e desemboco no Galeto para um jantar tardio. Depois perco-me na conversa com os tertulianos do costume e quando dou por mim são 3 da manhã. Ah! pois é.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37794330-117060043336371412?l=sexonanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sexonanoite.blogspot.com/feeds/117060043336371412/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37794330&amp;postID=117060043336371412&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/117060043336371412'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/117060043336371412'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sexonanoite.blogspot.com/2007/02/10-de-outubro-de-2004.html' title='10 de Outubro de 2004'/><author><name>Luís Graça (Dick Hard / Von Grazen)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15302192874180431145</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/buga32/luis.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37794330.post-116999274454877222</id><published>2007-01-28T13:56:00.000Z</published><updated>2007-01-28T13:59:04.566Z</updated><title type='text'>9 de Outubro de 2004</title><content type='html'>18 horas (casa) Liechtenstein-Portugal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem grande fé na qualidade do futebol praticado no Liechtenstein-Portugal, opto por tomar um duche e levo o transístor para o banho. Vou seguindo as peripécias do encontro e percebo que a equipa de todos nós também está a meter água.&lt;br /&gt;A segunda parte já segui via TV e diverti-me bastante com a inépcia dos profissionais portugueses face aos amadores adversários. Portugal conseguiu a proeza de encaixar dois golos do Liechtenstein. O empate deu direito a festa nas bancadas. Deve ter falhado a invasão de uma stripper, que tinha resultado anteriormente.&lt;br /&gt;Faço um intervalo no ciclo de cinema francês, mas não deixo de ver cinema em francês. Lá estou eu no Nimas, para a sessão das 22 horas, para mais um filme do Otar Iosseliani. Nas críticas do PÚBLICO não faltavam estrelas, mas eu acho que confundiram o filme com o planetário da Gulbenkian.&lt;br /&gt;Gosto imenso do Iosseliani e do seu registo muito pessoal, meio de fora do filme, meio por dentro, deixando passear a câmara com subtileza, criando uma galeria de personagens caricaturais, ao mesmo tempo que vai infiltrando as suas metáforas na mente do espectador.&lt;br /&gt;Desta feita, porém, o “Segunda de manhã” pareceu-me um filme já repetitivo em relação à obra anterior de Iosseliani. Os actores fazem um pastiche de si próprios, remetendo para  as memórias que o espectador terá de filmes anteriores. O trabalho de câmara é sempre apurado, mas a película arrasta-se. Elegantemente, mas arrasta-se. Veneza aparece de forma muito gratuita, mas ainda assim é Veneza. Não a Veneza de “As asas da pomba” (com Dominique Sanda) ou a Veneza que se vê num James Bond. Mas Veneza é sempre Veneza.&lt;br /&gt;Claro que fica o politicamente correcto das metáforas da globalização, da liberdade, da diferença, num mundo cada vez mais igual e amorfo. Mas de Iosseliani espera-se sempre mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;01h &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma volta ao Técnico, para apurar do efeito da chuva na frequência de putas. Reduzidas a 50 por cento, segundo as últimas contagens. Duas auto-putas e doze pedestres.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37794330-116999274454877222?l=sexonanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sexonanoite.blogspot.com/feeds/116999274454877222/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37794330&amp;postID=116999274454877222&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/116999274454877222'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/116999274454877222'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sexonanoite.blogspot.com/2007/01/9-de-outubro-de-2004.html' title='9 de Outubro de 2004'/><author><name>Luís Graça (Dick Hard / Von Grazen)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15302192874180431145</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/buga32/luis.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37794330.post-116940144805707209</id><published>2007-01-21T17:35:00.000Z</published><updated>2007-01-21T17:44:08.073Z</updated><title type='text'>8 de Outubro de 2004</title><content type='html'>Viva o Brasiu! ( Strip no Nina—Diamantes e Pérolas)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saio de casa perto das 19 horas, a duas horas e meia do filme que quero ver no S. Jorge (Wild Side, de Sébastien Lifshitz, estreado em França a 14/4/2004, 107 minutos, drama).&lt;br /&gt;Vou um bocado às escuras para o filme, na base da militância, aproveitando o privilégio de poder dialogar com o realizador a seguir à película. Chego ao S. Jorge com tempo e compro bilhetes para outras sessões.&lt;br /&gt;Desço a Av. Liberdade e algumas putas clássicas já estão ao ataque ao lado da marisqueira Quebra-Mar. O louro artificial combina-se com um olhar triste e o tédio. Potenciais clientes há poucos. A Avenida está cheia de estrangeiros das mais variadas proveniências.&lt;br /&gt;Vou até à FNAC do Chiado, espreitar as novidades de BD. Propositadamente, não vou à área dos CD de jazz, para não me tentar. Logo ao descer as escadas deparo com um livro da senhora austríaca que “papou” o Nobel: “Lust”, de Elfried Jelinek.&lt;br /&gt;Na contracapa diz que “é um romance pornográfico que escandalizou e entusiasmou a Alemanha pela ousadia da sua narrativa: um industrial, dono de uma fábrica de papel, temeroso em relação ao sida, usa e satisfaz-se sexualmente com a mulher, como no passado se servia de prostitutas. Perante o olhar pouco tímido do filho, acontecem cenas de terrível violência e obscenidade. Tudo num palco íntimo e luxuoso de uma villa”.&lt;br /&gt;Não sou de andar a comprar livros só por ser Nobel (tenho muitos Saramagos de atraso), mas aposto neste. Torço intimamente para que seja mau, de forma a legitimar a escrita deste meu livro. Como quem diz: “Vêem, se aqueles palhaços de Estocolmo dão o Nobel à autora desta obscenidade, por que motivo não posso eu escrever sobre sexo, como um pobre mortal?”.&lt;br /&gt;Espreito o livro (de 1992, editorial Estampa) e vejo que é nitidamente literatura, só com um relance. Resta saber que tal está a tradução. Mas a mão de escrita é inquestionável. Compro.&lt;br /&gt;Passo pelo stand dos jornais e lá vêm para o saco o Sporting, o Benfica (coisa que intriga os donos dos quiosques, um homem que compra os jornais dos dois clubes rivais como quem bebe um copo de água), o Magazine Artes e uma revista brasileira erótica, que nunca tinha visto: Sexsymbol, Setembro 2003, edição número um. Ora bem, isto é que é qualidade de vida: chega agora a Portugal o número de Setembro de 2003, com as novidades fresquinhas: Barbara Tkalec, a dublê de acção mais gostosa do Brasil, nua, incendiando as nossas páginas. Entrevista: Cazé da MTV; Invasão de privacidade: tudo o que rola no banheiro feminino; Voyeur: loura e morena “brincando” sozinhas; Sexo: 25 mulheres contam como é o homem bom de cama; Ajude-nos a eleger as 100 mulheres mais desejadas.&lt;br /&gt;A revista ainda está no plástico, fechada. Primeiro tenho de escrever o diário e já são 5 e 27 da madrugada. Além disso, estou um tanto cansado e sentem-se alguns efeitos dos três Drambuie que bebi no “Nina”, tendo comido ao jantar apenas uma sopa de cação e uma salada de frutas.&lt;br /&gt;Na “Loja das Sopas” fico espantado com um folheto da Fundação Portuguesa de Cardiologia, elaborando uma espécie de dez mandamentos de quem come fruta. Presumo que nas frutarias a Fundação Portuguesa de Cardiologia tenha um destacável sobre as benesses proporcionadas pelas sopas. A nível subconsciente, talvez isso me tenha levado a ir à procura de “fruta” para o “Nina”. &lt;br /&gt;Esta hipótese não é nada descartável. Sendo assim, os 83 euros que gastei deviam ser debitados à Loja das Sopas e à Fundação Portuguesa de Cardiologia, já que eu é que me meti nesta coisa e a Oficina do Livro não patrocina os processos de investigação para o livro. Nem eu pedi. Já estou a imaginar o editor a rir-se.&lt;br /&gt;Saio a pé da FNAC e venho a desmoer o cação rumo ao S. Jorge. Nos Restauradores, dois bombons dos seus 16 anos vêm direitas a mim. Imagino o filme: vou ser “cravado”. O olhar angustiado da meninas rapidamente me desenganou:&lt;br /&gt;— O senhor desculpe, sabe-me dizer onde é o Coliseu?&lt;br /&gt;— É atravessar a rua, meter por aquela que desce ao lado do cartaz dos correios e depois cortar à esquerda. Cuidado com os gatos, que arranham muito!&lt;br /&gt;— Desculpe?!?&lt;br /&gt;— Cuidado com os gatos, que arranham muito!&lt;br /&gt;À segunda, a miúda lá percebeu a piada e riu-se. A amiga ficou a olhar, com cara de parva. Ora, duas miúdas que iam ver o “Cats” ao Coliseu e nem percebiam uma piada simples, sem ketchup ou mostarda.&lt;br /&gt;Subo até ao S. Jorge. As putas clássicas continuam no mesmo sítio. Está de chuva. A esplanada da “Bela Ipanema” (ao lado do S. Jorge) está vazia, por causa das pluviosidades. No dia anterior estava a rebentar.&lt;br /&gt;Entro no S. Jorge e vou direitinho ao lugar P-20. Abro a camisa até ao umbigo e socorro-me do programa para abanar. Mas estava menos gente na sala, as luzes apagaram e aquilo ficou jeitoso.&lt;br /&gt;Gostei do filme. A temática da homossexualidade é tratada de forma sóbria e Sébastien tem intimidade com a câmara e sabe como contar uma história. O registo dramático não cai para a lamechice.&lt;br /&gt;No final, vou ter com o Sébastien, que está a falar com o Tito Lívio. Falamos um bocadinho e ele confessa que adorou o “Noites Selvagens”, do Cyryl Collard. Perguntei-lhe se era uma referência, bem como “A noite usa ligas” (de Virginie Thévet, com que falei há uns 20 anos, no Forum Picoas, noutro ciclo de cinema francês) e “O ódio”, de Mathieu Kassovitz. Lá cavaqueamos um bocadinho, mas depois dou lugar a outras pessoas que querem falar com ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;23h50m - No “Nina - Diamantes e Pérolas”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entro no “Nina”. O DJ é um moço novo que deu boa conta do recado ao longo das quatro horas  em que lá estive. Do raggaezinho saudável até ao “Sultans of swing”, deu para curtir.&lt;br /&gt;Sento-me, tiro o casaco e peço um Drambuie. Há cerca de oito meninas de serviço. Passam uns dez minutos e sou abordado pela primeira, uma brasileira de Goiânia, meiga e boa conversadora. O empregado vem perguntar se a menina bebe alguma coisa. Suponho que sim, que os líquidos fazem muita falta. Mas eu resolvi não pagar-lhe nenhuma bebida. Ao invés, fintei o destino e disse-lhe:&lt;br /&gt;— Que tal um privado, em vez da bebida?&lt;br /&gt;Pois é, sem crises. Assim até dá gosto. Combinado o privado com antecedência, ficámos no paleio uns 20 minutos. A menina foi empregada de mesa, deixou um filho no Brasil e não tem muitos meses de strip.&lt;br /&gt;Comecei por dizer que o meu pai nasceu em Manaus e tinha uma jibóia no sótão para comer os ratos. A menina não achou lá grande piada, até porque a conversa descambou para ratos (que lhe fazem impressão), osgas (que lhe metem um nojo danado), camaleões (eu tive um aos 12 anos, mas ela também fica stressada), seguido de outra coisa muita animada: a morte de Ayrton Senna. Percebi que a menina estava a ficar com má impressão minha e dei por findo o momento National Geographic Magazine.&lt;br /&gt;Depois lá me desafiou para o privado e fomos nessa, para a sala do lado, onde ela me pediu para me situar exactamente a meio do sofá. É uma questão geométrica, não de somenos importância no encontro de corpos, de mentes e de eternidades.&lt;br /&gt;E o vestido verde-alface lá foi caindo, como mandam as regras. Eu lá fiquei sem camisa (uma novidade) e deixei-me embalar naqueles olhos negros e profundos, naqueles lábios sensuais. Foi um belo provate, sem pressas, com muita comunicação.&lt;br /&gt;— Está em silêncio...&lt;br /&gt;— Pois, é para saborear e a deixar concentrar-se...&lt;br /&gt;— É estranho, você fala tanto...&lt;br /&gt;(Chamavam Rádio Graça ao meu pai, quando ele era novo; e o hobby preferido da minha mãe é o telefone, nem percebo como ainda não inventaram um modelo de telemóvel Lecas LXZ, “Fale até cair pró lado”)&lt;br /&gt;— Pois é, se não houver comunicação até pode ficar meio sem graça...&lt;br /&gt;— Comigo não. Comigo tem sempre Graça, obrigatoriamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou direito ao casaco e tento sacar a carteira do bolso.&lt;br /&gt;A miúda pensa que lhe vou oferecer dinheiro em troca de sexo e fica toda aflita (meia sem-jeito, em brasileirês). Vejo a aflição dela, percebo a “parte gaga” (como diria o Ayres Nunes) e também fico à toa.&lt;br /&gt;— Por amor de Deus! Não é o que está a pensar! Não vou tirar dinheiro da carteira. Já vai perceber a piada.&lt;br /&gt;E lá saquei do cartão do CNID (Clube Nacional de Imprensa Desportiva) e mostrei o meu visível nome: LUÍS GRAÇA. Aí ela riu-se com gosto e eu senti-me recompensado.&lt;br /&gt;O privado acabou, ela mudou de vestido verde para vestido preto, deixou de ter os cabelos soltos. Foi dançar. Aí é que apreciei o seu corpo com mais nitidez. Provérbio chinês aplicável à situação: “Se estiveres muito próximo da árvore, podes não conseguir ver a floresta”.&lt;br /&gt;Perto da uma da manhã pedi o segundo Drambuie.&lt;br /&gt;Fui observando meninas atrás de menina e depois veio outra brasileira sentar-se ao meu lado. Desta feita, era uma menina do Ceará, que estava em Portugal há muito pouco tempo e se estreava no strip naquela noite. Ainda nem tinha feito nenhum private.&lt;br /&gt;— É consigo que vou fazer o primeiro?&lt;br /&gt;— Por acaso não, por motivos rigorosamente orçamentais. Só por isso. É muito bela, tem elegância e sedução.&lt;br /&gt;— Obrigada. Ainda tenho as mãos geladas. Estou tão nervosa. Vai-me ver dançar outra vez?&lt;br /&gt;Prometi que sim. Temos de apoiar as jovens promessas da modalidade e o sector da formação. A menina deixou dois filhos no Brasil, trabalhou como Relações Públicas numa discoteca e antes de chegar a Portugal esteve numa pequena localidade da Galiza. Chegou a vender pratas na praia de Fortaleza. Imagino aquela beleza, de bikini, a vender pratas areia fora.&lt;br /&gt;Quando ela vai dançar, uma checa muito simpática e divertida, há três anos em Portugal, dá-lhe instruções técnicas, como num combate de pugilismo. A Mónica dos cabelos negros e dos olhos azuis não é uma Praga para a novata. É um porto de abrigo. Fuma um cigarro nervosamente e aplaude com emoção quando a camarada brasileira acaba. A assistência aplaudiu com pouca emoção e ela fez-lhes um sinal, como quem diz: “Ó seus palhaços, não apoiaram a miúda como deve ser e ela está a começar. Isso são termos de estar num clube de strip?”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentei falar inglês com a checa e ela para mim:&lt;br /&gt;— Não é português?&lt;br /&gt;— Sou.&lt;br /&gt;— Então fale português. O meu inglês é pior do que o meu português.&lt;br /&gt;Lá falámos. E depois a Mónica ainda brincou comigo, fazendo-me sinal, de longe, para me calar, quando o DJ mandou brasa com “Ladies and gentlemen, welcome to the jungle”.&lt;br /&gt;Deixei a Mónica a fazer o balanço com a menina brasileira (“Olha, a Mónica está a dançar, só faltam o Cebolinha e o Cascão”, disse eu para a menina brasileira, a páginas tantas), paguei, vesti o casaco e fiz-me à noite.&lt;br /&gt;Quando passei pela “Brasileira”, o sôr Fernando mandou-me uma boca:&lt;br /&gt;— Atão, man, o meu livro?&lt;br /&gt;— Sôr Fernando, já escrevi 15 contos humorísticos sobre o senhor e os seus heterónimos. Está tudo a ser analisado pela editora.&lt;br /&gt;— Bem, vamos lá a ver isso. Já ouvi dizer bem dos contos. Em último caso, se ninguém editar, passa por cá, tomas um bagaço comigo e depois eu guardo o material na arca.&lt;br /&gt;Ficámos assim.&lt;br /&gt;Dei uma esmola de um euro na Rua do Carmo (3h45m), vi um bêbedo a dormir deitado no chão (3h50m), dois homens do lixo a mandar piadas a um casal gay que ultrapassei sem dificuldades (“Ai elas! Malucas!”), depois levei com uma chuvada que até andei de roda, já perto de casa. Mas estava prevenido com um chapéu-de-chuva. Hoje senti o Outono. Cheguei a casa, desmolhei-me, fiquei de calções Butterly (do pingue-pongue) e T-shirt do Fernando Pessoa, bebi um chá, comi uma banana, comi uma maçã e meti-me ao trabalho.&lt;br /&gt;São 6 horas e 16 minutos e nada de novo a assinalar na Frente Ocidental.&lt;br /&gt;Estou cansado, mas feliz. Convém agradecer a Deus esta facilidade de escrever.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37794330-116940144805707209?l=sexonanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sexonanoite.blogspot.com/feeds/116940144805707209/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37794330&amp;postID=116940144805707209&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/116940144805707209'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/116940144805707209'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sexonanoite.blogspot.com/2007/01/8-de-outubro-de-2004.html' title='8 de Outubro de 2004'/><author><name>Luís Graça (Dick Hard / Von Grazen)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15302192874180431145</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/buga32/luis.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37794330.post-116881686251888423</id><published>2007-01-14T23:20:00.000Z</published><updated>2007-01-14T23:21:02.530Z</updated><title type='text'>7 de Outubro de 2004</title><content type='html'>18 e 30 horas - Mãe D’Água&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou com uma amiga num espaço belíssimo: a Mãe D’Água, no Jardim das Amoreiras. Assisto a um concerto do “Trio luminar” (harpa, violino, flauta transversal). É pena a acústica não ser a melhor. O som bate nas abóbadas e provoca ecos. Mesmo assim, usufruo de uma hora de boa música.&lt;br /&gt;Saio com a minha amiga em passo acelerado. Espera-nos outra iniciativa cultural: a abertura do ciclo de cinema francês, no S. Jorge, pelas 21 horas. O filme foi uma agradabilíssima descoberta da realizadora Noémie Lvovsky (“Les sentiments”). Mais uma interpretação superlativa do actor Jean-Pierre Bacri, que já tinha mostrado o que vale em “O gosto dos outros”. Nathalie Baye (tão longe da prostituta atrevida de “La balance”, que vi todo repimpado no defunto Star, na Guerra Junqueiro) é também uma grande senhora do cinema francês. Melvil Poupaud, que esteve presente no S. Jorge, também vai bem, assim como a actriz que faz de sua mulher. Falha-me o nome, mas será uma das certezas do cinema gaulês, por certo. A realizadora soube temperar o registo cómico com o registo dramático e conseguiu um bom filme.&lt;br /&gt;O ar condicionado continua K.O (as obras do S. Jorge são em Dezembro e há que aguentar pelo amor ao cinema) e toda a sala maior é um festival de leques e de pessoas a abanar-se. Como se entrou na sala pelas 21 horas (havia a abertura oficial, com homenagem a Isabel Ruth) e se saiu pelas 00h15m, podem calcular...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim é que se vê quais são os verdadeiros adeptos de cinema, dispostos a sofer por ele.&lt;br /&gt;Findo o filme, vou até ao Pabe com a minha amiga. Verifico, com surpresa, que agora fecha às 24 horas. Fazemos marcha-atrás e bebemos um copo no Cup and Cino da Alexandre Herculano.&lt;br /&gt;Depois sigo até ao Galeto, onde como duas tostas mistas e bebo um chá de tília. Por trás de mim, no outro balcão, está o toureiro Pedrito de Portugal, a levar uma grande seca de um admirador “espontâneo”, que se sentou na cadeira do lado.&lt;br /&gt;Passa-me um bocado ao lado toda a polémica com o professor Marcelo. Percebo, todavia, que é o tema da moda, a par da Quinta das Celebridades. Continuo quase “virgem” no que toca à Quinta das Celebridades. Só vi uns dez minutos no dia da estreia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37794330-116881686251888423?l=sexonanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sexonanoite.blogspot.com/feeds/116881686251888423/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37794330&amp;postID=116881686251888423&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/116881686251888423'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/116881686251888423'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sexonanoite.blogspot.com/2007/01/7-de-outubro-de-2004.html' title='7 de Outubro de 2004'/><author><name>Luís Graça (Dick Hard / Von Grazen)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15302192874180431145</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/buga32/luis.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37794330.post-116813006921980631</id><published>2007-01-07T00:25:00.000Z</published><updated>2007-01-07T00:34:29.236Z</updated><title type='text'>6 de Outubro de 2004</title><content type='html'>António José de Almeida, 24  Dr. Sousa Martins, 0&lt;br /&gt;(número de putas de serviço ao Técnico e ao Campo Santana)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;15 horas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saio da cama. Tenho de ter cuidado com a hora do almoço, já que pretendo fazer a aula de hidroginástica das 18 e 45 horas. Convém ter a digestão feita.&lt;br /&gt;Vou aos correios da Av. João XXI, colocar um envelope em correio azul. Lá dentro vão currículos meus e três poemas inéditos para a Universitária Editora. A ideia é fazer duas antologias, uma de homenagem ao Machado de Assis (Maio) e outra de homenagem ao Pablo Neruda. Li a carta do meu amigo Cristino Cortes com velocidade a mais e só fixei a palavra “inéditos”. É provável que os meus poemas sejam “desclassificados”, por não aflorarem Machado de Assis ou Pablo Neruda. Se isso acontecer, é muito bem feito. Acho bem que não abram excepções a quem não cumpre as regras.&lt;br /&gt;O Gonçalo Salvado convidou-me para escrever um poema sobre o “Cântico dos Cânticos” (para outra antologia poética) e aí vou ter mesmo de estudar, para enviar um poema a sério até ao final de Outubro.&lt;br /&gt;A estação dos CTT está cheia de balões verdes, a promover o novo correio verde. Ao lado, toda a quinquilharia do meu amigo Kinas está ainda bem visível, vários meses depois do Europeu. Há ainda um jovem muito educado a “cravar” pessoas para apoiar um projecto de benemerência que envolve os guarda-redes Vítor Baía, Moreira e Nélson.&lt;br /&gt;Os correios lembram uma mistura entre Loja dos 300 e Feira do Relógio. Lá meto o meu envelope em correio azul e saio ao de leve, atrás de uma miúda gira que não me ligou pevides, para variar.&lt;br /&gt;Próxima paragem: Apolo 70. Há que tirar várias fotocópias à notícia do DN, em que aparece um Manuel Rosa Dias persignado, a cumprimentar o Dr. Jorge Sampaio, por ocasião da investidura da comenda da Ordem de Mérito. O artigo recolhe opiniões de malta do DN-Jovem, entre os quais Pedro Mexia, José Mário Silva e José Luís Peixoto. Rapaziada da fornada dez anos abaixo de mim.&lt;br /&gt;A loja de animais do Apolo 70 apresenta nas suas vitrinas com vista para a escada um par de gatos e um par de cachorrinhos. Os gatos são persas, os cães não tinham a raça escrita nos vidros, que me lembre. Meto o dedo dentro da montra. Os dois persas atiram-se ao meu dedo como gato a bofe. O que vale é que quase não têm unhas. Os cãezinhos também se atiram ao meu dedo movediço, na vitrina ao lado, mas estão a dar cambalhotas involuntárias para trás e tenho medo que se magoem.&lt;br /&gt;Vou tirar as fotocópias e tenho sorte. Despacho-me rapidamente.&lt;br /&gt;Na saída, os gatos persas (a 450 euros o macho) estão filosoficamente deitados, em pose aristocrática. Os cachorrinhos estão em animada peleja, indiferentes ao pouco espaço de que dispõem. Arranjaram maneira de adaptar o jogo da corda. Cada um puxa pelo mesmo bocado de ráfia. Estão muito animados.&lt;br /&gt;Vou ao clube de vídeo Big (na João XXI) ver o que há de novidades. Não alugo nada. À saída, estão dois jovens sentados num banco em frente. O dia está radioso (outro dia de Verão) e um deles desabafa:&lt;br /&gt;— Foda-se! Que calorão! Estou farto de calor! Venha a puta da chuva!&lt;br /&gt;Não consigo dizer o mesmo, apesar do calor me incomodar um bocado. Mas esta luminosidade mediterrânica é uma bênção para a alma.&lt;br /&gt;Vou direito à Gulbenkian. Ao pé da Universidade Nova, antes de atravessar direito ao monumento de homenagem a Azeredo Perdião (já nos jardins da Gulbenkian) reparo nos relógios/termómetro. Um marca 30 graus e 17 horas e 26 minutos. Outro marca 27 graus e tem oito minutos de diferença.&lt;br /&gt;Chego ao anfiteatro da Gulbenkian e não me caíram os tomatinhos porque não calhou. Levo 20 anos de anfiteatro e nunca tinha deparado com tal cena: uma chavalinha dos seus 18 anos, look radicalmente jovem (ténis tipo bota de pugilista, em vermelho-vivo, T-shirt de alças rosa, cabelos pretos com um totó apanhado ao lado) está a fazer tricot!&lt;br /&gt;Leio A BOLA e o PÚBLICO. Passo pelo Holmes Place a recolher a senha da hidroginástica. Vou a casa buscar o equipamento e ala que se faz tarde. Entro na água perto do início. A aula teve perto de 15 pessoas, com 4 homens. Trabalhámos com esparguetes e foi uma sessão puxada e divertida. Passou o tema musical da “Fama”, já perto do final.&lt;br /&gt;Regresso a casa para jantar.&lt;br /&gt;Finda a refeição, decido-me por um passeio até ao Campo Santana, para observar que tal vai aquilo de putas. É preciso peregrinar por várias zonas de putas, não nos cingindo comodamente ao Técnico. O leitor(a) deve ter uma perspectica abrangente do fenómeno.&lt;br /&gt;Cruzo-me com a primeira senhora na paragem em frente à Academia Militar. Não me apetece abordá-la, apesar de minha missão implicar uma auscultação dos preços de mercado. Pensei: “Vou começar mais à frente”.&lt;br /&gt;Pelas 23 horas e 15 minutos estou banzado. Uma volta ao Campo Santana e zero putas à vista. Muito cedo? Coincidência? Fauna em extinção na zona? Noite de quarta-feira a explicar tudo?&lt;br /&gt;Não faço ideia. Antigamente, havia ali muitas putas. Que será feito delas?&lt;br /&gt;Finalmente, o jardim está como deve ser e já não há tapumes. Um quarteto de moradores joga à bisca numa mesa do jardim, um jovem passeia um Golden Retriever que não me liga nenhuma, uma puta duma aranha pôs uma teia no meu caminho e obrigou-me a tirar os fios do rosto. Bem, está na vida dela, coitada, calculo que lhe fosse mais agradável outra forma de sobrevivência. A outra da Gulbenkian fazia tricot por hobby, a Aranha é por motivos de sobrevivência. Há que respeitar.&lt;br /&gt;A estátua do Dr. Sousa Martins está cercada por centenas de placas de pedra com agradecimentos. Há uma espécie de pequeno santuário muito cuidado, com velas acesas. Há quatro ou cinco senhoras que aproveitam a noite amena para cavaquear nos bancos à volta da estátua.&lt;br /&gt;Decido não regressar em demanda de putas ao Campo Santana. Ou há ou não há. Eu podia muito bem ter ido ao cinema ver o “Gangue dos Tubarões”. Ou ter ficado em casa a ver a “Frida” na televisão. Não há putas, tudo bem.&lt;br /&gt;Vou pela Columbano Bordalo Pinheiro abaixo e começo a deparar com fantásticos nomes de pensões e residenciais: Aleluia (rés-do-chão), Lucky (no 1º andar, mesma entrada da Aleluia), Santana. Depois um restaurante com bom aspecto: D. Luciano.&lt;br /&gt;Sigo por ali abaixo e dá-me para espreitar um snack-bar com mesas de snooker (três), mesmo ao lado do “Elefante Branco”. Ninguém está a jogar snooker. Os computadores com jogos também estão vazios. Uma menina que podia ter saído de um filme de Godard fica por ali meia-hora a fumar e a rabiscar coisas num caderninhos. Um grupo de três jovens conversa sobre as aulas. Pedi um carioca de limão, um licor Beirão e uma água.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;23h37m&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O porteiro do “Elefante Branco” espreita pela primeira vez.&lt;br /&gt;A televisão mais próxima da saída está ligada na MCM: “Face à la mer, je suis près de toi...”. E depois falava de lágrimas, desilusões amorosas e toma lá fresquinho, embrulhado para a juventude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;00h04m&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A miúda gira sai da sala, sem se dignar lançar-me um olhar de lascívia ou comiseração. Aproveito para ler em A BOLA (ainda faltava ler um bocadinho) o resultado dos sorteios para as competições europeias. Os meus “leõezinhos” vão levar com os “leões” do Sochaux, o Newcastle, o Panonios e o Dínamo de Tbilissi. Na pior das hipóteses são quatro derrotas. O que é isso para a gente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;00h20m&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Venho para a porta, mesmo ao lado do “Elefante Branco”. Fico por ali um bocado a ouvir as conversas dos taxistas que têm os carros estacionados em frente, à disposição das senhoritas que saem com os clientes. Dizem eles que o movimento está fraco. Mesmo assim há um certo ritmo. Há muito tempo que não entro no “Elefante Branco”. Já lá assisti a um amigo meu a oferecer livros de poesia às meninas. E a irmã dele (licenciada em Filosofia) a questioná-las, filosoficamente, sobre a vida que levavam.&lt;br /&gt;Passado um bocadinho, dois espanhóis saem com duas brasileiras. Penso que são duas brasileiras, mas falam espanhol. Um deles puxa a loura pelo braço e rapidamente decidem o plano de ataque, mesmo ao meu lado. Ele quer passar a noite com ela. Ela fica espantada, mas satisfeita. Ele oferece 200 euros e diz que é o preço em Espanha. Se não é assim, é parecido. Estou perto, mas não ouço tudo. O certo é que chegam a acordo por 300 euros e ela ainda diz:&lt;br /&gt;— Mas estou em exames. Quero um presente.&lt;br /&gt;(Deve ser é parva. Um gato persa custa 450 euros e é para a vida toda).&lt;br /&gt;O espanhol tem muita piada. Pode já ter bebido uns copos, mas não é tudo por causa disso. É um tipo giro. Abraça a loura e dá-lhe uma palmadinha amigável no rabo, antes de entrar para o táxi.&lt;br /&gt;O outro espanhol tem um aspecto físico muito diferente. Veste fato e gravata, é elegante. Poderia ser um bandido mexicano ou um alto quadro da Caixa-Geral de Depósitos. Está com uma morena de fazer parar o trânsito. Espera que o amigo acabe de fazer a festa, deite os foguetes, apanhe as canas e faça moinhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;00h35m&lt;br /&gt;Uma noite cara demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A propósito de fazer parar o trânsito, saibam os leitores (as) que há dois tipos de classes a frequentar o “Elefante Branco”: os habitués que saem de uma grande “bomba”, dão a chave ao “vallet” e entram no clube com um sorriso de quem está bem na vida; os novatos e os estrangeiros que arrumam o carro onde calha e às vezes têm surpresas.&lt;br /&gt;Dois amigos saem com uma brasileira loirinha, bem lançada, jovem e muito apetitosa. Um tem pinta de nhónhinhas, o outro não. O nhónhinhas fica com a brasilieira. O amigo vai buscar o carro ao fim da esquina.&lt;br /&gt;“Surpresa!”. E não era a Daniella Cicarrelli outra vez.&lt;br /&gt;E à Polícia Municipal não se pode responder: “Ó Daniela, agora não dá”.&lt;br /&gt;Pois. O senhor tinha o carro multado. Desci um bocadinho no quarteirão e fui lá ouver (ver e ouvir, como diz o José Duarte do jazz) o que se passava. O diálogo estava correctíssimo. O senhor polícia (impecavelmente fardado), numa voz de mel, explicava que ia buscar o P.O.E (se não é isto é parecido) para que o senhor pagasse logo. Ou então depois chegava-lhe a multa pelas vias normais. E era uma agente loira (grande “brasa”, até as agentes da Polícia Municipal são giras, para as bandas do “Elefante Branco”) que tratava da papelada.&lt;br /&gt;Volto para cima. Reparo que a menina brasileira tem um aparelho nos dentes. Fico muito satisfeito com a descoberta. Primeiro: não há discriminação no local de trabalho. Com ou sem aparelho, está em condições de trabalhar. Eu andei 8 anos com aparelho (dos 10 aos 18) e isso fortaleceu-me o carácter. Além de me ter provocado várias hemorragias labiais, quando levava uma bolada a jogar futebol ou uma cabeçada de um basquetebolista adversário que se levantava de repente quando eu o estava a marcar.&lt;br /&gt;Questão importante: eu não fiz sexo oral a ninguém, enquanto tinha aparelho. Quais os riscos que correm os clientes? É que um homem não é de pau.&lt;br /&gt;Apanho um resto de frase à menina, que falava com o nhónhinhas: “São mais 7, porque é mais flexível...”.&lt;br /&gt;Poderia tentar interpretar a frase, mas abstenho-me. Ao invés, deixo um poema do meu livro “De boas erecções está o Inferno cheio”: Se vou às putas/nunca me venho/não se deve gozar/com quem trabalha.&lt;br /&gt;Volto ao meu poiso, ao lado do “Elefante Branco”. Espreito as camisas da pequena loja ao lado. Bom material.&lt;br /&gt;Em frente, do outro lado da rua, há meninas bonitas a passar, com clientes pela mão. Mas não são meninas do “Elefante Branco”. São meninas oriundas de outras paragens, embora próximas: Av. Duque de Loulé. Andam à procura de uma porta verde, mas baralham-se, porque há 3 ou 4 portas verdes todas iguais. Lembro aos mais distraídos que “Behind the green door” é um dos grande clássicos do porno, com Marilyn Chambers. Passou na cinemateca e teve lotação esgotada. Vi em VHS e achei uma seca psicadélica. O mesmo não posso dizer da Chambers.&lt;br /&gt;Atrás da porta verde, em frente do “Elefante Branco”, o que se passa? Pedro Abrunhosa responderia com o título de um dos seus temas mais famosos.&lt;br /&gt;Por mim, dava de solex até casa. Mas quis ver (no interesse dos leitores e leitoras, que eu não tenho a cronometragem por hobby) quanto tempo levavam as meninas a sair com os clientes: à volta de 45 minutos/1 hora. &lt;br /&gt;Lá saí atrás de um parzinho. Ela deixou o módulo na esquina, com um beijinho; e entrou num clube da Duque de Loulé. Como diria o reverendo Teodoro Marques da Silva, nas suas belíssimas prelecções televisivas: “E a vida continua”.&lt;br /&gt;Atrás de mim, grande confusão. Um homem batia com a porta do automóvel. “Mau”, pensei, queres ver que vai haver estalo? Ou, como dizia a malta na Escola Preparatória Eugénio dos Santos: “Porrada, pera, molho e batatada”.&lt;br /&gt;Não houve porrada. Pelo menos entre pessoas, que o senhor deu porrada no próprio carro. Estava sem gasolina. Tinha de ir até às Amoreiras resolver a situação. Alguém tinha de o desenrascar. Eu não podia fazer nada e regressei a casa. A noite estava magnífica. Acabei por entrar no Galeto. Sabe-se como são as tertúlias no Galeto. Só acabam porque tem de ser. Venho para casa. São agora 5h19m. Vou-me ficar por aqui. Um dia destes há mais diário.&lt;br /&gt;(Ei, pá, 79 mil e 173 caracteres... por este andar acabo o diário no final do mês).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah! é verdade, já me esquecia: antes de ir para o Galeto dei uma volta ao Técnico, para ver se também não havia putas, como no Campo Santana. Foi uma volta rápida, sem reparar em nada, só a contar: 24 putas, sendo que cinco são auto-putas habituais, ao lado da estátua do Tó-Zé. As outras 19 encontravam-se de pé, pelas 2 da matina. A miúda da camisola à Feyenoord estava um bocado desconfiada com um carro cheio de três galfarros e não sabia muito bem se havia de ir ou não. Quanto a mim, correu tudo bem. O meu olho clínico diz-me que eram grunhos bem-intencionados.&lt;br /&gt;Este é o diário da noite em que fiquei a saber a diferença de preços entre uma puta de luxo do “Elefante Branco” e um gato persa da loja do Apolo 70.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37794330-116813006921980631?l=sexonanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sexonanoite.blogspot.com/feeds/116813006921980631/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37794330&amp;postID=116813006921980631&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/116813006921980631'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/116813006921980631'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sexonanoite.blogspot.com/2007/01/6-de-outubro-de-2004.html' title='6 de Outubro de 2004'/><author><name>Luís Graça (Dick Hard / Von Grazen)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15302192874180431145</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/buga32/luis.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37794330.post-116776647704275261</id><published>2007-01-02T19:29:00.000Z</published><updated>2007-01-02T19:34:37.056Z</updated><title type='text'>5 de Outubro de 2004, 16 horas</title><content type='html'>Aí vou eu para o Sporting-FC Porto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saio de casa pelas 16 horas. Hoje é um dia grande. Vou assistir à estreia dos meus “leões” na I Divisão de hóquei em patins, frente ao FC Porto, campeão em título. Há nove anos que o Sporting andava arredado destas vidas. Uma longa travessia do deserto, portanto. Como fui assistir à final da II Divisão, frente à Académica de Espinho, já sabia onde é o pavilhão da Escola Secundária da Parede. O jogo começava às 18 horas.&lt;br /&gt;Passei pela estátua do António José de Almeida e pisquei-lhe o olho. O 5 de Outubro também é um dia especial para ele. “Surpresa”. Pois, não foi a Daniella Cicarelli que me apareceu à porta a lamber um chupa-chupa. É que às 16 horas de um dia feriado andava uma puta a atacar no Técnico! Por acaso uma miúda gira e novinha, toda de preto. Na esquina estava um tipo parado, encostado a um gradeamento. Podia ser um chulo, mas o pormenor de ter um saquinho vermelho ao ombro descredibiliza um pouco a teoria.&lt;br /&gt;Apanho o Metro até ao Cais do Sodré e depois entro para o comboio das 16 e 40 horas, rumo à Parede. Passo os olhos pelas “gordas” do PÚBLICO e de A BOLA, mas não consigo ficar a ler por muito tempo. Este 5 de Outubro está um autêntico dia de Verão e o Tejo brilha. Há anos, na Cruz Quebrada, saiu-me um pequeno poema: “Almas são pequenos barcos fundeados no cais do entardecer”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;19h35m&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saio do pavilhão da Escola Secundária da Parede. O Sporting perdeu por 4-2, depois de ter recuperado por duas vezes das desvantagens de 0-1 e 1-2. O jogo foi equilibrado e assinalou o regresso de Filipe Gaidão à competição, depois do acidente de que foi vítima numa piscina.&lt;br /&gt;A mulher de Gaidão, Paxi, está num camarote perto de mim, a apoiar o Filipe. Aquilo estava cheio de mulheres bonitas e os fotógrafos aproveitaram para fazer o gosto ao dedo. O futebolista Sá Pinto também foi dar apoio moral ao Filipe, a quem chamou de careca várias vezes. O Gaidão está agora com uma carecada parecida com as do Pedro Gil e do Reinaldo Ventura. O FC Porto está a ficar muito “cabriolet”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se não fosse o jantar da Tertúlia BD de Lisboa, tinha ficado para assistir ao encontro feminino entre a Escola Secundária Fernando Lopes Graça e o Sesimbra. Perguntei a uma jogadora de onde era a Escola Secundária Fernando Lopes Graça. Ela olhou para mim espantada: “É de aqui”. Pois é. Eu conhecia apenas o pavilhão como sendo o da Parede. Peço desculpa ao maestro. Na saída do pavilhão estava o calendário das miúdas e fiquei a saber que tinham levado 7-3 das Lobinhos, a 25 de Setembro, no Torneio de Abertura.&lt;br /&gt;Quando chego à estação já é de noite. Um puto apoiante do Sporting está ao lado da máquina automática e pergunta-me se lhe posso dar 20 cêntimos para o bilhete. Digo que não e dou-lhe 50 cêntimos. Ele ficou tão espantado que nem agradeceu. O outro ao lado riu-se e cravou-me mais 20 cêntimos.&lt;br /&gt;Afasto-me. Vou para o outro extremo da estação. Não há dúvida de que a líbido dos jovens está a funcionar em pleno e de que os telemóveis vieram para ficar. Um casal de namorados está sentado nos bancos. Ele está de telemóvel encostado ao ouvido e vai aproveitando para beijar gananciosamente a namorada enquanto o seu interlocutor fala.&lt;br /&gt;— Não te preocupes. Já tenho quem me leve a casa. Não vou chegar tarde.&lt;br /&gt;Como já é de noite, regresso a ler os jornais. Tomo o metro, para sair na Avenida. O jantar da Tertúlia é no Parque Mayer, como habitualmente. Na carruagem, um grupo de miúdos e miúdas adolescentes não se inibe de se apalpar e beijar à vista de todos. Há cenas de empurrões e carolos entre o grupo de amigos. Há segredinhos entre as miúdas e também há rapazes a fazer números de ginástica em suspensão, agarrados às argolas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; 21h14m&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chego à Tertúlia. Opto por comer pataniscas com arroz de legumes. Não me sai nada no sorteio das rifas. Compro dois BD Press (uma recolha dos artigos sobre BD publicados durante o mês, com uma impressão do blog www.kuentro.weblog.pt em anexo) ao Jorge Machado-Dias.&lt;br /&gt;Depois, um grupo de 12 foliões vai até ao bar Foxtrot, para tertuliar mais um bocado. O capitão do grupo é o fundador da Tertúlia, o Geraldes Lino. A novidade é a presença do escritor Luís Filipe Silva, grande entusiasta de BD e de ficção científica. Já somos amigos desde os tempos do DN-Jovem. Aproveitámos para falar da distinção ao fundador do suplemento, o grande Manuel Dias, que foi condecorado pelo PR, pelas 19 horas. Fala-se em combinar um jantar de homenagem ao Manel, que é um gajo tímido e não gosta destas coisas. Penso que ainda vou publicar este livro primeiro. Já sei como são estes processos em Portugal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Foxtrot confirmo que a líbido do pessoal está mesmo em alta. Um quarteto já trintão está todo enrodilhado num sofá. Atenção, não estão em altos “linguados”, mas elas estão ao colo deles, todas encostadas. E não havia necessidade. Não faltava espaço e conforto. Eu sei muito bem. Já estive muitas vezes sentado no sofá.&lt;br /&gt;No nosso grupo, a Isabel destacou-se pela coragem em “meter conversa” com a ave azul e amarela que está de plantão no seu poleiro. A arara branca que não se calava durante os jogos de matraquilhos já faz parte do passado. Tirando a menina do grupo, ninguém mais quis ir fazer festas à emplumada figura, cujo bico colocava algumas reticências a um contacto físico mais efectivo. Mas o bichano estava bem disposto e recolhia os salgadinhos com a pata, para os saborear convenientemente. Na gaiola do lado, o melro seguia a cena com toda a atenção. Fui lá assobiar um bocado e acho que ele ficou satisfeito. Pelo menos ouviu-me atentamente. Talvez me tenha insultado em melronês corrente, mas eu não sei nada disso.&lt;br /&gt;Venho para casa de boleia com o António, como habitualmente. Ele está a considerar a hipótese de se deslocar a Madrid propositadamente para um concerto de uma banda de que nunca tinha ouvido falar. Nem fixei o nome. Mas era um nome giro e esquisito. Para o mês que vem há mais. Ficou no ar a hipótese de se ir ao cinema assistir à “Catwoman”, em comando especial da Tertúlia dos Bedéfilos Cinéfilos, uma subtertúlia criada pelo Geraldes Lino, com a missão de “papar” filmes inspirados pela BD.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37794330-116776647704275261?l=sexonanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sexonanoite.blogspot.com/feeds/116776647704275261/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37794330&amp;postID=116776647704275261&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/116776647704275261'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/116776647704275261'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sexonanoite.blogspot.com/2007/01/5-de-outubro-de-2004-16-horas.html' title='5 de Outubro de 2004, 16 horas'/><author><name>Luís Graça (Dick Hard / Von Grazen)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15302192874180431145</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/buga32/luis.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37794330.post-116697502972790903</id><published>2006-12-24T15:34:00.000Z</published><updated>2006-12-24T15:45:28.546Z</updated><title type='text'>3 de Outubro de 2004, Domingo, 14h31m (casa)</title><content type='html'>Dia de desporto televisivo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordo cedo, tendo em conta que o meu objectivo prioritário é ver o FC Porto-Belenenses, que só começa pelas 19 e 15 horas, transmissão na TVI. Claro que existe esse pequeno particular do almoço e a compulsão de ler os jornais.&lt;br /&gt;Seja. Aproveito para assistir ao Campeonato do Mundo de ciclismo. Resolvo assistir à prova no Holmes Place, a pedalar com os craques, frente ao plasma. Vejo em A BOLA que o final da transmissão do Eurosport está previsto para as 16 horas. Bom horário. Desta vez não me vou deixar surpreender. Perdi o GP do Qatar (motociclismo) por falta de informação.&lt;br /&gt;Chego ao Holmes por volta das 15 horas, já equipadinho com os meus recentes calções pretos almofadados na zona tomatal. Pedalo em roda livre, nada de andamentos altos. Pedalo durante cerca de uma hora. Os craques em Verona (belo traçado, belas paisagens), eu nas Avenidas Novas. Mamei um litro de água. Convém.&lt;br /&gt;Ao meu lado, uma chavalinha de uns 20 anos pedala em bom ritmo. É toda ela bonita. Não tira os olhos do chão a olhar para mim. Está toda equipada de preto e o meu coração fica de luto, devido à sua indiferença. Deve ser um bocadinho vaidosa, porque até as luvinhas pretas condizem com o equipamento. As luvinhas pretas não são necessariamente úteis no ciclismo. Mas dão imenso jeito na musculação. Pois é, agora elas também já puxam pelo cabedal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reparo que ambos abanamos os ombros no mesmo ritmo. Não adianta nestum, mas sempre é um prémio de consolação. Pelo espelho gigante do clube vejo as boazonas a aproximar-se das bicicletas ou das passadeiras. As bicicletas estão na “pole position”, mesmo em frente ao espelho. Atrás de nós ouve-se o barulho característico das solas dos ténis a friccionar a borracha (ou lá o que é aquilo) das passadeiras. Apetece-me virar os cornos para trás de cada vez que se aproxima uma boazona. Pelo espelho dá ideia de que são mulheres virtuais, tipo Lara Croft. Por outro lado, dá para trocar olhares de forma mais desinibida, se for caso disso. É como se tudo fosse um jogo fora da realidade. O Domingos Amaral (para quem não saiba, o gajo é filho do Freitas do Amaral, mas o estilo de escrita é algo diverso) fez um editorial na revista Maxmen a dizer que os tugas olhavam muito e abordavam pouco. Faço parte desse escalão otário. &lt;br /&gt;E mesmo assim sinto-me privilegiado. Olhar é um enorme prazer. Eu é que sei o que foi estar quase um mês na Arábia Saudita, durante o Mundial de Futebol que os putos ganharam em 1989. Mulheres eram um bem raro. No regresso (Campeões! Campeões! Portugal! Portugal! Portugal!) à pátria, voámos primeiro até Amesterdão, pela KLM. Quando a hospedeira holandesa fechou a cortina para mudar de roupa da cintura para cima, um camarada jornalista pediu educadamente, com olhinhos de cocker spaniel engripado:&lt;br /&gt;— Não feche, por favor. Estivemos um mês em Riade.&lt;br /&gt;Ela riu-se e fechou a cortina. Profissional, não é? Para me vingar da falta de álcool em Riade, pus-me a beber Heineken de urgência e a mistura caiu-me mal com o peixinho. No free-shop de Amesterdão andei a vomitar um bocado. Mas em grande estilo. Cada vez que fechava a porta do WC saía um jacto de perfume. Assim (quase) dá gosto chamar ao gregório.&lt;br /&gt;Estava sem dormir há dia e meio e o meu aspecto era um bocado mau. Era pior estar sentado do que a andar, dada a exaustão. Passei o free-shop a pente fino. Tínhamos seis horas antes de embarcar para Lisboa. O meu aspecto era tão mau que se puseram a inspeccionar a nota com que paguei umas revistas de automóveis.&lt;br /&gt;Bem, voltemos ao Holmes.&lt;br /&gt;Sinto-me ignorado de forma uniforme por todas as miúdas do clube. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos monitores está também interessado no Mundial de Ciclismo. Trocamos alguns comentários.&lt;br /&gt;— Então e os portugueses?&lt;br /&gt;— Parece que o Pedro Cardoso vem no grupo do José António Flecha, a minuto e meio da frente — esclareço.&lt;br /&gt;— E os outros?&lt;br /&gt;— Ainda não ouvi nada. Devem ter desistido. A Itália já perdeu o Bettini.&lt;br /&gt;— Quem é que está a puxar?&lt;br /&gt;— O Izidro Nozal e o Mancebo estão a controlar. É um Espanha-Itália, com tendência Espanha.&lt;br /&gt;No sprint final ganhou o Óscar Freire, sem surpresa e com mérito. Foi o tri do menino e a segunda vitória em Verona. Quero ir para a piscina, mas estão a dar uns planos bonitos de Verona. Fico a ver. Classificações dos portugueses... é mentira. Até aos 25 primeiros nada a assinalar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;16h45m (piscina)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretive-me na conversa e só cheguei à piscina à hora do lanche das pessoas normais. Meto-me na água. A temperatura está impecável. Quase ninguém ocupa as três pistas. A profundidade assusta-me (metro e vinte bem medidos), mas sei que é difícil afogar-me.&lt;br /&gt;A água nas orelhas chateia-me um bocado e passo a vida a enfiar a touca. Mas vou melhorando. Estou eu muito bem a nadar de costas e a olhar para o tecto (podiam colocar páginas de BD no tecto, assim a malta nadava de costas e dava para ler uns álbuns em slow motion) quando entra uma boazona de fato de banho azul-escuro. Fica-lhe bem, porque tem os olhos azuis.&lt;br /&gt;Dá-me na caixa dos pirolitos e vou buscar halteres de latex. E fico para ali a saltitar na minha faixa de rodagem, tipo pardalito, simulando indiferença à presença da boazona. Irrita-me que os regulamentos do clube obriguem a fato de banho inteiro. Se os bikinis fossem permitidos, seria um festim! Tipo concurso Hawaian Trophy ou assim!&lt;br /&gt;Bem, a boazona é muito branquinha e matulona. A juntar aos olhos azuis. Penso: deve ser mais uma sócia ucraniana ou russa. Nestes casos, deve-se proceder como nas passagens de nível sem guarda: “Pare, escute e olhe. Um comboio pode esconder outro”. Atrás de uma boazona costuma vir um namorado. O tempo médio da distância de segurança é de cinco minutos, porque as miúdas entram por um balneário e os homens por outro. Outra regra estúpida do Holmes Place.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá vem o namorado. Pouso os halteres e ponho-me a nadar com as pernas a rodar à ciclista. Um truque que aprendemos na hidroginástica. O casal está abraçado num dos topos da piscina. Vou-me aproximando devagarinho, para ouvir o diálogo. Só para confirmar a língua que estão a falar. A uns dez metros ainda não dá para tirar conclusões. O som do russo é parecido com o do português. Lá me vou chegando. Afinal são portugueses. Já vejo russos e ucranianos por todo o lado.&lt;br /&gt;Vou para o jacuzzi, que está quase vazio. É importante ter cuidado quando se frequenta um jacuzzi. A palavra deriva da soma dos termos Jack com Uzzi. O jacuzzi é uma mistura de Jack Daniels com uma metralhadora Uzzi. Quem não tolerar o álcool e não souber nada de armas deve abster-se de frequentar o jacuzzi.&lt;br /&gt;Fico poucochinho tempo: meia-hora.&lt;br /&gt;Tomo duche e regresso a casa. Ligo para a Sport TV e o Chelsea do Mourinho está a carregar sobre o Liverpool. Sei mais tarde que acabaram por ganhar por 1-0. O Mourinho estava crispado. Olha a novidade! Como não ouvi dizer nada, presumo que tenha conseguido acabar o jogo sem ser cuspido por adeptos do Chelsea ou do Liverpool. Mas se isso acontecesse não viria mal ao Mundo. Ele considera as escarretas como um facto menor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;18h30m (Galeto)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Almoço no Galeto. Creme de tomate. Ovos mexidos com cogumelos, uma dose de batatas fritas. Regresso a casa e vejo o FC Porto-Belenenses. Os dragões lá ganharam 3-0, mas o Belém deu muita luta. O Diego andou quase todo o jogo discreto. No final abriu o livro, com meia-dúzia de toques de magia. Ver o FC Porto jogar está a fazer-me mal. Por um lado, como sportinguista, acho um piadão às derrotas do FC Porto (um fenómeno que só acontece no futebol, nas modalidades já não sou assim), por outro lado gosto de ver jogar os artistas da Invicta. O Baía lá continua com umas saídas à “99”, que era a agente secreta que trabalhava com o Olho Vivo. “Don Adams é Get Smart”. E depois fechavam-se portas atrás de portas, antes da habitual luta entre Kaos e Control, as duas organizações que tratavam do Mundo na altura.&lt;br /&gt;Hoje sabemos que o Saddam e o Bush fornecem argumentos muito mais improváveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;21h45m (Pasta Caffe)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sai uma lasanha e um crepe de chocolate. Ponho-me a passear a seguir ao jantar. Vou até ao vídeo-clube. Já voou o “Intimidade”, do Patrice Chéreau, que estava em venda directa. Deve ser um bocado seca, mas parece que a Kerri passa a vida no truca-truca. Vi a menina numa curta-metragem do “Indie 2004” e fiquei com vontade de galá-la toda nua.&lt;br /&gt;Regresso a casa na exacta altura em que o Simão Sabrosa marca um golo ao Palatsi. Aquilo deixou-me um bocado triste. O Benfica lá acabou por ganhar. Amanhã joga o Sporting. Fé? Mais um empate. O Rui Santos está na SIC Notícias a dizer que o Rochemback está gordo.&lt;br /&gt;Mudo de canal e apanho com um grande plano do Castelo Branco. É verdade, começou a “Quinta das Celebridades”, na TVI. Rendo-me. Da outra vez tinha jurado que não via o primeiro “Big Brother” e não consegui. A partir do pontapé do Marco, o “Big Brother” até invadia os noticiários. Há ainda motivos suplementares. A Fátima Preto está a entrar agarrada ao Avelino Ferreira Torres. Vejo a montagem de apresentação da Fátima Preto e mando um SMS para Deus, a dar-lhe os parabéns pelo belo trabalho. Quer dizer, não foi um trabalho completo, mas foi o que se pôde arranjar. A Júlia Pinheiro perguntou à Fátima se ela se considerava uma loura tradicional e a miúda trocou-se toda. Se fosse na série “Pesquisa”, com o Doug McClure e o Anthony Franciosa, havia uns aparelhos todos modernaços que até davam o bater do coração e percebia-se que os maus estavam à brocha. O Alexandre Frota a olhar para a Fátima Preto até se babava todo. Estava a ver que a Júlia Pinheiro ainda entrava de serviço à esfregona.&lt;br /&gt;Depois a emissão passou para o puto Vasconcelos, que conseguiu comer uma cenoura a meias com um cavalo. O truque é giro, mas o chaval ainda não era nascido e eu já fazia a mesma coisa com o meu cão. Com algumas variantes. Eu fazia o truque com gressinos e íamos progredindo os dois simultaneamente. O “Beauty” tinha mau feitio e queria sempre comer mais gressino que eu. Bastava acentuar uma expressão gananciosa com o meu olhar que o cão queria acelerar o ritmo e acabava engasgado na maior parte das vezes, para não se armar em campeão. Comer gressinos é uma arte que não está ao alcance de todas as raças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mudo para a SIC e estão outra vez a gozar com o “Ídolos”. Às tantas entra o Fernando Rocha e manda as caralhadas da praxe. Olho para o relógio: 23h47m. Gosto do puritanismo da nossa sociedade. A SIC pode passar caralhadas antes da meia-noite, desde que seja para combater a “Quinta das Celebridades”. Mas o “Cabaret da Coxa” tem de estar num gueto, porque é mal-comportado. Por outro lado, sabe-se que a TVI é realmente uma TV de inspiração católica. Por isso podemos considerar a “Quinta das Celebridades” como a antecâmara do Inferno.&lt;br /&gt;Não nego que gostei de ver os vestidos da Mónica, da Fátima Preto e da Cinha Jardim. Estavam com um “glamour” digno de filme porno de alta produção. Não percebo como deixaram entrar a Pimpinha Jardim para o estúdio. Ou a miúda veio à boleia ou eles não têm amor à limusina em que chegaram os convidados.&lt;br /&gt;Gramava ver a Kate Bush no programa do Herman. Mas não há pachorra para esperar. Venho para o computador e ponho-me a escrever o diário. Isto sim, é um trabalho digno. Temas sérios, fundamentados, análises à sociedade portuguesa, investigação. Resumindo: pedagogia humanista.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37794330-116697502972790903?l=sexonanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sexonanoite.blogspot.com/feeds/116697502972790903/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37794330&amp;postID=116697502972790903&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/116697502972790903'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/116697502972790903'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sexonanoite.blogspot.com/2006/12/3-de-outubro-de-2004-domingo-14h31m.html' title='3 de Outubro de 2004, Domingo, 14h31m (casa)'/><author><name>Luís Graça (Dick Hard / Von Grazen)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15302192874180431145</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/buga32/luis.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37794330.post-116637538642174627</id><published>2006-12-17T16:50:00.000Z</published><updated>2006-12-24T15:50:00.180Z</updated><title type='text'>2 de Outubro de 2004, cinema S. Jorge, 17h15m</title><content type='html'>Chego ao S. Jorge para assistir a mais uma sessão de curtas do festival “Indie 2004”, cuja primeira edição decorreu com assinalável sucesso, as salas cheias de gente jovem, que gosta de cinema. Em Abril de 2005 já vai haver a segunda edição. Porra, isto é que é uma democracia de sucesso! Uma coisa a funcionar em Portugal! &lt;br /&gt;Troco o meu convite do Instituto Franco-Português por dois bilhetes para a abertura do festival de cinema francês, no dia 7 (Isto é só festivais e eu sou um intelectual). O meu lugar favorito de Lisboa (S. Jorge, P-20, primeira fila do balcão superior) está ocupado. Aceito P-27 e P-28 e fico todo satisfeito. Falta convidar uma amiga para a noitada cultural.&lt;br /&gt;No átrio estão o Miguel Falcato (da Tertúlia BD de Lisboa, fundada pelo Geraldes Lino) e o Filipe Homem Fonseca, das Produções Fictícias. Ficamos à conversa, a olhar para um plasma. O Pedro Brito (que fez a capa do meu livro ‘De boas erecções está o Inferno cheio’, da POLVO) está a dar uma entrevista ao canal interno, se assim lhe podemos chamar.&lt;br /&gt;Passam dez minutos até eu perceber que o Pedro Brito está a dez metros de mim, ao vivo, por baixo do plasma. Coisas dos sonos trocados e de ter acordado há pouco tempo. Ou então sou mesmo estúpido. Hipótese a considerar com alguma atenção. É tempo de entrarmos para a sala. O Pedro Brito vem falar ao Filipe, já nós os dois estamos sentados. Por coincidência tínhamos bilhete lado a lado. É um bocado perigoso, porque ele vê-me a votar no filme com argumento dele. “Sem respirar” (oito minutos, com desenhos do Pedro Brito) leva um 4 sincero (0 a 5). Não faço fretes a amigos. O Pedro é um valor da animação portuguesa. Dou dois cincos a duas curtas nórdicas delirantes e o filme espanhol de animação leva 4, porque os cenários são muito bonitos, apresenta um discurso narrativo coerente e a música entra a matar. No dia seguinte fico a saber que “Com qué la lavaré” ganhou o prémio das curtas. Não vi todas, mas acho exagerado. A animação é fraca. Básica, mesmo.&lt;br /&gt;A miúda espanhola é assim para o pequenininho e disse umas palavras antes do filme, com voz tímida. Chama-se Maria Trenor. Não sei porquê, disse uma frase em espanhol e depois deu-lhe para falar em inglês. O pessoal ficou banzado. Foi giro ver uma espanhola a falar inglês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;19h10m – Megasex&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrei-me de ir comprar o passe social aos Restauradores. Não havia. Só no Saldanha. Ponho-me a subir a Avenida da Liberdade e acabo a visitar a Megasex. Não sei se é a 1 ou a 2. Há outra a subir para o quartel do Carmo. Esta é a Megasex que tem sexo ao vivo, com o povo a meter moedinhas e a apreciar os artistas. Nunca vi. Mas prometo ver, em nome dos leitores.&lt;br /&gt;Sim, em nome dos leitores e das leitoras, seus palhaços! Se eu quisesse ver já tinha tido centenas de ocasiões ao longo destes anos todos! Vocês são é uma cambada de ingratos. Sim, porque eu farto-me de gastar dinheiro para vos reportar a realidade nacional do momento. E não tenho adiantamento da editora. E depois, como é? Suponham que há um imprevisto qualquer e o livro fica em águas de bacalhau. Quem é que me paga o dinheirinho gasto a investigar? São vocês, seus palhaços? Ah! não são? Então, xarap!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Desculpem, não queria irritar-me. Só tenho de vos agradecer por terem comprado o livro e continuarem a ler. Se chegaram aqui, merecem uma medalha de mérito cultural. Eu posso explodir de vez em quando. Não me levem a mal. Sabem, eu nasci de cesariana. Isto tem alguma influência. Não sou mau gajo, mas passo-me um bocadinho de vez em quando)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A TV ao pé do bar está a dar um jogo do campeonato espanhol. Espreito, mas nem fixo quais são as equipas. Depois ponho-me a mirar e remirar os vibradores, que cada vez estão mais bonitos. Gosto particularmente dos grandalhões verdes e dos grandalhões rosa, transparentes. Aquilo é que é design. E depois o que é que elas fazem com eles? Sabem, não sabem? Há mulheres que não respeitam nada.&lt;br /&gt;Olho para os cartazes com as fotos dos artistas do sexo ao vivo. Não conheço ninguém. É rapaziada que anda a dar duro pela vida. Isto de subir o guindaste à hora marcada tem que se lhe diga. Gramava ver o Teixeira Duarte ou o Soares da Costa nesta vida.&lt;br /&gt;Passo à zona dos DVDs. Vejo aquilo tudo em ritmo calmo, embora sem abusar da minúcia. Detenho-me num DVD das produções Marc Dorcel. Acabo por comprar, a 29 euros. Pago eu, não é a Oficina do Livro, estão a ver? Por motivos lógicos até devia poder descontar no IRS. Sim, se o Miguel Esteves Cardoso escreveu “O amor é fodido” e foi trabalho, este livro é o quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o mercado de trabalho no jornalismo estivesse normal, como é que eu tinha tempo para andar a peregrinar as catedrais da noite? Impossível. Ainda me lembro dos meus tempos da Gazeta dos Desportos. Quase nem dava tempo de alugar um VHS pornográfico, entre a correria Redacção-Estádios. Foram os tempos da descoberta do porno: Ginger Lynn, Traci Lords, a Private... ah! a inocência, bonita coisa...&lt;br /&gt;Bem, acabo por sair da Megasex ao mesmo tempo que um senhor de fato cinzento e ar triste, que não comprou nada. Vou a pé Av. Liberdade acima, com o objectivo de ir comprar o passe social ao Saldanha. O tempo está quente. Não parece nada Outubro, mas também não se percebe nada do clima. É aproveitar o que se pode.&lt;br /&gt;Desvio-me pela Alexandre Herculano e depois viro à esquerda e começo a subir. Entro na outra sex-shop. Dou as boas-noites ao empregado brasileiro e deparo-me com um adepto do Benfica trajado a rigor. Anda um bocado perdido no meio dos DVDs. Um tipo dos seus trinta e tais, com bom aspecto, está a ver os DVDs sado-masoquistas. A oferta aumentou consideravelmente. Os DVDs da área gay também conquistaram espaço. E está tudo arrumado por temas.&lt;br /&gt;Só fiquei na loja uns cinco minutos. As paredes estão cheias de calcinhas matreiras, de todas as cores, desde o amarelo-canário (está certo, é para cobrir dignamente a passarinha) ao vermelho-Benfica, passando pela zebra-zoo.&lt;br /&gt;Deixo dois “aviões” a observar os vibradores. Não ouvi quase nada da conversa, mas percebi que eram profissionais a comprar objectos laborais para uma noite de trabalho/prazer. As duas coisas? Só elas poderiam responder.&lt;br /&gt;Venho por ali acima e dou com uma loura lindíssima na Rua da Sociedade Farmacêutica. Está vestida de forma perfeitamente discreta. Mas eu desconfio que pode ser uma menina de leste a caminho do “Elefante Branco”. Gosto de acertar estes palpites. Um escritor pode e deve ser um observador. Dou-lhe uns metros de avanço e sigo-a, usando as mais recentes tácticas da PJ, em cuja zona me encontro. É fácil: é só andar atrás da pessoa sem ela perceber que vamos atrás dela de propósito. E depois não se pode perder a pessoa de vista. É muito mais fácil do que acontece nos filmes policiais. Deviam ter uma secção de Perdidos e Achados.&lt;br /&gt;A miúda mete uma chave à porta e entra num prédio da rua. Não foi para o “Elefante Branco”. Mas mora perto. Ainda é cedo. São 20h32m. Os meus palpites podem bater certo. Nunca saberei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Gostaram da gravidade deste “Nunca saberei”? É muito literário)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dobro a esquina e vejo um cartaz da Junta de Freguesia do Coração de Jesus, a menos de 30 metros do “Elefante Branco”. Tento fazer uma festa a um cãozinho, mas ele sobe para o banco onde está sentada a dona. Não dá confiança nenhuma.&lt;br /&gt;— Ele está com medo de mim.&lt;br /&gt;— Pois é, desconfia de quem não conhece.&lt;br /&gt;Dou as boas-noites à senhora e prossigo. Na outra esquina está uma livraria religiosa. Nesse momento tenho de correr, a atravessar a rua, porque o 74 vem na broa. Para onde vai? “Corpo Santo”. Nesta zona os nomes combinam todos.&lt;br /&gt;Lá compro o passe no Saldanha, já com um dia de atraso.&lt;br /&gt;Janto em casa.&lt;br /&gt;Avisam-me que está a dar o “Cabaret da Coxa”. Fico a ver a repetição. Sou militante do “Cabaret da Coxa”. Fui entrevistado duas vezes. Na primeira era para ter o maestro Vitorino de Almeida como companheiro de programa. Na volta foi a Marisa Cruz. Estive 15 dias a recuperar do desgosto. Na segunda vez fui o segundo entrevistado, depois da Rita Ribeiro e do Hugo Rendas. &lt;br /&gt;O Unas disse-me que eu já era da família.&lt;br /&gt;— Pá, já és o poeta-fetiche do Cabaret! Aparece quando quiseres...&lt;br /&gt;Isto foi no dia da “rentrée”, com entrevista ao gajo que invadiu a final do Europeu, o Jimmy Jump.&lt;br /&gt;Neste programa, o entrevistado é o José Jorge Duarte, mais conhecido pelo “Lecas”. Numa de militância, ponho-me a cronometrar o tempo da entrevista: 11 minutos. É muito pouco. As entrevistas estão a perder terreno no “Cabaret”. Fico com pena. Considero as entrevistas o espaço-nobre do programa.&lt;br /&gt;Mas gramei à brava ver os “bastidores” da gravação do “TV Piston”, com uma stripper egípcia que a produção do Cabaret contratou ao “Passerelle”. Eles têm um protocolo. &lt;br /&gt;Acaba o Cabaret e anunciam um filme erótico. Ponho-me a fazer “zapping”. O filme erótico tem mulheres bonitas, mas é aquela seca. O argumento serve para exibir os nus. Uma maneira de fazer porno sem a coragem de mostrar as penetrações. Porque erotismo é outra coisa. É mais “O amante de Lady Chatterley”, com a Sylvia Kristel em plena forma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me de uma Playboy brasileira com um ensaio sobre o filme. A primeira Playboy que comprei foi em 1982. Tinha a Suzane Carvalho na capa. Abençoada Natureza, que tais filhas tem! Um gajo meu amigo que está na PJ perdeu-me um número com um estudo sobre vodkas e a Ísis de Oliveira. É o que dá emprestar as coisas. Já passaram 20 anos, mas o gajo diz que continua à procura da revista. E depois ainda ‘manda bocas’: “Obrigadinho é o que eu te desejo. Desculpa lá a maçada que me deste”.&lt;br /&gt;Bem, deixo a Sic Radical e volto ao princípio. Começo na RTP 1. Vejo uns nomes italianos no genérico e ainda levo meio minuto a perceber que é o “Cinema Paraíso”. Já vi o filme várias vezes. É longo. Da primeira vez que o vi, no Londres, até chorei. Foi numa sessão das 19 horas. Depois segui até ao Pavilhão da Tapadinha, onde decorria um torneio de futebol entre jornalistas. Não era previsto eu jogar, mas acabei por ir à baliza da “Gazeta dos Desportos”, frente à “Capital”. Arranjaram-me um equipamento à pressão.&lt;br /&gt;A “Gazeta” estava um bocado descoordenada e a “Capital” passou a vida a atacar. Acabámos por perder 5-4, mas defendi à brava. Nos balneários, o capitão Mário Nóbrega (que agora está em A BOLA) disse aos jogadores:&lt;br /&gt;— Pensem no que fizeram mal, para corrigir. E se não perderam por mais podem agradecer ao guarda-redes.&lt;br /&gt;Assim até dá gosto perder! E podem crer que a “Gazeta” perdia muito. No primeiro torneio de futebol de cinco do Atlético, em 1990, perdemos os jogos todos, mas ganhámos o troféu do fair-play. Nessa altura eu tinha os cabelos compridos e jogava à frente. Fui o melhor marcador da equipa: 4 golos em dez jogos! Houve um jogo em que marquei dois golos!&lt;br /&gt;O segundo melhor marcador foi o Filipe Viana, que a malta alcunhou de “Fitrip” e fumava à bravex. Corria como o caraças, mas só durava dez minutos. Eu durava o jogo todo. Andava a correr de um lado para o outro, sempre com um defesa atrás de mim. Eles não me conheciam de lado nenhum e por uma questão de princípio marcavam o gajo mais adiantado. De maneiras que era um bailado entre o Maneta e o Fugitivo.&lt;br /&gt;O Nelson (que era o colaborador de andebol) teve uma tirada que resumia o estado de espírito da equipa:&lt;br /&gt;— Isto a seco é que custa muito! Quando se marca um golito é logo outra coisa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois, é que a Gazeta ficou em branco várias vezes. Só nos dois jogos de treino com o Atlético (éramos amigos daquela malta) levámos 18-1 e 17-2, com os gajos a jogar devagarinho. No torneio foi mais suave. Mas a última derrota custou muito. Foi com a selecção do CNID (Clube Nacional de Imprensa Desportiva). Eles estavam em últimos e nós em penúltimos, com um goal-average muito melhor, aí por 20 golos.&lt;br /&gt;Bastava-nos o empate, mas a malta queria ganhar. A coisa até estava equilibrada, mas no início da segunda parte sofremos três golos aí em cinco minutos e perdemos 8-4, acabando o torneio no último posto. Depois a malta habituou-se a ficar em último lugar nos torneios. O importante era participar.&lt;br /&gt;E lá sensibilizámos a Administração da “Gazeta” a gastar uns 15 contitos em equipamentos Tadeu e Francelina, encomendados na Casa Sena.&lt;br /&gt;— Temos de arranjar uns equipamentos diferentes de todos os outros, porque não há cacau para equipamento secundário — disse o Frederico, que tinha ficado incumbido de “dar a volta” ao administrador, para entrar com a nota.&lt;br /&gt;De comum acordo entre mim e o Fred, escolhemos camisola roxa, calção preto, meia roxa com gola alta preta. O nosso “stopper” José Peixe (por alcunha o Tubarão Roxo) disse  que estava muito bem, assim não se notavam as nódoas de tinto. Mas a maior parte da malta olhou para mim e para o Fred com má cara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Leram aqueles álbuns do Tintim em que apareciam ao Milou as vozes da consciência? Com um Milou-diabinho a envenenar e um Milou-anjinho a aconselhar o caminho moral? Bem, imaginem agora um Luís Graça-diabinho e um Luís Graça-anjinho a falar com o Luís Graça-autor.&lt;br /&gt;Diabinho — Fosca-se, man, a malta quer é sexo. Volta lá ao sexo e deixa as memórias estúpidas. O jornal até já acabou, fónix!&lt;br /&gt;Anjinho — Não, assim é que está bem. Recordar é viver, já cantava o Vítor Espadinha)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;01h20m — Zapping sexual&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não sou mal intencionado nem tarado sexual. A Helena Vasconcelos, brilhante líder das Comunidades de Leitores, denunciou-me aos novos comunitários na Biblioteca de Algés: “Ali o Luís só pensa em sexo!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para já, não é verdade. E mesmo que fosse, provo de seguida que sou apenas uma vítima da sociedade de consumo. A verdade é que toda a TV (olha, se fosse só a TV...) está infestada de sexo.&lt;br /&gt;Na RTP 1 o “Cinema Paraíso” acaba com uma antologia de “linguados”. Na 2 nada a assinalar. Na 3 não me lembro, na 4 há porrada da má, que é mais barata. No GNT há strip integral, em barcos com a bandeira do Brasil. As miúdas são bonitas e o fundo musical é de guitarradas blues. No famoso 18 há umas boazonas a gemer. Por acaso a cena nem é má, mas fico lá dez minutos só para perceber de que nacionalidade é o filme. Finalmente lá aparece um “Do you like it?” com sotaque americano. Curiosamente, tal como na GNT, as cenas passam-se num barco, em pleno rio. Mississipi? Não faço ideia. Não vi mais nada.&lt;br /&gt;Na Sic Radical está a xaropada do filme erótico com nome que nem fixei. Antes o “Ninja das Caldas”.&lt;br /&gt;Vou para o meu quarto. Dou com o pequeno saquinho preto de estrelas doiradas. Todas as sex-shops dão destes saquinhos, que são mais opacos. Para mim é tinto. Assumo o que faço e o que vejo. Não me lixem! Se compraram este livro qual é a vossa autoridade moral para criticar?&lt;br /&gt;Sim, já leram “A Idade das Trovas”, do Inocêncio Pinga-Amor (sou eu), Universitária Editora, 1999? Já leram “O homem que casou com uma estrela porno e outros contos perversos”, da Polvo, ? (Por acaso este foi mal escolhido). Já leram “De boas erecções está o Inferno cheio”, da Polvo? (Bem, este também foi mal escolhido. É do meu heterónimo Dick Hard).&lt;br /&gt;Ah! cá está um bem escolhido, mas é em mexicano: “Ventana a la nueva poesia portuguesa”, editora Desierto. Tomem! Ou “Meia-Dúzia de Maldades”, 3º prémio do concurso Inatel Novos Textos de 2000? (Por acaso este também foi mal escolhido, porque começa com um serial killer a torturar uma miúda nua). Isso não interessa, uns gajos de Valência até fizeram ensaio sobre isso na revista Art Teatral. E disseram que eu era um gajo bom. E foi um professor universitário. E na mesma crítica falava do Jaime Rocha, que foi jornalista do PÚBLICO e não tem as paranóias sexuais que dizem que eu tenho. Por isso estão a ver...&lt;br /&gt;Além do mais, há ou não liberdade de expressão? Ou a liberdade é apenas força de expressão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;02h03m — Ponho-me à vontade. Ligo o computador. Abro no coiso dos DVDs. Lê-se assim: “Uma noite no bordel”, realização de John B. Root. Estão a perceber o trocadilho com o Johny B. Goode? Os filmes pornográficos têm muito disto. Por exemplo, o nome do actor Alain Deloin (colaborador habitual da Private e dos filmes de Pierre Woodman), que na realidade se chama Akim e tem um pénis bastante rugoso.&lt;br /&gt;“Uma noite no bordel” é das Produções Marc Dorcel, o que por si só já dá certas garantias de qualidade. Distribuído em Portugal pela Milénio Editora. Actrizes: Melanie Coste, Monica Sweetheart, Nomi, Tiffany Hopkins.&lt;br /&gt;A Melanie anda nesta vida há poucos anos. Acho mesmo que já é uma starlette do século XXI. É uma miúda fina e educada. Suave mesmo. Muito comunicativa. Vi-a numa reportagem de bastidores do Salão de Bruxelas, com o realizador a apresentá-la como a “newcomer” do momento. Pois, nos filmes porno não há “draft” como na NBA, mas as estrelas são escolhidas em castings.&lt;br /&gt;A Monica é uma voluptuosa de leste, que trabalhou para a Private e depois acho que chegou mesmo às produções americanas. Lembro-me de uma cena de felação em que o menino acaba a ejacular para cima dos óculos da Monica. E duplas penetrações e tal.&lt;br /&gt;A Nomi é uma francesinha loura querida, muito desinibida, como convém. &lt;br /&gt;Mas a grande revelação da meia-hora de filme que já vi foi a Tiffany Hopkins, que também deve ser francesa. Aparece vestida de enfermeira (um clássico) e acaba a massajar um matulão. O que se destaca no filme é o à-vontade da demoiselle. É uma jovem tenra, a irradiar frescura por todo o lado. Os seios pequeninos, genuínos e arrebitados. Para quê os quilos de silicone?&lt;br /&gt;A lingerie é muito bem escolhida e é um regalo para a vista. Como mandam as regras, Tiffany despe-se progressivamente. Pois, um bom filme pornográfico tem de ser erótico e revelar preocupações estéticas. Deve mostrar a realidade com o manto diáfano da fantasia. Ou seja, munir-se de mulheres bonitas e moldá-las a um padrão estético. Maquilhagem, cabeleireiro, aparar o púbis, essas coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já pensaram que a esmagadora maioria das capas dos filmes porno não é pornográfica, mas antes erótica, a fim de estimular o desejo e espevitar a imaginação?&lt;br /&gt;Lembrem-se de uma foto premiadíssima e que é um clássico do erotismo. Um homem está sentado na praia e no areal à sua frente cruzam-se duas mulheres. Uma toda nua, outra com um véu por cima. Ele olha para a que leva o véu.&lt;br /&gt;Bem, voltando à Tiffany. Ela representa com grande descontracção, o que já não é dizer pouco. É verdade que muitas das estrelas porno não sabem representar, mas não se pode levar tudo a eito. Olhem, a americana Veronica Hart (que até entrou na série “Sete Palmos de Terra”, morria electrocutada na banheira, lembram-se? E fez de juíza no “Boogie Nights”, do Paul Thomas Anderson) até tinha cursos de representação. Hoje é realizadora.&lt;br /&gt;Bem, voltando à Tiffany. Não sei se a escolha do nome tem a ver com o Tiffany’s, mas a menina é mesmo uma pequenina jóia rara, “ivre de tendresse”. Esta eu coloquei entre aspas, mas inventei agora. Também escrevo poemas em francês. Poucos, mas escrevo. Ivre de tendresse quer dizer embriagada de ternura. Como vêem, em francês fica muito melhor. Não se pode escrever um livro com todas estas vergonhas e estar a dar uma de snob. Por isso, não é por puro pretensiosismo que escolhi estas palavras. É apenas porque estas palavras tinham de estar ali. Apesar desta obra ser escrita em vários registos (até em registo predial, porque é escrita num quinto andar de um prédio urbano).&lt;br /&gt;Bem, voltando à Tiffany (e ainda nem acabei de ver a cena dela. Não, não foi por me ter masturbado e ejaculado. Foi por ter um javali ao lume), ela começa por entrar na sala de bata branca e estetoscópio azul. Vai falando com o cavalheiro que está deitado de barriga para baixo e diagnostica-lhe stress. E vá de o massajar nas costas. Mas o monsieur continua tenso (está no script). Aí ela aplica os métodos mais revolucionários. E toma lá com o vigoroso pelas goelas acima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Desculpem a terminologia, perfeitamente deslocada. Se estou a defender a tese do filme porno bem produzido e sofisticado, não deveria utilizar linguagem mais fernando-rochesca. Daí o ter utilizado anteriormente a palavra felação, em vez de broche. Mas como a miúda se chama Tiffany o broche até pode ter dois sentidos. Pois, para cima e para baixo)&lt;br /&gt;Bem, voltando à Tiffany, a seguir ela cavalga meigamente o senhor. Um expert da pornografia como eu tem um certo olho clínico para descobrir quando elas estão a ter uma certa fruição carnal. Parece ser o caso da menina, que terá uns 20 anos. Desculpem a minha ignorância. Devia ter investigado melhor. Mas a vida é o que é. Vantagens do escritor sobre o jornalista. O escritor faz o que lhe apetece. O jornalista tem um código deontológico para desrespeitar. Não é fácil.&lt;br /&gt;Fiquei-me por aqui no filme.&lt;br /&gt;E foram 36 minutos que segui com interesse. A película começa com um tipo que tem três iniciais no nome (acho que se chama Hervé qualquer coisa, na realidade, mas com as iniciais parece que é um robot) a conduzir a caminho do bordel. O tipo é da polícia e tem de se infiltrar na casa de prazer. Em monólogo com o espectador (isto é correcto? Monólogo a dois?), vai defendendo várias teses de apreciável recorte sociológico, entre as quais a legalização da prostituição, se bem me recordo.&lt;br /&gt;Chegado ao bordel, a criada não o deixa entrar. A criada é a Nomi, que praticamente ainda não entrou em acção no filme. Apenas se vê, logo no início, uma ténua cena de masturbação, quando ela recorda com pesar o momento em que recusou prestar serviços sexuais e ficar-se apenas pela sua função de “bonne”, ou seja, criada. Não para todo o serviço, no caso em apreço. Qual preço? Já tinha dito. O DVD custou 29 euros.&lt;br /&gt;Mas o Hervé consegue entrar com uma menina do bordel que chega atrasada e o toma por um cliente. Na sala, o pessoal já está em acção, mas de forma suave. A Melanie Coste (dona do bordel) recebe os convidados com elevação. E faz a distribuição do jogo, tipo base. Henrique Vieira dos bons tempos do Benfica. Ou Nikos Galis. Ou outro. Augusto Baganha, do Sporting. Isso agora não interessa nada, como diria a Tereza Guilherme, que também tem experiência de orientar pessoas fechadas numa casa em que o sexo ocorria apenas às escondidas. Mas também havia tudo comme il faut, com felações cronometradas da Verónica ao Sérgio. A Verónica por acaso até era andebolista e não basquetebolista.&lt;br /&gt;E a Melanie sacrifica-se mesmo por uma menina do bordel que não quer ser empacotada no segundo canal. Estão a perceber? Sexo anal... pois. E lá vai a Melanie Coste na boa. E junta-se-lhe a Lea de Mae, que é uma checa que foi atleta olímpica. Não percebi se da natação se dos saltos de trampolim. Mas vi um “making of” em que a menina mergulhava que era um primor e se saracoteava para a câmara espectacularmente.&lt;br /&gt;O cliente é um italiano pequenino com uma grande sarda, habitué nas produções italianas. Aqui neste filme fala francês e safa-se muito bem. Também dá uns toques jeitosos no registo cómico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cavalheiro já está para sair quando os seus bons préstimos de cliente habitual são requisitados por outra menina da casa, que está a dar formação a uma nova menina. Lá vão os três para outro quarto, onde a novata pratica felação (broche, caralho!) no italiano. Mas ele diz-se muito cansado e a menina mais velha no bordel acaba por recriminar a mais nova, pela sua falta de técnica. A mais nova é uma loura lindíssima e acaba a masturbar o italiano. Por brincadeira, cospe para as mãos, tipo cavador profissional. Pode parecer javardice, mas este registo cómico funciona bem.&lt;br /&gt;Lembrou-me logo o senhor Valentim.&lt;br /&gt;É preciso recuar até aos anos 60, na Venda do Pinheiro, muito pré-Big Brother. Eu tinha uma vivenda com pouquinho terreno, mas os meus pais mesmo assim cultivavam qualquer coisa. E contratavam o senhor Valentim e uns amigos para ir cavar à jorna.&lt;br /&gt;Era tanto à hora mais “pistola”. A pistola era uma litrada de Camilo Alves tinto. Estávamos em pleno salazarismo. Beber vinho era dar de comer a um milhão de portugueses, mas na minha vivenda eram só o senhor Valentim e mais um amigo.&lt;br /&gt;O senhor Valentim era um homem bastante alto (mas eu também era bastante baixo com seis anos), corpulento, sempre vestido de preto, com bóina a condizer, voz de trovão e simpatia contagiante.&lt;br /&gt;— Ó menino, largue lá a enxada, o menino está a fazer buracos. Cavar é outra coisa. Dê cá isso...&lt;br /&gt;Eu dava-lhe a enxada, mas achava estranho tanto pormenor técnico.&lt;br /&gt;E o senhor Valentim volta e meia pousava a enxada, cuspia para as mãos com toda a alma, agarrava na enxada e dava-lhe uma cavadela tão grande que a terra parecia o Diabo a fugir do Richard Burton no “Exorcista”.&lt;br /&gt;Eu depois imitava e punha-me a cuspir para as mãos.&lt;br /&gt;Um dia a minha mãe viu e deu-me uma descasca. Aquilo baralhou-me. Eu percebia que não podia beber vinho, mas essa de não poder cuspir para as mãos não me entrava na carola... então se o profissional o fazia com devoção quotidiana?!?... ele há coisas...&lt;br /&gt;Bem, voltando à Tiffany, perdão, à menina nova na casa... ela acaba por fazer o italiano ejacular (vir-se, caralho!) e é finalmente aplaudida pela menina mais antiga. O italiano proclama “Milagre!”. E como ejacula completamente deitado, fica com o peito coberto de sémen. Chega-lhe até ao pescoço. O que eu apoio vivamente. A cena deixaria Maria Teresa (é com s ou z?) Horta satisfeita. Não podem ser apenas as mulheres a levar com esperma (esporra, caralho!) no corpo. Já é altura de as coisas mudarem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta cena, entra a magia do porno. O italiano ejacula em abundância (esporra-se como o caralho, caralho!), o que na realidade não seria possível. Por isso, é fácil deduzir que as duas cenas foram rodadas em dias diferentes, para se poder recobrar fôlego.&lt;br /&gt;Pronto, a 1/3 do filme é o que vos posso dizer. Talvez volte ao filme, mas nunca se sabe. Ainda agora estou a começar o diário e já vou quase com 50 mil caracteres. Os editores não papam livros grandes. O quê? O Miguel e o “Equador”? Sim e depois? Eu não sou o Miguel Sousa Tavares. Eu vejo-me forçado a andar pelos antros do sexo para ver se vendo qualquer coisita. O Miguel teve o privilégio de se abraçar a um projecto de fôlego.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37794330-116637538642174627?l=sexonanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sexonanoite.blogspot.com/feeds/116637538642174627/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37794330&amp;postID=116637538642174627&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/116637538642174627'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/116637538642174627'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sexonanoite.blogspot.com/2006/12/2-de-outubro-de-2004-cinema-s-jorge.html' title='2 de Outubro de 2004, cinema S. Jorge, 17h15m'/><author><name>Luís Graça (Dick Hard / Von Grazen)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15302192874180431145</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/buga32/luis.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37794330.post-116577682614353211</id><published>2006-12-10T18:47:00.000Z</published><updated>2006-12-10T18:53:46.150Z</updated><title type='text'>O “Clube dos corações solitários”</title><content type='html'>Conheci Cherry Chérie (nome fictício de stripper bem real, graças a Deus) no “Clube dos Corações Solitários”, nos arredores de Lisboa.&lt;br /&gt;Cherry Chérie tem sabor de cereja. É uma querida. Cherry (da parte da mãe, que nasceu em Nottingham), Chérie da parte do pai (que nasceu em Saint-Malo).&lt;br /&gt;Cherry terá sido concebida durante umas férias loucas em Bucareste. Acabou por nascer em Curitiba, onde viveu 24 anos, antes de chegar a Portugal.&lt;br /&gt;Mistura de anjinho de Boticelli com mulher fatal. Voz de mel, olhar de bambi, se os bambis tivessem os olhos azul-mediterrânico, da cor do mar. O cabelo louro desfralda-se pelos ombros em ondas de luta greco-romana com Adamastor. Não é muito alta, nem muito baixa. Os gestos são pausados, o toque sabe a meiguices.&lt;br /&gt;Os seios construídos à medida, num alfaiate doutorado em pecados. As pernas como um compasso de duas hastes revestidas a seda.&lt;br /&gt;Cherry Chérie passou a dez metros de mim e ajeitou o top.&lt;br /&gt;Vislumbrei a ponta de um seio numa fugaz fracção de segundo. E foi aí que comecei a perder-me no mar dos seus olhos, intuindo hipocritamente um desejo cruel de lhe transformar os seios em romãs maduras para devorar numa alvorada de Bali, com Deus a sorrir bem lá de cima.&lt;br /&gt;Pensei que Cherry Chérie era de leste: Letónia, Estónia, Lituânia, Rússia. Era tão-só brasileira. Sem Rio, S. Paulo ou Salvador.&lt;br /&gt;Era de Curitiba.&lt;br /&gt;E numa private dance de fascínio e sedução fugiu-me a língua para o lapso:&lt;br /&gt;— Curitiba, Pará?&lt;br /&gt;— Não, Belém é que é Pará. Curitiba é Paraná.&lt;br /&gt;Eu farto de saber. E naquela altura o meu lapso pareceu-me homérico, irreparável. Redimi-me, falando de perfumes. E assim cheirámos suavemente os nossos corpos.&lt;br /&gt;Mas o seu verdadeiro perfume era a sedução.&lt;br /&gt;Senhoras e senhores, leitores e leitoras, meninos e meninas, silêncio, por favor! Porque de aqui até ao final do livro, quando calhar, não se vai cantar o fado. Vai cantar-se outro fado.&lt;br /&gt;O destino de uma stripper brasileira em Portugal. Até que a voz me doa e a pena me caia dos dedos.&lt;br /&gt;Pelo meio haverá putas, jazz, desporto, cinema e uma legião de pequenos ácaros chamados etecéteras. A minha vida, portanto, num breve período de tempo. Semanas, para ser mais concreto. Uma espécie de moda Outono/Inverno de Lisbon by Night 2004.&lt;br /&gt;A rasar uma stripper que me passou à tangente e penetrou na alma.&lt;br /&gt;Pois não é assim que se escrevem os livros?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                          *******&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SHERRY — Type of yellow or brown wine.&lt;br /&gt;CHERRY — 1. Type of small, yellow or red (usually heart-shaped) fruit, with a stone in the middle; 2. the tree on wich this fruit grows. Also adjective having the red colour of ripe cherries.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Collins English Learner’s Dictionary, latest reprint, 1978, 273 escudos)&lt;br /&gt;Luís Graça, nº11, turma 19, 3º curso, Liceu Camões, Lisboa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                          *******&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dicionário Editora (Porto Editora), 1966, 180 escudos.&lt;br /&gt;Por Armando de Morais, Professor Metodólogo do Liceu Normal de D. Manuel II.&lt;br /&gt;Cherry — cereja, cerejeira; cherry-bob — gaipo com duas cerejas; cherry-brandy — ginjinha; cherry-pie — heliotrópio; cherry-red — rubro-cereja; cherry-stone — caroço de cereja; cherry-tree — cerejeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                          *******&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chérie — querida, amada, ternamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novo Dicionário Francês/Português. Lello e Irmãos Editores, 1962. José da Fonseca.&lt;br /&gt;Composto em conformidade com os melhores e mais modernos dicionários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Grande variedade de frases e locuções, assim como de muitos termos de Ciências e Artes, Medicina, Química, História Natural e Botânica, Comércio, Marinha, de um vocabulário Geográfico, e outro de Nomes Próprios, e enriquecido com a pronúncia figurada da língua francesa, de maneira a facilitá-la ao Leitor sem ajuda de mestre.&lt;br /&gt;Nova edição corrigida e aumentada por José Lello e Edgar Lello.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Necessário se tornava, pois, o aparecimento de um dicionário que, além de grande valor para os estudiosos portugueses, brasileiros e franceses, fosse de extrema utilidade para todos aqueles que conhecem a língua de Camões, o português que melhor conheceu, falou e escreveu a sua língua”&lt;br /&gt;(Setembro de 1962, prefácio dos editores)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                          *******&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cerejo — o tempo das cerejas. Cereja — nome de diversos frutos que se assemelham ao das cerejeiras. Do latim popular ceresia, do clássico cerasum, do grego Kerásion.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                          *******&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;And now for something completely different&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a propósito de Curitiba, comprei o DVD “Universitárias de Curitiba” (Hot Gold Collection, www.hotgoldsex.com).&lt;br /&gt;E na capa, à laia de cartão de visita: “Uma viagem ao sul do Brasil. Anal, lesbo”.  Custou 25 Euros, na sex-shop ao pé da Praça do Chile, para quem desce da Rovisco Pais, passa ao pé de um bar que se chamava “Antigamente qualquer coisa” e depois corta à direita e anda uns 80 metros, até chegar à montra com lingerie e néons vermelhos.&lt;br /&gt;Este DVD foi comprado exclusivamente por causa deste livro. Movido por uma vontade de investigação científica, percebi que era importante conhecer (nem que fosse através de DVD) meninas de Curitiba, a fim de as comparar com Cherry Chérie.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atenção, nada de confusões! As actividades são bem diferentes!&lt;br /&gt;Queria apenas comparar anatomias, sotaques, vozes. Enfim, ficar com a alma mais cheia de Curitiba.&lt;br /&gt;Elenco: Cristiane, Mariana, Nívia, Cláudia, Ricardo e Jorge.&lt;br /&gt;Ainda só vi uma cena do DVD. Deu para perceber que o nível educacional de Cherry Chérie é bastante mais elevado do que o das meninas do DVD. E Cherry Chérie é também bastante mais bonita.&lt;br /&gt;Estes DVD apostam na espontaneidade e nos baixos custos. A piada toda está em ouvir o “brasileiro”, que é uma língua cheia de mel. Não obstante, a pornografia tem o seu jargão e todas as línguas definem um glossário relativamente reduzido.&lt;br /&gt;Algumas frases e termos mais usados: “Dêlísssia”; “Gostozzza”; “Tá gôstando?”. Os gemidos tendem a ser um tanto cansativos. O sexo em brasileiro é mais dorido, como se alguém tivesse dado um pontapé num calhau ao entrar no mar.&lt;br /&gt;Uma das meninas, acho que a Nívia (que por acaso é cor de canela) faz de “pivot” e distribui jogo pelo resto do filme. Ou seja, ela é que vai evocando as histórias que servem de pretexto a “flashbacks” (analepses, em termos literários) em que se desenrola o sexo.&lt;br /&gt;Na cena que vi ela tinha um strap-on (um dildo com cinto, para actividades lésbicas ou de simulação masculina) e toma lá vai buscar Tibi na outra menina.&lt;br /&gt;O princípio da cena é que é mesmo uma “dêlísssia”.&lt;br /&gt;— Sabe, eu trouxe um presentinho para você da minha viagem.&lt;br /&gt;— A sério?&lt;br /&gt;— Sim, vou buscar para cê ver.&lt;br /&gt;Isto tudo dito com muito mel. Se, por mera hipótese, colocássemos uma audiência-piloto numa sala de cinema, a ver o filme sem imagem, começando por este diálogo, niguém diria que se tratava de um filme porno. Poderiam alvitrar coisas como: um encontro de amigas, uma delas está prestes a ser mamã e a outra trouxe-lhe um ursinho de pelúcia para o bebé.&lt;br /&gt;O porno italiano é mais cantado e óptimo para utilizar o humor; o porno americano é mais standartizado e pragmático, como numa linha de montagem, mas nas grandes produções o caso muda de figura; o porno francês é o mais bonito de se ouvir. A língua francesa casa melhor com o sexo. Não sei, digo eu.&lt;br /&gt;Um desastre verdadeiro é o porno falado em espanhol. As dobragens conseguem ser atrozes. Não é coisa que se faça a um filme pornográfico, 1º escalão, hard core.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37794330-116577682614353211?l=sexonanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sexonanoite.blogspot.com/feeds/116577682614353211/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37794330&amp;postID=116577682614353211&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/116577682614353211'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/116577682614353211'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sexonanoite.blogspot.com/2006/12/o-clube-dos-coraes-solitrios.html' title='O “Clube dos corações solitários”'/><author><name>Luís Graça (Dick Hard / Von Grazen)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15302192874180431145</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/buga32/luis.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37794330.post-116463104427469669</id><published>2006-11-27T12:35:00.000Z</published><updated>2006-12-10T18:46:55.813Z</updated><title type='text'>1 de Outubro de 2004, 00 horas (quinta-feira). Senhora do Monte (Graça), Lisboa.</title><content type='html'>Sou um lobo solitário que navega de noite.&lt;br /&gt;Sou Jack, o Estripador. Mas não tenho estômago para arejar intestinos de putas.&lt;br /&gt;Prefiro esventrar-lhes o olhar e adivinhar as ânsias de uma vida feliz.&lt;br /&gt;Navegar a noite pode ser um exercício de estilo. Ou um passeio a rasar o medo e as angústias. Porque todos os holofotes têm uma adaga pronta a disparar. Porque todos os palcos podem ser uma sauna de mágoas.&lt;br /&gt;Às vezes sinto-me Bogart, mas sem gabardina, uísques e cigarros. Às vezes sinto-me Garfield, mas não aguento mais do que duas lasanhas seguidas. Às vezes sinto-me viking, mas nunca sei onde deixei o drakkar estacionado.&lt;br /&gt;É da ressaca? Do drambuie que toca “Scotland the brave” no meu estômago a horas impróprias? Será o tatoo de Edimburgo nas minhas veias? Ou simplesmente o apelo de um hamburguer no Mais-que-Donalds?&lt;br /&gt;Putas e vinho verde. Receita santa ou ultrapassada?&lt;br /&gt;Que se lixe!&lt;br /&gt;A crise veio para ficar. Os políticos embarcaram nos camarotes cativos da Arca de Noé e empenham-se diariamente em festivais de mediocridade, cada dia um degrau mais abaixo no caminho da devassidão da inteligência. O dilúvio está próximo? Ignoro. Retiro do meu castelo da Graça, que mira Lisboa com a melancolia das gaivotas. O silêncio da noite é uma faca meiga que atravessa o coração dos puros.&lt;br /&gt;Desço.&lt;br /&gt;Rumo ao Técnico, onde as sentinelas de ébano andam na vida a fazer pela existência.&lt;br /&gt;Ressaltos de esperança às três tabelas.&lt;br /&gt;As 24 Horas de Le Mans em poucos quilómetros. Quinze minutos para dar uma volta completa, em passo calmo.&lt;br /&gt;As obras do Metro da Alameda não são o campo fortificado de Babaorum ou Laudanum. Uma sombra de traseiro mais dilatado e cabelos frisados é a sentinela do pão nosso de cada noite. A única meretriz de ébano que anda para lá e para cá desse lado da avenida.&lt;br /&gt;Um carro pára. Um homem de postura saloia sai. Fala com a sentinela de ébano, grande, robusta, determinada no seu tédio de ver as horas a passar, para cá e para lá, em passos certos de sapatos altos.&lt;br /&gt;Não é um estranho, por certo. E começa um diálogo em black and white. Ele agarra-a, arrasta-a para trás do tapume de metal cinzento, de forma firme. Ela deixa-se ir e depois recupera o fôlego e vem ao de cima da avenida. Não tem medo. Afirma-se. Joga o jogo da sedução que tem regras próprias. Não vai acontecer nada atrás do tapume. Os fetiches do cliente ficarão adiados para as calendas gregas. Aproximam-se outra vez da carrinha. Ficam a falar.&lt;br /&gt;Continuo a circular no carrossel dos carrinhos sem choque da feira de carnes mais popular do mundo, no pára-arranca do desejo.&lt;br /&gt;Tenho o meu “taco” sossegadamente em repouso por dentro dos boxers com padrão escocês e um “tasmanian devil” da Warner Brothers estampado por cima da coxa esquerda. Não são os meus “boxers” mais confortáveis. Apertam ligeiramente nas coxas. Mas recordo com ternura os desenhos animados da Warner e o espírito “pedrado” do Tasmanian Devil, que saía em minúsculos bonecos de plástico oferecidos pelas marcas de gelado.&lt;br /&gt;Olho para as frases nas paredes do Técnico e parece-me que as grande lutas já acabaram. Que as frases são apenas resquícios de um mundo que já não existe, independentemente do tamanho das letras e da justeza ou loucura das palavras de ordem.&lt;br /&gt;O meu coração está em paz. A noite serena. Mas a curiosidade de escritor e o espírito científico obrigam-me a um esforço de sistematização. Procuro captar todos os pormenores. Lá dentro, no Técnico, a guarnição de estudantes constrói um futuro que não sabe se existe.&lt;br /&gt;Cá fora, encostadas às paredes, as mulheres da vida fácil mais difícil que existe devoram o presente com a fatalidade de um “tempus fugit” tatuado no instinto de sobrevivência.&lt;br /&gt;Volta quase completa. Estou junto à estátua do António José de Almeida. Não há pides à vista, nem cargas de cavalinhos de carrossel a distribuir bastonada no 5 de Outubro. Também eu já deixei de jogar à bola no jardim fronteiro à Casa da Moeda. E os desalojados da lotaria da vida ajeitam os caixotes, deitados nos bancos. Indiferentes às mulheres da vida. Sem mulheres na vida. E com muito pouca vida igual à dos homens e mulheres ditos normais. E quanta dignidade em viver em paz mesmo sem ter nada? Toda!&lt;br /&gt;Há carros da polícia a fazer de “pace-car” à volta do Técnico. Furtivos, silenciosos, tranquilizadores. Em rondas frequentes, em velocidade moderada. E as mulheres da vida não querem saber da vida dos polícias. E os polícias não querem saber da vida das mulheres da vida. Andam às voltas porque lhes mandam andar às voltas. Andam às voltas porque a dissuasão é bela. Andam às voltas porque as associações de estudantes do Técnico lembram o aluno liquidado por uma navalha de toxicodependente. Andam às voltas porque se andarem às voltas o ambiente tende a ficar calmo.&lt;br /&gt;Uma ruiva de Ferrari Dino cinzento, modelo antigo, nos seus trintas de lábios carnudos, confessa-me um sequestro sofrido a dar o corpo ao manifesto. Pediu um cigarro. Eu não tinha. Falámos dez minutos, ao sabor do vento. Eu sem querer nada dela. Ela sem querer nada de mim. Apenas para preencher a noite.&lt;br /&gt;Prossigo.&lt;br /&gt;Alma até Almeida, a ruiva continua na vida da noite, de “bomba” atracada no porto de abrigo da placa de estacionamento central, onde os carros dos estudantes do Técnico se intercalam com os poucos veículos das mulheres de vida fácil que atacam de carro e estacionam de “nariz” virado para o Técnico. Ou então com os carros lado a lado, mas num curioso 69, abrindo as janelas para poderem falar umas com as outras quando as horas se sucedem dolorosamente pachorrentas, órfãs de clientes. É nessas horas que os meus passeios “very british”, sem cão, com jornais ou revistas debaixo do braço, intrigam as trabalhadoras. Quem será este homem de cabelo grisalho, de pera, que nos olha como se quisesse decorar todas as rugas da nossa alma?&lt;br /&gt;Volta e meia uma senhora abandona o seu veículo e abanca nos estofos da vizinha do lado. Quase todas fumam. Para matar o tempo. Tal como o meu Corto Maltese privado, comandante da marinha mercante, o avô Ayres Nunes (com y grego, como dizia) fazia nas noites de solidão, quando andava embarcado. E fumava Sagres.&lt;br /&gt;Trocam-se histórias, desgraças, olhares, fumaças, coisas tão simples como os melhores preços dos géneros essenciais, nos supermercados.&lt;br /&gt;Passo por ali, a olhar. Como quem não passa de um figurante. Sou mais bem vestido de fronha do que muitos dos clientes, tenho um ar asseadinho e bem comportado, muito longe do “serial killer”, do grunho rural do ou “pintas” que vai dar a banhada. Os cabelos grisalhos conferem-me uma certa respeitabilidade.&lt;br /&gt;Faço tráfico de saudações de boa-noite, quando calha. E não passa disso, quase sempre. Sou uma espécie de Hitchcock a passear o cãozinho nos seus filmes, em “private joke” institucional. Não faço falta à paisagem, mas a situação é bizarra.&lt;br /&gt;Sou apenas um maluco de jornais debaixo do braço? Um tarado “voyeur” que se excita ao ver as putas e se desmarca para as ruas interiores para se masturbar furiosamente, numa chulice gratuita que se recusa a pagar cinco euros que seja a quem anda na vida? Sou um quarentão sem coragem de ir mais além do que fazer périplos de tubarão tímido à volta do Técnico? Sou um solitário de sexualidade onanista, que vê as meninas em três dimensões, antes de vir para casa satisfazer-se a olhar para um DVD porno no computador?&lt;br /&gt;Ou sou um cliente exigente, que se farta de ver antes de comprar? Um cliente que as sombras vêem desaparecer e imaginam que vai à procura da realização para os outros lados do quadrilátero do Técnico?&lt;br /&gt;Ou sou apenas um homem simples, com uma úlcera duodenal, a precisar de uma certa verticalidade caminhante a seguir ao jantar tardio? Um homem que passeia também por muitos outros sítios e se deixou de peregrinar a Almirante Reis, hoje com perigos a mais para um puto burguês que apenas por acaso já dobrou o Bojador dos quarenta?&lt;br /&gt;Ou sou um homem que gosta de apanhar ar antes de ir para casa depois de uma sessão da meia-noite no Monumental ou de uma tertúlia bem regada a diálogos castiços com a fauna nocturna que, ainda e sempre, resiste ao sono no eterno Galeto?&lt;br /&gt;— Olá, amor. Vem cá, não fujas.&lt;br /&gt;Por vezes a crise obriga ao chamamento profissional. Pouco vulgar. E lá faço um sorriso de ocasião, um gesto de braço (“não, muito obrigado”), um boa-noite simples, sem chantilly ou cereja no topo da voz.&lt;br /&gt;As putas merecem-me o calor humano que tenho guardado no ventrículo esquerdo. Às vezes penso que um dia serei capaz de sorrir aos políticos da mesma forma.&lt;br /&gt;Mas o meu coração tem pouco fel e as putas vendem-se de forma muito mais honesta. Entre uma puta (mulher eternamente ao ataque) e um futebolista (homem eternamente à defesa do resultado), vomitando no espectáculo que lhe dá de comer à vaidade, escolho sem hesitar a decadência suave de uma puta.&lt;br /&gt;Para além disso, os futebolistas passam a vida a dar porrada nos colegas. Nas putas é muito menos frequente. Há mais respeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;03h15m – Zona do Técnico&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma pérola de ébano cruza-se comigo. Não tem ar de puta. Veste-se de forma perfeitamente discreta. Não fosse a zona e a hora, ninguém diria que se estava em presença de uma mulher da vida, designação muitíssimo curiosa.&lt;br /&gt;— Boa-noite — disse-me a pérola de ébano.&lt;br /&gt;— Boa-noite — respondi eu, afastando-me em passo lento.&lt;br /&gt;Separámo-nos um do outro. Nem dez segundos decorridos, ouço a voz suave da puta:&lt;br /&gt;— Quer falar comigo? — e ela sorria.&lt;br /&gt;— Posso falar — sorri de volta e aproximei-me.&lt;br /&gt;— São 35 para a pensão.&lt;br /&gt;— Ando só a passear. Moro aqui perto.&lt;br /&gt;O espanto tomou-lhe conta do rosto. Percebo a sua linha de raciocínio: “Mas este tipo não percebeu que eu sou puta? Que falar comigo corresponde a um acto sexual?”. Compreendo que não encara a possibilidade de estar a troçar dela. Percebe que essa não é a minha intenção.&lt;br /&gt;— Eu trabalho.&lt;br /&gt;E disse isto de forma ternamente revoltada. Como quem diz: “Falar comigo é foder”.&lt;br /&gt;— Ando só a passear. Muito obrigado.&lt;br /&gt;— Nada.&lt;br /&gt;E afastou-se. E afastei-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;03h30m - zona do Técnico&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cruzo-me com um grunho de metro e oitenta, a ver as mensagens do telemóvel. Pinta de emigrante português no Luxemburgo e família em Paris, sem ofensa para todas as partes envolvidas, portugueses incluídos.&lt;br /&gt;Dou a volta à esquina, começando a subir a Rovisco Pais. Uma chavala morena, matulona, com camisa à Feyenoord (branca de um lado, vermelha do outro, na vertical, como no equipamento antigo do Sporting, mas em vermelho) e botas à cowgirl texana (em branco imaculado e tacão à goleador) sai de um carro que a deixa na placa central. Missão cumprida.&lt;br /&gt;Subo.&lt;br /&gt;Na paragem do 60, uma pérola de ébano, grande e esbelta, entra em diálogo com o condutor de um carro. A pérola de ébano entra para o carro e seguem para o destino sexual mais próximo.&lt;br /&gt;Dois rapazolas com ar moderno e descuidado peregrinam insistentemente o muro do Técnico, tipo forte do Beau Geste. A ver as putas? Nada disso. Provavelmente dois estudantes a terminar uma noitada mergulhada em projectos. Queriam saltar o muro, para cortar caminho.&lt;br /&gt;Analisam a saída mais próxima, sem muro. São três metros e picos até ao chão, poiso habitual de putas. Desta feita, estão ausentes. O território marcado por uma garrafa de cerveja Superbock (vazia) e os restos de um maço de cigarros. Duas ou três beatas no chão.&lt;br /&gt;Os estudantes desistem do salto, com vista para uma vetusta farmácia, do lado oposto. Dobro a esquina. Atravesso a rua, novamente a subir para o Técnico.&lt;br /&gt;Do outro lado da estrada fazem-me aqueles sons que se usam habitualmente para chamar um cão. Um simulacro de beijinhos, mas com grande potência fonética. Sons pretensamente libidinosos. Atravesso a estrada.&lt;br /&gt;— Vamo fodê? — diz a menina, maior do que eu, mais larga do que eu, corpo de King Kong miniatura, lábios carnudos, vagamente aparentada com Mike Tyson, muito provavelmente. Não tenho um receio muito profundo de que me bata, porque não tem motivos para isso. Num relâmpago, imagino-a por cima de mim, cavalgando-me insistentemente, com os cabelos em desalinho e um ar profissional, a ver se despacha o serviço rapidamente. Imagino molas de cama a ranger como no filme “Delicatessen”.&lt;br /&gt;É difícil compreender o português dela. Não parece ser oriunda dos países de expressão oficial portuguesa. Percebe a língua, mas fala mal. Isso causa um certo ruído na comunicação. &lt;br /&gt;— Só ando a passear.&lt;br /&gt;— Si. Má podêmo fodê e passeá, tu y io.&lt;br /&gt;— Obrigado. Para já, nem tenho dinheiro. Obrigado.&lt;br /&gt;O argumento da ausência de dinheiro convenceu-a. Despediu-se com um “Tchau” prolongado, sem ressentimentos pelo facto de eu atravessar a rua e não querer nada com ela.&lt;br /&gt;Penso: será mais educado ignorar as saudações das putas, para não alimentar expectativas? Mas falar com elas não é compromisso. Suponhamos que eu considero o preço caro e não se chega a acordo. Que não há química. Nestes casos, há diálogo, mas não existe consenso. Será que a desilusão as assalta, de igual forma? Ou apenas as surpreende a minha forma E.T. de andar à volta do Técnico?&lt;br /&gt;Afasto-me, sem receber na fronha um par de lamparinas que me faria andar à procura do Norte três quinze dias. Safei-me. Não fiz nada para merecer o espancamento, mas arrisquei-me.&lt;br /&gt;Subo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;03h40m – Zona do Técnico, por baixo da estátua de António José de Almeida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina que costuma poisar na paragem andou quinze metros e sentou-se por baixo da estátua. Entro em delírio e imagino-a a dialogar com o Tó-Zé.&lt;br /&gt;— Desculpe, não tem um cigarro que me dê?&lt;br /&gt;— Não dou cigarros a putas.&lt;br /&gt;— Deves ser muito importante.&lt;br /&gt;— Minha senhora, o meu nome é António José de Almeida. Nasci a 27 de Julho de 1866, em Vale da Vinha, concelho de Penacova. Em Dezembro de 1910 casei com D. Maria Joana Queiroga de Almeida, de quem tive uma filha. Faleci em Lisboa, a 31 de Outubro de 1929. Estudei em Coimbra e formei-me em Medicina, em 1895, com a classificação de distinto, com 15 valores. Estive a exercer em S. Tomé durante sete anos e regressei a Lisboa em 1903.&lt;br /&gt;— Vê lá se te calas, que eu não tenho pachorra para ouvir currículos a esta hora da noite. Dás-me um cigarro ou não?&lt;br /&gt;— Minha senhora, não dou cigarros a putas.&lt;br /&gt;— Então vai pró caralho.&lt;br /&gt;— A senhora sabe que acabou de insultar o Presidente da República eleito a 6 de Agosto de 1919, ao fim do terceiro escrutínio?&lt;br /&gt;— Ó pá, vai levar na bilha.&lt;br /&gt;— Não posso crer! O Leopoldo de Almeida e o Pardal Monteiro ficarão a par dos seus desmandos!&lt;br /&gt;— Quem são esses cabrões?&lt;br /&gt;— A senhora ignora o escultor Leopoldo de Almeida e o arquitecto Pardal Monteiro, autores desta estátua que sou eu, desta figura insigne, testemunha de outros tempos em que a polidez imperava?&lt;br /&gt;— Foda-se, pá, ganda pancada. Se soubesse nem tinha pedido o cigarro. Ó meu, atina!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;03h45m - Zona do Técnico&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As auto-putas estacionam entre o Instituto Nacional de Estatística e a estátua do António José de Almeida.&lt;br /&gt;A meio caminho entre os dois pontos, duas putas estão de cócoras a espreitar para baixo do carro de uma delas. Intrigo-me: um gato? Fuga de óleo?&lt;br /&gt;— Vais ver que ele ainda me diz: “Ó D. Maria, a senhora é que tem as válvulas desapertadas”.&lt;br /&gt;Fica assim provado pela imagem anexa que mesmo as putas têm problemas mecânicos. E que os mecânicos não se inibem de mandar bocas às putas. Imagino que não façam ideia da profissão das suas clientes. Mas isto sou eu a pensar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;03h47m - um pouco abaixo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cruzo-me com uma puta gordinha, muito nova, que acabou de evitar uma queda por um triz, depois de se ter desequilibrado nos seus sapatos de salto alto. Não evitou um desabafo de si para si:&lt;br /&gt;— Palavra de honra, não sei como ainda não parti os cornos com estes sapatos!&lt;br /&gt;E depois diz-me boa-noite, de forma rotineira e muito educada. Respondi na mesma moeda. Mas esta menina sabia que um simples boa-noite não quer dizer absolutamente nada. &lt;br /&gt;As cidades estão a perder essa rotina rural que se chama “Dar a salva”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37794330-116463104427469669?l=sexonanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sexonanoite.blogspot.com/feeds/116463104427469669/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37794330&amp;postID=116463104427469669&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/116463104427469669'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/116463104427469669'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sexonanoite.blogspot.com/2006/11/1-de-outubro-de-2004-00-horas-quinta.html' title='1 de Outubro de 2004, 00 horas (quinta-feira). Senhora do Monte (Graça), Lisboa.'/><author><name>Luís Graça (Dick Hard / Von Grazen)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15302192874180431145</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/buga32/luis.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37794330.post-116454634745433443</id><published>2006-11-26T13:05:00.000Z</published><updated>2006-11-27T12:31:34.596Z</updated><title type='text'>Perdido na noite à procura de sexo</title><content type='html'>Quem? Eu?&lt;br /&gt;Sim, evidentemente.&lt;br /&gt;Por motivos exclusivamente literários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu explico. Debati-me com a Leitura de “Diário de uma Ninfomaníaca”. Debati-me com a leitura de “Escovei o cabelo cem vezes antes de me deitar”. Pensei: “Bolas, não me digas que não escrevo melhor do que isto?”.&lt;br /&gt;Pensei em fazer o diário de uma prostituta. Ela disse-me: “Se eu quisesse escrever, escrevia. Tenho computador em casa. A minha vida não dava um livro. Dava dez filmes. Não queres falar comigo daqui a uns meses?”. Agradeci e declinei. Tinha pressa. Lancei o desafio a uma “stripper”. Aceitou. Lancei o convite a uma editora. Aceitou.&lt;br /&gt;A “stripper” desapareceu de circulação. A editora não gostou do tom humorístico que imprimi à escrita.&lt;br /&gt;Estava a meio do projecto e já com dinheiro gasto em Private Dances e em bebidas. Racionei a dose, escolhi muito bem os dias e continuei até ao final.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois o livro andou por aí nas editoras. E fui vendo o sexo a sair como gente grande. A dançar o tango nos escaparates.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegou a minha vez de dançar o tango na Net, com o sexo. Dois anos depois de ter acabado a escrita do livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este é o “Diário Sexual de um Escritor Frustrado”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Três meses a passear na noite lisboeta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agasalhem-se. A noite é fria.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37794330-116454634745433443?l=sexonanoite.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sexonanoite.blogspot.com/feeds/116454634745433443/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37794330&amp;postID=116454634745433443&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/116454634745433443'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37794330/posts/default/116454634745433443'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sexonanoite.blogspot.com/2006/11/perdido-na-noite-procura-de-sexo.html' title='Perdido na noite à procura de sexo'/><author><name>Luís Graça (Dick Hard / Von Grazen)</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15302192874180431145</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://img.photobucket.com/albums/v350/buga32/luis.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry></feed>
